06 julho 2010

OBSESSÃO E FUGA





.....................Apagar meus vestígios e limpar minhas manchas.
..............................Para quê? ─ Se o desejo retorna!
.....................Na masmorra do castelo, a obsessão acorrentada,
.....................Como uma criança perversa, ruge vigorosamente:
..........,....................O que sou? ─ Sujeito ou objeto?


...................Evito o confronto. Pasteurizo-me para viver neutro,
.............................Normatizando-me para ser notado.
...................Ancoro-me na minha totalidade indivisa e aparente.
...................Buscando adaptar-me, enterro a minha singularidade
.............................Na ilusão de que serei compreendido.


...................Liquido minhas certezas na unidade ilusória do “não ser”
.................................Defensivamente cadaverizo-me.
...................Caminho a esmo, como autômato numa lenta travessia,
...................Exibindo orgulhoso as astúcias de uma razão organizada,
................................Para manter das ideias, a solidez.


...................Retraio-me diante das sombras cavernosas das normas
...................................Numa fragilidade angustiante.
....................Para impedir que se espalhe, o que se deve guardar,
.,...................Deixo-me levar no mar das hábeis argumentaçõeses,
.................................Numa dança muda de palavras vãs.



...................Por Levi B.Santos

...................Guarabira, 06 de julho de 2010

17 comentários:

Paulinha disse...

Mestre LEVI,

QUE LINDO ENSAIO....

"Apagar meus vestígios e limpar minhas manchas.
Para quê? ─ Se o desejo retorna!"

DESEJO - À ESTE SIM SOMOS INSEPARÁVEIS...MESMO NÃO MAIS QUERENDO SENTÍ-LO, PERCEBEMOS QUE ESTAMOS IMPOSSIBILITADOS DE NÃO SENTÍ-LO.

BEIJOS QUERIDO.

Guiomar Barba disse...

Nuuuuuuuuuuuuuuu
Que divagações da alma...

Sou objeto por vezes e me debato...

Brilhante, abraço.

Isa Medeiros disse...

Oh, a consciência, esse terrível fantasma no meu caminho!...

Levi Bronzeado disse...

"MESMO NÃO MAIS QUERENDO SENTÍ-LO, PERCEBEMOS QUE ESTAMOS IMPOSSIBILITADOS DE NÃO SENTÍ-LO".

Falou e disse, Paulinha. Quem nos livrará dos aflitivos desejos?


GUIOMAR

Tento, mas não adianta fugir, quando me supreendo representando nesse grande teatro que é a vida de relações.


ISAIAS

Esse meu lado "Sombra" me desconcerta...
Só me resta conviver com ela pacificamente!

Gresder Sil disse...

Como este texto é introspectivo tentarei ler a alma do autor comentando as estrofes:


“Apagar meus vestígios e limpar minhas manchas.
..............................Para quê? ─ Se o desejo retorna!
.....................Na masmorra do castelo, a obsessão acorrentada,
.....................Como uma criança perversa, ruge vigorosamente:
..........,....................O que sou? ─ Sujeito ou objeto?”


... vozes externas e internas durante pequenos instantes de insônias parece perturbar o escritor com sábios conselhos e medos antigos para que o mesmo deixe seu caminho heterodoxo para voltar ao caminho plano com a promessa de desconsiderar as punições pelos velhos erros e descaminhos. Mas no alto da mais pura reflexão como poderia abandonar algo já enraizado que se tornou senhor e soberano em seu modo de ver e se sentir o Mundo? Não! Tratasse de um caminho sem volta, o caminho viciante da emancipação absoluta!


“Evito o confronto. Pasteurizo-me para viver neutro,
.............................Normatizando-me para ser notado.
...................Ancoro-me na minha totalidade indivisa e aparente.
...................Buscando adaptar-me, enterro a minha singularidade
.............................Na ilusão de que serei compreendido.”


...mas seu mundo não esta preparado para tal, seu eu nunca Serpa visto, a não ser pelos símbolos e figuras que o Consciente projeta no inconsciente para produzir ações espontâneas que não sejam reveladoras do ser dilacerado pela crueza que descasca sonhos e esperanças alheias. E que não pode ser desnuda com o risco de se perder o eu aparente na revelação do eu oculto.


“Liquido minhas certezas na unidade ilusória do “não ser”
.................................Defensivamente cadaverizo-me.
...................Caminho a esmo, como autômato numa lenta travessia,
...................Exibindo orgulhoso as astúcias de uma razão organizada,
................................Para manter das ideias, a solidez.”

...não sendo destinado para ser profeta ou messias, conhecimentos e revelações são enterrados para não produzir falsos cristos e anticristos latentes em seu ser que luta e reluta com tanta intuição produtivamente imprudente.


"Retraio-me diante das sombras cavernosas das normas
Numa fragilidade angustiante.
....................Para impedir que se espalhe, o que se deve guardar,
.,...................Deixo-me levar no mar das hábeis argumentaçõeses,
.................................Numa dança muda de palavras vãs."


...vendo que suas pedras e tijolos não podem construir pontes, pois muros já foram erguidos ao redor dos rios, só lhe resta juntar com os seus convivas as pedras roliças para brincar do lado de fora da cidade no leprosário.

Levi Bronzeado disse...

GRESDER

O poeta é aquele que se desnuda através dos signos (palavras simbólicas)

Aquele que tenta entendê-lo e explicá-lo, se desnuda também.

Desse modo, a tua fiel tradução tanto serve para mim, como para ti.

Sonde seu inconsciente, e me responda se estou errado! (rsrs)

Gresder Sil disse...

Certíssimo Levi rsrs o interprete também projeta no seu Ídolo analisado o que ele vê em si mesmo.

Marcio Alves disse...

LEVI

Brilhante ensaio...isto é que eu chamo de texto escrito com a mais visceral e subjetiva alma.

Porém lendo o seu ensaio nos vemos como no reflexo de um espelho....obsessão, medo, culpa, fulga, desejo fazem parte integralizante do ser que é no mundo sendo ora sujeito ora objeto.

Abraços

Anônimo disse...

Poucas vezes pude apreciar tão profundas palavras em forma de prosa.

"Buscando adaptar-me, enterro a minha singularidade....
Na ilusão de que serei compreendido.”

Introspecção feita desta maneira sempre obterão respostas, pois são nestas ocasiões que as perguntas "certas" são feitas.

Parabéns pelo poema Levi...mestre Bronzeado!

Eduardo Medeiros disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Selma Lobo disse...

Levi,

A impressão que tive foi que daí da sua cidade vc consegui ver aqui na minha cidade, minha alma aflita perâmbulando pelas ruas vazias que se amontoam dentro de mim.

Um abraço,

Levi Bronzeado disse...

Prezado Marcio

O seu comentário foi curto e certeiro

Abçs e volte sempre.



AO ANÔNIMO:

Esse anônimo pelo jeito de escrever é o Edson Noreda.

Muito obrigado,pela sua nobre
visita (rsrs)



CARO EDUARDO

Parafraseando o apóstolo Paulo:

Quem nos livrará do corpo da amboivalência? (rsrs)

Levi Bronzeado disse...

Prezada Selma Lobo


É um prazer e uma honra tê-la sempre aqui interagindo conosco.

Aqui, a cada semana tem assunto novo para gente debater. Sinta-se em casa (rsrs)

Abçs,

Levi B. Santos

Edson Moura disse...

Levi meu "mestre Bronzeado", como foi que descobriste que o anônimo era eu?
rsss

Já sei, caramba que vacilo!

Abração mestre!

Levi Bronzeado disse...

Caro Edson


Te descobri dentro do anonimato, por um detalhe que acabaste de repetir entre aspas, na tua última fala. (rsrsrs)


Abçs,

Levi B. Santos

Selma Lobo disse...

Obrigada Levi, já estou me sentindo em casa, mais algumas visitas e me arrisco a abrir a geladeira (rss).
Abraço,

Selma Lobo disse...

ah propósito abri um blog para escrever sem compromisso com o "formal", me arriscando a "soltar minhas borboletas pelo jardim", (rs). quando puder vai lá, só tem um texto por enquanto, mas vc foi o primeiro a ser convidado, afinal palavra de Mestre vem primeiro, (rss).

www.historiasnoventilador.blogspot.com