03 agosto 2013

Breves Considerações Sobre VANDALISMO




A palavra vandalismo deriva de “Vândalos” uma tribo de origem germânica que saqueou Roma, no século V. Segundo a Enciclopédia Britânica, quando os Vândalos invadiram Roma, o império romano era um regime escravocrata e não apenas um centro de arte e de antiguidades.

Diz-se que “as colunas do coliseu e do senado romano foram erguidas ao custo alto de milhares de vidas que foram relegadas ao trabalho escravo, sob opressão e violência de uma minoria da elite romana”.

“O termo “vândalo” passou, pela primeira vez, a ser usado de forma casuística pelos donos do poder, durante a revolução Francesa, ocasião em que muitos dos antigos oprimidos passaram a radicalizar o processo político, e lançaram seu ódio contra a monarquia absolutista e suas instituições”. (vide artigo ― “Afinal quem Foram Esses Tais Vândalos”, no site “A Nova Democracia”)

Nos meus sessenta e seis anos de idade, não me lembro de uma época em que os termos Vandalismo e Vândalos foram tão usados e abusados por parte do governo, dos políticos, dos redatores da imprensa escrita e televisiva do país, quanto ocorreram nas recentes manifestações de ruas que pôs a presidenta Dilma, até o presente momento, a falar besteiróis e criar factóides para desmentir no dia seguinte.

Nas manifestações repleta de cartazes pedindo “Hospitais padrão FIFA”, os repórteres foram quase unànimes em classificar os Vândalos, como aqueles que infiltrados nos recentes protestos de um povo insatisfeito com os desmandos do governo, partiram para a depredação do patrimônio público em meio à grande maioria dos que de forma ordeira invadiu as ruas das grandes cidades de todo o país, sem a intermediação de partidos políticos e sindicatos.

Na noite fatídica em que o prédio do Congresso foi invadido por milhares de jovens, estava eu ligado no canal do Senado, vendo apenas quatro senadores que em meio a muitas cadeiras vazias, permaneciam no plenário do senado, numa espécie de vigília cívica. Os outros senadores temendo um desfecho violento, diante da aglomeração indignada de jovens, fugiram atabalhoadamente do recinto, em consonância com o ditado: “Pernas pra que te quero”.

Ficaram lá Pedro Simon, Pedro Taques, Magno Malta e Cristovam Buarque, trocando ideias sobre as manifestações inesperadas de uma juventude cansada de ser espezinhada e explorada pelo Governo Central.

Eis que em meio à conversa deles, chega a notícia de que Vândalos estavam quebrando as caríssimas e belas vidraças do Itamaraty. Lembro-me de que um dos senadores reagiu com vigor contra os atos de depredação de um prédio, para ele, revestido de alto simbolismo.

Surpreendi-me quando o senador Cristovam Buarque, emocionado, tomou o microfone e fez um emblemático discurso denunciando quem eram os verdadeiros vândalos, culpados por tudo que ali estava acontecendo.

Nos últimos dias, quando a presidenta e sua base aliada vêm de forma alucinada, tomando medidas arbitrárias, insanas, estapafúrdias, demagógicas e escravagistas, pisando a própria constituição que um dia prometeu defender, achei mais do que conveniente trazer à tona trechos da fala do grande educador Cristovam Buarque, naquela noite em que vidros foram estilhaçados no belo palácio do Itamaraty:

“Fala-se da violência dessa meninada lá fora. Gente, violência é aquilo contra o que eles lutam. Violência é o transporte público no Brasil, que deixa pais e mães de família uma hora num ônibus, três horas no trajeto para a casa todos os dias. Isso é violência. Violência é uma escola onde a criança não tem uma cadeira para sentar, uma cadeira desconfortável e estuda em um quadro negro, já nem mais aceito hoje. Violência é uma mãe e uma criança no colo em uma fila pra ser atendida porque a criança está doente. Isso é violência. Nós não temos jovens violentos. Temos um sistema violento.” ― disse

“E quando se fala em vandalismo: vandalismo de quebrar uma vidraça, que não devemos recomendar ou aceitar, é muito menor do que um vandalismo que se faz contra a vida dos brasileiros. Crianças morrendo por falta de UTI? Isso é vandalismo, porque o dinheiro foi para construir um estádio de 1 bilhão e seiscentos milhões de reais, onde só vai entrar quem paga 500 reais” ― disparou.

Um silêncio sepulcral dominava o plenário praticamente vazio, quando Cristovam desabafou: “O senado estar vazio, sem os outros senadores em um momento tão importante, é a maior forma de violência”.

“A violência não é da meninada nas ruas. A violência é do sistema que nós temos há 500 anos no Brasil, Violência é o senado vazio numa hora dessas.”
“Antes de acusarmos o vandalismo deles é preciso no perguntarmos: onde erramos? Antes de os chamarmos de vândalos é preciso admitirmos que fomos nós vândalos ainda maiores”.

“Nós políticos vandalizamos a Saúde Pública. Vandalizamos a Constituição. Vandalizamos a segurança pública. E o mais grave: vandalizamos a educação deste país”.

 “Quando dizem que no Brasil as crianças ficaram violentas na escola, eu digo: as crianças são pacíficas demais diante da violência da própria escola sobre elas, e o mesmo eu digo desses que estão quebrando as vidraças do Itamaraty.”

“Se em meio a uma multidão de manifestantes pacíficos, um pequeno grupo faz isso é porque matamos os sonhos dos nossos jovens e provocamos a ira dos outros. Nós políticos colaboramos para este ‘casamento’ perigoso entre o ‘sonho morto’ e a ‘raiva viva’ dos nossos jovens”.

“Se não nos perguntarmos onde erramos, não vamos parar com esses vândalos menores e muito menos com o vandalismo maior ― que é toda política social brasileira.”
 (Cristovam Buarque)

P.S.:

No próximo dia 14, o STF inicia a fase final do julgamento dos vândalos que estavam se locupletando no poder, e agora, vão  receber o veredicto final por crimes de peculato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
É mais uma COPA contra a Impunidade que os jovens, com certeza, acompanharão por telões, inundando as ruas de Brasília.

Enfim, uma notícia que nos transmite esperança de dias melhores:

“O decano da corte máxima do país, Celso Mello, acredita que em no máximo oito sessões será possível concluir o julgamento dos embargos interpostos pelos mensaleiros.” 

Vide link:



Por Levi B. Santos

Guarabira, 03 de agosto de 2013

Site da Imagem: lorotaspolíticaseverdades.blogspot.com

4 comentários:

Franklin Rosa disse...

VANDALISMO NO BRASIL É...

SER REPRESENTADO PELO LEGISLATIVO

SER GERENCIADO PELO EXECUTIVO

SER MENSURADO PELO JUDICIÁRIO

Guiomar Barba disse...

Custa-nos acreditar que o próprio Cristovam estivesse tão revoltado. Nos parece que o vandalismo político é uma doença poderosamente contagiosa...

Todos eles têm consciência de que são vândalos, mas a ambição de poder e dinheiro, leva-os a divertirem-se com o asco que produz em nós suas doença.

Levi Bronzeado disse...

Parece que você tem razão, Guiomar.

Olha só o que vai nesse link:

http://www.jornaldamidia.com.br/2013/08/10/lewandowski-interferiu-em-processo-para-ajudar-pt-e-dilma/#.UgfbidLBOSo

Levi Bronzeado disse...

São condenáveis procedimentos, como esses, que indigna o povo e o incita a sair às ruas para protestar:

Vide link:

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/lewandowski-como-presidente-do-tse-interferiu-em-processo-para-ajudar-o-pt-e-a-presidente-dilma-e-nao-era-funcao-sua/