17 março 2007

DO ANZOL PARA O AQUÁRIO







O desejo do homem de esquadrinhar o que existe no interior do outro, é tão forte, que ele chega a esquecer do seu próprio coração. E numa ânsia ousada, luta para tomar posse do outro, quando muito mal cuida dele próprio. Esse homem não é senhor de si, mas quer ter a certeza do destino do seu semelhante. Ele diz para si mesmo: “Eu já estou seguro”. Ao olhar para o outro que lhe serve de espelho, tranqüiliza-se, pois vê nele a sua própria imagem refletida.

Agora, o espelho quebrado, já não reflete mais a imagem ilusória de duas almas em um só corpo. Ele se entristece e se indigna ao contemplar aqueloutro que outrora, de tão parecido em idéias, pensamentos e costumes comportava-se como se fosse o seu duplo. E esse homem, ao invés de se contentar em viver aprendendo com as diferenças, junto com aquele que lhe é agora estranho, procura por todos os meios torná-lo um igual.

Esse homem se vê só e perdido. E para sair de sua solidão, resolve reconstruir o templo, consertando o véu que foi rasgado de alto a baixo por Cristo. Este véu reparado volta a esconder um altar, que não havia mais razão de existir. É lá neste altar refeito, que ele se sacrifica a fim de afugentar os seus medos e temores.

Ele não sabe, ou faz de conta que não sabe, que o “muro” que separava os de pensar diferentes, como os judeus e os gentios, foi derrubado para que ele pudesse compreender seu próprio ser, na estranheza do outro.

Esse homem não visita mais o livro do Gênesis, pois não gosta de “museu”. Não entende, que lá nos primórdios da criação, Deus deixou um ser diferente dele, chamado EVA, para que ele pudesse iniciar o “jardim da infância” do aprendizado com as diferenças. Porém, o que este homem adora, é fazer do outro “objeto” de seu desejo.

Ele quer a todo custo retomar a posse daquele que era o seu espelho. Então, ao avistar aquele que era o seu duplo, abre a boca e dá uma “profetada”, dizendo que é por amor. Com a mão em punho, dá um soco no ar e o ameaça: Tu virás, nem que seja pelo “anzol”.

Pobre “pescador de anzol”. Esqueceu que a pescaria que Cristo ensinou a Pedro, era de rede. Que insanidade, pescar almas aflitas com anzol. Pedro até que tentou este tipo de pescaria, fazendo das minhocas dos gentios, iscas para o seu anzol, de cuja vara pendia uma linha frágil chamada “circuncisão”.

Esse homem aprendeu esse tipo de pescaria, com os “fariseus”.

As iscas dos fariseus eram de imitação. Eles se acostumaram a pegar aqueles peixes incautos, que tomados pela fome dos olhos, não enxergavam a arma letal que se escondia por dentro da isca. Os peixes mais belos eram retirados ainda vivos dos seus anzóis e colocados em “aquários”, cujas paredes denominavam de “doutrina”. E ali, os pobres peixes ficavam a nadar na insípida água de seu novo templo, chamado tanque, ou aquário ─ , representação esdrúxula do real oceano criado por Deus.

Esse homem fica horas, e mais horas, estático, diante destes “templos-aquários”, apreciando os movimentos estonteados dos peixes a se baterem contra as paredes de vidros (doutrinas), numa tentativa inútil de se livrar da prisão onde foram confinados. Esse homem, no entanto, ignora que eles, os peixes, foram violentados com a perda da liberdade.

Esse homem, ou é surdo, ou faz ouvidos moucos para o que Cristo está a bradar:

─ Atenta-te para me ouvir ó insensato homem! ─ Eu vim ao mundo para encurtar a distancia entre ti e o meu Pai. Não quiseste; preferiste erigir um púlpito, ou altar para ficar bem distante de mim. Eu vim para conversar contigo, como os irmãos fazem a hora do jantar, sentados ao redor de uma mesa. Eu queria te tratar como a um irmão, e não ser adorado e temido como um ídolo. Queria te ver vestido na simplicidade dos comuns, mas preferiste paletó e gravata. Os pequeninos têm medo de se aproximar de ti, pois estás muito diferente com esta vestimenta e, além do mais, coberto por um véu que eu já tinha rasgado de uma vez por todas lá na cruz do “calvário”. Soerguesse de novo o altar que foi destruído com o templo, para adornar o teu céu ficcional com os inocentes peixinhos, criados por meu Pai para serem livres. Esqueceste, que a maldição da força do “anzol”, eu quebrei lá na cruz. Agora, abre os teus olhos, e recolhe o teu anzol. Quebra os teus aquários, e devolve estes peixes ao meu mar, de onde nunca deveriam ter sido violentamente tirados.

SE O FILHO VOS LIBERTAR, VERDADEIRAMENTE SEREIS LIVRES. (João 8,36)

Um comentário:

Cristiane disse...

TIO , O ASSUNTO FOI TÃO CONTUNDENTE QUE DEPOIS FAÇO MEU COMENTÁRIO; QUANDO RECOBRAR O FÔLEGO.rsrsrsrsrs