20 fevereiro 2010

Sem o Velho Roupão ─ O Que Será Deus?


Hoje, os pensadores da modernidade, como em nenhuma época, têm de forma surpreendente se voltado para o estudo aprofundado da alma e sua relação com Deus.


Esmiuça-se o Divino como quem disseca um cadáver em uma aula de anatomia, talvez com a finalidade de torná-lo mais científico e mais palatável.


Mas até onde vai essa ânsia devoradora de querer despir Deus do velho roupão?


Vale a pena vesti-Lo com um traje mais apresentável para que a sociedade moderna possa, enfim, se voltar para a espiritualidade?


Será que a imagem do Bom Deus de Israel que se revela e também se esconde, não está ameaçada de desaparecer dos nossos olhos, ao não ter mais estatutos definidos?


Não será verdade, que a consciência do nosso eu pessoal está simplesmente cortada ao invés de consolidada, pois a eterna dúvida vem sempre como recheio no final do bolo, sempre como o resultado final de nossas escaramuças transcendentais?


Será que ao despir Deus do seu antigo roupão, não estaríamos nos precipitando, valendo-nos de todas as nossas formas de suficiências, como se a verdade de Deus tivesse necessidade do nosso brilho e grandeza, para existir?


Será que na ânsia de vestir Deus com uma roupagem mais moderna, não estaríamos exacerbando as nossas contradições ao mais alto ponto, adocicando e aplainando a realidade presente?


Será que ao exercer o nosso moderno diálogo com a divindade, não estaríamos apenas recolhendo pedaços rotos de nossa própria infância perdida?


Será que os fantasmas do nosso mundo interior não estão vindo à luz, de uma maneira grosseira e primitiva como os desenhos toscos que as crianças fazem?


Será que realmente estamos navegando à reboque dos nossos poderosos navios, ou pelo contrário, estamos atravessando um tenebroso oceano, em um frágil barquinho, tal é a nossa condição humana?


O que dizer de nossos pais e avós, cuja evolução religiosa foi harmoniosa quando gozavam de uma saúde psíquica e física dentro dos frágeis limites do que eles percebiam como graça divina?


Será que ao adquirirmos nossas muletas por um preço razoável nas grandes lojas do saber, não estamos contaminando os medíocres felizes que têm sempre a tez florida por estarem bem atrelados, participando de outra felicidade: aquela que se encontra na fé?


Será que a realidade cruel de um Deus dissecado, não vai subtrair o essencial do Velho e compassivo Benfeitor, que envolve a sua criatura no manto confortável da segurança dando-lhe entusiasmo para viver a vida?


Será que na ânsia de estudar minuciosamente o Divino, não estaríamos aviltando a maneira de muitos crerem, ao recobrir o fundo original de sua religião, com outros tipos de delírio  o delírio da razão?


Será que não estamos projetando Deus para fora de uma realidade que nos é inconsciente?

Por hora, só ouvimos os ecos abafados de respostas que, talvez um dia, sejam completamente audíveis.


O Futuro o dirá...


...............“O que será, que será?

................Que vive nas idéias desses amantes!

................Que cantam os poetas mais delirantes!

................Que juram os profetas embriagados!

................Que está na romaria dos mutilados!

........................(Estrofe da canção “QUE SERÁ” - de Chico Buarque)

.

Ensaio por Levi B. Santos

Guarabira, 20 de fevereiro de 2009




15 fevereiro 2010

A “SEREIA” (o em parte cristão) e O "CAMALEÃO" (o 100% cristão)



..................Vi no texto de um Blogueiro

..................Uma interessante expressão,

..................Que me deixou meio cabreiro:

..................“O crente em parte cristão”.

...................Será que isso é verdadeiro?

...................Ou simplesmente uma ilusão?



...................Que é crente “em parte cristão”?

...................Me respondam, amigos meus!

...................É o que tem parte com o cão,

...................E a outra metade é de Deus?

...................Salvem-me dessa confusão

...................Quer seja crente ou um ateu.



...................Há o cristão cem por cento?

...................Também há o quase cristão?

...................Através desse entendimento

...................Vou expor minha opinião:

...................No ‘herege’ há sentimento,

...................No outro  só badalação.



...................Pesquisando a Mitologia

...................Descobri uma figura,

...................Que na minha analogia

...................Parece com a criatura

...................Que o Tal Blogueiro via

...................Em sua risível escritura.



...................Meio peixe e meio gente

...................É este ser misterioso,

...................Que representa o crente

...................Que é mui criterioso;

...................E que por ser transparente

...................Importuna o ostentoso.



...................E o crente “cem por cento”.

...................Chama o outro de “Sereia”.

...................Tem o próprio fundamento

...................Moldado em barro e areia,

...................Que ao açoitar do vento

...................Se desmorona e arreia.



...................Mas eu descobri enfim

...................Que esse crente TOTAL

...................Não é rosa, nem Jasmim.

...................É um repulsivo animal

...................Que se alimenta de capim

...................Sua morada é o matagal.



...................Em qualquer situação

...................Vira um bicho reluzente,

...................Se molda a toda facção

...................Muda de cor de repente,

...................Seu nome é Camaleão,

...................É o cem por cento crente.



...................Ser um “cem por cento crente”

...................Só se for na aparência.

...................Mas é no “em parte crente”

...................Que se vive a transparência,

...................Quando passa o seu pente

...................Arrasta toda indecência.



...................O cem por cento crente

...................Importa os enlatados

....................DAKE, Dali e D’Além.

....................E fica muito revoltado

....................Quando não recebe o Amém

....................Dos crentes do outro lado.



....................Mas pra que tanta arrogância

....................Tanta falsa santidade

....................Na venda de extravagâncias

....................No meio da cristandade?

....................Tenham ao menos elegância

.................... De contar toda a verdade!



.....................Cordel por Levi B. Santos

.....................Guarabira, 15 de fevereiro de 2009

13 fevereiro 2010

A FORÇA DA ‘IMAGO’ PATERNA

............................................"MOISÉS" - de Michelangelo


Pela quarta vez ele sentia-se dominado por um desejo premente de rever o seu herói. Nas três vezes anteriores que o visitara, conseguira retirar alguns fragmentos que estavam escondidos no porão de sua infância.

Assim que chegava à velha Roma, ele se dirigia apressadamente a Vincoli, onde fica situada a igreja da San Pietro. Lá passava horas e horas contemplando e analisando a monumental estátua de Michelangelo ─ Moisés com as tábuas da Lei.

Após subir os degraus íngremes da solitária Piazza, se dirigia logo a um canto reservado e silencioso da igreja, e ali ficava a mercê dos seus sentimentos inescrutáveis e maravilhosos; sentia como que sair da obscuridade interior, algo que fazia dele próprio mais um, no meio da turba estática diante do seu grande líder, ao pé do Monte Sinai.

Dessa vez, já aos setenta e três anos de idade, provou de um êxtase mais intenso, ao olhar minuciosamente a estátua do seu carismático líder hebreu, Moisés. Tão perfeita era a escultura, que ele parecia estar sentindo a explosão de cólera irradiada de sua face. Em meio ao deslumbramento sentia passar por sua cabeça, toda a epopéia do fundador da nação hebraica de que tanto ouvira falar quando criança na sinagoga, por ocasião das preleções emotivas dos Rabinos, seus mestres.

Diante da fenomenal estátua via desenrolar no seu ser, todo o romance familiar de uma criança que cultivou uma relação emocional com seus genitores, especialmente o pai. Revisitavam-no naquele momento, os contos de fadas que lhe imprimiram a necessidade de se ter sempre como consolo, um guerreiro vencedor e salvador da pátria, ante as adversidades. De frente para seu Moisés petrificado, ele resgatava fatos de sua infância congelada, em que fantasiado de herói recebia o cetro das mãos de seu pai. Ao mesmo tempo se via introjetado naquela imagem, que de uma forma inconsciente lhe trazia o gozo de se sentir revestido da autoridade paterna a comandar seus discípulos analistas nos mistérios da alma humana.

Absorto na contemplação demorada da estátua de Moisés, como nunca tinha acontecido nas outras vezes, parecia ouvir o clamor do povo Hebreu. Ali, junto a imagem de seu grande líder, sentia o tumulto e o alarido do povo que transgredira o seu Deus e a sua lei, ao erigir um “Bezerro de Ouro” para adoração. Nesse clima, o velhinho cientista em sua imaginação, via o seu comandante se preparando para jogar fora as tábuas da lei, as quais estavam apoiadas em sua mão direita e pressionadas contra o tronco. De repente, com o olhar fixo na estátua, tem a impressão de que o líder hebreu petrificado domina a sua ira e pára sua ação violenta, que se iniciara segundos antes.

Terminado o seu solene culto interior, desceu as escadarias da Igreja de San Pietro pela última vez, pois, sofrendo as dores de um câncer na mandíbula, sucumbiria seis anos depois.

Naquela que foi a última incursão pela sua apaixonada Roma, ele fizera uma revisão, ou seja, uma auto-análise de tudo que experimentara na sua marcante viagem. Alguns questionamentos que assomaram dentro de si ficaram sem respostas, como esses:

Como poderia ser considerado “ateu”, se estava vivenciando algo sublime, vivendo o paradoxo de não entender a atração e o fascínio irresistível que aquela imagem perfeita de Moisés exercia sobre si mesmo?

Como poderia dizer que era “ateu”, se no seu peito ardia um sentimento atordoante e magnífico de admiração por aquela obra de arte, imagem do representante de Deus e símbolo maior da nação Judaica?

Como poderia ser ateu, o velho que no fim de sua vida ainda se comovia com uma réplica da estátua de Moisés de Michelangelo em sua banca de cabeceira?

Mais verdadeiros teriam sido os seus compatriotas, se o tivessem apelidado de “a-religioso” ao invés de “ateu”.



P. S.:

Aos setenta e três anos de idade, Freud em uma de suas inúmeras correspondências endereçadas ao amigo e confidente, Pastor protestante Pfister, assim escreveu:

[...] por mais bondosamente que o analista se comporte, ele obviamente não pode encarregar-se de substituir a Deus e à Providência diante do seu cliente.”

É também dele essa frase:

“Aqueles que brigam com Deus podem estar reencenando na esfera religiosa a luta 'edipiana'que não conseguiram vencer em casa”.




Por Levi B. Santos
Guarabira, 13 de fevereiro de 2009



FONTES:

................1. Moisés e o Monoteísmo – Obras de Freud - volume XXIII (Editora Imago)
................2. Moisés de Michelangelo – Obras de Freud – Volume XXIII (Editora Imago)
................3. Cartas ente Freud e Pfister – Editora Ultimato




07 fevereiro 2010

FREUD ─ Um Refém da Religião




Freud, apesar de ter sido considerado pela maioria dos religiosos, um fora da gaiola do Judaísmo, nunca renegou as suas origens: ingressou no pacto judaico, tendo sido circuncidado uma semana após o seu nascimento. Em 1925, aos 69 anos de idade, não achou necessário reprimir algumas verdades nele latentes, quando com visível desprezo respondeu aos correligionários que o haviam procurado para se proteger da onda de antissemitismo da época: “Eu também continuo judeu”.

A sua babá católica arrastava-o sempre para a igreja. Conta-se que o menino Freud quando voltava do Templo para a sua casa rezava e contava o que fazia o Deus Todo-Poderoso.

Se os sentimentos de Freud em relação aos pais eram intricados, a fé deles no filho parecia ser absoluta. No seu aniversário de 35 anos, seu pai lhe deu uma Bíblia em hebraico com a seguinte dedicatória: “Foi no sétimo dia de sua vida que o Espírito de Deus começou a conduzi-lo ao saber”.Uma constatação irrefutável assomou a consciência do Pai da Psicanálise, quando ele, já com idade muito avançada (81 anos) em uma de suas últimas obras, “O Futuro de uma Ilusão”, discorreu sobre “o que era verdadeiro em religião”. Dizia ele:

Quão invejáveis, para aqueles de nós que são pobres de fé, parecem ser aqueles investigadores que estão convencidos da existência de um Ser Supremo! Para esse grande Espírito, o mundo não oferece problemas, pois ele criou todas as suas instituições. Quão amplas, exaustivas e definitivas são as doutrinas dos crentes, comparadas com as laboriosas, insignificantes e fragmentárias tentativas de explicação que constituem o máximo que somos capazes de conseguir!”.

........Durante 30 anos Freud manteve um diálogo profícuo com o Pastor Oskar Pfister, através de inúmeras cartas. O Pastor e Teólogo protestante assim se referiu a seu amigo: “Se me perguntassem sobre o lugar mais aprazível da terra, eu responderia: Informem-se na casa do professor Freud!”. Assim escreveu Freud em uma de suas vastas correspondências a Pfister: “Nos sabemos que por caminhos diferentes, lutamos pelas mesmas coisas para os pobres homezinhos”

........Uma prova de que Freud não abandonou suas raízes presas à religião judaica está nesta resposta que ele deu a Max Graaf, pai do menino Hans (seu cliente): Se não deixar seu filho crescer dentro do Judaísmo, vai privá-lo das fontes de energia que não podem ser substituídas por nada. Não o prive dessa vantagem.”

........Jacques Lacan, que fez a releitura das obras de Freud, reconhece que o pai da psicanálise foi marcado profundamente pela leitura precoce da Bíblia. Foi dentro do contexto do Velho Testamento que ele foi buscar os elementos e pontos de partida da ética, da estética, da religião e da política do povo judeu, tão essenciais na descoberta do vasto e desconhecido mar do inconsciente, que com muito amor e denodo explorou em toda a sua vida.

.........Freud nutria um fascínio tremendo por Roma, cidade que visitou por cinco vezes. Antes de uma dessas viagens ele sonhou com Roma a urbe eterna do Catolicismo (a temida Roma cristã) . Ele que dedicara ao seu maior herói, Moisés, um denso livro - (Moisés e o Monoteísmo), por fim teve um sonho em que pode realizar o desejo de ver de longe a Terra Prometida, a Jerusalém Eterna que jamais poderia esquecer. Esse seu Salmo preferido, de número 137, nunca saiu de sua memória:



........Se eu de ti esquecer, ó Jerusalém,

.........que se resseque a minha mão direita,

.........Apegue-se a língua ao meu palato

.........Se não me lembrar de ti,

.........Se não te alçar Jerusalém,

.........Ao cúmulo da minha alegria!”.




.........Por Levi B. Santos

.........Guarabira, 07 de fevereiro de 2009


.............FONTES:

.............................1. Moisés e o Monoteísmo - Volume XXIII da coleção Freud (Editora Imago)

.................................2. Freud – Uma Vida Para o Nosso Tempo – Peter Gay (Editora Cia das letras)

.................................3. Freud e a Judeidade Betty Fucs (Editora Jorge Zahar)

.................................4. Cartas entre Freud e Pfister (Editora Ultimato)


04 fevereiro 2010

Transgressor Arrependido 'versus' Obediente Ressentido




A história do homem é a história de seus desejos, suas repressões, suas transgressões e sua fome de conhecimento.

Segundo Freud, a religião cumpre três funções: “Satisfaz a vontade de saber dos homens” – “Mitiga o medo dos homens perante os perigos de vida” – “Fomenta prescrições, proibições e restrições”. Desse modo, a religião tenta domesticar a realidade paradoxal dos desejos humanos ─, motor de vontade de seu querer, e seu alimento.

A instigante Parábola do Filho Pródigo remete-nos à questão dos desejos latentes de nossa alma ambivalente. Os desejos do filho pródigo e do seu irmão mais velho ─, são antagônicos, e representam a nossa natureza paradoxal. Ambos habitam as profundezas do nosso ser. A alma humana vive essa dualidade: “entre optar por cumprir e optar por transgredir”. Os homens são pressionados pela necessidade de conquistar autonomia, e contrariamente são atingidos pelo medo ou reação de perdê-la.

O Filho mais novo da parábola é talvez a maior metáfora de nossa evolução, simbolizando o nosso desejo de transgredir uma ordem pré-estabelecida. Ao pedir ao pai a sua parte na herança, antes do tempo, ele tenta romper com a instância do “superego”, em outras palavras, imagina poder viver sem a cobrança paterna (superego) no âmbito do inconsciente. Na sua fuga, mais tarde, esse filho se sentirá “nu”; já não poderá ver-se vestido com as roupas que cobriram o primeiro homem transgressor. Mas ele como bom descendente de Adão decidiu, para o bem ou para o mal, que provar da árvore é sair de casa.

A quimera de que lá fora poderia viver individualmente sem a instância reguladora do superego, caiu por terra. Abdicar da repressão dos desejos, destruindo a autoridade do pai ou do superego não trouxe para o filho pródigo a felicidade sonhada. A permissividade sem freios não lhe trouxe o paraíso perdido do bom selvagem. No entanto, ele não foi pusilânime nem cínico, e, ao reconhecer na esteira do vazio do lugar do pai a sua falta, arrepende-se e planeja a sua volta ao antigo lar, não mais como filho, e sim como um dos empregados de seu pai.

A figura do superego é abrandada para que o desejo venha sobreviver sem o seu excesso representado pela perversão dos sentidos. O pai recebe o filho perdido com festas, trajando-o com a melhor túnica ─ em psicanálise isso significa o abrandamento do superego, inscrevendo no psiquismo do filho mais novo o amor sem a violência do assédio e sem a força cega inconsciente que intimida. A harmonia entre o superego e os desejos mais profundos do filho pródigo é enfim restituída ou reestruturada O arrependimento do filho vem ao encontro do desejo ilimitado de um Pai movido pela certeza de que um dia o encontraria ─ e isso em psicanálise se denomina um apaziguamento entre o ego e o superego, diante das poderosas forças instintivas do Id.

Se na figura do filho mais novo da parábola que saiu para ganhar e perdeu tudo, aflorou em si o sentimento de arrependimento, na figura do filho mais velho aparece a força do ressentimento, que nada mais é que o avesso do arrependimento. O ressentido não se arrepende, antes acusa ou queixa-se de um que lhe é superior, como causa dos seus males. O filho mais velho é dominado pela cobrança indireta de um bem que foi cedido a ele por submissão ou covardia. O ressentido é aquele que diz: “Só quando ele me perder é que vai me dar valor!”. “Eu mereço, e me sinto injustiçado em não ser reconhecido”.

O filho mais velho da parábola é aquele obediente, todo certinho, que se deixou anular completamente; nunca demonstrou para o pai que estava consumido por desejos intensamente poderosos, antes preferiu reprimi-los. O filho mais velho é aquele ressentido que abdicou dos prazeres e das conquistas a que teria direito, e dos quais por medo ou orgulho abriu mão. Ele é aquele que se apresenta como o sujeito que estabeleceu uma relação de dependência infantil com um outro supostamente poderoso a quem caberia protegê-lo e premiar seus esforços, reconhecendo seu valor. Expressa, também, a recusa do sujeito em sair da dependência, pois prefere ser um eterno protegido, a sair para o embate da vida.

Os desejos do ser humano representados pela dualidade entre o ficar e o sair “da casa dos pais” terão sempre a dúvida como uma pedra no meio do caminho. Todos nós enfrentamos esse conflito interno, esta ameaça entre duas vontades primordiais.

Extinguir o transgressor arrependido é o mesmo que aniquilar o obediente ressentido ─ é roubar-lhe a possibilidade de discernir que tanto pode ser perverso na desobediência como na obediência.

Mas se um dia, o mar entre esses dois afetos se abrir, atravessaremos para um outro jardim, onde tudo será novamente proibido para ser transgredido.





Por Levi B. Santos
Guarabira, 04 de fevereiro de 2009





FONTES: ........1.O Ego e os Mecanismos de Defesa – Anna Freud (Editora Civilização Brasileira)
..................2. A Alma Imoral – Nilton Bonder (Editora Rocco)
..................3. Ressentimento – Maria Rita kehl (Editora Casa do Psicólogo)
..................4. Freud Pensa a Educação (Editora Segmento)
..................5. Parábola do Filho Pródigo (Evangelho de Lucas 15: 11 – 32)