14 novembro 2009

CAI MITO DA FÉ versus CIÊNCIA




Desde que iniciei a minha atividade na blogosfera, venho me posicionando contra a ideia pré-conceituosa de considerar a Ciência e a Fé como eternas inimigas. Nos meus artigos postados sempre procurei argumentar que essas instâncias não são excludentes e sim concludentes, e podem perfeitamente andarem juntas, cada uma ao seu modo, como um arco-íris que apesar de possuir diversas tonalidades, caminham num mesmo sentido.

O motivo dessa forma de desentendimento mais intenso vem dos tempos da idade média, quando a Igreja não admitia que mistérios bíblicos fossem desvendados pela Ciência. É que a ciência ao desvendar os mistérios, abalava, de certo modo, a fé de muitos, que era alimentada permanentemente pelos "antigos e insondáveis enigmas sobrenaturais". A Igreja acreditava que, à medida que se ia aceitando os pressupostos dos cientistas, a fé ia se extinguindo. Muitos estudiosos cientistas foram veementemente combatidos por afirmar verdades cientificamente comprovadas, como foi o caso de Galileu Galilei que, contrariando as verdades bíblicas de sua época, afirmou que a Terra não era o centro do Universo.

Como médico e cristão, sinto-me exultante, ante a matéria veiculada pelo jornal “Mensageiro da Paz”, órgão vinculado às Assembleias de Deus no Brasil, que em sua edição de novembro de 2009, traz em sua capa, a manchete: “CAI CADA VEZ MAIS O MITO DA FÉ versus CIÊNCIA”. Logo abaixo desta chamada (em destaque), está inserido um trecho retirado do artigo que na íntegra preenche toda a extensão das páginas 14 e 15 desse cinqüentenário jornal, o qual passo a reproduzir, agora:


Nos últimos anos, dezenas de obras científicas têm sido publicadas no mundo por pesquisadores e cientistas, desfazendo o mito de que fé e ciência se chocam, isto é, desconstruindo o mito de que a crença em Deus e na Bíblia é algo absolutamente impossível à luz da ciência moderna, fruto de uma distorção da história, implementada após o advento do iluminismo, Não só a Bíblia e a ciência não se obliteram, como a visão de mundo criacionista foi a base do método de pesquisa científico dos cientistas do passado e que os levou a perseguirem suas extraordinárias descobertas. A maioria esmagadora dos maiores cientistas de todos os tempos era de cristão fervorosos. Conheça alguns deles (Págs 14 e 15)”


Eis a manchete do cabeçalho que toma toda a extensão do topo das páginas 14 e 15 do jornal “Mensageiro da Paz”:


MAIORES CIENTISTAS DE TODOS OS TEMPOS ERAM CRISTÃOS FERVOROSOS”.


Em seguida, o artigo traz uma sinopse sobre cada um desses grandes e fervorosos cristãos cientistas, que aqui passo a enumerá-los:


1. Roger Bacon (1214 – 1294). O primeiro a reconhecer as leis da natureza. Seus experimentos deram origem aos óculos e aos microscópios.
2. Robert Boyle (1627 – 1691). Fundador da Química Moderna.
3. Isaac Newton (1641 – 1727). Formulou a lei da gravidade e criou o telescópio
4. John Flamsteed (1646 – 1719) Criador do primeiro catálogo de estrelas moderno.
5. Stephen Hales (1677 – 1761) O primeiro a levar os métodos da Física para a Biologia.
6. John Bartram (1699 – 1777) Um dos maiores botânicos da História.
7. John Mitchell (1724 – 1793) O pai da sismologia.
8. William Herschel (1738 – 1822) Descobridor do planeta Urano
9. Georges Cuvier (1769 – 1777) Fundamentou a Paleontologia e a Anatomia Comparativa.
10. Michael Faraday (1791 – 1867) Fundador da Teoria do Campo Eletromagnético.
11. Samuel Morse (1791 – 1871) Inventor do Telégrafo.
12. Charles Babbage (1792 – 1871) Criador do Computador.
13. Charles Bell (1774 – 1842) O primeiro a mapear o cérebro e o sistema nervoso.
14. Louiz Agassiz (1807 – 1873) O pai da ciência glacial.
15. George Mendel (1822 – 1884) O pai da Genética.


Bem, esse significativo artigo do jornal Mensageiro da Paz, foi um bom começo, no sentido de acabar com a secular guerra entre Ciência e Fé. Que esse reconhecimento (fato histórico) possa quebrar o gelo entre a Psiquiatria, Psicologia, Psicanálise, Filosofia e a Fé Cristã, pondo fim aos conceitos insanos de que essas áreas das Ciências são irreconciliáveis com os pressupostos do Evangelho de Cristo.



Guarabira, 14 de novembro de 2009
Levi B. Santos

20 comentários:

Felipostagens disse...

Aleluia, passam os ceus, passam a terra, mas, a palavra do Senhor permanece para sempre. É bom lembrar que a Bíblia é repleta de penssadores, como o escritor de Eclesiaste, provérbios, e o prório Paulo, se pensar reduz a fé estes então deveraim serem os homens mais incrédulos, e no entanto Paulo um deles foi um desbravador da causa de Cristo. Muito bom artigo!!

Marcio Alves disse...

Fé anda de mãos dadas com o raciocínio!

Quem disse que para ser crente tem que aposentar a cabeça? Parar de pensar? Cometer suicídio intelectual?
Porventura, para se ter uma vida devocional-espiritual, será que é preciso emburrecer?

Pelo contrario, ai é que precisamos usar mais a nossa mente, para compreendermos as verdades nas escrituras.
Entender a Cristologia ou/e a escatologia Paulina – por exemplo – é preciso pensar, e muito.

Inclusive a Fé, não é contraria a mente.
Fé é contraria a visão.
Como disse Paulo: “Porque andamos por fé, e não por vista”(2 Co 5 v 7)

Por isso é que John stott disse aquela frase celebre, que por sinal, carrega o nome do seu livro: “Crer é também pensar!” (Apesar de que, o livro é bem fraquinho, mas por si só, a frase é libertadora)

Inclusive, para se adorar a Deus em um culto – até mesmo pentecostalizado – não bastam às emoções, precisamos também de nosso intelecto.

Não podemos dizer a nossa mente: “Fique aqui em casa, que eu vou lá adorar a Deus, eu não preciso de você”.

É por isso que Paulo vai nos dizer que: “apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.”(Rm 12 v 1)

Tem pessoas que, só obedecem ao mandamento de Amar a Deus, com a alma, forças e de todo o coração, mas esquece que, é preciso amar a Deus também, de todo o nosso pensamento.

Pra mim, a ante sala do mistério é o entendimento.
Pois sou muito mais racional do que passional, até aceito que Fé é Fé, teologia é teologia – como diria nosso amado irmão Eduardo Medeiros – mas mesmo assim, existem – digamos – razões da nossa Fé.



Um grande abraço!

Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.

Zé Luís disse...

Olá, Levi.

Creio que Deus tem prazer na Fé, e Fé com provas não é Fé: é fato.
Um salto no escuro.

Meu encontro com a Fé passou pelo ateísmo antes de chegar ao que é.

As primeiras faculdades (fundadas por cristãos) nasceram dentro do conceito de que, se há um Criador para as "coisas", elas tem um mecânismo, uma formação organizada, pré-estabelecida.
O conceito se perdeu, e o criador deu lugar ao acaso, ao caos.

Creio que o próprio Criador tem prazer em esconder seus caminhos.
É simples descobrirmos a espetácular natureza de sua criação. Difícil é crer que uma descêndencia será como as estrelas do céu.
São estes últimos que agradam ao Pai. Difícil...

Guiomar Barba disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Guiomar Barba disse...

Em cada descoberta científica percebo mais motivos para engrandecer o nome do Senhor. Alegro-me que Deus tenha compartilhado inteligência e sabedoria com o homem. Ele jamais teve medo de competição. Ele é um líder plenamente positivo. Aleluia!

Parabéns!
Abraço.

Eduardo Medeiros disse...

Fala aí, mestre, beleza?

Olha, parece que desta vez vamos ter uma discussão interessante, pois eu discordo de que ciência e fé devem andar juntas.

Eu creio que quando a fé se debandeia em busca da aprovação da ciência, no fundo, ela está querendo legitimização da autoridade que a ciência tem em nosso tempo. Mas a fé não precisa de tal legitimização, visto que fé é fé.

O campo que a fé atua é o do espírito, da transcedência, desse sentimento de dependência a algo externo e maior do que nós, que as lentes do telescópio Hubble não podem detectar, visto ser etéreo.

Por acaso é preciso ter fé para se crer na força da gravidade? claro que não. Agora, que ciência é capaz de estabelecer as bases empíricas de como funciona a "Trindade Divina"?

E aqui estou partindo do pressuposto que se tenha fé na "realidade" de uma trindade, ainda que tal realidade não seja empírica, e por isso mesmo, esteja além da ciência.

Dizer que todos os cientistas citados foram cristãos fervorosos não quer dizer muita coisa, pois a ciência até então, tinha por base o mecanicismo e ainda estava de certa forma, atrelada ao pensamento religioso herdado do medievo.

Newton observou que o sistema solar funcionava parecido com o mecanismo de um relógio suiço. Logo, Deus era o relojoeiro que criara a mecânica celeste.

Só que ao dizer que foi Deus quem criou a mecânica celeste, o cientista está fazendo uma afirmação de fé, e não de ciêcia, visto que não pode provar que foi mesmo Deus quem criou, ou se ao menos existe mesmo Deus.

É nesse sentido que creio que a fé não pode ser "científica"; ora, uma fé "científica" não é mais fé, visto que nesse caso, a ciência teria tirado o aspecto mais característico da fé - a sublimidade do mistério.

No dia que a ciência provar que Deus existe, e que o único caminho para a vida eterna é seu filho, Jesus, nesse dia, estaria decretado o fim da salvação pela fé...

A fé deve ficar nos seus limites, pois ela procura dar sentido ao que a ciência talvez nunca consiga descobrir: aquele impulso registrado em nossa psiqué desde tempos imemoriais que nós leva para cima e nos faz dobrar os joelhos diante da magnitude de Deus, seja ele entendido como for, e que nos consola e nos abriga da dura realidade da cientificidade.

Abraços calorosos, vamos ainda trocar mais ideias sobre esse tema tão relevante, ok?

Levi Bronzeado disse...

Prezado Marcio Alves

Essa frase que você citou de John Stott resume tudo: "Crer é também pensar"

Agradeço imensamente a sua expressiva colaboração, e apareça sempre.

Um abraço fraternal,

Levi B.Santos

Levi Bronzeado disse...

Caro irmão Zé Luis

Orai e vigiai!

Na oração está implícita a fé.
No ato de vigiar, está implícita a razão.

Portanto necessitamos tanto da fé como do lado racional

Sou grato pelo seu comentário.

Levi B.Santos

Levi Bronzeado disse...

Prezado debatedor e amigo Eduardo

A Ciência não nasceu toda equipada do cérebro físico. Ela é um processo antes de ser um acabamento. Ela é a predição de uma configuração que implica ter fé para se prosseguir no experimento.

No comportamento do “homem cientifico” há uma mistura em proporções variadas do que chamamos pensamento racional e uma proporção de um impulso irracional, que à maneira da fé religiosa, não tem explicação (fé é fé).

As descobertas científicas apesar de ser um triunfo do pensamento, é antes de tudo um ato de fé. Tudo que se tem à disposição do espírito do cientista que o leva a pensar, a prever, a fazer, tem similaridade com a fé religiosa, que cria do nada o seu bastião de segurança.

Toda a corrente mística, toda a pressão de religiosidade mal satisfeita confronta-se com a Ciência, pelo fato dela se recusar a explicar tudo imediatamente. O Cientista ver e crer por antecipação aquilo que ele espera conquistar no futuro ─ por demais, parecida com a definição de fé, descrita lá em Hebreus.

O grande problema que existia e ainda existe em menor grau, é que a Ciência ao fazer as suas descobertas, choca-se com as razões de fé no campo da Religião, que tem as profecias preditas no Velho Testamento, como literalmente imutáveis, e que por isso mesmo, não podem ser descontextualizadas.

Por exemplo: Eu, como médico e cristão, não me abalaria se a Ciência pudesse comprovar que Cristo veio de uma fecundação entre espermatozóide e um óvulo. Aliás, isso, igualaria mais o lado humano de Jesus à nós, fisiologicamente falando.

Alguns, inclusive acham que Cristo foi beneficiado por Deus para não pecar, por não ter se contaminado com espermatozóide (por que não pode ter acontecido uma inseminação espiritual?).
É evidente, que se essa minha conjectura pudesse se tornar uma realidade, iria desmoronar o sentido psicológico da fé cristã primitiva em Cristo.


Fico no aguardo do seu segundo comentário.

Abçs,

Levi B. Santos

Eduardo Medeiros disse...

Oi mestre, bom dia. Abri o teu blog bem cedo hoje por que estava ansioso em ler seu comentário.

"A Ciência não nasceu toda equipada do cérebro físico..."

Com certeza, até mesmo o método científico exige algum grau de fé. Mas essa fé não é diferente da fé religiosa?

"O grande problema que existia e ainda existe em menor grau, é que a Ciência ao fazer as suas descobertas, choca-se com as razões de fé no campo da Religião..."

É exatamente aí que eu digo que a fé (religiosa) não precisa da "fé" científica.

Como também disse o Márcio, "crêr é também pensar", mas as razões da fé são de natureza diversa das razões da ciência.

Creio que nossa fé deve ser pensada, discutida e principalmente questionada para a depuração da própria fé, mas dentro do âmbito da próprio fé e não a partir de métodos científicos.

Por outro lado,a ciência tem dado uma enorme contribuição para o entendimento dos povos e da geografia bíblica através das descobertas arqueológicas, visto que a história bíblica, apesar de religiosa (expressa com linguagem própria) tem sua base na história.

Israel é um povo histórico. Jesus é um personagem histórico. Assim como a maioria dos povos mencionados no drama bíblico. Mas acredito que os fatos históricos na Bíblia está emoldurados por uma linguagem religiosa, visto que é teológica: Deus dirige a história para o seu apogeu e desenlace.

Logo, todos os fatos históricos são interpretados a partir dessa fé, e explicar isso cientificamente, foge por completo do objetivo da próprio ciência.

Se Deus dirige a história universal, como dirige, porque dirige, são assuntos que só podem ser discutidos dentro das razões da fé.

Com minha mente racional, sei que Jesus foi fruto do esperma de José com o óvulo de Maria. Não poderia ser diferente.

Mas as razões da minha fé, encontra significados profundos no anúncio angelical da fecundação divina de Maria, no coro de anjos cantando "glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens de que ele ama", a singela e simbólica visita de 3 magos do oriente ao menino-Deus na manjedoura, enche meu espírito de significados.

Não há cientista fundamentalista que vá me disser que tudo isso é conto da carochinha, pois eu sei que não é.

Minha fé é capaz de ver além da dura verdade histórica, e contemplar a meta-história, o símbolo que fala à alma e não somente ao racional.

Obrigado amigo Levi por possibilitar essa fecunda discussão.

Abraços calorosos

Tony Ayres disse...

Meu caro Levi:

Tenho que concordar com você sobre o fato dessa matéria irmanando fé com ciência constituir um avanço, em benefício da fé; e em detrimento do misticismo, que tem sido o falso muro de arrimo para muitos, infelizmente.

Alegra-me também o fato de que tenha sido o MP quem saiu na frente, nessa questão.

Quando me converti, tive o privilégio de ter sido edificado, muitas vezes por homens como: Emílio Conde, Geziel Gomes e Eurico Bergsten, entre tantos outros, que escreviam, então, no Mensageiro da Paz.

Jamais poderia imaginar que eu mesmo faria parte de uma nova geração de escritores do mesmo jornal, no qual militei, por mais de uma década, escrevendo como articulista, ao lado de homens de Deus, como Geremias do Couto, Elinaldo Renovato de Lima e Claudionor de Andrade, entre outros.

Deixei a denominação, mas continuo tendo muito carinho por suas publicações. Hoje, vejo novos nomes dando continuidade ao trabalho, o que é sempre positivo.

A matéria, objeto de sua postagem, é um bom começo e os comentários feitos por você são realmente pertinentes.

Agora, veja você, como são as coisas.

Eu não me atreveria a cogitar, como você, o nascimento de Jesus poder ter sido simplesmente o encontro do espermatozóide humano de José com o óvulo de Maria.

Creio que o nascimento de Jesus é por obra e graça do Espírito Santo, assim mesmo como está registrado nos evangelhos.

No entanto, por outro lado, não consigo entender por que há tanta resistência sobre a evolução das espécies.

Para mim, há espaço suficiente para a harmonia entre o Criacionismo e o Evolucionismo. Creio que a minha fé (não a minha religião)amadureceu o suficiente para isso.

Mas isso pode ser assunto para outra ocasião.

Um forte abraço deste amigo.


Tony Ayres

Zé Luís disse...

Creio que o Tony Ayres já adiantou muito do que eu penso em relação a "Fé e Razão".
Oro com Fé, mas vigiar e aguardar "racionalmente" que coisas aconteçam por decreto divino não me parece mesmo algo natural. É sobrenatural.

Aguardar que uma pequena nuvem, do tamanho da mão de um homem, seja sinal de uma chuva capaz de recuperar anos perdidos de agricultura é coisa de Fé, não de razão.

É loucura diante dos homens, e isso também não se encaixa na "Razão".

Quanto ao Darwinismo, a própria Ciência que defende o Evolucionismo conta que o homem para alcançar o estágio evolutivo atual precisaria de um período superior a "milhões" de anos, quando a mesma mostra a atual raça com apenas "40.000" anos de existência.

A Ciência defendia a evolução gradativa, e por falta de fósseis que a comprovem, assumiram a evolução em saltos evolutivos. São verdades convenientes.

Nós estamos acostumados com verdades absolutas e imutáveis. Por isso a freqüente "incompatibilidade".

Ainda sobre Evolução: se Darwin trouxesse hoje sua Teoria, a própria Ciência já teria refutadas TODAS as evidências apresentadas por ele.

Um abraço

Levi Bronzeado disse...

Prezado Eduardo

Que bom, hein meu grande amigo debatedor! Pela fé e através da ciência estamos nós aqui trocando idéias, forçando nossas células cerebrais a pensarem, isto é bom, pois já foi evidenciado pela própria ciência que o refletir e o pensar são grandes antídotos contra o Mal de Alzheimer.

Mas voltemos à essência do texto publicado no Mensageiro da Paz: “ [...] a Bíblia e a Ciência não se obliteram[...]”, tanto é que a maioria dos cientistas foram fervorosos cristãos (e eu não sabia disso ─ bem, melhor dizendo, nessa proporção).
Seria inconcebível, e o maior dos paradoxos, se esses cientistas cristãos estivessem em suas descobertas, imbuídos de um espírito contrário à autêntica fé cristã.

“Deus amou de tal maneira o mundo que deu o seu Filho[...]. A salvação é uma dádiva de Deus para o Homem. A Ciência é uma dádiva de Deus para a humanidade. Enxergo amor nessas duas instâncias que trabalham conjuntamente em prol do homem, visando o bem da própria humanidade.
Ou será que a preocupação dos cientistas com o efeito estufa e contra a poluição do meio ambiente, está atrapalhando a chegada do final dos tempos, e com isso, fazendo com que a igreja retarde mais a sua subida aos céus?(rsrsrs)

Vou falar num ramo da área da qual faço parte, a Psiquiatria, por exemplo.
Conheci no meu tempo de estudante de medicina, alguns colegas que temiam se especializar em Psiquiatria, por pensar que o estudo da mente poderia invadir as profundezas de seu ser, e “roubar o Pai que está nos céus”.

O interesse comum do diálogo entre psiquiatras e cristãos, originou-se, naturalmente, do reconhecimento de que as doenças psiquiátricas são, ao mesmo tempo, disfunções cerebrais, conflitos psicológicos e crises espirituais.

Atualmente, psiquiatras e cristãos (em particular cristãos evangélicos) demonstram ter alcançado uma confortável reconciliação. A dor existencial e a experiência subjetiva são objeto de um trabalho amoroso em ambas as áreas, que não são excludentes e sim concludentes, como afirmei anteriormente.

No açodamento por uma guerra entre a fé cristã e a psiquiatria, uma poderá perder a sua alma, e a outra perder a sua mente.

Não posso negar de que como médico, alegro-me em ver na atualidade o C.P.P.C. ( Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos) espalhado por todo o território nacional, trabalhando conjuntamente com crentes e pastores evangélicos integrados num sadio diálogo.

Termino por ora, essa minha inserção, com o trecho final sobre “Fé versus Ciência” veiculado no “ Mensageiro da Paz”:

“Enfim, uma lista completa (de cientistas cristãos) exigiria um livro, mas o já demonstrado, mostra o quão a fé cristã foi para os grandes cientistas do passado, e ainda é para muitos do presente”.


Um forte abraço, e até o próximo encontro.


Levi B. Santos

Levi Bronzeado disse...

Caro amigo Tony

Agradeço a sua valiosa contribuição nesse diálogo.

Noticias como essa do MP deixa-nos, como médicos e cristãos, numa posição mais confortável. Não acha?

Quem sabe, se em um dos próximos
números do jornal "Mensageiro da Paz" não sairá o reconhecimento de que a "sombra jungueana" é o mesmo que o "velho Adão" existente dentro de cada um de nós. (rsrsrs)

Um abraço fraternal.

Levi B. Santos

Tony Ayres disse...

Amigo Levi:

Vejo que este post tem sido enriquecedor para uma área que tem sido tabu e concordo com você que a visão alcançada pelos homens que editam o MP deixa-nos mais confortáveis, embora o MP não faça parte do Canon.rsrsrs....

Mas, este meu comentário é apenas para esclarecer-lhe que não sou médico, como você.

Sou psicanalista clínico e, em Psicanálise, usa-se essa denominação para diferençar o profissional que clinica, daquele que opta por trabalhar como docente nos cursos de formação em Psicanálise. Neste caso, temos, então, o psicalista didata.

Um abraço.

Gresder Sil disse...

.
Ainda não deu tempo de eu ler esses comentários generosos, mas o texto eu li no primeiro dia antes de eu viajar e creio que toda essa desavenças toda entre ciência e fé é causada pelos defensores da teoria de que a briba tem a resposta de Deus para todas as coisas, daí que os caras descobriram um monte de coisas e ficaram pe da vida com tamanha presunção de tal livro.

Acho que se desde o princípio os religiosos tivessem separado as coisas dizendo que ha muita verdade fora da briba e que nela só esta o essencial para a vida eterna e que o resto estava ao critério da sabedoria e capacidade da mente humana em conseguir alcançar, as coisas estariam num pé diferente do que chegou ate hoje.

Rede de Jovens da IEADAM-Presidente Figueiredo disse...

Parabéns pelo artigo.

Glórias a Deus, pq as suas palavras jamais serão apagadas!!!

A Fé que nos leva a pensar!!!

Crendo e usando o lado racional.

fikm na pazzzz

Rede de Jovens da IEADAM-Presidente Figueiredo disse...

A paz do Senhor a todos!!
Glórias a Deus pq sua palavra etá firme para todo o sempre e sempre prevalecerá!!!

A fé e o pensar, agindo racionalmente.

abçss

Eduardo Medeiros disse...

Caro amigo cordelista:

Você escreveu que

"Seria inconcebível, e o maior dos paradoxos, se esses cientistas cristãos estivessem em suas descobertas, imbuídos de um espírito contrário à autêntica fé cristã."

Concordo com você. Mas suponhamos, forçando a barra, que um cientista cristão definitivamente descobrisse por meios científicos que o Deus que nós esquematizamos e definimos, não existe, que na verdade, a origem de toda a criação é uma energia que permeia todo o universo(será que já descobiram coisa parecida? não sei, rss). O que aconteceria?

Talvez...

1 - os crentes, coitados, perderiam a base da sua fé, perderiam o seu "deuszinho" que eles construiram com tanto amor e carinho, ou, tal cientista que fez a descoberta seria tachado de mentiroso, ateu, inimigo dos cristãos; e os crentes, como já fizeram em outras ocasiões, fechariam os olhos para a descoberta e fingiriam que ela não existe.

2 - E o cientista - um cristão convicto, como agiria? em nome da sua fé, não divulgaria sua descoberta? Ou a partir de agora, reescreveria sua fé em bases outras?

Agora, em relação a

"Atualmente, psiquiatras e cristãos (em particular cristãos evangélicos) demonstram ter alcançado uma confortável reconciliação".

Gosto muito de ler Jung. Sua abordagem do Deus-imagem na psiqué me fascina.

É claro que não conheço nada de Jung diante de você, caro amigo, mas pelo pouco do que já li, creio que a psicologia/psiquiatria, são os ramos da ciência que podem sim, andarem juntos com a fé religiosa.

Evidentemente, você conhece o termo "neuroteologia", um campo novíssimo da neurologia que pretende investigar o fenômeno espiritual da mente humana.

Enfim, agradeçamos a Deus pela ciência, que creio, nunca poderá dizer o que é ou não é Deus, e agradeçamos a Deus pela fé que em nós arde tal chama na sarça.

Abraços

Levi Bronzeado disse...

Fique tranquilo meu caro Eduardo


A Ciência jamais encontrará um substituto para essa fórmula: a que é mediada pela Fé em Um Deus que se encarnou em seu único Filho para viver o nosso drama sem pré-conceitos, para enfim nos libertar da culpa e da condenação eterna em que estávamos mergulhado até o pescoço.

Devemos ter o cuidado, sim, com esse Deus que definimos e O esquematizamos em nossa imaginação.
Esse Deus assim, tão bem esquematizado, pode ser um Deus fabricado pela mente humana, que alguns cientistas, talvez queiram reproduzir. Com certeza, o que poderão produzir será apenas um anti- Deus, ou um anti-Cristo.

Anselmo articulou o argumento ontológico para a existência de Deus: “deve existir um Deus, porque reconhecemos alguma coisa, além da qual nada maior pode ser concebida”.

A Ciência pode andar lado a lado com a Fé cristã ─ não vejo incongruência nisso. Agora, ela só não pode andar abraçada com as perversões, aberrações, abusos e patologias de ordem psiquiátrica, sob o rótulo falso de Teologia da prosperidade e outras invencionices “inspirituais”.

Estou gostando do respeitável e interessante diálogo entre nós.
É isso que me faz concluir que vale a pena blogar.


Aqui fico, por enquanto
Levi B. Santos