Mostrando postagens com marcador Críticas Eclesiásticas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Críticas Eclesiásticas. Mostrar todas as postagens

25 janeiro 2021

“A Mercadologia da Fé é Um Subproduto do Cristianismo” (*)


(*) O artigo acima é sub-título de um capítulo do excepcional livro editado pela CPAD ─ “Pentecostalismo e Pós-Modernidade”(página 93) ─ de César Moisés Carvalho ─ pastor, pedagogo, pós-graduado em Teologia pela PUC – Rio.



O autor faz um paralelo entre o emocional e o espiritual no meio pentecostal, evidenciando as polarizações extremistas responsáveis pela banalização do sagrado e desprezo pelo que é racional, cultural e científico. No dizer de César Moisés, “O objetivo da maioria das mensagens é o convencimento do auditório à custa do suicídio da razão e com uma vergonhosa apelação emocional em nome do Espírito Santo. Quem nunca ouviu uma mensagem cujo tom parece querer impor que a experiência do pregador é que deve ser o critério da verdade e não a Escritura?" (página 151).


Ainda na página 151 de seu livro, César Moisés faz referência a uma afirmação de John Scott ─ em sua obra ─ “Cristianismo Equilibrado”: “Eu me sinto constrangido a dizer o que é mais perigoso dos dois extremos é o anti-intelectualismo e depois a entrega ao emocionalismo. Vemos isto em algumas pregações evangelísticas, que não consistem em outra coisa senão um apelo pela decisão com pouquíssima, ou nenhuma pregação do Evangelho e pouca, ou nenhuma argumentação com o povo a respeito, à maneira dos apóstolos”. Chegando ainda a afirmar, sem generalizar, “que a maioria da pregação supostamente 'ungida' ou 'de fogo' que se ouve atualmente é uma mistura de salivação, altíssimos decibéis e autoajuda”.


Detenhamo-nos, agora, nos trechos lúcidos de César Moisés, sobre a “Mercadologia da Fé”, os quais replico, abaixo, com os devidos créditos:


"É uma lástima que em tudo o que os homens colocam a mão transforme-se em algo terrível, manipulador, ruim. Por isso, não temo em afirmar que a Mercadologia da Fé, representada pela multiplicidade de igrejas, é um subproduto do cristianismo. Mas esse fato não diminui em nada a importância do evangelho, a fé em Deus, ou alegria da salvação". (página 93)

"Recentemente disse a um grupo de alunos meus que existem, para tudo, ao menos três formas de ver as coisas: a) a maneira como nós a vemos; b) a forma como alguém as apresenta para nós; e c) a maneira como elas realmente são. Simplificando, é possível entender que a fé não pode ser responsabilizada pelo que fazem em nome dela. As igrejas que são regidas pelas leis consumistas do mercado e exploram as pessoas não podem servir de desculpas para a extinção de todas ou para acusação indevida de que o cristianismo é uma fuga intelectual ou muleta psicológica. O fato de alguns transformarem suas igrejas em verdadeiras “loterias da fé”, onde pessoas são desafiadas e coagidas a apostar suas economias não significa que foi para isso que Jesus morreu".(página 93)

Sobre as Raízes Históricas do Anti-intelectualismo Pentecostal, afirmou, César Moisés:

"O pentecostalismo precisa se libertar da chamada 'interpretação espiritualizada' da Bíblia. Quantas interpretações são justificadas por interpretações descabidas, cujo único critério é o subjetivismo individual e manipulador? Sobre esse assunto cita o teólogo Alexander Carson que afirma categoricamente: 'Homem algum tem o direito de dizer, como alguns costumam fazê-lo: 'o Espírito me diz que tal ou tal é o significado de uma passagem'. 'Como pode estar ele seguro de que  é o Espírito Santo, e não um espírito enganador, a não ser pela evidência de que a interpretação é o sentido legítimo das palavras?. Todos os fundadores de seitas e as maiores heresias que existem se esgueiram na zona cinzenta da 'criatividade interpretativa' do texto bíblico'".(página 157). 

(Capa do livro Pentecostalismo e Pós-Modernidade de César Moisés Carvalho)


Por Levi B. Santos

Guarabira, 24 de janeiro de 2021


22 setembro 2020

Israel, em Total Descontrole, Enfrenta Segunda Onda de COVID-19

 

Assustei-me quando tomei conhecimento de que o governo de Israel, tomara uma medida drástica para evitar o pior nessa pandemia de coronavírus. Pasmem, o primeiro ministro, Benjamin Netanyahu, foi obrigado a decretar (dia 18 do mês em curso) um rígido LOCKDOWN de 3 semanas, isto, depois de “atingir a cifra constrangedora de 3 mil casos novos de Covid-19 por dia”. O jornal “Jerusalem Post”, de ontem (dia 21), dá conta de que “os hospitais em Israel atingiram sua taxa de capacidade, e dois não podem mais receber pacientes”. "É incrível pensar como Israel deixou de ser o país que todos no mundo olhavam como modelo para um país que todos agora olham com um exemplo do que não se deve fazer" constatou ainda o jornal "Jerusalem Post" em um editorial.(https://g1.globo.com/mundo/blog/sandra-cohen/post/2020/09/07/por-que-israel-fracassa-no-combate-a-pandemia-do-novo-coronavirus.ghtml)

Negacionistas, os judeus ultraortodoxos têm sido, em grande parte, responsáveis pelo desastre atual na saúde pública desse país, no que diz respeito a Pandemia de Covid-19. Por sinal, esse tipo de comportamento grassa também nos EUA e no Brasil.

Os adeptos dessa facção religiosa israelita aproveitariam os três feriados israelenses para dar adeus às máscaras e ao isolamento social. Naturalmente, devem ter pensado:

Nós, o forte povo de Javeh, não necessitamos de máscaras nem precisamos de distanciamento social. Os outros, mascarados e assombrados que recusam as “patrióticas” aglomerações, são uns fracos”.

Antevendo o resultado de toda essa insana festança comemorativa do Ano Novo judaico, Israel se tornou a primeira economia desenvolvida a tomar tal medida (Lockdown) para conter a segunda onda de Covid-19 que, segundo estudiosos, poderá ser pior do que a primeira.

A propósito da atitude alienada dessa corrente religiosa israelita negacionista da pandemia de Covid-19 (que também tem seus discípulos em nossas terras) trago à tona uma emblemática frase do cientista judeu, Albert Eisntein(1879 ─ 1955) pinçada de um discurso que fez em Londres (1930) ─ dirigido à “Sociedade de Protecão à Saúde dos Judeus” (“Como Vejo o Mundo” ─ página 88 ─ Albert Einstein ─ Editora Cultura).

A pérola de frase que Einstein bradou no prólogo de sua memorável fala de 1930, ainda hoje, ecoa entre nós:

Quem quer manter o espírito deve se preocupar também com o corpo, que é seu invólucro”.



Por Levi B. Santos

Guarabira, 22 de setembro de 2020

15 janeiro 2018

"Escapismo Escatológico"





Para Paul Ricoeur, as narrativas bíblicas sobre a “criação”, sobre as “origens” e os “tempos finais”, convidam-nos a uma reflexão bem mais profunda do que a mera especulação exterior e interesseira que, para seu bel prazer, grupos religiosos tomaram para si, ensejando uma batalha final sangrenta entre um povo escolhido por Javeh e seus opositores (Batalha do Armagedom).

Nesse mesmo diapasão, e longe da especulação simplória e eufórica do Livro do Apocalipse (que no imaginário pentecostalista aparece com a conotação do “quanto pior, melhor”), John Joseph Collins comunga da ideia de que o núcleo essencial da literatura apocalíptica é aquela que visa superar as dificuldades. Para esse autor, a simbologia da narrativa do apocalipse serviria mais para reforçar a esperança do que relacionar os acontecimentos catastróficos, a um mero cumprimento de uma profecia tramada e azeitada pelos instintos humanos de destruição.

R. N. Champlin, sobre a Literatura Apocalíptica, em sua volumosa coleção “O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo”, faz uma emblemática observação que vai de encontro à argumentação de fundo escapista dos que estão embasados na narrativa literal do livro do Apocalipse (página 352 Volume VI Editora Candeia 1995):

A tentativa de emprestar um caráter literal à linguagem simbólica do Apocalipse redunda em fracasso, além de impedir o entendimento da própria natureza mística das visões.

Como membro da Assembleia de Deus (maior denominação pentecostal do Brasil), César Moisés Carvalho, foi feliz e bem ousado ao dissertar sobre o “Escapismo escatológico” que grassa com ímpeto incomum no meio pentecostal. No seu instigante livro, em linguagem simples e objetiva, pude perceber, nas entrelinhas, o anseio de natureza escapista reinante nas hostes pentecostais, representado pela necessidade defensiva de exibir um Triunfo Apoteótico ante os inimigos ou os diferentes a serem derrotados ou esmagados numa imaginária batalha final. O autor, de modo desenvolto e sem viajar muito ao mundo de além, fala de como seria bem mais interessante a interpretação não polarizada das metáforas contidas na literatura apocalíptica e sua aplicação no contexto cristão da pós-modernidade. No trecho abaixo, replicado do seu instigante livro, ele disseca, um a um, os argumentos sólidos que vão de encontro ao catastrofismo tão insensatamente apregoado no pentecostalismo de resultados da atualidade.



Escapismo Escatológico”

Trecho do Livro — “Pentecostalismo e Pós-Modernidade” (página 288 e 289) — de César Moisés Carvalho



“A maioria de nós apela para a escatologia de forma escapista. Uma proposta que, além de desvirtuar o propósito da escatologia, acaba incidindo justamente no contrário do que recomenda Jesus em Atos 1.7, acerca da proibição de se especular o amanhã lançando mão de um perigoso exercício de futurologia.

Lamentavelmente, no transcorrer da história, a escatologia deixou de ser vista como a maior das esperanças daqueles que creem e foram alcançados pelo Evangelho, tornando-se uma fonte de exploração sensacionalista. Por isso, raramente se discutiu o inegável fato de que, antes de se especular acerca dos acontecimentos e mudanças, vendo-os como 'sinais da vinda de Cristo', era imprescindível preparar os seguidores do Senhor para interagir em um mundo que já não era mais o mesmo (Ef 4.11-16). Contudo, diante das mudanças e transformações, o máximo que tem sido feito é prognosticar, dando-se apenas ao trabalho de encontrar um texto para encaixar determinado evento na Bíblia. O resultado é justamente esse que tem se apresentado ao longo dos anos, isto é, sobra especulação e falta atitude.

Tal omissão, além de colocar-nos à margem e obrigar-nos a viver a reboque da história, produz um sentimento pessimista de acomodação: 'Nada pode ser feito'; 'As coisas são assim mesmo', e muitas outras escusas. O problema maior é que o corolário desse pessimismo, ou do catastrofismo escatológico, é justamente a imobilidade mental, social e cultural e até mesmo espiritual. Isto é, além da famosa desculpa de que 'Se o mundo está destinado ao caos, nada podemos fazer', há outra pior, que é aquela que se pretende piedosa: 'É cumprimento da Palavra de Deus, tem que ser assim, pois é sinal da vinda de Jesus'. Nessa lógica impera mesmo que irrefletidamente, aquela ideia de que 'quanto pior, melhor'. Da esperança passamos ao individualismo e ao egoísmo”.



O trecho acima, colhido do livro publicado recentemente pela CPAD, “Pentecostalismo e Pós-Modernidade”, de César Moisés Carvalho (Pastor graduado em Teologia pela PUC - Rio), vai contra a maré geradora do terrorismo psicológico o “escapismo apocalíptico que nos EUA incita os corações dos fiéis de Donald Trump. Muitos evangélicos do cenário religioso brasileiro e estadunidense (cerca de 80% votaram em Trump) chegam a ficar eufóricos com a possibilidade de uma guerra fratricida no Oriente Médio. Acreditam piamente no cumprimento literal do Apocalipse de João. As armas não são mais as espadas e as lanças da Idade Média, mas caças supersônicos, bombas, mísseis teleguiados, além de incitações beligerantes, veiculadas nas redes sociais. Para esses cruzados, portadores do que Freud denominava “Pulsão de Morte” ou “Pulsão Destrutiva”, é chegada a hora da reparação histórica de Israel, com a devolução de Jerusalém ao “povo eleito de Deus”. Entusiasmados, veem a transferência da embaixada dos EUA de Tel Aviv para Jerusalém, como o primeiro petardo de Javeh, no sentido de dar início a carnificina no “Vale do Armagedom”. A preparadí$$ima indú$tria de armamentos dos EUA, não está nem um pouco preocupada com as vítimas de futuros conflitos; ela está mais interessada em fomentar o sentimento destrutivo de vingança nos corações dos ressentidos que, em seu imaginário doentio, exige o pagamento através do derramamento de sangue dos inimigos de Javeh. Para a poderosíssima indústria bélica da maior Economia do Mundo, não existe melhor ocasião para de$ovar suas mais recentes e potentes armas, que os tempos atuais, em que predomina no meio religioso fundamentalista o anseio pela volta do espírito guerreiro que banhou a terra sagrada na época das Cruzadas. A poderosíssima indústria bélica se alimenta de consensos, como o que reproduzo abaixo:

“Ao discutir com seu professor sobre a resolução do conflito Palestino-Israelense, um aluno de ascendência judaica deu a versão tradicional de que o mais frágil deve-se dobrar ante aquele que tem mais poder. 'Os dois têm direito à terra; quem tiver as armas melhores vai fazer valer o seu direito' concluiu de maneira instantânea seu raciocínio”.

A ideia de uma solução bélica para resolver o conflito religioso no Oriente Médio vem varrendo, com uma intensidade nunca vista, as terras de Tio Sam, e consequentemente seu quintal o Brasil. Em um artigo publicado na Folha de São Paulo (07/12/2017), sob o título “Crença no Fim do Mundo Pesou na Decisão de Trump Sobre Jerusalém”, Igor Gielow foi certeiro na explicação dos motivos que levaram Trump a se valer do fantasioso escapismo do religioso fundamentalista. O financiamento e apoio do segmento evangélico que acredita piamente nas profecias de que o “Estado Judeu precisa estar plenamente estabelecido par dar curso à volta de Jesus Cristo à Terra” será determinante para a ascensão da figura do Anticristo no imaginário “cristão”. O Escapismo Apocalíptico, agora, mais do que nunca, vem sendo reativado. Em um primeiro momento pode-se até pensar que a prece tão repetida “Ora vem Senhor Jesus!” , não esteja carregando em seu bojo o ressentimento e o desejo de vingança. O que eles precisam saber é que “o Triunfo representa a mais efêmera das seguranças”. Os judeus, que já derrotaram assírios, gregos, romanos, bizantinos, cruzados e otomanos, conhecem a fundo essa matéria.

O desejo de escapar através da destruição do outro, tem sido uma tônica na psique do cristão fundamentalista desde os tempos mais remotos. Para esse grupo religioso, o argumento interesseiro e simplório, de apressar a “Vinda de Cristo”, nega o próprio cerne do cristianismo que não coaduna com a abdicação de se lutar por uma negociação ou conciliação, como tão bem fez ver, César Moisés Carvalho, no final de seu instigante ensaio Escapismo Escatológico”: “Vão pelo mundo inteiro anunciando a Boa Notícia para toda a humanidade (Marcos 16:15)”. Isso é o que nos cabe, mas especular sobre a Vinda de Cristo, gerando terrorismo psicológico em lugar de esperança, definitivamente é algo que não encontra respaldo algum nas palavras de Jesus”



Por Levi B. Santos
Guarabira, 15 de janeiro de 2018



06 outubro 2015

Sem “Wi Fi” Não Dá






De há muito ele vinha observando o avanço tecnológico chegando a lugares nunca dantes navegados. O tal do “Wi-Fi” está sempre presente em locais onde há bastante gente com celulares, smartphones tablets e laptops. Agora, o Reverendo pensava com seus botões: Se esse espetacular recurso cibernético está em supermercados, em shoppings, livrarias, restaurantes, consultórios médicos e concessionárias de automóveis, por que não nas igrejas do Senhor?

Quando viu os professores chegarem a um estudo bíblico em sua igreja empurrando carrinhos de supermercados abarrotados de Bíblias, disse para si mesmo: chegou o momento de estabelecer o Wi-Fi em minha igreja. É para já ― pensou de forma altaneira.

Nessa noite não houve estudo. O Pastor mandou todos voltarem com seus carrinhos cheios de bíblias. Um dos irmãos disse que estava transportando cerca de 90 quilos de “Escrituras Sagradas”. É que iríam realizar um mega-estudo sobre as discordâncias nas inúmeras traduções de Bíblias do Mercado Gospel, pois estava havendo uma confusão danada entre as mais de duas mil denominações evangélicas existentes no Brasil, que na dúvida, confabulavam: Será que essa contém a mais verdadeira tradução? Depois, ao lerem outras de interpretação diferente da sua, achavam que deviam mudar. E era aquela celeuma sem fim de traduções bíblicas conflitantes a deixar todo mundo com  o "pé atrás". Havia a Bíblia de Dake, a de Thompson, a de Scofield, a de Jerusalém, a bíblia de Estudo Pentecostal, bíblia de Estudo NVI, bíblia da Mulher, bíblia na Linguagem de Hoje, bíblia de Estudo de Genebra, etc. Para a descrição não ficar tão cansativa, o(a) leitor(a) quer quiser saber mais sobre os tipos de bíblia, basta clicar aqui.

Não foi tão difícil chegar a um acordo sobre a senha do Wi-Fi que seria usada na igreja. A senha seria “DeuséGrande54321”. O reverendo trouxe um texto científico de um renomado instituto de Neuro-Teologia dos EUA, que dizia ter o homem moderno apenas um Giga de memória em seu cérebro, e que os computadores modernos chegavam a ter até 8 gigabytes de potência, ou seja, 800 mais espaço de memória que o do humano. Um fiel que tinha trazido 90 quilos de bíblias em seu carrinho de supermercado ficou de olhos arregalados, quando o reverendo lhe explicou que o conteúdo de todos os livros sagrados em seu poder, bastaria meio megabite de potência de um tablet, para guardá-los todos em sua memória. Ficou deveras contente quando soube que, no site de Busca do Google, só de tipos de orações, existiam mais de vinte mil.

E não é que no Google, existe até uma versão do mais conhecido trecho da bíblia O Salmo 23, bem ao modo da Era Digital [Vide Link: O Google é Meu Pastor”]

O sábio reverendo ao ver, enfim, que a busca da felicidade, em virtude da natureza humana, era baseada no modo TER de existência, passou a aconselhar seus fiéis a não importunarem Deus com coisas que os sites de busca já dão prontinhos a um sutil clique. Ficaria para apelação divina o que não se conseguisse através do Google. Passou a ser obrigatório o uso dos aparelhos digitais pelas crianças no aprendizado nas escolas bíblicas, em pesquisas de assuntos que diziam respeito mais ao fantasioso e religioso mundo infanto-juvenil.

A sua igreja cresceu assustadoramente. Ao ver o ar alegre estampado no rosto e olhos cintilantes dos que ali estavam reunidos em torno da telinha a tomar conhecimento das últimas novidades e milagres da era digital, quem ali chegasse, só poderia concluir que aquele povo tinha algo diferente para oferecer.

No culto das noites de domingo, em que era permitido mandar mensagens, vídeos e fotos para grupos do WhatsApp, numerosos paus de selfies com smartphones em uma de suas extremidades pareciam dançar sobre as cabeças dos fiéis, como se fossem arcos de violinos de uma invisível orquestra sinfônica em ação. Mensagens seguidas de fotos choviam, tais como: “Olha eu aqui a cantar!”, olha eu aqui a tocar!”, “Viu o meu vestido novo?” “Como acha que me saí?”

De início, os opositores do Wi Fi em igrejas reagiram de forma dura, digamos até violenta. Depois, foram se acostumando pouco a pouco com as “maravilhas” do evangelho digital dentro dos templos.

Tempos depois, apareceu um enorme cartaz bem na entrada do templo do reverendo inovador:
A Operadora informa que quem for pego roubando sinal de Wi Fi da Igreja será multado. A reincidência na prática desse vil pecado terá como consequência o alijamento do infrator do rol de membros da 'sancta ecclésia'.”


Por Levi B. Santos
Guarabira, 06 de outubro de 2015

Link da Imagem: blogspot.com.br/2015/02/10-maneiras-de-se-tirar-uma-selfie-para.html

01 novembro 2014

Os Mortos de Javé e Alah em Véspera de Finados



O bloqueio da Esplanada das Mesquitas efetuado pelo governo de Israel, ontem (dia 31) ―, o primeiro em 14 anos, foi motivado pela morte do Yehuda  Glick ― profeta das hostes javelianas que liderava um movimento pela reconstrução de um novo templo judeu nesse local "sagrado". 

Do lado ocidental é assim: os cristãos vêem a reconstrução do Templo de Salomão como um sinal inequívoco da volta do Messias (que dizem ter ressuscitado há quase dois mil anos), para arrebatar a sua igreja. Quanto mais quente for o conflito e quanto mais gente morrer defendendo os seus deuses mais os fundamentalistas cristãos, de braços erguidos e olhos arregalados para as nuvens, dizem em êxtase: “Ora vem Senhor Jesus!”

O “Céu” e o “Inferno”, como placas tectônicas, estão sempre em atritos nessa região. Nessa véspera de Finados, a luta insana ou louca dos deuses, por ora, resultou em uma morte para cada facção divina. Poucas horas depois de ser morto o judeu que pregava e sonhava  com a reconstrução do Templo de Jerusalém no local da Mesquita muçulmana, o palestino Moataz Hejazi foi assassinado, de acordo com preceito da Torah, que preconiza o “olho por olho e dente por dente”. Foram duas vítimas na véspera de finados: tomara que fique só nisso. Mas, segundo o que se noticia, as tensões podem se agravar no final de semana.

A Folha de São Paulo, de ontem, dá uma sucinta explicação para se entender o conflito imaginário entre os deuses Javé e Alah na mente dos neuróticos de um lado e de outro:

“A Esplanada é gerida desde as cruzadas por religiosos muçulmanos. Israel que ocupa Jerusalém Oriental desde 1967 controla o acesso ao local, mas mantém um veto a manifestações religiosas a todos os não muçulmanos, como medida de segurança”.

Vale salientar que o último fechamento da esplanada foi devido à visita do profeta e ministro de Javé, Ariel Sharon, que em setembro de 2000 invadiu o local sem ter conversado com Alah.

Para complicar ainda mais o imbróglio sagrado-infernal, o monte Moríá, onde no século VII foi construído o Domo da Rocha ― a Mesquita de Al-Aqsa ―, segundo a análise de Diogo Bercito, é local considerado sagrado pelos judeus. É que a tradição sugere que foi ali que Abraão se dispôs a sacrificar seu filho, no que seria o primeiro infanticídio em nome de Javé. Diogo Bercito é jornalista da Folha, formado em Filosofia, Letras, e estudioso de línguas orientais.

Quem tiver um pouco de inteligência, sem dúvida, irá concluir que toda essa ação montada não passa de uma jogada política, para que se concretize a hegemonia de Israel na região, e se cumpra os vaticínios vétero-testamentários de destruição dos que não seguem o deus único e verdadeiro da tradição judaico-cristã. Javé e Alah, nas mentes dos fundamentalistas, continuam a se digladiarem no sentido de fazer ver qual deles vai levar a melhor. (rsrs)

Segundo, Nilton Bonder, líder da Congregação judaica no Brasil, todo este conflito fabricado tem na praga do convencimento, a sua raiz. Diz ele:
“A idéia que norteia nossa civilização ocidental é que para um lado ter razão o outro tem que necessariamente, estar errado. [...] A luta pela afirmação de uma nação judaica vai contra a maioria das correntes no seio do judaísmo [...]. Paradoxalmente é em Israel que a visão sionista está tendo o custo mais alto, por um processo típico do retorno do recalcado”.

Bernardo Sorj, formado em História pela Universidade de Haifa, PhD em Sociologia pela Universidade de Manchester, diz algo extramemente duro, em seu livro “Judaísmo para o Século XXI”:

O Judaísmo moderno acabou, mas não sabemos como enterrá-lo. [...] A imposição de uma língua única, o esforço, em boa medida fracassado, de criar uma cultura judaica secular “naturalista” e o desapreço pela diáspora como fonte de valores e de vivência criativa foram elementos constitutivos do esforço normatizador e disciplinador da ideologia e do sistema educacional que se implantou em Israel”.

A Esplanada da Mesquita e das ruínas do templo de Salomão tem sido palco da luta ente o bem e o mal. Cada facção, ver Satã na outra que professa o deus de nome diferente. Na verdade, ele projeta o “satã” que habita em si próprio. Plagiando Nilton Bonder, “Satã não seria tão importante e não causaria tantas mortes se as questões que ele traz à luz na mente de cada fundamentalista não fossem as grandes questões humanas.”

Que os exércitos de Javé e de Alah façam uma pausa nesse dia de Finados e reflitam sobre os seus desejos de destruição que tantas vítimas fizeram e ainda fazem: justamente àquelas que não professam o mesmo deus. Acabem de uma vez por todas com a história de que só o seu deus salva, e que o do outro é que leva a perdição.  O maior mal da humanidade é o desejo de triunfo teológico que, ainda em plena pós-modernidade, infelizmente, vem marcando grandes conflitos; guerras, que certos religiosos, em sua imaginação, percebem como se fossem ordens emanadas de seus deuses vingativos e sanguinários.


Por Levi B. Santos

Guarabira, PB


Site da Imagem: culturabrasil.org

18 maio 2014

“Guerra Santa” Vai ao Judiciário




Quinze vídeos veiculados recentemente no Youtube denegrindo as práticas afro-brasileiras foram considerados pelos babalorixás do Candomblé como demonstração de racismo, preconceito e intolerância religiosa.

Uma decisão tomada esta semana pelo juiz Eugênio Rosa de Araújo da 17ª vara Federal do Rio de Janeiro concluiu que o Candomblé não é uma religião, esquentando uma antiga polêmica histórica entre afro-brasileiros, católicos e protestantes.

O site “Brasil Escola” sobre o Candomblé, diz: “... é uma religião africana trazida para o Brasil no período em que os negros desembarcaram para serem escravos”.

O Dicionário de Caldas Aulete também define o Candomblé como religião afro-brasileira que cultua orixás por meio, de cantos danças e oferendas. O renomado autor baiano, Jorge Amado, em suas obras, faz inúmeras referências ao candomblé como a religião dos deuses de origem africana.

Segundo o professor de filosofia, Fábio Medeiros, os primeiros africanos que desembarcaram no Brasil tiveram seu culto religioso proibido pelos portugueses. Para continuarem com a prática ritual trazida da África, tiveram que adaptar suas entidades espirituais aos santos católicos, naquilo que ficou denominado de sincretismo religioso.

A sentença do juiz da 17ª vara Federal do Rio de Janeiro, decidindo que o Candomblé não tem elementos que caracterizem uma religião, foi entendida pelos estudiosos como um ato de discriminação.

Uma reportagem da jornalista Juliana Prado ao Jornal “O Globo” ― edição de ontem (dia 17) ― dá conta desse imbróglio, que fez com que a Associação de Mídia Afro (ANMA) entrasse com uma ação na Justiça contra os vídeos postados na internet por pastores neo-pentecostais  mostrando pais de santos manifestando um demônio na hora de reconciliação a uma igreja pentecostal. A decisão do magistrado foi totalmente desfavorável aos afro-brasileiros, ao sustentar que “ ‘tais crenças não constituem religião’, abrindo uma verdadeira guerra santa no judiciário”. (Vide Link)

O Ministério Público Federal, na pessoa do Procurador da República, tem opinião contrária, considerando o candomblé como uma religião sujeita aos mesmos estatutos constitucionais que regem as demais, razão pela qual, recorreu da decisão judicial.

Segundo a matéria da jornalista, o juiz alegou que “uma religião deve ser baseada num livro central, como o Corão ou a Bíblia, e que deve ter um deus único a ser venerado”.

Ao tomar conhecimento da decisão judiciária, a antropóloga e professora da UFRJ, Yvonne Maggie, especializada em religião africana, chamou a atenção para o fenômeno, dizendo que “...o Estado deveria, de alguma maneira, manter-se mais ou menos isento; classifica a argumentação da sentença como absurda e que mostra o desconhecimento da antropologia da religião”. Diz ela ainda: “muitas religiões não se apóiam em livros”.

A jornalista, autora da matéria, mostra também um levantamento realizado no ano passado pela PUC – Rio. “Segundo o estudo de 847 casos pesquisados desde 2008, 430 disseram que sofreram algum tipo de intolerância religiosa. Os alvos eram os prédios dos centros das manifestações religiosas ou os próprios seguidores”.

Há quem considere essa briga como coisa entre irmãos pelo fato de alguns dizerem ter presenciado no meio evangélico, procedimentos em tudo parecidos com os da umbanda e do candomblé, como reuniões repletas de rituais, danças, retetés e êxtases espasmódicos.

O certo é que dentro do protestantismo, ramos do neo-pentecostalismo  e da IURD estão numa guerra ferina, onde cada um, para defender a “pureza” do seu curral, acusa o outro de praticar rituais demoníacos.

Para exemplificar, veja leitor(a) o que diz o administrador da “Vitória em Cristo” sobre o bispo Edir Macedo, a quem acusa de praticar “macumbaria”:

“Qual a diferença da arruda de sua igreja e a do centro de macumba? Qual a diferença do sal grosso de sua igreja e a do centro de macumba? Qual a diferença da rosa ungida  da do centro de macumba?. (Vide Link)

O bispo da IURD, por sua vez, se defende, nos mesmos moldes:

“não vejo diferença entre rituais de religiões afros e alguns cultos pentecostais”. (Vide Link)

Não é necessária uma análise profunda para constatar que alguns segmentos neo-pentecostais, com prevalência da IURD, em suas sessões espirituais, usam termos similares aos da umbanda, como descarrego, encosto, além do fato de vestirem roupas brancas nos rituais de exorcismo.

O placar na Justiça, em primeira instância, não reconheceu o Candomblé como religião. Por enquanto, o placar está 1X0 para os “evangélicos”. Com certeza, esse longo e polêmico jogo espiritual promete uma grande audiência quando chegar ao palco do STF. (rsrs)



Por Levi B. Santos
Guarabira, 18 de maio de 2014

Site da Imagem: stockfresh.com/image

17 abril 2014

Lessing e a “Parábola dos Três Anéis”




No dizer de Hannah Arendt em seu livro ―“Homens em Tempos Sombrios” ―, o escritor e poeta Gotthold Ephraim Lessing (1729 ― 1781), considerado o fundador da literatura alemã, “nunca em sua vida se sentiu impedido de travar amizade com um judeu piedoso, um muçulmano convicto e um cristão crente. Qualquer doutrina que, de princípio, barrasse a possibilidade de amizade entre dois seres humanos seria rejeitada por sua consciência livre e certeira. O que lhe interessava era ser amigo de muitos homens, mas não irmão de nenhum homem”.Seu pensar não era uma busca pela verdade, visto que toda a verdade que resulta de um processo de pensamento necessariamente põe fim ao movimento do pensar”.

Lessing, em “Nathan, o Sábio” escreveu o emblemático ensaio ― “A Parábola dos Três Anéis” ―, com o intuito de realçar a sonhada tolerância que, na sua ótica, deveria existir entre as três crenças religiosas ocidentais.

 Nathan – o Sábio, respondendo a pergunta do sultão sobre qual seria a religião verdadeira ― o cristianismo, o judaísmo ou o islamismo ―, narra a história de um pai e seu anel verdadeiro, símbolo do poder:

 “Ao chegar à hora de sua morte, e tendo apenas um anel muito valioso, o pai manda fazer duas imitações do anel legítimo. Os três filhos não conseguindo descobrir o anel verdadeiro chegam a uma conclusão: provavelmente perdeu-se o anel verdadeiro” (Gotthold  Ephraim Lessing)

Nas palavras de Anatol Rosenfeld, Lessing, como nenhum outro literato alemão, “era portador de uma linguagem clara, sagaz e astuta..., e deixou um dos mais preciosos legados que a ilustração alemã deixou aos pósteros.”

Segundo Hannah Arendt, o que o pai dos literatos germânicos queria ressaltar em sua parábola, é que “se um dia existira o anel verdadeiro, ele se perdera. Se o verdadeiro anel existisse, significaria o fim do discurso, e portanto da amizade, e portanto da humanidade”.

A praga do convencimento que cada uma das três religiões ocidentais deseja possuir, vem da falsa convicção de ser, cada uma, portadora do “anel legítimo” ―, fonte de toda querela religiosa. Como disse certa vez, Nilton Bonder (presidente da Congregação judaica no Brasil): “Tanto o convencido quanto o que convence são perdedores. Um dia iremos concordar que só existe um parâmetro externo para definir o “certo” e o “errado”. Certo é qualquer coisa que não queira convencer ou impor a vontade de um sobre outro; errado é a postura do convencimento”.

Hannah Arendt, discorrendo sobre Lessing em sua obra “Homens em Tempos Sombrios”, mostra algo de extremo valor reflexivo para nossa época. Época em que grupos com a mesma afinidade se sentam à mesa para torcer pela “verdade” de seu deus, mantendo distância das pessoas com quem poderiam entrar em conflito.


“A Sabedoria de Nathan consiste apenas em sua presteza para sacrificar a verdade à amizade.” (Hannah Arendt)



Por Levi B. Santos
Guarabira, 17 de abril de 2014

Site da Imagem: educacaopublica.rj.gov

01 março 2013

Voltaire e o Umbigo Santo




O leitor desavisado que olhar de relance o título dessa postagem vai com certeza pensar que se trata de mais uma bizarrice do malfadado evangelho da superstição e da prosperidade que cresce em nosso meio numa dimensão geométrica, e que faz a festa dos blogs de “humor cristão”. Que nada, esses relatos foram escritos por Voltaire, há três séculos e meio (1762). Não há como negar verossimilhanças das narrativas desse filósofo e crítico do cristianismo com o que acontece hoje sob o pano de fundo da Igreja de Deus. Voltaire em seu “Tratado de Tolerância” ― Editora Martins Fontes (página 116) diz algo dolorosamente atual, no capítulo XX (Da Utilidade de Manter o Povo na Superstição):

“Quando os homens não têm noções corretas da divindade, as ideias falsas as substituem, assim como nos tempos difíceis trafica-se com moeda ruim quando não se tem a boa. O pagão deixa de cometer um crime, com medo de ser punido pelos falsos deuses; o malabar teme ser punido por seu pagode. Onde quer que haja uma sociedade estabelecida, uma religião é necessária: as leis protegem contra os crimes conhecidos, e a religião contra os crimes secretos”.

“A superstição filha da religião subjugou por muito tempo a terra inteira. Os senhores feudais faziam acreditar os seus vassalos que São Genou curava a gota e que Santa Clara curava os olhos enfermos. As crianças acreditavam em lobisomem e os adultos no cordão de São Francisco. O número de relíquias era incontável. [...] Sabe-se que quando o bispo de Noailles mandou retirar e lançar no fogo a suposta relíquia do umbigo de Jesus, toda a cidade Chalôns moveu-lhe um processo; mas ele teve coragem e devoção, e acabou convencendo os habitantes da região de que era possível adorar Jesus Cristo em espírito e em verdade sem ter seu umbigo na Igreja. Deixou-se de acreditar que bastava a oração dos trinta dias à Virgem Maria para obter tudo o que se queria para pecar impunemente. Enfim a burguesia começou a suspeitar que não era Santa Genoveva quem trazia ou parava a chuva. Os monges ficaram espantados de que seus santos não fizessem mais milagres; e, se os escritores da ‘Vida de São Francisco Xavier’ voltassem ao mundo, não ousariam escrever que este santo ressuscitou nove mortos,   que foi visto ao mesmo tempo no mar e em terra, e que, tendo seu crucifixo caído no mar, um caranguejo o veio trazê-lo de volta”.

Mas o sarcástico, ambivalente e inteligente, Voltaire, adoça a língua ferina, bem no final do seu ensaio. Em consonância com os ditados populares ― “uma na ferradura e outra no cravo” (que aqui eu inverti a sua ordem), e o velho adágio “Morde e assopra”, ele termina sua fala com duas emblemáticas interrogações, talvez dirigidas a ele mesmo; inquirições que podem (por que não?) ser endereçadas a nós também:

 “Mas de todas as superstições, a mais perigosa não é a de odiar o próximo por suas opiniões? E não é evidente que seria ainda mais sensato adorar o santo umbigo, o santo prepúcio, o leite e o manto da Virgem Maria, do que detestar e perseguir seu irmão?”

O umbigo e o prepúcio, para quem não sabe ainda, foram os pedaços mais procurados e venerados do mártir do Gólgota ―, objeto de disputas cristãs tanto na França de Voltaire, quanto na Itália e na Alemanha do século XVIII. Numa sábia decisão, o papa Clemente V mandou picotar o “umbigo de Jesus” em três partes, para satisfazer os cristãos de Constantinopla, de S. José do Latrão e da França. Mas houve quem batesse o pé reivindicando um umbigo inteiro.

Ah meu caro “herege”, Voltaire! Se você soubesse que passados três séculos e meio desse imbróglio umbilical/prepucial de sua era, a disputa pelo espólio de Cristo continua mais viva do que nunca entre as facções cristãs: Uma tem até um canal de TV para mostrar um Cristo fatiado ao gosto do freguês.

Guarabira, 01 de março de 2013

Imagem: sinapseslink.wordpress.com

07 maio 2012

Os Estudiosos da Religião Segundo PONDÉ




Luiz Felipe Pondé ― filósofo, professor de ciências da religião e polêmico ensaísta da Folha de São Paulo ―, em um artigo publicado no dia 30 de fevereiro deste ano (Por Que Estudar Religião?) faz uma ácida pergunta, para logo em seguida elencar uma série de hipóteses em que o estudioso e amante da religião poderia se enquadrar. Diz ele:

Você estuda religião? Aposto que, se sua resposta for SIM, a causa é uma das hipóteses abaixo. ‘Somos previsíveis como ratos de laboratório’

Ele, depois de uma série de considerações, em que divaga sobre preconceito, neutralidade, fé religiosa e ciência, elenca as suas hipotéticas situações, no intuito de que o leitor, estudioso da religião, faça a sua opção sobre o "por quê" de escolher esse campo do saber. Ri de mim mesmo, ao procurar o item (ou itens) em que melhor me enquadraria.

Proponho as seguintes hipóteses, diz ele:

1. Pessoas buscam a universidade ou instituições afins para estudar religião porque têm inquietações "espirituais", mas se acham "cultas e bem (in)formadas" e estão um tanto de saco cheio das "igrejas" (no sentido de religiões institucionais) que existem no mercado. Ou mesmo porque sentem vergonha de serem religiosas "oficialmente" e, por isso, preferem estudar religião a praticar religião.

2. Porque odeiam religião por conta de traumas infantis familiares ou escolares ou por algum grande sofrimento que gerou algum tipo de "revolta contra Deus". Normalmente essas pessoas querem acabar com a religião.

3. Razões ideológicas: religião aliena (marxistas), oprime mulheres e gays, condena o sexo. Ou seja: querem um mundo sem religião ou com religiões simpáticas a suas ideologias.

4. Para abrir uma igreja, ganhar dinheiro ou poder político.

5. Para tornar sua vivência religiosa mais "culta e bem informada" e "modernizar" sua vida religiosa cotidiana, como em questões relacionadas à ciência ou à ética.

6. Por diletantismo sofisticado movido por inquietações existenciais e/ou filosóficas.

7. Porque pertenceram ao clero de alguma religião e só sabem ganhar a vida com temas relacionados à religião.

8. Para usar o conhecimento em recursos humanos nas empresas.

9. Geopolítica internacional: fundamentalismos, multiculturalismos, comércio exterior.

10. Porque é professor e o ensino religioso é um mercado em expansão, além de que, se for egresso de classes sociais inferiores (o que é muito comum), títulos acadêmicos costumam ser uma ferramenta razoável de status e aumento na renda.

Resumo da ópera: dinheiro, status, angústia existencial, fé, política, opção profissional à mão ou simplesmente falta de opção.


NOTA:  Bem, como o acintoso Pondé não é tão onisciente assim, o leitor tem toda liberdade de discordar de suas hipotéticas situações acima citadas,  acrescentando  a sua opinião a respeito.


Site da Foto: tudoeespanto.blogspot.com


Guarabira, 07 de maio de 2012