28 outubro 2011

Salomé, Dilma e os Ministros

Site da imagem: levibronze.blogspot.com



São seis meses de governo Dilma e seis ministros demitidos por corrupção. Não tenho lembrança, nos meus 65 anos de idade, de uma faxina tão ampla como a que vem fazendo a presidente. Que fique claro: sem a ajuda inestimável da imprensa nada teria sido descoberto.

Dilma, que não é tola citou, em seu discurso recente na ONU, a ação positiva e vigilante da imprensa brasileira. (para ler essa matéria, clique aqui).

O personagem de Chico Anísio, a Salomé, criado para importunar o Governo Federal, e cobrar dele medidas enérgicas, anos atrás fez enorme sucesso na TV, e, caso estivesse hoje no ar, com certeza, exibiria um diálogo com a nossa presidente, pelo telefone, algo tipo:

― Ô Dilma, como é que vais de governo? Eu soube que a imprensa, para ti, vale mais do que toda curriola de ministros a teu redor?

― Eu vi teu discurso na ONU. Gostei e me emocionei muito com teu sorriso deslumbrante, no momento em que falavas que a imprensa estava sendo teu maior trunfo no saneamento da corrupção.

Mas Dilma, tu és totalmente diferente de teu patrono Lula.

― Por que? Estás perguntando por quê?. Ora, é que Lula dava mais tempo ao tempo, até o povo esquecer, sabe?!. Ao chegar o próximo escândalo a gente já tinha esquecido o primeiro. (rsrs)

― Sim, Dilma, eu sei que só tens 37 ministros. Mas Portugal, que nos explorou, tem apenas 16 ministérios ― É, é, vou concordar contigo que eles têm menos problemas que nós.

Mas tu não achas que na base de um ministro a cada mês sendo jogado na rua, no final de dois anos, não corres o risco de desfigurar o que o teu patrono construiu com tanto trabalho e sigilo em oito anos de mandato?

― És cristã, Dilma?

― Católica, e também Protestante?

― Ah, sim! Faz parte, faz parte... Entendo (rsrs)

―Vou torcer pra ti. Mas vou te revelar um segredo: Tem gente da bancada evangélica que está, agora, só pregando nos púlpitos de suas igrejas, o que o apóstolo Paulo costumava ensinar no começo do cristianismo:

"E quando isto que é corruptível se revestir de incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir de imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita”. Ou seja: Eles estão pegando uma carona no apóstolo Paulo, para propagar que o fim da corrupção só terá fim na outra vida (kkkkk)

― Dilma! Dilma! Alô, alô, alô....

― Aaaaah, desligou o telefone...


Por Levi B. Santos

Guarabira, 28 de outubro de 2011

23 outubro 2011

Guerra pelo Butim da Copa do Mundo 2014

Site da imagem: toupeirasdobrasil.blogspot.com


A guerra pelo butim da Copa do Mundo 2014 já começou. Segundo um site da Câmara dos deputados, a festança renderá 63 bilhões ao Brasil il il il..., só de impostos.

A porta já foi aberta para a roubalheira sem limites, através de uma monstruosidade, denominada dispensa de licitação de obras para a Copa ― aprovada recentemente na Câmara por 276 votos a favor e 76 contra, sob o rótulo de “Flexibilização de Licitações para Obras da Copa”.

Reinaldo Azevedo, em sua crônica de hoje (dia 22), revela boa parte dos contatos da quadrilha que já desvia dinheiro para ONGS desde o tempo do Todo Poderoso Lulla. Segundo esse colunista, “Faz tempo que o Ministério do Esporte é um caso de Polícia… Federal!! Os próprios órgãos de fiscalização e controle do governo mais ou menos infensos aos esquemas organizados para roubar dinheiro público cobram a devolução de mais de R$ 40 milhões repassados a ONGs que não fizeram o trabalho para a qual foram contratadas. Boa parte delas tem algo em comum: são tocadas por pessoas ligadas ao PCdoB, partido do ministro Orlando Silva, que lotou a pasta de militantes da legenda, muitos deles ex-diretores da UNE, como ele próprio. É o comunismo de resultado… para os comunistas”.

A luta encarniçada pela dinheirama que será torrada pelos diversos estados do país que sediarão a Copa já bateu às portas do Palácio de Dilma, e o desfecho será demorado, pois vai requerer muita negociação nos bastidores para dividir, de uma maneira equânime, o grandioso butim com os mercadores partidários. O difícil é deixar todo mundo satisfeito, pois nessas ocasiões surge sempre àquela velha querela: “Se eu não receber tanto, vou detonar o esquema”.

O humorista, José Simão, que escreve na Folha de São Paulo, falando sobre a a Copa de 2014, afirmou recentemente “que não entende por que estão todos espantados, já que desvio de dinheiro é um esporte genuinamente nacional (Rarará!)

Acredito que o site Youtube.com, até as vésperas da suposta copa 2014, deverá ficar congestionado de vídeos de indignação, de denúncias as mais escabrosas, algo como a pequena amostra, abaixo:


Por Levi B. Santos

Guarabira, 23 de outubro de 2011


15 outubro 2011

O CUSTO DA DESPERSONALIZAÇÃO




Pessoas que se sujeitam, incondicionalmente, às normas, regras e dogmas que a razão teima em não aceitar, perdem os limites de sua individualidade, ficando eternamente desprovidas de qualquer opinião.

É claro que não podemos olhar com bons olhos normas sociais, políticas ou religiosas que estimulam o indivíduo a castrar a sua capacidade de pensar, a ponto de achar heróico morrer pela instituição ou pela pátria sem saber o real motivo da guerra na qual imaginariamente está inserido.

Entendo que uma pessoa pode participar do seu grupo ou confraria sem que seja necessário abrir mão do seu senso crítico. Dedicar o melhor de si para satisfazer vontades e caprichos de pessoas egocêntricas que não respeitam a subjetividade do outro, não significa altruísmo ou generosidade: é, sim, uma alienação.

Certo é que, nós, como seres da falta e do vazio existencial primevo, ansiamos pela completude e imortalidade. Mas isso não significa que devamos perder o nosso espírito de decisão pessoal, agarrando-se ao que a mídia preconiza como “tábua de salvação”.

Há situações em que dominados pelo MEDO, alguns correm para familiarizar-se com grupos ou instituições eclesiásticas que oferecem aconchegos “espirituais” os mais diversos. No mais das vezes, ao adentrar esses recintos templários são obrigados a carregar fardos pesados, sofrendo uma espécie de descaracterização ou despersonalização que subverte totalmente o sentimento religioso autêntico.

O recalcamento do ”eu” interior desse indivíduo não é exercitado impunemente. Não raro, o indivíduo despersonalizado passa a denegrir a realidade terrestre.

Ao sentir-se todo iluminado pelo que percebe como “luz celeste ou divina”, lançando as suas sombras infernais sobre quem não é de seu grupo, essa pessoa cai na obsessão ou cegueira de não admitir que o “profano” é parte intrínseca de si, esquecendo esse lado obscuro da moeda humana. Consequentemente, esse indivíduo é levado a “satanizar” tudo e todos que estão fora de seu convívio, como se a divindade se enriquecesse daquilo que o homem se despoja. Não consegue se desvencilhar daquele ser de voz tonitruante que, lá dentro de si, se zanga e o intimida. Quando sai do “script”, por enxergar em seus sonhos uma tênue linha além dos medos, sente-se imensamente culpado.

A despersonalização provoca no homem uma dependência ou vício. Como fregueses contumazes de grandes lojas, pagam um preço alto por um produto, sem o qual não pode se sentir participante do status midiático institucional. Nesse estado, ele traduz como “verdadeira” a sua tez florida vista com outros olhos, que não os reais. O seu Deus benfeitor e compassivo nasce do fervor com que é enfeitado, como se fosse simples lata ou latão resplandecente. Diz que essa é a única maneira autêntica de CRER, porque não é aviltado por aquilo que mais reprime ou teme: a dúvida.

Incessantemente, o indivíduo despersonalizado tem que reprimir sua vida interior, para tentar viver de acordo com o ideal de perfeição vigente na sociedade de consumo. Para que isso “aconteça”, ele não titubeia em repelir todo tipo de sensação ou desejo que esteja em desacordo com seu “IDEAL HERÓICO”, mesmo que para isso tenha que abdicar de viver a sua intimidade de forma livre e rica.

Eis a cruel receita para a despersonalização:

FALAR SEMPRE O QUE LHE FOI DITO” — “OLHAR SEMPRE A MESMA PAISAGEM” — OUVIR SÓ AQUELA MÚSICA EXAUSTIVAMENTE ENSAIADA”.


Por Levi B. Santos

Guarabira, 15 de outubro de 2011

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09 outubro 2011

Inesquecíveis Momentos Com o Meu Amigo “X”



Em minhas conversas com meu amigo “X”, tenho sempre batido numa tecla: a de que aquilo que se pensava no passado como parte da própria vida mental humana constituída por percepções e sentimentos considerados como coisas sobrenaturais ou estranhas ao EGO, hoje, não mais é atribuída ao mundo externo, sendo entendido como fenômenos que se originam na própria psique.

O meu amigo “X”, em uma de suas cartas a mim endereçadas falou-me de sua vivência de igrejeiro, e a conclusão a que tinha chegado recentemente, de que a religião é uma ilusão, ao mesmo tempo em que fazia uma ressalva: a de que não chegara a assimilar essa coisa de “sentimento oceânico” ou sensação de algo ilimitado que eu lhe falara tempos atrás. Certa vez, lembro-me bem, ele falou veementemente que, “o crente só é crente devido a promessa de uma recompensa”.

Uma vez, cheguei a refletir silenciosamente, ante o argumento muito forte que ele usou, quando me disse: talvez o crente seja um mercenário, ‘amando’ e ‘servindo’ a Deus só para ser recompensado por Ele”. Intuitivamente, talvez, estivesse querendo que eu compreendesse que o “amor” cristão não era desinteressado; ainda reforçou dizendo: Não se ama a Deus, se ama o que ele tem para nos dar”.

E não é que cheguei a aplaudi-lo quando ele, numa tirada sensacional, falou-me que “eram os desejos do crente que talhavam um deus correspondente a sua vontade”. Quando o seu rosto cobria-se de rubor, eu já sabia o que ia sair de sua boca: Deus não existe! — dizia de punho cerrado. Eu entendia a sua linguagem: durante o verdor dos seus melhores anos ele vivera deslocando o seu sentimento religioso para uma figura paterna antropomórfica, que na sua concepção habitava um outro mundo de paz de harmonia — um sucedâneo de seu pai natural, que nunca chegou a realizar por completo os seus desejos e suas fantasias de criança.

Numa ocasião em que dialogava sobre o “sentimento saudoso” de ansiarmos pela completude perdida, ele ficou bastante contrariado quando eu repeli as suas racionalizações, dizendo que, embora uma pessoa rejeite toda a crença, dogma e ilusão religiosa, não significa que ela tenha anulado o sentimento nobre dere-ligar-se’ a um éden utópico”. Mas o meu amigo não se dando por vencido retrucou imediatamente: “Não consigo identificar em mim esse tal ‘sentimento sublime!”.

O meu amigo demonstrava dificuldade em assimilar o que eu entendia como “sentimento religioso”. No entanto, este afeto estava bem presente ali, nos momentos idílicos que passávamos trocando ideias. Eu sabia que o vazio ou “buraco” decorrente do primeiro desamparo experimentado, é que fazia surgir em nós o desejo de RE-LIGAÇÃO, que a instituição eclesiástica a qual ele antigamente pertencia, prometia para o fim dos tempos, desde que se submetesse a carregar os fardos pesados da subserviência, sem questionamentos, apresentada como lei divina.

Tentei convencê-lo de que, às vezes, as pessoas esquecem que esse afeto de natureza primária existe, por exemplo, quando se está escrevendo ou lendo um romance, apreciando um quadro de um pintor famoso, ou ouvindo uma música preferida.

Quando ele me falou que, “esse sentimento nobre, ou desejo de se religar a algo perdido na nossa gênese era uma espécie de droga, que deixava o sujeito dependente”, eu retruquei, argumentando que, a dependência psicológica não só se reflete naquele que não pode viver sem praticar seus rituais religiosos regularmente”.

O meu amigo “X” ficou de cenho franzido, quando fiz a seguinte afirmação: “Às vezes, as pessoas procuram a independência e acabam caindo em uma outra forma de dependência”.

“Pense bem no que vou dizer-lhe” — falei para ele, de uma maneira pausada e enfática: Nos vínculos afetivos familiares ou virtuais, caro amigo, estamos na verdade exercitando o ‘sentimento religioso’, mesmo que de forma inconsciente”.

Não sei o que se passou em sua cabeça quando cabisbaixo e silencioso ficou por alguns segundos.

Lembro-me que, numa noite fria, regada a cafezinhos com biscoitos, ele riu até não querer mais, quando falei que a primeira recompensa, suficiente para que pudéssemos vencer a dor da renúncia e do desamparo, ocorreu quando nos deram a primeira “chupeta” em substituição às tetas verdadeiras de nossa mãe, quando éramos bebê. Demonstrando desapontamento, ele disparou: “isso tudo é presunção!”. Fez cara feia por não concordar comigo no momento em que fiz ver que o passado de nossa tenra infância, quando ainda não tínhamos consciência, ainda interferia no agir de nós, adultos”.

Em uma de nossas conversações, ele chegou a torcer o nariz quando falei: Ao longo da vida adulta, mesmo em pessoas intelectualmente sofisticadas esse sentimento nobre não abandona o homem, antes estabelece novos e fortes vínculos buscando atenuar o desamparo metafísico, que à maneira da antiga chupeta, nos transmite uma sensação apaziguante”.

Recordo-me de um de nossos efusivos encontros, em que citei trecho de um autor que o meu amigo adorava ler antes de dormir — Khalil Gibran: Homem algum poderá revelar-nos senão o que já se encontra meio adormecido na aurora de nosso entendimento”. Pela reação esboçada, pude perceber que ele tinha entendido onde eu queria chegar.

Nessa noite, ficamos até altas horas divagando pelos caminhos tortuosos e enigmáticos da psique.

Despediu-se rapidamente de mim, prometendo voltar na próxima temporada de verão. Deu para ouvir os seus passos se afastando pelo corredor, e, não pude conter a emoção quando percebi que ele assoviava suavemente e com uma perfeição rara, a canção de Chico Buarque“João e Maria”, sem saber que aquilo era uma espécie de “prece”, uma forma inconsciente de expressar o seu sentimento de RE-LiGAÇÃO com o poço profundo das coisas passadas, dos desejos rotos e desfeitos do tempo de menino.

Não sei o “porquê” de ter ficado por completo gravado em mim, só a última estrofe dessa emblemática música:

Agora era fatal/ que o faz de conta terminasse assim/ Pra lá desse quintal era uma noite que não tem mais fim/ Pois você sumiu do mundo sem me avisar/ E agora eu era um louco a perguntar/ O que é que a vida vai fazer de mim?”.

Por Levi B. Santos

Guarabira, 09 de outubro de 2011

Site da imagem: blogbielsantos.blogspot.com

04 outubro 2011

O Cristianismo Segundo Nietzsche




Os pais e avós, como Protestantes, semearam no espírito do menino, apelidado de “O pequeno Pastor”, o zelo pela religião Javeliana. Mais tarde, na maturidade, Nietzsche — o brilhante estudioso das escrituras sagradas — passou a reagir àquilo que tinha como essencial e imutável, sob a forma de uma contestação vigorosa ao que tinha apreendido da tradição judaico-cristã.

O filósofo “herege” explorou ao máximo a sua natureza reflexiva, e, como homem reativo assumiu a gravidade de uma crescente interiorização dos seus impulsos inconscientes. Ele percebeu que subjacente à doutrina cristã com seus conceitos morais e regras normativas, existia a “má consciência”, ou RESSENTIMENTO, que esgotava as forças dos fieis ao pretender um aprimoramento moral inalcançável.

Nietzsche notou em suas longas reflexões, uma inversão de valores que implicou uma falsificação de Deus. Dessa forma, Javé, que era reverenciado por grandes festas, como forma de agradecimento pela boa fortuna na colheita, na pecuária, etc., foi transformado em um Javé que castiga e recompensa.

Em, “O Anticristo”, Nietzsche, faz ver que basta o homem sentir o desejo de transgressão para que isso, em si, já seja considerado uma prova suficiente de seu pecado e, como isso representa uma ameaça à salvação da sua alma. A desobediência ao sacerdote ou pastor é tida como desobediência a Deus. Psicologicamente, em toda sociedade organizada em torno do sacerdote, os pecados são imprescindíveis: são autênticas alavancas do poder. O sacerdote vive dos pecados, ele necessita que se peque: Deus perdoa a quem se submete ao sacerdote.

Para Nietzsche o poder da igreja depende que seus seguidores se sintam pecadores. A partir daí, o sacerdote inventa proibições para que, somente assim, haja transgressão e, consequentemente, sentimento de culpa.

Giles Thomas Ranson, sobre Nietzsche e o cristianismo, diz:

O cristianismo ensina que o reino de Deus está nos corações dos homens, mas traiu essa intuição fundamental quando transformou o Reino em outro mundo, um mundo mais além. Quando se desloca o centro de gravidade da vida no 'mais além', o que para Nietzsche é o nada, tira-se à vida o seu centro de gravidade”.

O filósofo barbudo consegue ver na mensagem dos agitadores sacerdotais, um sutil sentimento de vingança: os homens impotentes sob a égide de seu Deus alimentam a esperança do fim do sofrimento em suas ovelhas doentes, que apenas conhecem uma vontade: a de negar a vida.

Para Nietzsche, a moral escrava sempre nasce de uma REAÇÃO, tipo ressentimento, a qual sempre requer, para se fazer nascer, um mundo oposto, em que os fortes abaixam a cabeça para pedir clemência — os seus instintos tornam-se reprimidos, assim como os do rebanho, para poderem participar, enfim, dos benefícios da sociedade eclesiástica reativa.

Segundo o filósofo e escritor Amauri Ferreira, “Nietzsche atribuía a origem do pecado, da culpa e do ressentimento na cultura Judaico-cristã a uma moral que reprime a vontade de potência que quer expandir-se”.

Para o filósofo, o homem cristão torna-se reativo quando vive limitado apenas à conservação da sua existência, o que faz multiplicar o seu sofrimento e necessidade de viver, cada vez mais, submetido às promessas de recompensa oferecidas pelo poder sacerdotal.

Nietzsche, vê no cristão o núcleo do RESSENTIMENTO. Para ele, só resta ao cristão, como fraco, ressentir-se. “O desejo de vingança no crente é recusado ou reprimido. No cristianismo, sacraliza-se a vingança sob o nome de justiça — é a fermentação da crueldade adiada, transmutada em valores positivos. No cristão ressentido, a dívida permanece impagável: a compensação reivindicada é da ordem de uma vingança projetada no futuro (Maria Rita Kehl).

Juízo final?”: “É aquilo que serve de consolo para os seus sofrimentos por toda a vida. Mas enquanto não vem, preferem viver na fé, no amor e na esperança”. (Renato Nunes Bittencourt — “Nietzsche e o Problema do Ressentimento na Moral Religiosa”)

Diz a história, que no final da vida, Nietzsche, entrou em paranóia (esquizofrenia). Pouco antes de morrer, numa dissociação psíquica tremenda, identificou-se com Deus, quando em analogia a um conhecido versículo de um dos Salmos de Davi, assim escreveu:

Cantai a mim um cântico novo: o mundo se transfigurou e o céu encheu-se de alegria”.

Ass: “O Crucificado”

P.S.: “Nem os loucos erram” — é bíblico. É no estado de “loucura” que aquilo que se encontra reprimido nos porões abissais do inconsciente, aflora com toda exuberância.


Por Levi B. Santos

Guarabira, 04 de outubro de 2011


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FONTES:

1. Maria Rita Kehl – Ressentimento – Editora Casa do Psicólogo

2. Amauri Ferreira – Culpa e Ressentimento em Nietzsche – Ciência e Vida “Filosofia” – N° 36 – Editora Escala.

3. Giles Thomas Ranson – História do Existencialismo e da Fenomenologia – Editora EPU

4. Renato Nunes Bittencourt – Nietzsche e o Problema do Ressentimento na Moral Religiosa - http://www.revistaitaca.org