27 setembro 2010

SOLIDÃO ATROZ




Atormentas o meu corpo, ó seiva mortal

Atravessas o meu peito como lâmina fria.

Ao Ignorar impassivel o meu drama carnal

Tu recobres de sombras a minha alegria.



No silêncio da noite, sorrateira apareces

Engodando o meu peito com tua presença

Meu desejo e sonho, tu suave amorteces

Permutando a minha fé pela indiferença.



Companheira cruel que aprisiona o humano

No porão monótono em silêncio sepulcral

Nele, tu o cobres com os teus desenganos

E transforma sua ventura em tristeza brutal.



És cilada e aguilhão que perturba meu viver

És sofrimento mudo que me estimula a fugir

Do trivial aconchego que embala o meu ser.

Da tua lúgubre teia, quem poderá resistir?



Meus olhos estão cegos para o mundo exterior

Desfalece o meu corpo, e deparo-me sem voz.

E em delírio me escondo, tal qual um desertor

Quando te aproximas de mim, ó solidão atroz!



Guarabira, 27 de setembro de 2010

Por Levi B. Santos

21 setembro 2010

O Sentimento Trágico como Herança



O irrefreável anseio moderno em tentar entender a origem do universo físico, através da leitura de milhares de livros, parece ter relegado para um nível secundário o interesse do homem em saber mais sobre si mesmo, isto é, sobre sua própria psique.

Nos tempos difíceis que estamos atravessando, a velha máxima de Sócrates, mais do que nunca, tem ressoado forte nos nossos ouvidos: “Conhece-te a ti mesmo!”

Freud, graças as suas profundas observações e suas prolongadas auto-análises conseguiu formular e desenvolver brilhantemente a teoria dos desejos na esfera “mãe- pai- filho ou filha”. Teoria essa que revolucionou o saber sobre as entranhas humanas. Foi partindo da história mítica e trágica do Rei Édipo que ele foi buscar elementos latentes existentes em uma área até então desconhecida, determinante das nossas ações, racionalizações e atitudes — O Inconsciente. Foi dessa maneira, que ele conseguiu explicar a gênese do primeiro conflito humano, e sua resolução com o corte do cordão umbilical que alienava a criança à mãe.

O sentimento trágico uma vez inscrito no inconsciente no plano de nossa primeira experiência infantil, é que vai nos marcar pelo resto de nossas vidas. Todas as formas de solidão e desamparo, dali em diante, serão repetições dos primeiros afetos sentidos nos instantes iniciais de vida, inscritos no disco virgem do nosso cérebro.

Esse sentimento trágico dos nossos primórdios nos revisita com toda sua carga desestabilizadora e desorganizadora, quando enfrentamos catástrofes e separações dolorosas. Nessas ocasiões nos falta chão humano em busca de um sentido para racionalizar o inapelável. É em meio às tragédias que surge um agudo desespero, que nada mais é que ecos distantes daquele sentimento de desamparo infantil internalizados no inconsciente, por ocasião da primeira e grande ruptura, sentimento esse que se expande em nós como uma dor que não se sabe donde vem.

O sofrimento nascido das separações primeiras — NASCIMENTO, DESMAME —, se transformará no pilar básico da individuação progressiva da criança até se tornar um animal adulto. Hoje, as normas civilizatórias que interditam a realização instintiva dos nossos desejos mais arcaicos, têm as mesmas nuances daqueles primeiros cortes, ao reacender em nós o desprazer decorrente da primeira proibição. Todas as formas de desamparo e solidão que experimentamos em nosso vivenciar, foram uma vez sentidas de forma inconsciente. Os enigmas fascinantes dos sonhos absurdos que temos, constituem a maior prova de que existe algo em nós que trabalha mesmo quando a consciência está adormecida.

A reprise da primeira angústia, representada pelo desmoronamento do muro sentimental materno e paterno que nos protegia nos primeiros meses de vida, surge toda vez que enfrentamos as durezas da vida.

O paradoxo da existência e do existir diz que nós caminhamos sempre para frente em nossa jornada, na busca inconsciente de um passado. Esse paradoxo também diz que a rota do nosso caminho não é uma reta. Fica claro que “caminhar num círculo” é uma metáfora. E o que ela quer dizer? Ela simplesmente diz que, é com o passar dos anos, que podemos chegar mais perto de nosso início; chegar mais perto do ponto de onde partimos. Dessa maneira, o ponto de chegada é o mesmo da partida. A aproximação do ponto inicial pelo caminho da ida que é também o da volta, oferece-nos a oportunidade de ver as nossas origens PELA FRENTE, uma vez que, ao iniciarmos os nossos primeiros passos, estávamos impedidos de olhar para trás.

É do poço quase insondável dos afetos reprimidos, e não de um palácio denominado “razão”, que jorra a água que nos faz entender que somos diferentes dos outros animais. Disse uma vez, Chesterton: “Se observássemos atentamente um gato e um ser humano, veríamos que enquanto o primeiro raciocina, o último rir e chora”.

O sentimento trágico do qual somos portadores, aponta para uma direção, que é a de promover a conciliação ou amarração entre o “desejo incestuoso” que nos foi obstado no antigo jardim edênico e o desejo de excluir e de despossuir o nosso corpo da roupagem representada pelas pesadas camadas (crises existenciais) que o tempo se encarregou de nos vestir. O sentimento trágico que nasceu da expulsão dolorosa do nosso ÉDEN tem tudo a ver com o desamparo inevitável do nosso OCASO.

Choramos ao nascer. No entanto, não compreendemos que o choro trágico de hoje é o mesmo de ontem, da nossa estreia no grande palco de assombração, que é a vida.



Ensaio por Levi B. Santos

Guarabira, 21 de setembro de 2010

18 setembro 2010

VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA!

A propaganda política nos templos está proibida, mas os pastores da Assembléia de Deus tem um ás guardado na manga! Pioneiros na arte da panfletagem evangelística, daí para a elaboraçao de santinhos foi um pulo.


Diante deste folheto tosco. ouso perguntar:

É ético e correto um pastor exibir sua cara em santinho fazendo propaganda para político em ano de eleiçao?

É maldade da minha parte presumir que pastores estariam fazendo isso em troca de possíveis vantagens (muitas vezes financeiras) no caso do candidato apoiado ser eleito?




Não deixe de comentar!


Por Leonardo Gonçalves


PARA LER NA ÍNTEGRA O PEDIDO DE VOTOS DO GERENTE DA CGADB, em nome de "JAVÉ" - CLIQUE e DÊ ZOOM NO PANFLETO ACIMA.


P.S.: O editor do "Ensaios & Prosas" convida a todos que estão cuidando dos NEGÓCIOS de deus, a se juntarem aos três servos do deus altíssimo do vídeo abaixo, para em uníssono, fazer essa sincera, gloriosa e reverente ORAÇÃO:






Veja postagem original no: www.pulpitocristao.com.br

15 setembro 2010

A ROTINA




Nunca envelhece essa companheira.
No curso do tempo, é sempre menina.
E em casa, como uma eterna inquilina,
É dominadora com rótulo de parceira.



Possui a força que roda os ponteiros
Do implacável relógio que é a vida.
Se presa a alma, a carne é impelida
A vagar num “frenesi” o dia inteiro.



Do assoalho é a poeira espalhada
Que imperceptível durante o dia cai.
No inverno ela é a água que se esvai
Pela fresta de uma telha avariada.



Importuna tanto, essa tal menina
E só aos domingos me reserva a paz.
De segunda à sexta sou seu capataz,
Ela é meu sustento, minha proteína.



Ela não cresceu, foi sempre menina.
Fez trocar meus anos pelo alimento.
Que criança é essa, fonte de lamento?
É a impiedosa e cruel ROTINA.



Versos por Levi B. Santos
Guarabira, 26 de Agosto de 2008

06 setembro 2010

GUIA ELEITORAL — O PALCO DOS HORRORES

Mas, há perguntas que não querem calar, nessa época de barulho infernal dos camelôs de venda de ilusões, como essas:

  1. O que é afinal a “justiça social” tão propalada nessa época de caça aos eleitores, e quais seriam os notáveis promulgadores dessa tão sonhada felicidade? Seria gente honesta? Humm...
  2. Será que não estamos assistindo ao “eterno retorno” daqueles homens da lei, que no tempo de Cristo falavam em nome da justiça divina só para roubar as almas dos incautos?

Desde os meus nove anos de idade, no tempo do PSD (de Juscelino) e da UDN (de Carlos Lacerda) ouço os bordões gastos, que não mudaram um til sequer em sua mensagem. E como dói nos tímpanos ouvir os gritos esbaforidos dos endiabrados politiqueiros a gritar pelos alto-falantes: “POR UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA!”, assim como: “VOU FAZER MAIS ESCOLAS E CRECHES!”.

Em nome da propalada “Justiça Social”, as oligarquias de esquerda que se apoderaram do governo brasileiro, querem trazer de volta os fantasmas da ditadura militar, quando falam com segundas intenções, em reeditar leis autoritárias para controle da mídia, das escolas, das opiniões, da distribuição de vagas nas universidades.

Danado, é ter que aturar esse “blablablá” dos “paladinos da justiça social” que numa espécie de desfile lúgubre apresentam seus sucessores e sucessoras retirados das surradas cartolas, num programa repugnante e abusivo que durante sessenta dias, invade sem permissão a privacidade de nossos lares.

E ficamos nós, impassíveis à frente de nossas telinhas de TV, assistindo ao esperneio dos oposicionistas a bradarem: ...mas a Dilma não tem experiência, pois é virgem na política!”, enquanto os “anjos” do bloco dos PeTralhas retrucam : “Não temas Dilma, nós poremos na tua boca o que hás de falar!”. Ria paciente eleitor — você está no país do faz de conta.

O que mais me impressiona é a cara-de-pau dessa gentalha. Exemplo: o bloco dos mensaleiros com processos no STF está prontinho da silva para voltar ao trono petista numa possível gestão “Dilma-Lula”.

E o que dizer do maior mandatário da nação, que ao invés de dar o maior exemplo de hombridade e ética à juventude brasileira, “afronta a Justiça Eleitoral” , que o multou seis vezes, dentro de pouco mais de trinta dias, por reincidência no descumprimento da constituição que ele mesmo jurou defender.

É no período eleitoreiro que os “paladinos da justiça de última hora” fazem promessas fantasiosas, incabíveis e inverossímeis, adocicadas pela falsa retórica, como se fossem verdades cristalinas, quando sabemos que são movidos pelo desejo insaciável de mamar nas tetas da grande mãe que está deitada eternamente em berço esplêndido, como bem diz o nosso Hino Nacional. Na verdade, as difusas soluções miraculosas dos candidatos a cargos eletivos não passam de uma ilusão irracional, apregoada como empreendimento salvacionista.

Eles, os denominados pela justiça de “ficha suja” estão rindo à vontade de nossa cara, pois sabem que os seus fieis amigos advogados que já foram ministros poderosos da casa de Mãe Joana, os protegerão enquanto viverem nas terras que D. João VI, um dia, repartiu com a sua cambada de barões (digo babões), em troca de apoio para suas tenebrosas transações.

Diante das mentirosas e estapafúrdias promessas dos presidenciáveis, aliadas a sórdidos procedimentos dentro de nossas instituições políticas, é que achei conveniente relembrar, aqui, trechos de um discurso proferido no Senado Federal, em 1914, por aquele que foi um dos maiores oradores de nossa história — Rui Barbosa:

“A falta de JUSTIÇA (inclusive a social), Srs. Senadores, é o grande mal de nossa terra, o mal dos males, a origem de todas as nossas infelicidades, a fonte de todo o nosso descrédito é a miséria suprema desta pobre nação”.

“A injustiça, Senhores, desanima o trabalho, a honestidade, o bem, cresta em flor o espírito dos moços, semeia no coração das gerações que vem nascendo a semente da podridão, habitua os homens a não acreditar senão na estrela, na fortuna, no acaso, na loteria da sorte, promove a desonestidade, promove a venalidade, promove a relaxação, insufla a cortesania, a baixeza, sob todas as suas formas”.

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver se agigantarem os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.”

Este emblemático trecho do discurso do “Águia de Haia”, bem que poderia ser afixado com letras garrafais em uma enorme placa na entrada do nosso Congresso Nacional.


P.S.: “Alguém poderia responder a essa pergunta?

Por que um programa tão estúpido como o guia eleitoral continua no ar?

Ah, nobre eleitor, perdão! Einstein já nos deu a resposta, quando certa vez falou: “Apenas duas coisas são infinitas, o Universo e a estupidez humana”.


Por Levi B. Santos

Guarabira, 06 de setembro de 2010