15 junho 2018

A Copa de 2018 e Seu Maior Astro ― O Grande Czar Vladimir Putin

Na Foto, Putin Discursa na Abertura da Copa 2018


Em janeiro de 2018, Vladimir Putin, de tronco nu e usando botas, seguindo o cerimonial cristão ortodoxo, fez o sinal da cruz no peito e mergulhou por três vezes nas águas geladas do Lago Selinger, seguindo um ritual que remete ao batismo de Cristo nas águas do Rio Jordão uma espécie de renascimento espiritual. (Vide Link)

O escritor norueguês, Karl Ove Knausgard, cedeu à Revista Piauí nº 138, de Março de 2018, uma pequena amostra de seu livro “Histórias Russas” (página 32). Trata-se de uma coleção de relatos emblemáticos que conseguiu colher em uma viagem que fez à Nova Rússia, precisamente, 100 anos após a revolução bolchevique. O trecho do livro, a ser lançado esse ano no Brasil, pela Companhia das Letras, traz uma entrevista sua com três mulheres que voltavam de Moscou em um velho e barulhento vagão de trem. O pequeno diálogo, abaixo reproduzido, tem tudo a ver com a nova imagem da Rússia e seu venerado Czar.

O escritor/viajante despertando de seu marasmo ao ouvir a palavra “Putin”, pediu, imediatamente, a sua intérprete que traduzisse a conversa alegre das três mulheres russas que estavam acomodadas perto de sua poltrona:

A torrente de língua russa fluía fácil, quase onírica, para um lado e outro do compartimento semiadormecido, e no meio dela ouviu a palavra 'Putin'.”

Ela falou alguma coisa sobre Putin? ―, perguntei.
Falou, sim. Está dizendo que a mãe dela é grande fã do Putin ― revelou, a intérprete,
Amamos nosso país e, pela primeira vez, temos um presidente cristão, um presidente ortodoxo ― disse Natalya.

Em seguida, ela pegou uma revista que estava sobre a mesa para nos mostrar a capa. Nela, todas as fotos eram de Putin. Numa das fotografias ele aparece nu até a cintura.

Está vendo isto aqui? Será que Trump pode exibir o corpo dessa forma? Ele (Trump) é velho. O corpo dele não passa de um amontoado de banha.

As três riram alto.

Já se passaram 100 anos desde a revolução. O que isso significa para vocês?―, perguntou o entrevistador.

Não damos bolas para isso, Natalya respondeu. ― Foram 100 anos sem Deus. Puseram abaixo todas as igrejas. Agora elas estão sendo reconstruídas e a gente pode ir à igreja sem medo. Aqui nesta cidade tem um ícone da Virgem Maria. É muito, muito antigo. Quando acharam ele, estava todo preto. Agora está clareando aos poucos. A cada ano clareia um pouco mais.”

Na abertura do sorteio dos grupos de nações que estariam na Copa do Mundo, impecavelmente vestido, o Grande Czar da Era Pós Moderna afirmou em bom tom: “Temos certeza que impressões inesquecíveis serão deixadas naqueles que vierem à Rússia”.

Depois da vergonhosa derrota do Brasil para a Alemanha em 2014, se eu pudesse ir à Copa na Rússia, não perderia meu precioso tempo indo aos estádios. Com certeza, faria uma viagem idêntica a que empreendeu o escritor norueguês no ano passado. Visitaria os museus da cultura eslava oriental, revisitaria os locais onde nasceram e viveram os autores de “Crime e Castigo”, de “Guerra e Paz” e de o “Diário de Um Louco”. Claro é, que incluiria, Turguêniev, que escreveu “Memórias de Um Caçador” (livro preferido do czar, Putin, que também é louco por caçadas). Segundo pessoas ouvidas pelo escritor/viajante, a beleza do mundo da infância de Turgueniev continua intacta na Nova Rússia.

Não tenho condições de ir a Rússia. Mas, “como o passado está em nós e não no mundo”, resta-me torcer para que o Livro “Histórias Russas” de Karl Over Knausgard, apareça em nossas livrarias na época da Copa. Só assim, entre jogos insossos, viajarei na imaginação pela Rússia dos indômitos e maiores literatos do mundo, como Dostoiévski, Tolstoi e Gorki. Escutarei da boca de seus descendentes contos verídicos e narrativas míticas de um povo que trafegou pelo ateísmo utópico dos bolcheviques e, hoje, quem diria, faz uma espécie de retorno romântico aos braços dos poderosos e moderníssimos czares que dominam o “Mercado Espiritual” da Cruz.

O imbróglio, mais “político/inspiritual” que divino, continua insolúvel, como dantes, pois a figura divina introjetada nas mentes dos eslavos do ultra-moderno Czar, tanto esparge luz sobre os seus simpatizantes, como cobre de sombras aqueles que se recusam a entrar no seu jogo.

As três mulheres que travaram um diálogo com o autor de “Histórias Russas” em seu périplo pela Rússia (ano 2017), na sua santa inocência, exaltavam o poderoso Putin e rebaixavam o gorducho e desajeitado Trump. Se refletissem melhor, veriam que os dois têm algo em comum. Não sei como reagiria o rebanho das eternas ovelhas sofredoras e submissas por natureza, se descobrissem que o deus do profeta Trump, que o incita a atirar ao ar suas ridículas estocadas, tem, em secreto, um relacionamento amigável com o deus cristão do ortodoxo, musculoso e venerado Putin.


Por Levi B. Santos
Guarabira, 15 de junho de 2018

08 junho 2018

PERCIDES DEIXA MARCAS INDELÉVEIS EM SUA PROLE (In Memoriam)



Seria impossível em uma crônica, registrar ou falar sobre todas as marcas que Percides imprimiu e deixou nas pessoas que participaram de seu convívio, em especial, filhos, netos e bisnetos.

O certo é que nos últimos meses, lutou bravamente contra a doença que a vitimou Apesar da fragilidade física, nunca esmoreceu nem se queixou dos sintomas atrozes que internamente sentia. Em sua luta invisível contra o declínio provocado pela moléstia, imensas forças de conservação a faziam resistir ao desenlace derradeiro. Todos percebiam que a enfermidade que a consumia aos poucos, não abalara por completo seu espírito forte e guerreiro, nem a impediu de participar das festinhas de aniversário dos seus entes queridos. Foi realmente uma firme coluna, cuja função principal era a de sempre procurar estabilizar sua grande prole nos momentos mais difíceis da vida.

Lembro bem das reuniões regadas a café, biscoitos, queijos e tapiocas, em que ela, ultimamente, fazia questão de expressar seu maior anseio. O desejo de ver a família coesa era tão intenso que, no mais das vezes, a impulsionava a declarar com autoridadde que lhe era muito peculiar: "Deus quer UNIÃO entre a gente!". Nesses momentos, seu ardoroso  pedido remetía-me a conhecida frase atribuída a Agostinho de Hipona (Século IV d. C): "Unidade no essencial; no não essencial, liberdade; em tudo caridade".

Nos últimos dias, com o agravamento de seu estado de saúde, foi levada ao Hospital Especializado em Natal - RN. De tantas visitas que fez a esse nosocômio, a doutora que a atendia duas vezes por mês, chegara a se comportar como uma pessoa da família. Tanto é que a chamava meigamente de vozinha. Com denodo e abnegação fora do comum, a médica (e sua equipe) lhe aplicou os últimos recursos da medicina, durante pouco mais de duas semanas.

Não sei, talvez, o anseio da matriarca viver mais, estivesse relacionado ao fato de que todos ao seu redor desejavam  vê-la, em alguns meses, comemorar seus noventa anos de idade. Afinal, em nossa cultura, os números redondos são marcos de natureza simbólica de que  muito prezamos. 

Nas corridas olímpicas de revezamento, um bastão é repassado de corredores já cansados para os mais descansados. Isso aponta para algo profundamente afetivo que nos é transmitido por nossos antepassados. Sem sombra de dúvida, nossos avós são repassadores de suas subjetividades e espiritualidades para nossos pais; estes, por sua vez, legam os framentos mensageiros aos filhos. Sucessivamente, os filhos repassam essas marcas indeléveis aos netos, na grande caminhada existencial humana.

As vozes ancestrais dos nossos pais e avós, indubitavelmente, não se evaporam, nem se extinguem; elas permanecem em nossos recônditos psíquicos, como que marcadas a ferro e fogo, até a nossa ida para a eternidade. Não há como negar que nosso jeito de ser e de ver as coisas, nossas vozes e todas expressões de nossos sentimentos são ecos que vêm lá de trás, dos nossos ancestrais.

Com a descoberta do DNA/RNA, a Ciência conseguiu demonstrar que os pais imprimem ou transmitem aos filhos muito de suas características, inclusive as de natureza afetiva. Olhando por esse ângulo, podemos dizer que Percides, juntamente com seu esposo Alcides (que foi arrebatado bem antes) são imortais, pois, com certeza, deixaram muito de si em sua grande prole. Lembro, como se fosse hoje, a célebre e emblemática frase dita pelo patriarca da família para seu filho mais novo que, vindo de Campina Grande mensalmente, o visitava no velho casarão nº 1 da ladeira de Sta Terezinha (Gba): Olhando firmemente para Aldeci, tomado de forte emoção, o saudoso Alcides, em seu ocaso, disparou, em meio as lágrimas: “Você, meu filho, é uma parte de mim!!!”. Essa significante frase do saudoso Alcides(meu sogro) teve o condão de evocar em minha mente a frase que Goethe cunhou, na velhice, em forma de verso, registrada em sua obra ̶ “Fausto”: “Os traços de meu ser terreno/Em milênios não desaparecerão”.

Como o presente ensaio trata de marcas indeléveis deixadas por pais e mães nas gerações mais novas, espero que o simples e simbólico verso retirado de um poema que fiz há 10 anos (abaixo replicado), sirva de reflexão e consolo para todos que tiveram o privilégio de gozar da amizade, do carinho e desvelo de Percides Batista de Andrade.

Da garganta me sai esta voz
Expressão dos meus sentimentos
É a linguagem dos meus avós
Transformada em meu alimento
Quando eu falo, falam meus pais
Sou o eco dos seus pensamentos.”


Por Levi B. Santos
Guarabira, 08 de junho de 2018

27 março 2018

NEGAR PARA NÃO SOFRER



 
 
Essa arte eu aprendi logo cedo
 
Aprendi desde os tempos das primeiras letras:
 
“Negar para não sofrer”.

 
 
Na volta da escola por meu pai sabatinado:
 
Brigou com alguém?! — Olhe isso no seu rosto!
 
— Escorreguei, bati com a cabeça na parede.
 
Mostre-me o boletim, quero ver suas notas?!
 
—A professora nesse bimestre não entregou.

 
 
Transformei-me em um artista
 
Na arte de evitar o padecimento pelas cobranças paternas.
 
Aprendi que a negação sempre adia o sofrimento.

 
 
Pra que mentir?!
 
Meus pais já se foram – sou um adulto
 
Agora não preciso mais negar o que sinto em oculto.
 
Eis que num belo dia não pude revelar um DESEJO.
 
A mesma sensação dos tempos de escola
 
Reapareceu. Voltou?!

 
 
Lá estava entranhada a velha opção
 
Lá estava o vigia
 
Que da sala de minha consciência tomava conta.
 
E para não incorrer no risco doloroso
 
De ver o meu desejo ser exposto pelo Rigoroso Guarda
 
Protegi-me com o manto da ansiedade.

 
 
Algo em mim me fez agir como o débil aluno de outrora
 
Fiquei tenso, de rosto avermelhado
 
Quando Ele perguntou-me:
 
“Ainda sonhas acordado?”
 
 
Neguei para não sofrer de novo...

 
Enquanto bradava um “Não” bem forte
 
Em secreto, lá dentro, eu inquiria:
 
“Por que não me abandonaste, ó Pai?!
 
Como gostaria de continuar Te negando
 
Para continuar LIVRE do sofrer!”

 
Por Levi B.Santos
 
Guarabira, 12 de novembro de 2010

 

06 março 2018

O Internauta e os Novos Verbos da Era Digital







Os internautas (aqueles que navegam pela internet), com a evolução digital, vêm, cada vez , incorporando(do verbo “incorporar”, ou guardar na memória do computador) verbos derivados de expressões da tecnologia digital. Esses termos técnicos são aportuguesados e conjugados regularmente com o intuito de facilitar a interação e comunicação dos usuários das redes sociais.

Dentre os deveres dos navegantes da Internet, se inclue o de conhecer estrambóticos verbos, considerados de mau gosto, ou feio, por alguns da velha guarda. Já que falei em “velha guarda”, quem diria que um dia, nós, pais e avós de hoje, iríamos nos valer de nossos filhos e netos para aprender uma nova língua ̶ a cibernética abrasileirada? Numa inversão total do que acontecia nos tempos em que estudávamos as primeiras letras, estamos, hoje, oferecendo aos que foram por nós criados, nossas mãos de anciões à palmatória, a fim de apreender o “INTERNETÊS” (língua da Internet).

Parafraseando o Messias narrado pelos Evangelhos, “Quem não se fizer criança, de novo, não pode adentrar no reino virtual”. Então, não tem outra saída, a não ser nos consolarmos e não nos envergonharmos de pedir ajuda aos mais novos, que estão mais bem adaptados aos neologismos criados pela tecnologia digital.

Quase todos os verbos usados nas redes, são originados de palavras ou expressões tecnológicas digitais. Aos termos expressos na língua do “Tio Sam”, é só acrescentar as terminações “ar” ou “ear”, e está formalizado o Verbo no seu estado natural (ou no Infinitivo). De tão usados e abusados, os “neo-verbos” estão se tornando triviais entre nós. Nem mais notamos quando os digitamos em nossas POSTAGENS (ops, olhem aí um substantivo que tem no verbo “Postar”, sua raiz, e significa “textos publicados na internet”). Alguns verbos, de tão comuns, já foram incorporados aos nossos dicionários mais conhecidos (Aulete, Houaiss, etc).

Quem, porventura, souber de mais uma nova aquisição Verbal do astucioso mundo cibernético, é só acrescentar à lista abaixo.

1. LINKAR: vem do Inglês Link, que significa LIGAR.
2. LOGAR: vem do inglês Login, que significa ENTRAR ou fazer LOGIN
3. DELETAR: vem do Inglês, e significa APAGAR ou EXTINGUIR.
4. BECAPEAR: vem do Inglês, sgnifica Fazer cópias de segurança, ou fazer BACKHUP
5. UPAR: vem do inglês Upload, e significa subir um arquivo da rede, fazer UPLOAD
6. ZIPAR: vem do inglês, tem esse significado ̶ compactar um programa ou arquivo.
7. IMPUTAR: vem do inglês IMPUT, e significa INSERIR DADOS
8. HACKEAR: vem do inglês HACK, e significa acessar dados sem autorização.
9. SPAMNAR: vem do inglês SPAM, e significa enviar mensagem estúpida pelo correio eletrônico (e-mail)
10.SCANNEAR: vem do inglês, SCANNING, e significa ESCANEAR algo e arquivar no computador. O mesmo que DIGITALIZAR (transformar ou converter sinais ou imagens e guardá-los em arquivos do computador)

Os três verbos da era digital, elencados abaixo(conjugados em todos os tempos e em todas as pessoas do singular e do plural), já constam nos principais dicionários do mercado brasileiro. O primeiro da lista abaixo, por sinal, é usado de forma obsessiva pelo presidente Trump, em seu dia a dia.

2. BLOGAR (esse, hoje, está em decadência)
3. GOOGLAR.
4. LINKAR

O Leitor(a) basta clicar em cada um dos quatro verbos acima, para conferir sua conjugação.



Por Levi B. Santos
Guarabira, 06 de março de 2018
Site da Imagem: vejasp.abril.com.br/blog/vejinha

27 fevereiro 2018

Trump, a Bíblia e o Lobby de Armas





O presidente e religioso fundamentalista, Donald Trump e os senhores do lobby de armas que o apoiaram, querem, por cima de pau e pedra, armar os professores em salas de aulas, como medida saneadora de massacres em escolas dos EUA.

Mas a coisa pode tomar proporções maiores. Nunca é demais lembrar a chacina do dia 05 de novembro de 2017, quando um homem armado matou 26 fiéis (deixando mais de 20 feridos), no momento em que se realizava um culto matinal, no Templo Batista de Sutherland Springs no Texas.

Pelos atos, cada vez mais loucos que vem executando, falta pouco para que o profeta-presidente tente obrigar pastores e demais líderes religiosos a portarem fuzis como medida preventiva contra massacres no interior das igrejas.

Tudo, mas tudo mesmo, por mais incrível que pareça, pode sair da cartola do poderoso presidente fundamentalista americano. Empunhar a bandeira do lobby sagrado de porte irrestrito de armas dentro dos templos, pode ser a próxima jogada. Não se assustem, se, para tal empreitada, de forma utilitária e abusiva, Trump venha descontextualizar a fala do Messias perante seus discípulos, descrita por Lucas em seu evangelho (Lucas 22: 35 à 38):

Disse-lhes Jesus: Quando vos mandei sem bolsa, alforge ou sandália, faltou-vos, porventura alguma coisa? Eles responderam: Nada. Disse-lhe, pois: Mas agora, aquele que tiver bolsa, tome-a, como também o alforge; e o que não tem espada, venda a sua veste e compre-a”.

Aliás, o presidente do “Fim do Mundo ou do Armagedom” vem dando profetadas em nome do seu Senhor, para tudo quanto é lado. Recentemente ganhou apoio da maioria dos evangélicos fundamentalistas dos EUA, ao prometer transferir a embaixada americana de Israel para Jerusalém, bem de acordo com a profecia altamente beligerante de atiçar a reconstrução do Templo de Salomão, destruído no ano 70 d.C (hoje, no local, encontra-se a mesquita de Al-Aqsa — erigida pelos muçulmanos no século VII)
.
Voltando ao tema sobre o forte lobby de armas dos EUA, e, ao mesmo tempo, querendo esquentar a nossa memória, replico aqui, uma declaração do servo maior do Senhor das Armas, colhida de um discurso seu de tom retributivo realizado em abril de 2017, na Associação Nacional de Rifles (NRA):

Eu lhes prometo que, como presidente, jamais vou interferir no direito das pessoas de possuir e portar armas. A liberdade é um presente de Deus. Vocês me apoiaram e eu vou apoiá-los agora” ― acrescentou, Trump, sabedor de que em mais de 28 estados americanos não  exigem, sequer, a idade mínima para que se possa comprar uma arma.

Após o tiroteio numa escola da Flórida, que deixou 17 mortos (dia 14), Trump, pressionado pela sociedade, esboçou uma leve reação (prometeu proibir a transformação de armas legais em fuzis automáticos). Mas o lobby de armas (NRA), reagiu de imediato, rechaçando as propostas do presidente.


Pergunta-se:


Até quando o “Lobby dos Exércitos de Israel” junto com o interesse do mercado fundamentalista dos EUA usarão o nome de Javé para insuflar o Mercado de Armamentos e a desova de suas armas letais nas terras que o patriarca Abraão sonhou, um dia, tomar para si e sua conflituosa geração?


Como o paradoxal “Senhor das Armas” vai permitir que Jerusalém seja a cidade da paz, se é o conflito eterno que mantém a poderosíssima indústria armamentista a todo vapor? Ou não estão lembrado da segunda guerra mundial ― conflito ―, em que os poderosos e riquíssimos judeus Rothschild, através do seu “inteligentíssimo-deus-mercado”, lucraram como nunca na história, financiando os dois lados da guerra: tanto o exército de Hitler quanto os aliados anti-Hitler?


Resumo da Ópera: Jamais Jerusalém será símbolo de triunfo de uma facção sobre a outra. Nominá-la de “Muro das Lamentações”, por enquanto, lhe cai muito bem como representação da soberba humana, até que pelas armas sejam derrotados todos os guerreiros.




P.S.:


Nas redes sociais também se guerreia. Jerusalém pode ser minha ou sua. Para ver quem ganha, registre seu voto pela internet. (rsrs)


Por Levi B. Santos

08 fevereiro 2018

O Samba "Politicamente Incorreto" de Stanislaw Ponte Preta




Como estamos iniciando o período momesco, nada melhor do que trazer para o momento, algo risível e emblemático de nossa história carnavalesca, que consagrou a expressão “Samba do Crioulo Doido”, criada por Sergio Porto (1923 ― 1968). O cronista sempre assinava suas crônicas com o pseudônimo, Stanislaw Ponte Preta. Esse samba, composto em 1967 e gravado em 1968 (anos de chumbo) fez sua fama, que já era grande, repercutir estrondosamente pelo país inteiro. Foi no ano de 1966 que lançou o antológico livro  "Febeapá: Festival de Besteira que Assola o País",  o qual, versava sobre "causos" risíveis da "Redentora" (como ele denominava a Ditadura Militar).

No fundo o que Stanislaw queria com seu "Samba do Crioulo Doido", era ironizar a ditadura militar e seu exagerado e obtuso nacionalismo. A letra do samba é toda sem sentido, como que para demonstrar a confusão político-militar reinante na época.

A atitude excêntrica dos que organizavam a vida social era totalmente tresloucada ― um total paradoxo com o que se tinha, anteriormente, como habitual no Brasil.

O samba sem pé nem cabeça do satírico autor, afinal, refletia a louca conjuntura ditatorial que ele considerava carnavalesca ―, subentendido na “história de um compositor que durante muitos anos obedecia ao regulamento...”.

Nas estrofes desse samba-enredo perfilam celebridades históricas totalmente destituídas do seu contexto histórico, um embaralhamento estapafúrdio no que concerne a cronologia e a lógica dos fatos. Então, no samba doido, Tiradentes, o herói da Inconfidência, seguia planos de Chica da Silva, que depois se casaria com a princesa Leopoldina.

Inclusive, como acréscimo ao brilhante ensaio da doutora Berenice Cavalcanti (Professora de História da PUC) na revista "Nossa História" (outubro de 2004) -, garimpamos  dois elementos preciosos que destacam o gênio e a sutileza de Sérgio Porto: Quando ele se refere ao sobrenome "SILVA", faz alusão ao Presidente da República, Artur da Costa e Silva, que não por acaso, foi escolhido para governar o país em pleno carnaval de 1967. Para avivar a nossa memória, foi da pena desse General que saiu o famigerado AI.5 que, praticamente, pôs fim a liberdade de imprensa no país.

"Joaquim, que era também da Silva Xavier, queria ser dono do mundo, e se elegeu Pedro II" ― diz, uma estrofe do envenenado samba que, em seu final, faz referência a Proclamação da Escravidão.

Mas esse fenomenal samba encerra uma moral: "D. Pedro se transforma em uma estação e D. Leopoldina vira trem" A gozação chega ao máximo na parte final da melodia, que assim diz ― “O Trem tá atrasado ou já passou”.

O leitor pode conferir abaixo o vídeo do “Samba do Crioulo doido”, gravado originariamente pelo Quarteto em Cy, interpretado aqui pelos “Demônios da Garoa”.


FONTE CONSULTADA: Revista Nossa História – Ano 1/ n° 12

Site da Imagem: devign.com.br 

Título da Postagem Original - "Sobre o Samba do Crioulo Doido" (Ensaios & Prosas - 09 de fevereiro de 2013)

04 fevereiro 2018

A IDADE MÉDIA, A ANTIGUIDADE E O PRIMITIVISMO DE NOSSA PSIQUE ─ FRENTE AOS “NOVOS TEMPOS”

Torre de Carl G. Jung em Bollingen – Suíça (1955)


Carl Gustav Jung, um dos fundadores da psicanálise, nos últimos trinta anos de sua vida decidiu construir uma Torre à beira de um belo e tranquilo lago em Bollingen (Suíça), para lhe servir de refúgio. Nesse pequeno castelo tencionava viver intensamente os conteúdos do seu inconsciente, longe da algazarra e correria louca das cidades. Deu início a essa empreitada em 1922. A obra, após várias reformas, só atingiu sua forma definitiva em 1955, seis anos antes de sua morte.

Do seu livro “Memórias, Sonhos, Reflexões” (Editora Nova Fronteira, 2016 – 30ª Edição) trago um trecho (página 236) que, em sua essência, está em consonância com os sombrios e fugazes “Tempos Novos” que estamos a experimentar na atualidade. Em sua época, o autor já realçava a fluidez da pós-modernidade que, com seu impetuoso avanço, ambicionava dissolver todo conteúdo sólido do primitivismo de nossa psique.

Com a perspicácia de um exímio escavador do nosso fértil solo psíquico, Jung, nos mostra, de forma contundente, como o mal estar atual, em grande parte, tem sua causa na pressa e na expectativa doentia de se tomar posse de um futuro fantasioso e ilusório, rotulado de “novo”. Vejamos o que diz o psicanalista e profundo estudioso dos meandros da alma humana, nesse precioso retalho de seu expressivo Livro de Memórias:


Tanto nossa alma quanto nosso corpo são compostos de elementos que já existiram na linhagem de nossos antepassados. O “novo” na alma individual é uma recombinação variável ao infinito de componentes extremamente antigos. Nosso corpo e nossa alma têm um caráter eminentemente histórico e não encontram no “realmente-novo-que-acaba-de-aparecer” lugar conveniente, isto é, os traços ancestrais só se encontram parcialmente realizados.

Estamos longe de ter liquidado a Idade Média, a Antiguidade, o primitivismo e de ter respondido às exigências de nossa psique a respeito deles. Entrementes, somos lançados num jato de progresso que nos empurra para o futuro, com uma violência tanto mais selvagem quanto mais nos arranca de nossas raízes. Mas é precisamente a perda de relação com o passado, a perda das raízes, que cria um tal “mal estar na civilização”, a pressa que nos faz viver mais no futuro, com suas promessas quiméricas de idade de ouro, do que no presente, que o futuro da evolução histórica ainda não atingiu. Precipitamos-nos desenfreadamente para o novo, impelidos por um sentimento crescente de mal-estar, de descontentamento, de agitação. Não vivemos mais do que possuímos, porém de promessas; não vemos mais a luz do dia presente, porém perscrutamos a sombra do futuro, esperando a verdadeira alvorada. Não queremos compreender que o melhor é sempre compensado pelo pior. A esperança de uma liberdade maior é anulada pela escravidão do Estado, sem falar dos terríveis perigos aos quais nos expõem as brilhantes descobertas da ciência. Quanto menos compreendemos o que nossos pais e avós procuraram, tanto menos compreendemos a nós mesmos, e contribuímos com todas as nossas forças para arrancar o indivíduo de seus instintos e de suas raízes.


O que concluir enfim, senão que somos incapazes de cancelar o conteúdo primitivo de nossa psique. Tentar reprimir esse conteúdo seria um mecanismo de defesa para se evitar o desprazer; sublimá-lo, por sua vez, seria alcançar um nível de satisfação a que, por exemplo, os poetas, em seus versos, estão acostumados a experimentar. As metáforas representativas de seus afetos paradoxais, o artista retira de suas próprias profundezas mentais, tal qual uma bordadeira o faz com a agulha e seu novelo de linha: o intrincado bordado, fruto do exercício de memória, acaba por deixar impresso no tecido toda a expressão de sua divina arte. Do mesmo modo, acontece com o músico que, ao organizar ou criar a partir dos elementos arcaicos ou primitivos de sua psique, presenteia-nos com sua expressiva e divinal sinfonia; sinfonia que ao reverberar nas cordas de nossos corações nos contagia de alegria e beatitude.

Mas o que nos reserva o futuro diante do fulminante progresso tecnológico? Para evitar o que se considera “desperdício de tempo”, em nome de um hipotético futuro, o mercado procura tudo massificar, visando exclusivamente o lucro. Tempo é Ouro!. Aqui, você tem tudo de bom sem a necessidade de demorados momentos de reflexão e esforço mental” —, diz o lema estampado e oferecido em suas atraentes embalagens.

O certo é que o passado, a idade média e o que é visto como antiquado, não morre, mas continua arquivado em nossa memória. Ressonâncias da trágica, cômica, feliz, inebriante e melancólica história de nossos ancestrais nunca deixam de fluir em nossa alma. Foi para ficar em paz e harmonia com a natureza e ouvir os ecos e vozes ancestrais do seu “eu” interior, em toda sua plenitude, que Carl G. Jung construiu sua Torre em um local aprazível e evocador das moradas primitivas da humanidade, bem longe da avassaladora modernidade que a tudo liquefaz.

É longe da balbúrdia geral denominada “O Futuro em Suas Mãos” , que se pode escutar a suave melodia que emana de nossas profundezas. Só realizando essa fuga, será possível reviver gratas sensações depositadas e esquecidas nos velhos porões de nossa psique. Só distante do frenesi consumista que a mídia nos impõe é que poderemos, enfim, revisitar prazeres esquecidos na poeira do tempo, coisas sublimes que a agitação do nosso dia-a-dia, em nome de um futuro mecanizado e hostil, inviabilizou.

Por Levi B. Santos
Guarabira, 04 de fevereiro de 2018