25 maio 2011

TATEANDO DE ÓCULOS NOVOS




São muitos caminhos, são muitos contextos

Quanto mais eles são, mas inacessível a minha escolha.

O mundo tornou-se repleto de complexidades.


O meu míope olhar, de óculos novos necessita

Pois tudo que sei, que aprendi, e que acredito

São filmes revelados pelos óculos antigos.


Tornou-se turvo o foco de minha visão

Ideais pensados, abruptamente, entram em colapso.

Embaçado pelo enorme fardo de informações.


Para perceber prioridades, tenho que trocar de óculos

Aquilo que me pareceu de extrema importância,

Os novos óculos não mais o reconhece.


Se sinto as raízes, indago por que não as vejo.

Esse legado de herança que invade os meus sonhos,

São sonhos que se nutrem do meu passado opaco.


Exausto de viver, já cansado e velho

Tateando ainda procuro o que imagino me faltar

Nas rachaduras me infiltro, mas só encontro o que fui.


Por Levi B. Santos

Guarabira, 25 de maio de 2011

Imagem: rebolinho.com.br

3 comentários:

Eduardo Medeiros disse...

é...

tatearemos todos nós com novos óculos e depois novos novos óculos e depois novíssimos óculos e novíssimos novíssimos óculos e ainda assim, nada enxergaremos com nitidez.

o que vemos é o que já construímos e ainda assim, não nos conformamos que esse arcabouço dê conta de todas as realidades por exatamente sermos incapazes de ver o que nós mesmos construímos...

solução? ficar com o que nos acalanta no coração e continuarmos tateando nos caminhos da razão.(mas sempre com lentes multifocais)

Levi Bronzeado disse...

EDU

O problema é que os óculos novíssimos são excessivamente racionais, ou muito potentes no olhar para fora.
Mas, as suas lentes ficam a nos dever quando tentamos esquadrinhar os nossos fantasmas interiores.

Você encontrou uma boa saída: "a lente multifocal", para o caminhar equilibrado. (rsrs)

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Também gostei das lentes multifocais. Caíram bem.