25 março 2008

O TREM DE ALAGOA GRANDE - "REMINISCÊNCIAS"

.................(Estação de trem em A. Grande - hoje em ruínas)


...........................A mesma estação nos idos de 1930





........................O velho na rede relembra

..........................Marcas que o tempo imprimiu.

..........................Cenas tão vivas da infância,

..........................Riqueza que um dia existiu.

..........................Mas que conserva a flagrância,

..........................Do que viu, e o que ouviu.




..........................Ouvia o apitar do trem,

..........................Deitado, de madrugada.

..........................Da locomotiva o barulho,

..........................Dando início a jornada.

..........................Na distante Capital,

..........................Parentes esperam a chegada.




..........................Andar de trem nessa época,

..........................Deixava a mil os corações.

..........................Sentar nos bancos macios,

..........................Olhar por seus janelões,

..........................A paisagem em movimento,

..........................Como um filme nos telões.




...........................Em cada estação era uma festa

...........................Quando o trem então parava.

...........................A meninada alvoroçada,

...........................Pelos vagões passeava.

...........................Comendo fruta e cocada

...........................Que os pais então compravam.




............................Café com pão, bolacha não,

............................Lá ia o trem a cantar.

............................Mas não doía aos ouvidos,

............................Esse seu estribilhar.

............................E a gente então cochilava

............................No seu ritmo a balançar.




............................Do dia, ao entardecer,

............................No calçadão da estação,

............................Meninos, moços e velhos,

............................Com o coração nas mãos,

............................Aguardavam o velho trem,

............................Com os pais e seus irmãos.




............................Freando forte nos trilhos,

............................Eu ouvia o trem a chiar.

............................Muita gente em alvoroço,

............................E eu na janela a espiar,

............................Beijos, risos e abraços,

.............................Dos que estavam a esperar.




............................Hoje, aos sessenta anos,

............................Resolvi dar uma olhada,

............................Na velha estação de trem.

............................Fiz nostálgica caminhada,

............................Por onde passavam as linhas,

............................Numa rua, sepultadas.




............................Consegui conter as lágrimas,

............................Ao ver tudo abandonado.

............................As paredes ainda de pé,

............................Com mesmo tom amarelado,

............................E lá em cima, no cume,

............................O nome da terra estampado.




.............................Versos por: Levi B. Santos

..............................Guarabira, 25 de Março de 2008

.......................

Nenhum comentário: