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20 fevereiro 2023

Saudades dos VELHOS CARNAVAIS de Minha Adolescência em ALAGOA GRANDE(PB)

Me identifico muito com a melodia e a letra da marcha-rancho ‘Vila Esperança’ - imortalizada por Adoniran Barbosa em 1968 ─, um tributo que esse compositor, filho de imigrantes italianos, fez a sua amada Vila Esperança' (zona leste de São Paulo).
 Nos velhos carnavais de ruas, na minha adolescência, Alagoa Grande (e a aprazível lagoa do Paó em seu centro)) era a minha VILA ESPERANÇA repleta de foliões, blocos e troças - em fervente animação.
 Se hoje, o carnaval perdeu o brilho da prazerosa inocência, para gáudio dos nostálgicos daquele tempo, faço questão de ressuscitar a bela, tocante e saudosa marchinha ‘Vila Esperança’(vide vídeo abaixo) – iniciada com a voz arrastada e cansada de Adoniran Barbosa (1912 ─ 1982), também autor dos antológicos sambas: 'Saudosa Maloca', 'Trem das Onze', 'Iracema', entre outros. 
 GUARABIRA, 19 de fevereiro de 2023

13 fevereiro 2021

PÓS-PANDEMIA ─ A Mais Nova Utopia no Reino de Momo




A expressão ─ “as coisas vão melhorar depois da pandemia!” ─, de tanto ser usada e abusada, já virou clichê entre nós. Vivo fosse, Jung diria que na atualidade mais um arquétipo teria sido introduzido no inconsciente coletivo, o ARQUÉTIPO do FIM da PANDEMIA de CORONAVÍRUS, uma espécie de sucedâneo do arquétipo do Fim do Mundo ou Batalha Final do Armagedon de que falou o apóstolo João no último livro do Novo Testamento Bíblico ─ o APOCALIPSE.

As principais armas que temos para enfrentar o Covid-19 (vírus, que agora dá dribles e mais dribles nos cientistas formuladores de vacinas), são o uso de máscara, o não aglomerar-se e o distanciamento social. Como obedecer a esse simples trio preventivo, se a massa e a elite alienada já começaram, com todo gás, a campanha presidencial de 2022?

Campanha que é campanha pra valer, nesse nosso mundo de idolatria e fanatismo, não pode prescindir dos abraços, dos beijos, dos apertos de mãos e do rosto liso sem as máscaras que atrapalham o tempo todo, impedindo os louvores, os brados “patrióticos” da insensatez, além dos afagos mais íntimos face a face.

Há 12 dias, a comemoração da eleição dos novos presidentes da Câmara e do Senado foi um verdadeiro festival de aglomerações, de abraços, de apertos de mãos, conversas ao pé do ouvido. Parecia mais as torcidas inflamadas comemorando o desfile de suas agremiações no Sambódromo do Rio.

Por falar em carnaval, dizem que esse ano não haverá comemorações nos três dias dedicados a Momo.



Verdadeiro ou Falso?.



Na realidade, o carnaval mudou apenas de local, as avenidas e os sambódromos foram trocados pelas praias lotadas, pelas festanças secretas em condomínios e quintais de casa, sem falar nas bem vigiadas aglomerações promovidas pelos políticos à caça de votos.

E o Covid-19, que não tem nada de bobo, se infiltra na UTOPIA Carnavalesca para atacar com seus mais variados passes de samba, agora denominados ‘VARIANTES’ (ou novas cepas).

Não vamos tapar o sol com a peneira, mas todo mundo sabe que há em nossa pátria tupiniquim uma elite política radical ridicularizando, o tempo todo, o uso de máscaras, incentivando as aglomerações e o desprezo pelo distanciamento social.

Não esperava que poderosos e idolatrados guias de nossa pátria mãe gentil, que deveriam ser os primeiros a dar exemplo de sensatez fossem, indiretamente, tão solícitos em associar-se ao devastador Covid-19, naquilo que o vírus mais necessita para difundir seu mortal veneno.


Por Levi B. Santos.

Guarabira, 13 de fevereiro de 2021


P.S.:

A propósito, já que estamos a falar de PANDEMIA, MEDIDAS PREVENTIVAS, UTOPIA, CARNAVAL,“VARIANTES” e APOCALIPSE ─, espero que não se assustem ao acessarem o LINK abaixo:

https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2021/02/11/variante-varrera-o-mundo-e-trabalho-contra-covid-levara-10-anos-diz-cientista

04 março 2019

TERRA DE VERA CRUZ E SEU PRIMEIRO CARNAVAL (Um Pouco de Nossa História Lúdica)





Vera Cruz foi o primeiro nome dado ao que conhecemos, hoje, como Brasil. Em seu fascinante livro ― “As Festas no Brasil Colonial” (Editora 34) ―, o famoso pesquisador e historiador José Ramos Tinhorão, conta que a esquadra de Cabral desembarcou em Porto Seguro sob uma euforia tremenda ―, “em meio a troca de rosários, barretes e carapuças por arcos, setas e enfeites de plumas”.

“Marujos europeus e galantes pintados de preto e vermelho ao som de gaitas e trombetas se misturaram aos nativos, numa confusão típica das aglomerações carnavalescas”. Pero Vaz de Caminha, em sua épica carta enviada ao Rei D. Manuel de Portugal, tomado por uma animação incomum, assim se expressou: “Terra para conhecer e também para folgarmos”.

Na Terra do Pau Brasil, o “Sagrado” e o “Profano” estabeleceram-se em uma perfeita harmonia. Tanto é assim, que após a primeira missa proferida pelo Padre Frei Henrique, seguiu-se sem intervalo, “o primeiro assustado com música e dança em terra chã com grandes arvoredos”. A folia dos indígenas pulando e dando saltos mortais, impressionou, sobremodo, os portugueses da esquadra de Cabral.

Segundo o historiador, em 1580, os alunos do colégio dos Jesuítas na Bahia, encontravam nas procissões uma oportunidade de extravasamento dos seus desejos carnais. Na data comemorativa do “Corpus Christus”, havia um bloco denominado, “O Mistério das Onze Mil Virgens”, uma procissão de oportunismo lúdico, que angariou a simpatia da maioria da população.

Em fins de 1717, o francês, Le Gentil de La Barbinais, quando passava por São Gonçalo, a convite do vice-rei Vasco Fernandes Cesar de Menezes, narra como se desenrolavam os desfiles lúdicos nos arredores de São Salvador:

“Partimos em companhia do Vice-Rei e de toda a Corte. Próximo a igreja de São Gonçalo nos deparamos com uma impressionante multidão que dançava e pulava ao som de violas e atabaques, que faziam tremer toda a nave da igreja. Tivemos, nós mesmos que entrar na dança, por bem ou por mal, e não deixou de ser interessante ver numa igreja padres, mulheres, frades, cavalheiros e escravos a dançar, misturados a gritos de Viva São Gonçalo do Amarante!’.

Nas procissões do Espírito Santo, o padre Frei Antônio religioso do Carmo tocava viola publicamente com o Cônego de Angola – o padre Manoel de Bastos, e entre eles no mesmo carro alegórico, uma Vicência crioula forra de Ouro Preto, vestida de homem cantava o ‘Arromba’ e outras modas da terra. O bispo D. Antonio do Desterro era um folião inveterado e saia para farra na procissão usando como peruca a cabeleira da imagem de Cristo, isto em fins de 1759. Os lundus e os fados criados no século XVIII, mais tarde, se transformariam nas precursoras da música popular moderna”.

“Os grupos de manifestantes barulhentos que desfilavam na semana da Quaresma tinham nomes muito parecidos com os blocos carnavalescos atuais: cornetadas, troças, chocalhadas, latadas e caçoadas”.


Por Levi B. Santos
Guarabira, 04 de março de 2019

08 fevereiro 2018

O Samba "Politicamente Incorreto" de Stanislaw Ponte Preta




Como estamos iniciando o período momesco, nada melhor do que trazer para o momento, algo risível e emblemático de nossa história carnavalesca, que consagrou a expressão “Samba do Crioulo Doido”, criada por Sergio Porto (1923 ― 1968). O cronista sempre assinava suas crônicas com o pseudônimo, Stanislaw Ponte Preta. Esse samba, composto em 1967 e gravado em 1968 (anos de chumbo) fez sua fama, que já era grande, repercutir estrondosamente pelo país inteiro. Foi no ano de 1966 que lançou o antológico livro ― "Febeapá: Festival de Besteira que Assola o País",  o qual, versava sobre "causos" risíveis da "Redentora" (como ele denominava a Ditadura Militar).

No fundo o que Stanislaw queria com seu "Samba do Crioulo Doido", era ironizar a ditadura militar e seu exagerado e obtuso nacionalismo. A letra do samba é toda sem sentido, como que para demonstrar a confusão político-militar reinante na época.

A atitude excêntrica dos que organizavam a vida social era totalmente tresloucada ― um total paradoxo com o que se tinha, anteriormente, como habitual no Brasil.

O samba sem pé nem cabeça do satírico autor, afinal, refletia a louca conjuntura ditatorial que ele considerava carnavalesca ―, subentendido na “história de um compositor que durante muitos anos obedecia ao regulamento...”.

Nas estrofes desse samba-enredo perfilam celebridades históricas totalmente destituídas do seu contexto histórico, um embaralhamento estapafúrdio no que concerne a cronologia e a lógica dos fatos. Então, no samba doido, Tiradentes, o herói da Inconfidência, seguia planos de Chica da Silva, que depois se casaria com a princesa Leopoldina.

Inclusive, como acréscimo ao brilhante ensaio da doutora Berenice Cavalcanti (Professora de História da PUC) na revista "Nossa História" (outubro de 2004) -, garimpamos  dois elementos preciosos que destacam o gênio e a sutileza de Sérgio Porto: Quando ele se refere ao sobrenome "SILVA", faz alusão ao Presidente da República, Artur da Costa e Silva, que não por acaso, foi escolhido para governar o país em pleno carnaval de 1967. Para avivar a nossa memória, foi da pena desse General que saiu o famigerado AI.5 que, praticamente, pôs fim a liberdade de imprensa no país.

"Joaquim, que era também da Silva Xavier, queria ser dono do mundo, e se elegeu Pedro II" ― diz, uma estrofe do envenenado samba que, em seu final, faz referência a Proclamação da Escravidão.

Mas esse fenomenal samba encerra uma moral: "D. Pedro se transforma em uma estação e D. Leopoldina vira trem" A gozação chega ao máximo na parte final da melodia, que assim diz ― “O Trem tá atrasado ou já passou”.

O leitor pode conferir abaixo o vídeo do “Samba do Crioulo doido”, gravado originariamente pelo Quarteto em Cy, interpretado aqui pelos “Demônios da Garoa”.


FONTE CONSULTADA: Revista Nossa História – Ano 1/ n° 12

Site da Imagem: devign.com.br 

Título da Postagem Original - "Sobre o Samba do Crioulo Doido" (Ensaios & Prosas - 09 de fevereiro de 2013)

06 maio 2016

A República de Volta ao Éden



Numa época de grave crise moral, política, ética e econômica em que sentimentos, os mais diversos, inflamam corações, não custa nada recorrermos a um pouco de humor para amenizar a febre que, de forma pendular, nos faz passear para lá e pra cá revisitando os polos de nossa natureza contraditória ou paradoxal, sem se fixar em nenhum deles.

Em um momento grave como este que estamos passando, nada melhor que fazer uma releitura da velha história de “Adão e Eva”, referência religiosa e mítica de nossos afetos ambivalentes. Os polos antagônicos representativos das dualidades amizade e traição, amor e ódio, vingança(ressentimento) e misericórdia, “verdade” e mentira, tais quais ondas em um mar agitado se batem sem dó nem piedade contra perigosos rochedos litorâneos.

O Colunista e escritor, Ruy Castro, na Folha de São Paulo de hoje (dia 06)nos brinda com um artigo que vem bem a calhar com os hilários e últimos acontecimentos de Nossa Republiqueta. O autor em “A História da Maçã” evoca os arquétipos antagônicos internalizados nos personagens Adão e Eva, que de forma risível mas também simbólica, estão imortalizados nas letras das marchinhas dos antigos carnavais.


A História da Maçã [Por Ruy Castro]


"Eva querida/ Quero ser o teu Adão/ Dar-te-ei o meu amor e a minha vida/ Em troca do teu coração// Hei de conquistar/ O teu amor se Deus quiser/ Custe o que custar/ Haja o que houver/ Serei capaz de qualquer prejuízo/ Mas te darei o Paraíso"– "Eva Querida", de Benedito Lacerda e Luiz Vassalo, com Mario Reis, Carnaval de 1935.

"Adão/ Meu querido Adão/ Todo mundo sabe/ Que perdeste o juízo/ Por causa da serpente tentadora/ O nosso Mestre/ Te expulsou do Paraíso// Mas, em compensação/ No teu pobre coração/ Que era muito pobre/ Pobre, pobre de amor/ Cresceu e se eternizou/ Meu Adão/ O teu pecado encantador"– "Querido Adão", de Benedito Lacerda e Oswaldo Santiago, com Carmen Miranda, Carnaval de 1936.

"Papai Adão/ Papai Adão/ Papai Adão já foi o tal / Hoje é Eva / Quem manobra/ E a culpada foi a cobra// Uma folha de parreira/ Uma Eva sem juízo/ Uma cobra traiçoeira/ Lá se foi o Paraíso!" – "Papai Adão", de Armando Cavalcanti e Klecius Caldas, com Blecaute, Carnaval de 1951.

"Eva, me leva/ Pro Paraíso agora/ Se estou com muita roupa/ Eu jogo a roupa fora// Você vive bem/ Em pleno verão/ Você vai ao baile/ Até de calção/ Queria também/ Usar pouca roupa/ Mas é que a polícia/ Daqui não dá sopa" – "Eva", de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira, com Marlene, Carnaval de 1952.

"A história da maçã/ É pura fantasia/ Maçã igual àquela o papai também comia/ Eu li no almanaque que um dia, de manhã/ Adão tava com fome e comeu a tal maçã/ Comeu com casca e tudo/ Não deixando nem semente/ Depois botou a culpa/ Na pobre da serpente" – "História da Maçã", idem Haroldo e Milton, com Jorge Veiga, Carnaval de 1954.

São teses que reuni para um eventual debate sobre Darwin com o bispo Marcos Pereira, provável ministro da Ciência e Tecnologia do governo Temer.  [Ruy Castro]


17 abril 2015

A Mesclagem das Procissões Religiosas com o Carnaval de Rua no Brasil Colônia





O famoso pesquisador, historiador e crítico musical, José Ramos Tinhorão, no seu livro, “As Festas no Brasil Colonial”, mostra como o cortejo sacro (as procissões católicas) no tempo do Brasil Colônia se misturou ao “profano” e influenciou enormemente o que hoje temos como, Festas Carnavalescas, ou tríduo momesco. Tinhorão descreve com riqueza de detalhes e farto material histórico como se processou a mesclagem dos valores sagrados ibero-europeus com os valores indígenas e africanos na Bahia, por volta do século XVI.

Segundo o historiador, em 1580, os alunos do colégio dos Jesuítas na Bahia, encontravam nas procissões uma oportunidade de extravasamento dos seus desejos carnais. Na data comemorativa do “Corpus Christus”, havia um bloco denominado, “O Mistério das Onze Mil Virgens”, uma procissão de oportunismo lúdico, que angariou a simpatia da maioria da população.
As festas carnavalescas de ruas e as diversões em ambientes fechados, como os bailes públicos, tiveram aí a sua origem.

Sobre o caráter de diversão da procissão dos alunos do colégio dos Jesuítas, o francês Le Gentil de La Barbinais quando passava por São Gonçalo, a convite do vice-rei Vasco Fernandes Cesar de Menezes, narra como se desenrolavam os desfiles lúdicos nos arredores de São Salvador:

“Partimos em companhia do Vice-Rei e de toda a Corte. Próximo a igreja de São Gonçalo nos deparamos com uma impressionante multidão que dançava e pulava ao som de violas e atabaques, que faziam tremer toda a nave da igreja. Tivemos, nós mesmos que entrar na dança, por bem ou por mal, e não deixou de ser interessante ver numa igreja padres, mulheres, frades, cavalheiros e escravos a dançar, misturados a gritos de ‘Viva São Gonçalo do Amarante!’.
Nas procissões do Espírito Santo, o padre Frei Antônio religioso do Carmo tocava viola publicamente com o Cônego de Angola – o padre Manoel de Bastos, e entre eles no mesmo carro alegórico, uma Vicência crioula forra de Ouro Preto, vestida de homem cantava o ‘Arromba’ e outras modas da terra. O bispo D. Antonio do Desterro era um folião inveterado e saia para farra na procissão usando como peruca a cabeleira da imagem de Cristo, isto em fins de 1759. Os lundus e os fados criados no século XVIII, mais tarde, se transformariam nas  precursoras da música popular moderna”.
“Os grupos de manifestantes barulhentos que desfilavam na semana da Quaresma tinham nomes muito parecidos com os blocos carnavalescos atuais: cornetadas, troças, chocalhadas, latadas e caçoadas”.

Tem mais: Os estandartes atuais dos blocos carnavalescos e escolas de samba continuam como cópias fiéis dos que eram içados pelos fiéis nas fogosas procissões do Brasil Colonial.

P.S.:
Perdoe-me o grande pesquisador José Ramos Tinhorão, mas eu vou ficar com o Almirante que, numa música carnavalesca escancarou toda a verdade: Tudo começou no dia 21 de Abril de 1500 com a descoberta, por acaso, do Brasil, exatamente dois meses após o carnaval, como mostra o vídeo abaixo:




Por Levi B. Santos
   Guarabira, 15 de fevereiro de 2012

Fonte de Referência: José Gomes Tinhorão ― “As Festas no Brasil Colonial” ― Editora 34

13 maio 2014

A Sociedade e a Prometida Copa das Copas

Carnaval na Alemanha ironiza a Copa 2014



Parece que gastos e desvios de dinheiro nas realizações das Copas sempre foram uma realidade mundial, talvez desconhecida de nós. 

As autoridades patrocinadoras da Copa 2014 adiantaram seu diagnóstico dizendo que as manifestações que pipocam  por todo o país são de natureza política. Mas elas esquecem de que tudo o que está acontecendo pode ter outra explicação: como o fato de o brasileiro, só agora, tomar consciência  de que sediar uma Copa é torrar vultosas somas para um “Circo Efêmero” em detrimento do “Pão”.

As estatísticas estão aí para serem analisadas a fundo.

Um dado, por si só,  é extremamente alarmante: 73% da população brasileira não está satisfeita com o fato de o Brasil sediar a Copa do Mundo. 85% disseram NÃO ao uso do dinheiro público para construção dos estádios. Para 72% essa será a Copa da Corrupção.

A sociedade está bem lembrada dos discursos da CBF e do Governo que alardeavam que as obras para a Copa seriam tocadas pelas empresas privadas. O que hoje todo mundo sabe, foi tudo conversa para boi dormir.

No meio editorial, livros denunciando os desmandos nessa Copa já estão nas principais prateleiras das livrarias, como  “A Copa da Corrupção” de  Duciran Van Marsen, onde o autor detalha o sonho brasileiro que será vivido apenas pelos ricos e impunes cartolas. “A Copa Como Ela é” de Jamil Chade (editora Companhia das letras) é outra obra que denuncia os abusos e a gastança desenfreada do dinheiro público. Diz esse autor que “o único legado está ligado ao fato de que a população brasileira se conscientizou disso, de que não haverá legado”.

 A Fifa, por ora , está com uma grande  dor de cabeça e já entrou na justiça para impedir a publicação de um livro que revela a fraude na venda dos ingressos: trata-se da obra  ―“Um Jogo Cada Vez Mais Sujo”  – de Andrews  Jennings (livro que começa a ser vendido nesta semana).  Esse autor, para quem não sabe, investiga os bastidores da FIFA há 20 anos, e foi um dos responsáveis pelo banimento de João Havelange e Ricardo Teixeira do mundo do Futebol.

Ontem (dia 12) o jornalista, Juca Kfouri  em seu blog, fez importantes revelações sobre o livro “Copa Para Quem e Para Quê”, mostrando como as empresas mercantilizam cada vez mais os espaços públicos, com a justificativa de benefícios futuros para o povo.

Parece que a presidenta Dilma, para não ser constrangida, vai evitar  comparecer à abertura da Copa, ou ficar às escondidas de boca calada nas arquibanadas a fim de evitar vaias estrondosas como aquelas que aconteceram  no jogo inaugural da recente Copa das Confederações.

 Mesmo com a CPI da Petrobrás nas costas,  correndo no mês de junho, a presidenta exala firmeza , e diz que essa será a “Copa das Copas ― uma Copa para ninguém esquecer”.

Deus (que dizem ser brasileiro) te ouça e nos socorra, Dilma!  (rsrs)

Por Levi B. Santos
Guarabira, 13 de maio de 2014


Site da Imagem: Blog do Paulinho

04 março 2014

Prenúncio de Tempestade Após Copa e Eleições




As nuvens densas e escuras que aparecem no horizonte dão indícios de que, depois da Copa e das eleições, uma tempestade cairá aqui em nossa Colônia.

Pequenas e boas notícias, por enquanto, nos animam, como esta: A maior instituição financeira da Alemanha ― o Deutsche Bank ― fez um acordo com o Ministério Público para devolver 10% dos 200 milhões de dólares que Paulo Maluf desviou da prefeitura de São Paulo em meados de 1990.(reportagem do correspondente internacional da Veja ― André Petry). A dinheirama que vai ser devolvida é apenas o dízimo do que Paulo Maluf embolsou. Mas a nossa Justiça, pasmem, diz que o ex-prefeito que está livre, leve e solto, não desviou um tostão do erário.

A “verdade otimista” brandida por algum tempo pelo partido majoritário, de que somos auto-suficientes em petróleo, evaporou-se: “A Petrobrás perdeu 43% do seu valor de mercado em três anos e passou da segunda para a quarta colocação no ranking das maiores empresas de gás dos EUA e da América Latina” ― noticiou o Jornal Estadão. Ou seja, a empresa que simbolizava a solidez do nosso país, está quase falida.

Tudo indica que o badalado “Pré-Sal” será mais um conto de Fada, uma farsa ou um canal de desvio de dinheiro para gente que está jogando aqui e fora do país ao mesmo tempo.

A conta, como sempre acontece, vai sobrar para o contribuinte. Há pouco mais de seis meses foi perdoada a dívida de 12 países africanos mantidos por ditadores. Ditadores como, Nguesso, do Congo, que possui 66 imóveis em áreas vizinhas a Torre Eiffel em Paris, estão recebendo ajuda do governo brasileiro. (vide LINK). O governo diz que é pouca coisa: são apenas 8 reais que cada brasileiro vai doar aos nossos irmãos de sangue na África.

Mas o governo brasileiro anda muito seguro, quando diz que não está só. Acercou-se da Argentina, Venezuela, Bolívia e Cuba, financiando (ops! – presenteando) e defendendo as suas ditaduras com unhas e dentes para manter de pé o sonho de seus ídolos ― Che Guevara e Fidel Castro.

Para escurecer mais ou tornar mais sombrias as nuvens ameaçadoras, some-se a tudo isso o dinheiro que está escorrendo pelo ralo, através de desvios fraudulentos sob a pecha de que está sendo usado em reforma de estádios para a Copa.

Pasmem: os mensaleiros condenados e presos por apropriação indevida das finanças do país para fins escusos estão mais ricos do que quando estavam em liberdade. A prisão encenada os tornou mais milionários: a vaquinha de R$ 2.800.000,00, “obtida” em poucos dias para pagar as multas que eles tinham na justiça, mais tarde, pesará em nossos bolsos. Por ora, tudo é festa, tudo é carnaval.

O Brasil da desigualdade social, da corrupção, do péssimo nível educacional, da violência urbana crescente, da farra com o dinheiro público é detentor dos 20 estádios de futebol mais caros do planeta; e isso tem um nome: SUPERFATURAMENTO para enriquecimento dos que deveriam gerir a coisa pública com total isenção. (Leia mais aqui).

“A matemática revela que o maior beneficiário da Copa de 2014 será mesmo a FIFA, e não o cidadão brasileiro, que paga a conta bilionária. Prevê-se que o lucro da entidade (com bônus para os parceiros do Rei – grifo meu) será de 4 bilhões, o dobro do que arrecadou a Alemanha e o triplo do que arrecadou a África do Sul. O resto é lorota para enganar ingênuos e fazer boi dormir” ― concluiu, um Editorial publicado no Estadão em junho de 2013.

A gastança do governo não pára de crescer. De acordo com o Portal Transparência, “só em cartões corporativos foram gastos mais de R$61 milhões em 2013. Sem falar nos 80 milhões torrados pelo o ex-presidente Lula, em 2010” (vide Link). “Segundo os dados do Tesouro Nacional o total das despesas do governo em 2013 bateu recorde, chegando aos impressionantes R$914 bilhões” (Fonte: Folha de São Paulo)

Com a vitória praticamente certa, Dilma já falou que depois da Copa e das eleições irá por em prática um plano de reestruturação no país. Trocando em miúdos, isso significa dizer: preparem os bolsos ou os guarda-chuvas que lá vem tempestade!


Por Levi B. Santos
Guarabira, 04 de março de 2014  


Site da Imagem: gamalivre.com.br

29 dezembro 2013

2014 ― O Ano Que Encolherá




Quando temos muitos afazeres e lazeres por dias ou meses seguidos, não percebemos o tempo passar, e dizemos comumente: “Como o tempo voa!” ou “Como o ano passou rápido!”

Preparem-se cidadãos brasileiros, pois, nas redes sociais já estão a propagar que o ano de 2014 não vai existir. Bem, não é nenhuma previsão catastrófica que se quer aqui anunciar. Trata-se de um ano inusitado, pela quantidade enorme de eventos programados. Ano de muitos feriados e pontos facultativos em que pouco se trabalhará e muito se folgará.

Como todos sabem, no Brasil, tudo só começa a funcionar depois do carnaval, mas só por pouco tempo, pois logo vem a Semana Santa. Só que depois da Páscoa, além do São João, vem a Copa do Mundo, que vai tomar todo o mês de junho e um pedaço de julho. Depois da refrega da Copa, com ou sem manifestações por Hospitais padrão FIFA, o país poderia começar a funcionar, mas aí vem o fuzuê pré-eleitoral, com as barulhentas e modorrentas campanhas para Presidente da República, Governador, Deputados Federais e Estaduais. Depois das eleições, vem o período de comemorações dos eleitos e as contestações de ilicitudes nos pleitos desembocando no STE. Com pouco mais de trinta dias estaremos novamente nas comemorações Natalinas, e o ano evaporou-se.

Sabendo que a mistura fantástica de “política” e futebol são a carne e o sangue do brasileiro, já se pode imaginar que nada de sério se produzirá no país do carnaval nesse ano que se aproxima. É de se esperar que dados fictícios de crescimento do país sejam expostos na imprensa, para acalmar o mercado. Com certeza, 2014 será o ano da ociosidade, e a ressaca de todo o mega-espetáculo ficará para 2015. E seja o que “Deus” quiser!

E se o Brasil for Campeão do Mundo? Claro que o PT e a Dilma faturarão para si o resultado. Caso isso aconteça, a multidão vestida com as cores nacionais não vai dar a mínima bola para, taxa de crescimento abaixo de zero, desvio de dinheiro público, estouro da bolha, crise de petróleo, subida do dólar, inflação, etc. Os fanáticos por futebol não vão tremer diante de manchetes jornalísticas arrasadoras, tipo: “Os gastos com a Copa do Mundo no Brasil foram maiores que a soma do que foi aplicado nas três últimas edições (no Japão, Coreia, Alemanha e África do Sul)”. Já pensou o presidente da FIFA queixando-se ao ministro dos esportes, sobre o exagero no superfaturamento nas obras executadas nos estádios?

Caso o Brasil venha perder a Copa, talvez surja o tal do “pacto democrático” em torno da volta de Lulla, para evitar perigos maiores.

A razão está a me dizer que a Alemanha ganhará fácil essa Copa. E se assim acontecer, vamos passar o resto do ano sofrendo do “Transtorno Pós-Traumático” ― uma espécie de reedição do que aconteceu na copa de 1950 contra o Uruguai, aqui mesmo no Maracanã.

Como há soluções mágicas para tudo no governo do PT, quem sabe se algo como uma “Bolsa anti-stress” ― a cargo do ministro da saúde, não irá amenizar o sofrimento e trazer um pouco de paz, aos torcedores fanáticos, no final de um ano em que nada de importante se construirá ou se executará na república das bananas, que ainda vive dos feitos do mito – Pelé - grande ídolo do futebol de eras passadas?


P.S.:

É bom ter em mente que se o Brasil for Hexacampeão do Mundo, continuará na amarga 73ª posição no ranking mundial do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano)

Por Levi B. Santos

Guarabira, 29 de dezembro de 2013


Site da Imagem: Blog da Mary

25 julho 2013

“Mais Médicos” ― Para Acalmar as Ruas




Foi Nicolau Maquiavel (1469 – 1527), que editou o extravagante manual político ― “O Príncipe” ―, ainda em voga em nossas plagas, cujo conteúdo está repleto de astutas lições marqueteiras sobre como devem agir os reis, imperadores e príncipes, diante das massas sublevadas. Esse conselheiro político, diante da situação de inconformismo do povo, fez ver como as autoridades opressoras de sua época deveriam comportar-se: ante o povo insatisfeito deveriam lançar mão de medidas que apesar de ter fundo ilusório ― pudessem ter o condão de deixar as massas momentaneamente satisfeitas ou anestesiadas.

A frase maquiavélica usada para desviar a atenção da população do real problema de descaso no campo da Saúde Pública eu encontrei bem no miolo do discurso de lançamento do “Programa Mais Médicos” da atodoarda base aliada de um Governo que está, fale-se a verdade, com a cabeça inteira na campanha pela reeleição:

“Mas nós precisamos admitir, honestamente, que algo deve ser feito para que todos os brasileiros tenham direito a um médico, e é disso que se trata, se trata de garantir que todos os brasileiros tenham direito a um médico” ― disse a presidenta, omitindo a gravidade do gargalo entupido de uma garrafa, denominada SUS.

Aos sessenta e seis anos, como médico ginecologista, quero aqui enfatizar que fornecer uma medicina de qualidade, independe da distribuição de médicos generalistas indiscriminadamente por nossos rincões, como quem oferece pirulitos para agradar crianças.  As pessoas, cara presidenta, estão protestando nas ruas justamente por não aceitar mais os ditames do manual de Maquiavel. Elas parecem, presidenta, que resolveram deixar de ser massa de manobra. Tentar tapar o sol com uma peneira, escondendo da população os verdadeiros gargalos do sistema perverso dos atuais serviços de saúde, é o mesmo que brincar com fogo. Entenda, cara presidenta, que as pessoas desassistidas estão mandando-lhe um recado duríssimo: não aceitam mais profissionais de saúde a passar mezinhas e medidas paliativas, fazendo de conta que estão tratando-as. Elas já sabem, presidenta, que  estão a necessitar de cuidados de médicos especialistas. Elas já entendem o que faz um gastrenterologista, um colposcopista, um cardiologista, um reumatologista, um urologista, um nefrologista, um infectologista, um neurologista, um endocrinologista, um cancerologista como o que recentemente fez com sucesso o seu tratamento.

Já se foi aquele tempo, cara presidenta, em que como urgentista numa Maternidade recebia louvores e aprovação por fazer a anestesia, a cesariana e os cuidados ao recém-nato da parturiente tendo apenas uma auxiliar de enfermagem ao meu lado no centro cirúrgico.

Sabia, cara presidenta, que no linguajar nordestino, uma das frases que mais ouço em minhas atividades na Prevenção do Câncer Cérvico Uterino, é esta: “nós não somos mais bestas!”?

No meu campo de atuação, cara presidenta, as pessoas não aceitam mais saber que é suspeita de ser portadora de Neoplasia Epitelial Cervical e ter que esperar cerca de três meses para receber o resultado de sua biópsia de Colo uterino.

É triste, cara presidenta, constatar que seu “Programa Mais Médicos”, a meu ver de franca aparência eleitoreira, esteja esvaziando as policlínicas municipais, impedindo os médicos especialistas de, semanalmente ou quinzenalmente, saírem de grandes centros populacionais, para prestar um atendimento condigno às pacientes que não têm meios de tratar de suas específicas patologias longe da cidade onde residem.


Por Levi B. Santos (CRM/PB 900)

Guarabira, 25 de julho de 2013


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