14 abril 2010

A "LEVEZA" DO ÍDOLO

No afã de conhecer, compreender e dominar o mundo, o homem afastou-se cada vez mais de si mesmo. Procurou em todo o seu desenvolvimento negar pela repressão, a sua origem animal. Ao invés de procurar Deus dentro de si e no outro ─ seu companheiro, apelou para concepções sobrenaturais idólatras. Apegou-se a um deus externo para interferir em suas decisões, abdicando dos seus próprios desejos. Séculos e mais séculos, consciente de sua fraqueza e vulnerabilidade, o homem resolveu se voltar para a sua maior obra de criação ─ O “Bezerro de Ouro” ─ como externo artifício e receptáculo de suas energias emocionais, que deviam ser dirigidas aos lugares celestiais de sua própria mente.

O “Bezerro de Ouro” é o refúgio desse homem, quando ele não sente nem ouve Deus dentro de si mesmo. Sem poder ouvir a voz de suas entranhas, ele se associa a um amuleto que, aparentemente, o protege e pune.

Todo o corolário religioso constituído pela reverência, pela reza e pela confissão, se revestem ou se impregnam de elementos irracionais de caráter compulsivo, subjugando o homem no seu dia a dia, a uma repetição ansiosa que vai desembocar na “Neurose obsessivo-compulsiva”.

No entanto a verdadeira religião cujo Deus não tem nome, pois é o que é, e não aquilo que o homem nomeia. A religião baseada no amor e na verdade concorre para a independência e integridade do indivíduo, conduzindo-o à reafirmação construtiva de suas potencialidades, conferindo-lhe paz consigo mesmo.

Mas o homem se ajoelhará ante o deus fabricado por ele, com o melhor material existente na terra ─ o ouro. Através desse ídolo o homem vai repetir uma experiência infantil, cujos elementos, “medo e submissão irrestrita” que demandava ao seu genitor, são os mesmos que produzem e alimentam a sua insegurança atual, a serem projetadas sobre o seu ídolo fabricado com o que há de mais puro e mais caro, no interior da mãe natureza.

É sobre essas premissas que está assentada a situação religiosa da sociedade ocidental contemporânea. Em nosso país, os índios foram convertidos ao cristianismo, mas as suas crenças anteriores não foram ab-rogadas; de modo que a influência cristã é apenas um verniz superficial que esconde ou acoberta a velha crença indígena. Esse cristianismo nada mais é que uma forma potente de idolatria coletiva, baseada no culto ao poder, ao sucesso e às autoridades eclesiásticas mercantis. Esse simulacro de cristianismo tem de tudo, menos amor e verdade, e o seu caráter se resume simplesmente ao culto aos ancestrais, ao fetichismo e ao ritualismo de limpezas espirituais. O “crente” então, alienado, não entende que no ídolo que adora, reside a figura do pai, que nem a morte deste conseguiu tirá-lo de uma dependência que o escraviza, tornando-o incapaz de amar, e perdido como uma criança eternamente insegura e amedrontada.

Os homens com seus “Bezerros de Ouro” se reúnem em mega-templos para vivenciarem coletivamente, rituais os mais variados, sob o peso do sentimento de culpa e sub-sequentes necessidades diárias de expiações. Submetendo-se a esse culto idólatra, o homem renuncia a sua integridade para ganhar um sentimento de ufanismo de estar protegido por um poder que inspira respeito.

Diz Erich Fromm: “A experiência que Calvino descreve, de desprezo pela personalidade humana, de submissão sob o peso da própria miséria, representa a essência de todas as religiões autoritárias”, seguindo o mesmo princípio do “Fuehrer” alemão adorado como “Pai do Povo”.

Já dentro do esquema da religião humanista, Deus aparece não para ser idolatrado, mas para se identificar com o homem, sem procurar escravizá-lo. Aqui, Deus não é mais senhor absoluto, porque passa a aceitar as restrições humanas. O preceito de que o Reino de Deus está dentro dos corações humanos, constitui expressão clara e evidente de que não há mais lugar para ídolos.

A religião autoritária deixa uma grande lacuna a ser preenchida por ídolos, na medida em que tanto mais imperfeito parece o homem e mais perfeito se torna Deus. Nesse dilema doloroso, quanto mais louva a Deus mais vazio se sente o homem; quanto mais vacuidade interior sente, mais pecador se considera; tanto mais pecador se considera mais deve louvar a Deus. Ao tornar-se, cada vez mais, incapaz de encarar as vicissitudes da vida como uma realidade a ser enfrentada, ele regride e submete os seus maiores anseios aos ditames de um fetiche dourado. Na realidade, o que faz, é apenas cultuar um ídolo que se nutre da incapacidade humana de não enxergar Deus dentro de si próprio.



Ensaio por Levi B. Santos
Guarabira, 14 de abril de 2009

20 comentários:

Jair dos Santos disse...

Mestre Levi;
Recorro à estória de Abraão, seja mito, seja literal, não importa.
O chamado de Abrão da cidade de Ur dos Caldeus vivendo no meio dos ídolos que construía com as próprias mãos...Abrão ouve a vós da sua consciência que em outras palavras lhe disse; “Sai do meio da idolatria e vai para a terra que te mostrarei...Abraão ouviu sua consciência e isto lhe foi imputado como herança...Entendendo-se então que todo aquele que ouvir a sua consciência, estará dando ouvidos a vós de Deus dentro deste e então será chamado de filho de Abraão...

Forte abraço.

Marcio Alves disse...

Mestre LEVI

Espetacular ensaio sobre as muitas e variadas imagens de deus criada ao longo da trajetoria humana.

Se eu podesse sintetizar em uma só frase o chão que embasa alicerçando e fortalecendo a religião que escraviza o homem, eu resumiria em:

Quanto mais pecador, miseravel e desgraçado for o homem, maior poder exercerá sobre ele a religião, pois quanto maior for a sua pequenez e incapacidade, maior será o deus desta religião e a dependencia do homem por este deus, e consequentemente pela religião também, pois é a religião que se coloca como a intermediadora entre os homens e deus.

Amanhã vou postar algo parecido e em conexão com seu magnifico ensaio.

Abraços

Marcio Alves disse...

Levi, gostaria de acrescentar ainda algo que acabei me esquecendo:

Diante de tudo que você disse, magistralmente, é por isso que dentro de mim, a única teologia que ainda ganha espaço, mesmo que simbolicamente não sendo literalmente, é aqui dentro (Brasil) a teologia relacional, e lá fora (EUA) a teologia do processo, que devolve a honra e a dignidade ao ser humano, e coloca ele do lugar em que nunca deveria ter saido, que é ao lado de deus, sendo o homem o maior responsavel pela historia, sendo cooperador de deus, não sendo apenas totalmente mal e pecador, mas antes, carregando em si mesmo e tendo a possibilidade de fazer tanto o bem quanto o mal.

O homem não é expectador da historia, mas antes o sujeito da mesma, não sendo um mero fantoche nas mãos de deus, antes escreve sua própria historia, tendo capacidade e poder outorgados por deus de criar e também de destruir o mundo.

Esta na hora de uma teologia mais humanista e menos divina, onde o homem é livre e consciente para viver a sua vida.

Abraços de novo. rsrsrsrsr
É que seu texto é muito inspirativo. rsrsrsrs

Edson Moura disse...

Maravilhoso ensaio mestre Bronzeado!

Lembrei-me agora do padre polonês Maximilian Kolbe..que embora fruto de um catolicismo romano...aplicou sua religião e suas forças em prol de um ser humano que clamava por sua família...

Quem dera "os bezerros" adorados pelos homens de "fé" pudessem produzir uma centelha dessa abnegação atualmente.

Em 1039 90% da Alemanha idolatrava um bezerro chamado Adolf Hitler...olha só o desfecho dessa idolatria.

Mas atualmente...pessoas matam umas as outras...não literalmente...mas internamente.

Vejo que a sociedade caminha para um colapso...e a medicina do futuro certamente será a psicanálise...pois o sistema, tanto governamental como religioso, apenas produz "máquinas administradoras de empresas" e quando uma dessas máquinas é frustrada em seus sonhos...acaba se auto-destruindo (suícidio).

Mas a grande verdade é que quando uma pessoa despreparada para enfrentar seus medos e agruras, chaga ao ponto de tirar a própria vida...ela apenas quer acabar com sua dor e não com a vida em si.

Isto é fruto de um pensamento coletivo...que tende a aumentar dentro de 10 ou 20 anos no máximo.

Tudo com uma origem: "Um bezerro edificado para ser adorado" (quem lê entenda)

Levi Bronzeado disse...

Caro Jair

Não e fácil não meu filho! O cara deixar toda a sua parentela e amigos que estavam subjugados aos ídolos, e, de uma hora para outra dizer:

"Vou embora dessa GAIOLA agora mesmo. Estou de saco cheio!!!"

Acho que os parentes e amigos de Abraão vendo-o partir decidido, contra tudo e contra todos, sussurraram de ouvido a ouvido:

"Esse coitado só pode ter ficado louco".

Ainda bem que a nossa paz veio através da "loucura desse Deus".


Abçs,

Levi B. Santos

Levi Bronzeado disse...

Através desse trecho, disseste tudo à respeito de minha postagem, meu caro confrade Marcio:

"O homem não é expectador da historia, mas antes o sujeito da mesma, não sendo um mero fantoche nas mãos de deus, antes escreve sua própria historia, tendo capacidade e poder outorgados por deus de criar e também de destruir o mundo".

Abçs,

Levi B. Santos

Gláucia Carneiro disse...

Quem não tem um "bezerro de ouro" dentro de casa?

Algumas vezes temos um em cada cômodo da casa.

Temos no escritório, no saguão do hotel, na espera dos aeroportos.

Empilhados nas lojas, dependendo do tamanho, expostos em polegadas.

Os televisores ou televisões, tvs como são chamadas na atualidade;

Mas é o "bezerro de ouro", é através dele que vidas são transformadas.

Um cara aqui de Brasília disse que aprendeu a limpar as cenas dos crimes dele, assistindo aos seriados dos CSIs.

Esse "ídolo" muda a forma das pessoas falarem, vestirem, comprarem bíblias por -900,00 ou mil reais.

Esvazia a alma humana a cada dia que passa.

Denigre o ser humano, os casamentos nada significam, sexualidade é brincadeira, droga agora virou doce.

Levi Bronzeado disse...

Prezado Edson


Infelizmente, essa é a máxima da sociedade de consumo:

“Junta tudo aquilo que acha mais valoroso na sua vida, para poder ter o prazer de possuir por um instante, a falsa impressão de libertação. E assim, desprezando o seu árduo trabalho por tantos anos, decidem se juntar para sacrificar e queimar em holocaustos suas "joias", a fim de construir o seu "Bezerro de Ouro" no intuito de afastar de si, o "mal" que é inerente a sua própria condição humana.

Muitos não entendem que o velho Adão não pode ser extirpado do seu ser. Se no mínimo, ele fosse reconhecido, não haveria tanta auto-destruição.

Mas o que fazer?
- Assim caminha a humanidade...


Forte abraço,

Levi B. Santos

Eduardo Medeiros disse...

Levi, vou pular os elogios e a minha admiração pelos seus textos, pois já viraram lugar comum.

Me diz uma coisa. De acordo com seu parágrafo

"Todo o corolário religioso constituído pela reverência, pela reza e pela confissão, se revestem ou se impregnam de elementos irracionais de caráter compulsivo, subjugando o homem no seu dia a dia, a uma repetição ansiosa que vai desembocar na “Neurose obsessivo-compulsiva”."

Você acharia impossível alguém ser esse religioso que pratica os ritos e mesmo assim não desenvolver a neurose?

Levi Bronzeado disse...

Prezado confrade Eduardo

Foi muito oportuna essa sua pergunta. Tecerei ailgumas considerações no intuito de pelo menos em alguns pontos de seu questionamento, lhe satisfazer


Entendo que a vida do crente não deve ser vivida simplesmente pela repetição compulsiva de certos hábitos que não tem nada de espiritualidade, como sejam: a necessidade imperativa do ritual, como rezar, praticar cultos de adoração, etc.

Quem houver falhado no seu processo de maturação, em face de problemas existenciais, pode tomar um rumo diferente, desenvolvendo uma neurose de fundo religioso.


O indivíduo pode apresentar com o tempo, uma neurose compulsiva que certamente o envolverá sob o peso de sentimento de culpa e subseqüente necessidade de expiação, num quadro muito parecido com a mais comum das neuroses: a que leva o sujeito a praticar o ritual de estar constantemente lavando as mãos, numa espécie de mania de limpeza, em tudo parecida com a neurose religiosa.

Os neuróticos obsessivos tem um mesmo sistema de valores para julgar as pessoas: “Limpeza e Órdem”

Na psique do neurótico há sempre um poder superior controlando o seu destino exigindo obediência e devoção. Quando a coisa descamba para a dependência completa aos ritos, o indivíduo tem que tomar cada vez, doses mais fortes, e mais constantes de devoções sem sentido, e, nesse processo, ele nem percebe que vai paulatinamente se alienando de si mesmo, abdicando do que Freud denomina de "princípio da realidade".

Nesse processo, tudo que ele tem de melhor passa a pertencer à divindade e nada mais lhe resta. Com o tempo, transforma-se em um corpo sem fé nos seus semelhantes e em si mesmo, destituído da experiência do seu próprio afeto e do poder de sua razão.

Aqui fico ao seu dispor para tentar esclarecer mais alguma coisa que não ficou bem claro.


Um grande abraço,

Levi B.Santos

Hubner Braz disse...

Tantos elogios discorridos nos comentarios, dispensa os meus.

A unica coisa que posso deixar aqui, é que "existe a causa e o efeito"

Abrços Amigão

Levi.

Blog do Evaldo Wolkers disse...

Grande Levi,

O que eu poderia dizer além do que já foi dito? rsrs.

Bom, poderia dizer que a bandeira da sociedade é "Idolatria já".

No caso citado do bezerro, a questão era:
Cadê O Líder?
Cadê Deus?
O que fazer?
Queremos um Deus!
Faça Arão.
Cadê Jesus?
Precisamos de um Deus.

Aí o que foi entregue para estes que necessitavam de um Deus de ouro foram as ramificações cristãs, ou seja, o Cristianismo católico, evangélico e espiritismo. Assim como muitos outros ídolos.

Como você mesmo disse: "Assim caminha a humanidade", em busca do "deus" explicadinho.

Evaldo Wolkers.

Reeh disse...

O blog ta massa!
a propósito to te seguindo
quando puder passa la!!!



CAOS MUNDIAl - CLICA AQUI, SEGUE E COMENTA??

J.Lima disse...

Levi.
Acredito que hoje, FREUD tenha recebido honras póstumas, e continuará a ser um das maiores e mais célebres personagem que a humanidade já teve!

E pensar que ele foi um dos pré-cursores por sair da dimensão os ATOS CONCRETOS para mergulhar no MUNDO INCONSCIENTE que impulsiona a esses!

Mas o seu discipulo CARL GUSTAV JUNG, esse foi "O" aluno!

A sua teoria do INCONSCIENTE COLETIVO e dos ARQUÉTIPOS me fascinam, pois em termo de Brasil creio que há um INCONSCIENTE COLETIVO no tocante a depenência, se não veja:

"JÁ PERCEBEU O CONTEXTO DA NOSSA COLONIZAÇÃO?"

Somos herdeiros de uma "DEPENDÊNCIA COLETIVA", fomos fecundados, no ventre da escravidão, e os governos até a década de 80 foi militar.

Ou seja, há em nossa psique, uma herança inconsciênte de submissão irracional, de força que nos deu moldou a uma capacidade de submissão, e falta de RESILIÊNCIA!

Percebe como o nosso pais é pacifico? você acha que essa PACIFICIDADE significa INCAPACIDAE DE SE INDIGNAR...Ou Medo?

Veja os nossos paises vizinho, que por muito menos do que acontece aqui vão para a rua protestar!

Levi, essa dependência crÔnica é que faz o Brasileiro num geral se SUBMETER, e a ausência de alguém para isso num REGIME DEMOCRÁTICO, faz com que a SUBLIMAÇÃO, do desejo de ter alguém para DOMINAR, seja re-direcionada para outra dimensão da nossa psique!

A religião é a ALTERNATIVA pois nessa trazemos de volta o SENHOR AUTORITARIO que perdemos com os PORTUGUESES,a monarquia, e o dominio militar.

Veja uma coisa que é incontestável, todo dominio, tem a "VANTAGEM", de nos dar uma sensação de "SEGURANÇA", ainda que essa é ilusória, mas só é ilusória para quem tem CONSCIÊNCIA dessa ilusão!

Por isso a meu ver isso está no INCONSCIENTE DA NAÇÃO, são arquétipos que estruturam a nossa psique!

È claro que alguns quebram esse estigma, afinal podemos usar a liberdade que na realidade não é livre arbitrio, pois livre arbitrio, são opções já pré-estabelecida, liberdade é invenção e uma possibilidade que não existe antecipadamente é a capacidade de criar!

Abraço e seu amigo VIRTUAL , mas REAL! rsss!
E parabéns pelo magnifico texto!

Isa Medeiros disse...

Amigos, criei um novo blog: o "Tem-pla-ti - Templates pra ti"

http://templati.blogspot.com/

Ele surgiu do meu gosto por templates (modelos para blogs ou sites), do meu desejo de compartilhar o que eu aprendi nesse tempo de blogagem e também da necessidade de amigos de terem uma orientação sobre como lidar com o layout dos seus blogs e outras coisas do tipo.

Conto com a participação de vocês baixando os templates, testando-os, usando-os em seus blogs, comentando, fazendo sugestões e divulgando para os outros amigos blogueiros que você conhecem.

Pretendo atualizar este blog constantemente, portanto, sugiro que assinem a sua newsletter.

Abraços!

Eduardo Medeiros disse...

Levi, seu comentário explica muito. Mas o que você diz serve para todas as religiões? Será que não é exatamente esse peso da culpa que paira sobre os ombros dos cristãos o motor que a tudo ponhe para funcionar?

Será que uma religião oriental que não tem na culpa o seu mote principal também desenvolve tais neuroses?

Você consegue ver um budista sofrendo as neuroses cristãs?

Por favor, esclareça-me!

Blog do Evaldo Wolkers disse...

Eduardo,

Sei que sua pergunta é direcionado ao Mestre Levi, mas, vou dar um pitaco, rsrs.

Neuroses cristãs talvez o budismo não sofra, mas, as mesmas neuroses de purificação são alimentadas por eles.

No fundo, toda tentativa de auto-purificação torna-se neurose à medida que descobre-se a incapacidade de obter tal santidade.

Abraços,

Evaldo Wolkers.

Levi Bronzeado disse...

Prezado J. Lima


Muito boa a sua abordagem sobre o nosso insconciente coletivo.
A submisssão e a castração do pensar, o medo de reagir, nos acompanham desde os tempos de D. João VI. É uma indiscutível verdade.

Contudo, eu não deixaria de olhar para o lado neurótico dos rituais repetitivos da religião, quando ela procura tirar o indivíduo do "Princípio da Realidade", que está "Além do Princípio do Prazer".

Como você bem sabe,pelas leituras de Freud, o Pai constitui um perigo para a criança, talvez por causa do relacionamento anterior dela com a mãe. Assim, ela o teme tanto quanto anseia por ele e o admira.

As indicações dessa ambivalência na atitude para com o pai, estão profundamente impressas em toda RELIGIÃO, tal como Freud demonstrou em "Totem e Tabu".
Quando o indivíduo em crescimento descobre que está destinado a pemanecer indefinidamente criança, nunca poderá passar sem o ritual de purificação de que falou o amigo Evaldo Wolkers.

A figura do Pai é substituída por um um outro "Pai autoritário", a quem ele deve temer e obedecer, mesmo que seja de uma maneira irracional ou opressiva.

Abçs,

Levi B. Santos

Levi Bronzeado disse...

Caro confrade Eduardo


Quanto ao seu questionamento, penso que a resposta já está implícita no comentário que fiz, ao texto de J. Lima.

Abraços,

Levi B. Santos

Blog do Evaldo Wolkers disse...

Grande Levi,

Disse tudo!!!

No dia 18 fiz uma pequena abordagem sobre a necessidade do pai onisciente existente em nosso inconsciente (e consciente, rsrs) desde a infância, inclusive sobre a ambivalência em imitar e elimar tal figura.

http://evaldocristao.blogspot.com/2010/04/algumas-reflexoes-sobre-psicologia.html

Abraços,

Evaldo Wolkers.