23 junho 2011

Saudades do São João de Minha Infância




Nas noites de São João que coincidiam com os cultos na igreja, ficava acabrunhado, muito triste por perder a maior parte do espetáculo junino de minha rua. Era quando saia de casa bem devagarzinho para o templo, a fim ter mais tempo para apreciar a beleza esplendorosa daquelas lanternas pregadas nas paredes de fora das casas, acima de cada janela e portas. Lanternas em forma de pirâmides, de cubos, umas redondas como fole de sanfona em forma de estrelas de variadas cores escondendo a luz tremulante das velas em seu interior.
Lembro-me de uma daquelas noites de S. João, em que a lua cheia dava um toque todo especial, com balões multicoloridos sendo soltos pela gurizada alegremente alvoroçada. Os balões de variados tamanhos rapidamente subiam levados pelos ventos em meio a um céu límpido, transformando-se em pouco tempo em pontinhos de luz bruxuleante, em meio às estrelas cintilantes.
Relembro uma noite de São João em que perdi a maior parte da festa, porque o dirigente do culto se estendera demais no seu sermão. Nessa noite senti raiva do pregador que me fez perder as maravilhas das girândolas preparadas, num dia em que o céu estava maravilhoso, centrado por uma lua que naquela ocasião espargia um brilho diferente como nunca tinha presenciado.
Decorridos cinquenta anos daquele tempo idílico, encontro-me detido aqui, diante do computador, a rememorar as minhas saudosas noites juninas.
Ouvindo o pipocar dos fogos na rua e inalando o cheiro da canjica vindo do fogão, trago a esse recanto uma das músicas juninas mais tocadas nos anos Sessenta:



Olha Pro Céu

Composição: Luiz Gonzaga / José Fernandes

Olha pro céu, meu amor
Vê como ele está lindo
Olha praquele balão multicor
Como no céu vai sumindo
Foi numa noite, igual a esta
Que tu me deste o teu coração
O céu estava, assim em festa
Pois era noite de São João
Havia balões no ar
Xóte, baião no salão
E no terreiro
O teu olhar, que incendiou
Meu coração.

10 comentários:

Eduardo Medeiros disse...

"eita são joão dos meus sonhos.." também cantava o rei do baião. a minha fascinação sempre foram as enormes fogueiras que eu via pelas ruas de salvador quando garoto. eu e muitos primos saíamos à noite para soltar bombinhas e apreciar as fogueiras...na casa da minha vô sempre haviam variados pratos da ocasião.

tempo muito bom. isso era tudo que eu podia desfrutar das festas; dançar quadrilha nem pensar, já era demais para minha mãe que a contragosto, tolerava apenas olhar de longe as fogueiras.

levi, degustei este teu pequeno texto como se fosse uma boa tapioca.

MIRANDA disse...

Levi

Boas lembranças do meu tempo de menino.
Parabéns pelo texto e obrigado por me levar ao passado.
Abraço.

Levi Bronzeado disse...

Eduardo e Miranda


Agora, a minha rua onde resido é asfaltada, e não podemos fazer fogueiras, mas os fogos juninos ainda têm o mesmo nome e exercem sobre mim a mesma fascinação.

Ainda há pouco o meu filho mais novo atiçou a memória daqueles tempos, ao trazer para soltar na calçada de casa, “beijos de moça”, “traques”, "chuveirinhos", "mijões" e "rojões". (rsrs)

VIVA SÃO JOÃO!!!

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Desde a época em que me converti, ouvia alguns pastores dizendo que o crente não pode participar de festa junina, o que afetava (e ainda afeta) o convívio de muitas crianças em suas escolas. Tais pregadores faziam questão de relacionar uma manifestação cultural popular com o pecado da idolatria, como se as pessoas envolvidas nas festividades estivessem prestando culto de adoração a Antônio, Pedro ou João Batista. Outros faziam questão de enfocar as raízes pagãs desses eventos para justificarem suas absurdas proibições.

Durante a minha infância, por exemplo, jamais identifiquei as festas juninas com a idolatria. Lembro que algumas músicas falavam de São João, mas eu não conseguia ver nada mais além da alegre reunião comunitária que ocorria tanto na escola quanto na praça do bairro (fui criado no Grajaú, Zona Norte do Rio de janeiro). Aliás, até hoje, quando penso no mês de junho, posso lembrar da época em que os adultos desenhavam um bigode no meu rosto antes de sair de casa e eu ia dançar quadrilha usando uma gravata presa com a caixa de fósforo.

Certa vez, numa de suas cartas, o apóstolo Paulo escreveu algo que de certo modo se aplicaria às festas juninas:

“Para os puros, todas as coisas são puras; mas para os impuros e descrentes, nada é puro. De fato, tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas” (Tito 1.15)

Lamento muito o fato da maioria das igrejas evangélicas no Brasil até hoje não terem aprendido a separar as festas caipiras da idolatria que alguns católicos ainda praticam (nem todos os católicos são idólatras). E, neste aspecto, a chegada do protestantismo no Brasil, dentro da visão missionária dominadora dos norte-americanos, acabou se tornando mais um choque cultural ainda que com uma intensidade menor do que a cristianização forçada dos povos germânicos na Idade Média.

Sempre que procuro entender os motivos pelos quais o Evangelho não cresce entre os orientais fico a pensar se de fato os missionários estavam interessados em levar as boas novas de Cristo ou a imposição de uma outra cultura. Ao invés de incentivarem que uma cultura submeta-se voluntariamente ao domínio de Jesus Cristo, muitas missões do passado distanciaram mais ainda o Evangelho do cotidiano das pessoas, como se a conversão fosse incompatível com os hábitos de um povo.

Felizmente esta mentalidade está mudando e hoje em dia algumas missões já treinam seus evangelistas a se adaptarem à cultura na qual eles pretendem ingressar para anunciarem a Cristo. E, embora o Brasil tenha uma expressiva população de evangélicos e de cristãos em geral, temos uma cultura de cinco séculos e uma década que não pode ser esquecida, cabendo às gerações manter e aperfeiçoar aquilo que receberam de seus antepassados.

Na minha opinião, as igrejas evangélicas deveriam promover suas festas juninas, o que seria um excelente atrativo para se relacionarem com as comunidades onde estão estabelecidas. Até o dia dedicado a João Batista, cujo nascimento é incerto, pode muito bem ser aproveitado para a evangelização, lembrando-nos da vida daquele corajoso profeta que pregava a chegada do Messias e não temeu dizer a verdade quando Herodes vivia em flagrante adultério com a mulher de seu irmão.

Núbia Mara Cilense disse...

Na minha infância, eu dançava a quadrilha na escola. Era ótimo! Mas quando fiquei mais velha, eu ía era para as festas juninas catar namorado. Um em cada festa. E não posso esquecer da canjica que a minha mãe fazia e até hoje ainda faz. Maravilhosa!

Núbia Mara Cilense disse...

Obs: Hoje sou esposa do Rodrigo e não caço mais namorado (rsrsrs).

Levi Bronzeado disse...

"Ao invés de incentivarem que uma cultura submeta-se voluntariamente ao domínio de Jesus Cristo, muitas missões do passado distanciaram mais ainda o Evangelho do cotidiano das pessoas, como se a conversão fosse incompatível com os hábitos de um povo" . (Rodrigo)

Corroboro o que você escreveu acima.
Infelizmente esse tipo de "pregação evangélica" às avessas tem sido ainda regra e não excessão nos tempos atuais.

Abraços juninos

Levi Bronzeado disse...

Bem, Nubia

Você, inteligentemente, uniu o útil ao agradável.

Tenha um bom São João junto com o seu querido Rodrigão. (rsrs)

♥cinderela♥ disse...

Retribuindo a gentileza !!
Seguindo aqui
Bjs meus

Anônimo disse...

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