30 março 2008

QUANDO NOS TORNAMOS INVISÍVEIS




Um grande amigo enviou-me recentemente um interessante slide animado, via internet. Nele, uma velhinha demonstra de modo bastante sentimental, como se tornou um “estorvo” no meio da família.

No dizer da vovó do “slide”, seus filhos e netos já não lhe davam mais afagos. Sentia-se rejeitada, ao ver que no seu dia-a-dia, eles não mais a valorizavam. Sua vida, ultimamente, vinha sendo passada despercebida por todos, e isto lhe causava muita tristeza. Por não mais a olharem como antigamente, ela concluía que eles não estavam mais notando a sua presença naquele ambiente, como se ela mesma, tivesse sido transformada em um ser invisível. Após narrar toda sua odisséia repleta de ressentimentos, sublinhando a ingratidão que estava sofrendo por parte da família, ela, no final, ao que parece, resolveu dar uma abrupta olhada reflexiva para dentro de si. Fez então uma conclusão emblemática, que me chamou muito a atenção. Assisti por mais de uma vez ao slide, concentrando-me mais no desfecho da história, em que a vovó fez uma abordagem carregada de significação. Em forma de pergunta, revelou toda a verdade cristalina e insofismável de seu próprio ser: “QUE CULPA ELES TÊM DE QUE EU ME TENHA TORNADO INVISÍVEL?”. Em outras palavras, a velhinha quis dizer: “Se eles não me vêem, é porque me tornei invisível”. Graças! ─ ela chegara à verdadeira e sábia conclusão de que o problema não estava nos filhos e nos netos, mas sim nela. Entendeu que os filhos, agora crescidos, não podiam enxergá-la, porque ela mesma, com o passar dos anos, é que tinha ficado INVISÍVEL para eles.

O que é visível para nós, é aquilo que vemos pelos olhos físicos. Por esses olhos, avistamos apenas o exterior do objeto que está em nosso campo visual; vemos simplesmente a casca do fruto; é o revestimento externo, aquilo que enxergamos. Quando passamos a viver unicamente em função daquilo que é visível, ao tentarmos enfrentar os "reveses da vida", somos dominados pela sensação de que estamos sendo injustiçados e incompreendidos.

O psicanalista Jung foi quem mais estudou os arquétipos de nossa psique. Ele encontrou na criatura humana, uma face que todos nós temos, e às vezes não sabemos que temos, e que ele denominou de “Persona”. É a máscara social, é o papel de padrões de conduta que desempenhamos socialmente. No dizer de Jung, “todos nós vivemos papéis o tempo todo. O risco é nos identificarmos demais com os nossos papéis, e nos distanciarmos da nossa natureza e da nossa integridade”. Ao realizar o nosso papel, o nosso ideal de ser vivente, necessitamos da presença do outro. No entanto, o que devemos ter em mente é que não podemos fazer do nosso semelhante, um “objeto” dos nossos desejos. Quando assim o fazemos, nos surpreendemos ao constatar que esse outro, tem suas individualidades e particularidades próprias, que os nossos olhos comuns não podem enxergar. Entre nós e os outros existe sempre um vazio, sempre uma incógnita, pois, como bem disse Pascal: “o coração tem razões que a nossa própria razão desconhece”.

Quando o outro com quem convivemos, em um determinado momento, deixa de corresponder àquilo que desejávamos, ficamos então acabrunhados e decepcionados. Isto, porque nos acostumamos a fazer dele, apenas um receptáculo, um vaso para deposição dos nossos anseios. O que acontece quando o outro não nos corresponde? Passamos a racionalizar que ele não está mais nos vendo. Não está mais nos considerando. Ficamos solitários, nus, invisíveis, quando o outro deixa de ser objeto em nosso proveito. Porém, em tudo isso, há um lado positivo que pode amenizar a solidão de nossa invisibilidade, é que este estado de coisas nos estimula a um olhar mais profundo para dentro de nós. Aí então, é quando a nossa mente se abre para entender que não é o outro que não nos vê; nós é que nos tornamos invisíveis para ele.

Alguém poderá argumentar: e o amor, aonde fica?

Ora, existe uma grande diferença entre apego (alienação) e amor. Na alienação ou apego, o fato de discordar, deixa uma ferida, uma mágoa, uma cicatriz permanente, como se na discordância um estivesse levando o pedaço do outro. O amor, como bem frisou o apóstolo Paulo: “[...] é paciente, é benigno. O amor não inveja, não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal, não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. ( Coríntios 13 : 4 à 7)”.

Existe o grande perigo da queixa lamuriosa dos pais com relação aos filhos, se transformar em ressentimento, o que significa atribuir ao outro a responsabilidade pelo que lhe faz sofrer. Esse sentimento advém, por exemplo, quando os pais fazem dos filhos objetos, ou um investimento, do qual não obtiveram beneficios. Há pais que dizem, que o fazem por amor. Obviamente, nada há de amor que justifique esse procedimento, porque o amor não busca seus próprios interesses.

Se chegarmos à velhice, sem os queixumes de que nos tornamos INVISÍVEIS para os outros, partiremos desta vida mais aliviados e em paz conosco mesmos. Para isso, resta tão somente, não culpabilizar os outros pelas nossas frustrações, até mesmo, porque cada um vai dar conta de si mesmo a Deus. Faz parte da nossa existência, as situações difíceis do nosso caminhar, carregadas de obstáculos aparentemente intransponíveis. Cabe a cada um de nós, a responsabilidade de, sem apontar alguém como culpado, tomar a cruz e seguir em frente.




Ensaio por Levi B. Santos

Guarabira, 30 de Março de 2008

25 março 2008

O TREM DE ALAGOA GRANDE - "REMINISCÊNCIAS"

.................(Estação de trem em A. Grande - hoje em ruínas)


...........................A mesma estação nos idos de 1930





........................O velho na rede relembra

..........................Marcas que o tempo imprimiu.

..........................Cenas tão vivas da infância,

..........................Riqueza que um dia existiu.

..........................Mas que conserva a flagrância,

..........................Do que viu, e o que ouviu.




..........................Ouvia o apitar do trem,

..........................Deitado, de madrugada.

..........................Da locomotiva o barulho,

..........................Dando início a jornada.

..........................Na distante Capital,

..........................Parentes esperam a chegada.




..........................Andar de trem nessa época,

..........................Deixava a mil os corações.

..........................Sentar nos bancos macios,

..........................Olhar por seus janelões,

..........................A paisagem em movimento,

..........................Como um filme nos telões.




...........................Em cada estação era uma festa

...........................Quando o trem então parava.

...........................A meninada alvoroçada,

...........................Pelos vagões passeava.

...........................Comendo fruta e cocada

...........................Que os pais então compravam.




............................Café com pão, bolacha não,

............................Lá ia o trem a cantar.

............................Mas não doía aos ouvidos,

............................Esse seu estribilhar.

............................E a gente então cochilava

............................No seu ritmo a balançar.




............................Do dia, ao entardecer,

............................No calçadão da estação,

............................Meninos, moços e velhos,

............................Com o coração nas mãos,

............................Aguardavam o velho trem,

............................Com os pais e seus irmãos.




............................Freando forte nos trilhos,

............................Eu ouvia o trem a chiar.

............................Muita gente em alvoroço,

............................E eu na janela a espiar,

............................Beijos, risos e abraços,

.............................Dos que estavam a esperar.




............................Hoje, aos sessenta anos,

............................Resolvi dar uma olhada,

............................Na velha estação de trem.

............................Fiz nostálgica caminhada,

............................Por onde passavam as linhas,

............................Numa rua, sepultadas.




............................Consegui conter as lágrimas,

............................Ao ver tudo abandonado.

............................As paredes ainda de pé,

............................Com mesmo tom amarelado,

............................E lá em cima, no cume,

............................O nome da terra estampado.




.............................Versos por: Levi B. Santos

..............................Guarabira, 25 de Março de 2008

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20 março 2008

A PÁSCOA NOSSA DE CADA DIA



Para ser comemorada, a Páscoa tem lá os seus dias marcados no calendário do tempo, e como rito, ocorre uma só vez durante o ano. Porém, se refletirmos melhor sobre o seu mais profundo significado, iremos compreender que ela se faz presente em nós, todos os dias.

A palavra “páscoa” deriva-se do hebraico (pessach), que significa “PASSAGEM”. Os Judeus comumente a comemoram, em referência a sua saída do Egito para a terra prometida, quando perseguidos pelos exércitos de Faraó, efetuaram a passagem pelo mar vermelho a pé enxutos, sem que ninguém houvesse sido tragado pelo obscuro e tormentoso oceano.

Precisamos entender que a páscoa deve ser algo permanente em nós. Estamos sempre de passagem pelos revoltos mares da vida, e não devemos andar ansiosos, pois cada dia tem o seu mal a ser vencido, como se referiu Cristo em Mateus 6: 34. Consequentemente, a cada dia, temos de enfrentar a nossa páscoa individual. A cada dia temos que superar um “mar vermelho” de aflições. “Não digas jamais que chegastes; porque tu és passageiro em trânsito”, escreveu o poeta Egípcio Edmond Jabès, reconhecendo que estamos sempre caminhando, sempre de passagem. E o solo que se pisará amanhã, nunca será o mesmo de hoje. Nesse sentido, enquanto aqui vivermos, somos seres sem terra, sem pátria, vagando por caminhos nunca dantes navegados. Caminhar pela penosa estrada da vida, enfrentando desafios, é andar continuamente em páscoa, e como um estrangeiro, viver sempre de passagem. A cada dia, a cada manhã, colhemos experiências novas, ouvimos “cânticos novos”, como os de Davi: “Pôs um cântico novo na minha boca [...] (Salmos 40: 3)”. A vida é um caminho sem volta. A mulher de Ló, na sua caminhada, parou, e ao desejar voltar transformou-se em estátua, por recusar conhecer o novo, o desconhecido que tinha pela frente. Toda vez que por medo, por comodidade ou por resistência não nos abrirmos para o novo, e ficarmos sempre a remoer o passado com repetições e rituais vãos, estaremos nos tornando objetos fixos ou estátuas.

Cristo na sua passagem pelo mundo, mediante a novidade de vida que pregava, não foi aceito pelas pessoas intransigentes em seus conceitos. Muitos não o aceitaram por que viam nele um destruidor dos paradigmas em que estavam fortemente firmados. Não suportaram ver um Cristo tomando vinho com os pecadores; escandalizaram-se ao ver uma prostituta derramar sobre os pés do Salvador um caríssimo perfume, para logo depois, com os seus longos e sedosos cabelos enxugá-los com carinho. O religioso de conceitos imutáveis, não aceita ser um errante, não quer enxergar no seu caminhar, uma nova paisagem a cada passo. Ele teme ser abalado em sua estrutura, ao se abrir para a contemplação daquilo que não concorda, ou não deseja ver.

O Talmude, livro guardião da transmissão judaica, não admite uma leitura fixa, imutável, isto é, uma leitura que impeça a produção de novos pensamentos. Ele está sempre aberto a novos significantes, não se abstendo de apreender o novo, que vai surgindo com o nosso caminhar, com a nossa páscoa individual e diária.

O medo de naufragar no obscuro oceano, nos paralisa, impedindo a nossa passagem por entre as revoltas águas, que são as tormentas da vida, quando esse “eu” imobilizado e petrificado, não mais consegue ir a lugar algum.

Para viver em constante páscoa, é necessário ter consciência de que devemos estar com o nosso entendimento em constante renovação. Em outras palavras, isto significa que devemos nos desfazer da rigidez estática religiosa carregada de preconceitos, para que possamos aceitar de bom grado, a existência das múltiplas faces de um Deus que está sempre em movimento.


Ensaio: por Levi B. Santos

Guarabira, 20 de Março de 2008

16 março 2008

VIVO ─ , POR ISSO ESCREVO



Uma necessidade extrema, sob a forma de desejos incontidos, nos impulsiona a passar para o papel o que percebemos em nossa vida interior. Realidades internas, tal qual sonhos eletrizantes, belos ou carregados de absurdos, são descritas para os outros, com avidez e riqueza de detalhes incomuns, como se a história onírica vinda do nosso inconsciente no silêncio mais profundo da noite, tivesse o condão de alertar, influir ou interagir frente ao nosso semelhante.

O que nos induz a escrever sobre nossas experiências, sobre nossos sonhos, sobre nossas dores, sobre os nossos ideais às vezes “loucos”?. A razão talvez esteja no fascínio que o poder da palavra escrita exerce, ao resistir às intempéries do tempo, ao permanecer intacta, perdurando além da nossa efêmera existência.

Quando a linguagem falada não encontra um escoadouro ou um porto seguro, nos valemos da escrita como instrumento de comunicação. A “fala”, linguagem do tête-à-tête é expressão difícil para os tímidos, os quais só encontram consolo na solidão de um quarto, tendo como companheiros uma mesa, um papel e um lápis. Das palavras faladas, muitas se perdem por serem ditas e não gravadas, e tal folhas secas sobre o solo, são varridas para bem longe, açoitadas pelo vento. Porém, a escrita permanece. A Bíblia, o livro dos livros, foi resultado de uma longa e sofrida elaboração, registrada em pergaminho por incansáveis escribas. Moisés registrou a aliança de Deus com o seu povo escrevendo em tábuas de pedra. O evangelista São João, exilado na ilha de Patmos, ouviu dentro de si uma voz que dizia: “o que vês escreve-o num livro [...]” (Apocalipse 1 : 11)

Viver é sofrer. É afligir-se no espinhoso caminho da vida. É sentir-se cansado do arrastar lento e rotineiro dos dias. É resistir, agarrando-se as pedras íngremes da estrada do tempo. Quando vencemos na vida, vencemos apenas etapas ou degraus da imensa escada existencial. Já nascemos chorando; o riso é apenas um pequeno intervalo de felicidade entre os choros. Karen Blixten, escritora Dinamarquesa, assim se expressou sobre esse tema: “Todos os sofrimentos podem ser suportados se conseguirmos convertê-los numa história, ou se contarmos uma história sobre eles”.

Quando escrevemos, nos tornamos espelhos onde os outros captam a nossa compreensão do mundo, e os significados que atribuímos aos fatos do cotidiano. As nossas emoções mobilizadas, nossos símbolos, nossas marcas estão lá registradas sob a forma de palavras. O papel é o nosso “pombo-correio” dos recados que inconscientemente desejamos transmitir ao nosso próximo. Se não há destinatário, perde-se a razão da escrita. Ao escrever sobre aquilo que poderíamos ter vivido, e não vivemos, descrevemos algo de nós, que como uma sombra reprimida, foi projetada para o exterior, à guisa de reciprocidade do nosso interlocutor. Nas entrelinhas do que escrevemos, muitas vezes censuramos o outro. É mais fácil censurar no outro aquilo que não admitimos em nós.

Em conversa com o outro, as palavras saem rápidas, em profusão, não permitindo que entre elas haja o silêncio que configura as pausas musicais indispensáveis na execução da melodia que engendra a alma humana. A escrita, como uma pescaria, é lenta, requer paciência para esperar o peixe ser fisgado. No ato da escrita, as palavras primeiramente são prensadas nas tábuas do coração, para depois de refletidas ser repassadas para o papel. Quantas vezes essa escrita não nasce nas noites de insônia em que o desassossego ronda o silêncio vazio do nosso quarto. É como se o exercício do escrever apurasse os nossos ouvidos para ouvir mais de perto os gemidos da alma, a fim de entender a sua intricada linguagem. Rubens Alves ( psicanalista, filósofo e educador}, assim escreveu em um dos seus ensaios: “É do silêncio que nasce o ouvir. Só posso ouvir a verdade do outro, se eu parar de tagarelar”. O silêncio representa uma linguagem muda, que nos leva ao deserto, para que mais tarde, se possa ver brotar em nós a palavra escrita.

Os livros são grandes companheiros nossos, na medida em que valorizamos as experiências de vida neles contidas. Victor Hugo, certa vez, castigou com dureza uma pessoa que confessou ter incendiado uma biblioteca. Exclamou cheio de cólera: “Crime cometido por você, contra você mesmo, infame!./ Você acaba de matar o raio de luz de sua alma!/ É a sua própria sombra que você acaba de soprar!/ Uma Biblioteca é um ato de fé [...]/ Então você esquece que o seu libertador é o Livro?/.

Segundo o professor de Ciências Humanas, Harold Bloom (descendente de Judeu), “conhece-se melhor a nossa realidade e a nossa vulnerabilidade face ao destino, através da Leitura”. O famoso poeta Chileno Pablo Neruda, no seu memorável livro (CONFESSO QUE VIVI), escreveu: “Talvez não tenha vivido em mim mesmo, talvez tenha vivido a vida dos outros[...]/. Minha vida é uma vida feita de todas as vidas.”

Lembro-me bem, tinha meus treze ou quinze anos de idade, quando encolhido sob as tábuas de um banco de roupas e tecidos vendidos a granel por minha mãe, na Grande feira de Sábado em Alagoa Grande (PB), escondia-me para matar a fome de leitura. Lia com júbilo incomum, velhos jornais e revistas semanais (O Cruzeiro, Manchete), que eram usadas como papeis de embrulhos para as roupas comercializadas. Recortava secretamente, com todo esmero, os artigos de Rachel de Queiroz, de Mário de Moraes e de David Nasser, para guardá-los em casa a sete chaves, no fundo de uma mala, sem saber que naquele solitário e nobre ato, estava inaugurando a minha primeira e rústica biblioteca. Fiz grandes coleções de ensaios e crônicas do cotidiano daquela época, que se perderam, decerto, nas arrumações de casa efetuadas de tempos em tempos. Alguém deve ter jogado fora todo o meu acervo literário, por achar que todo aquele monte de papeis velhos e encardidos de nada valiam.

Talvez, quem sabe, seja aquele mesmo impulsivo desejo de adolescente que, agora, vendo-me entrar nos umbrais da velhice, me anima a ESCREVER, LER, ESCREVER, LER, sem parar, com avidez ainda maior que a dos tempos de outrora.

No entanto, por trás das palavras e das metáforas que escrevo, como ser humano que sou, sinto-me radiante, e, enquanto passam as páginas cinzentas dos dias e as páginas negras da noite, vou engolfando a minha alma nesta arrebatadora cascata de letras, dádiva de Deus, concebida pela escrita e a leitura. E assim vivo. VIVO, POR ISSO ESCREVO.



Ensaio por Levi B. Santos

Guarabira, 14 de Março de 2008

07 março 2008

O MUNDO ENCANTADO DA ESCOLA

...............................Gabrielle indo à escola - 3 anos de idade.



...................................Como uma árvore antiga

..........................Que o tempo desfolhou,

..........................O velho aqui não se lembra

..........................Do que um dia sonhou.

..........................Vendo a neta indo à escola,

..........................Que como flor desabrochou;

..........................O velho sente no peito,

..........................Aquilo que lhe faltou.




..........................O que os pais idealizaram,

..........................Que ela não cessou de ouvir.

..........................Aos três anos de idade,

..........................Grande dever a cumprir.

..........................Tem o olhar de destemida,

..........................Sem saber o que há por vir

..........................Na escadaria da VIDA,

..........................Por enquanto, é só sorrir.




..........................Cheia de felicidade,

..........................Vai para escola estudar.

..........................No olhar a identidade,

..........................De quem deseja enfrentar

..........................Da vida, a realidade.

..........................E distante do seu lar,

..........................Consolará a saudade

..........................Com os outros de sua idade.



.........................Um outro ninho festivo

.........................Na certa encontrará.

.........................Outros sonhos ou quimeras,

.........................Diferentes do seu lar.

.........................Com o outro diferente,

.........................Vai conviver e estudar,

.........................Vivendo a diversidade

.........................Que faz o mundo mudar.




.........................Como foi a minha estréia

.........................Nesse mundo encantado,

.........................Eu não tenho a mínima idéia

.........................Desse distante passado,

.........................Mas George e Mauriceia

.........................São agora agraciados,

.........................Como abelhas na colméia,

.........................Provam o néctar adocicado.


Versos por Levi B. Santos

Guarabira, 07 de Março de 2008