Segundo Isabela Boscov, Crítica de cinema de Veja, "a narração do filme é encadeada como a vida de Cristo, do nascimento na manjedoura à ressurreição gloriosa".
Os editores da matéria (Sofia Krause e Gustavo Ribeiro) não negam que a trajetória de Lula tenha sido de fato, dramática e admirável, porém, acham que o filme de Fábio Barreto carregou tanto nos aspectos míticos, que a vida do presidente acabou se parecendo com a hagiografia de Cristo.
Destacamos abaixo, um resumo demonstrativo do novelão narrado pelo semanário, encimado pelo sub-título “AI JESUS...”, em que os redatores da reportagem comparam os fatos principais da vida de Cristo, com os novelescos e marcantes acontecimentos da vida do endeusado presidente.
O Nascimento
“Lula nasce no árido sertão pernambucano, de paisagem que lembra a da desértica Judeia. Sua mãe (Glória Pires) dá à luz em um catre. Não há animais rodeando a manjedoura para aquecer o bebê, porque em Garanhuns não faz frio, mas a pobreza da família é comparável à de José e Maria. Na falta dos Reis Magos, é a mãe, Dona Lindu, quem desempenha a função. "Seu nome vai ser Luiz Inácio!", exclama ela, em tom profético, ao segurar o filho pela primeira vez”.
A iniciação
“Jesus foi muito influenciado e encorajado, na pregação de sua mensagem, por seu irmão Tiago. Lula também contou com uma figura semelhante: seu irmão Frei Chico, no filme chamado de Ziza, que o iniciou na vida espiritual – corrija-se, na vida sindical”.
O Sermão da Montanha
“A cena do célebre comício no estádio de Vila Euclides, em 1979, faz uma alusão clara à pregação em que todos compreendiam as palavras de Jesus, não importa que idioma falassem ou quão distantes estivessem d’Ele. No filme, as palavras de Lula vão sendo transmitidas de um operário para outro – não havia sistema de som no estádio –, e assim reverberam entre a multidão como uma litania”.
O Martírio
“Jesus foi preso pelos romanos depois da Santa Ceia e de sua noite no Jardim das Oliveiras; Lula foi preso depois de liderar uma greve de 41 dias. Conduzido pelas ruas de Jerusalém com a cruz às costas, Jesus foi açoitado pelos soldados mas venerado por parte da multidão; libertado apenas para ir ao enterro de sua mãe, Lula chegou e saiu, humilhado, em uma viatura policial – mas foi saudado pelos companheiros, que gritavam em coro: "Solta o Lula! Se não soltar, a gente vai parar!".
A Ressurreição
P.S.: A reportagem só faltou dizer que Cristo foi crucificado entre dois assaltantes, ao passo que o presidente escafedeu-se habilmente da "cruz" para não ser crucificado junto aos denunciados quadrilheiros do malfadado mensalão. Lembram-se? (rsrsrs)







