29 janeiro 2008

VOZES ANCESTRAIS


...

Da garganta me sai esta voz,

Expressão dos meus sentimentos.

É a linguagem dos meus avós,

Transformada em meu alimento.

Quando eu falo, falam meus pais,

Sou o eco dos seus pensamentos.



É só minha: eu pensava assim

Esta voz que ecoa no ar,

Quando sai lá dentro de mim,

Traduz só o que estou a pensar?

Me iludo! Isto não é verdade,

São gritos que se fazem somar.



A voz de muitos está no meu grito,

Pois em mim tudo foi repassado.

E nas dores que me deixam aflito,

Não estou só, nem abandonado,

Até os gemidos que emito no ar,

Expressam dores dos antepassados.



Cada riso, lágrima ou pranto,

São expressões que vem lá de trás.

Se repetem a maneira de um rito,

Estes ecos, esta voz, estes ais.

E me queima com ferro e fogo,

Evocando os meus ancestrais.



Esta voz que em mim se duplica,

Enquanto vivo, não me deixará.

Ela é um selo que comigo fica,

É minha marca, é meu DNA.

Com sussurros à alma suplica,

Em meio ao eco de vozes no ar.



Levi B. Santos

Guarabira, 28 de Janeiro de 2008


Da

Um comentário:

Cristiane disse...

Excelente!! Adorei!! MUITO BACANA!!