08 dezembro 2010

VIREI UM FANTASMA


Foi com o passar do tempo...

Aprendi que os meus impulsos assustadores

Jamais deveriam ser objeto de exame

E os reprimi a um alto custo.


Quem é esse homem...

Uma personalidade confiante e de sucesso

Que antes como uma criancinha frágil e inocente

Brincava e brigava com os demônios.

Na escuridão da noite?!


Tornei-me amistoso.

Como um fingidor, moderno e descolado

Para ser visto, esmerei-me no domínio do saber

Dentro da embalagem, eu nem sequer sabia

Do jogo previamente programado.


Como hábil artista

Esculpi no invólucro, a nova versão de mim

Fabriquei um ser grandioso e bem-sucedido

Para sorrir feliz de meus feitos e proezas

E ser compensado com aplausos.


Pobre de mim...

O meu dever é esconder-me de mim mesmo

Para ser visto na grande vitrine deste mundo.

Ao desfilar com uma roupa que não é minha

O meu fantasma, alimento.


Guarabira, 08 de dezembro de 2010

13 comentários:

Gresder Sil disse...

Belo! Belo! Levi merece inserção rsrs

permita-me ?!

Foi com o passar do tempo...
Aprendi que os meus impulsos assustadores
Jamais deveriam ser objeto de exame
E os reprimi a um alto custo.
O custo da leveza de espírito,
O preço da autenticidade do ser.

Quem é esse homem...
Uma personalidade confiante e de sucesso
Que antes como uma criancinha frágil e inocente
Brincava e brigava com os demônios.
Na escuridão da noite?!
Querendo saber meus limites, desejando apenas,
tocar para não ser culpado de provar.

Tornei-me amistoso.
Como um fingidor, moderno e descolado
Para ser visto, esmerei-me no domínio do saber
Dentro da embalagem, eu nem sequer sabia
Do jogo previamente programado.
Daqueles que apenas repetem a mesma rotina
de reprimir, estourar, disfarçar e sorrir.

Como hábil artista
Esculpi no invólucro, a nova versão de mim
Fabriquei um ser grandioso e bem-sucedido
Para sorrir feliz de meus feitos e proezas
E ser compensado com aplausos.
Que ludibriariam o eu interior sufocado
nas minhas camadas de embalagens exteriores.

Pobre de mim...
O meu dever é esconder-me de mim mesmo
Para ser visto na grande vitrine deste mundo.
Ao desfilar com uma roupa que não é minha
O meu fantasma, alimento.

Gresder Sil disse...

É logico que estragou a beleza do texto rsrs por não ter a mestria poética do autor, mas apenas quis completar os pensamentos subentendidos

Guiomar Barba disse...

Levi, não vou macular seu poema com nenhum comentário...

Beijo.

Levi Bronzeado disse...

GRESDER

O leitor amigo está aqui para isso: "realçar o verniz do poema com as suas emotivas palavras". (rsrs)

Qualquer um que entenda o sentido do que foi escrito, esteja desde já, à vontade, para, seguindo o mesmo roteiro, transformar o que foi dito em drama, comédia, ou um épico, ou uma aventura fabulosa.

O poema é algo inacabado, à espera de um interlocutor que possa continuar a sua rima, como fazem os cantadores de viola em suas intermináveis cantorias.(rsrs)



GUIOMAR

Aqui, estamos em casa. Nada de esconder os seus dons.

Será que estás tolhida por algum “fantasma” que te impediu de comentar?

Por outro lado, entendo que o silêncio, fala por si (rsrsrs)

Guiomar Barba disse...

Levi, a propósito, visite meu blog e veja a última postagem: SILÊNCIO.

ABRAÇO.

Eduardo Medeiros disse...

por que tais impulsos são tão assustadores? qual força eles têm para nos subjulgar e nos fazer silenciar?

seremos sempre coadjuvantes no jogo previamente programado ou poderemos enfim, ser o ator principal? o único jeito é virar fingidor? esconder com feitos de sucesso o que não podemos domesticar?

a solução então é fingir que nos tornamos amistosos e amigos deles mesmo sabendo que a qualquer momento poderemos ser apunhalado pelas costas?

levi, não sei se captei toda a profundidade do seu poema, mas o que me veio ao teclado foram só perguntas.

Levi Bronzeado disse...

EDUARDO

Fiz esses versos pensando no palhaço de um circo, que de tanto representar na vida, e se identificar de tal forma com o seu personagem, já não consegue entender quem realmente é.

A versão do personagem repetida anos após anos, acolhida pelo público é o alimento que move o palhaço, a ser o que é, sem ser(?). Esse personagem, muitas vezes aparece em mim, quando começo a pensar..., a pensar e a olhar para a minha própria vida limitada que é, mas, que às vezes me surpreende, principalmente quando me faz notar que aquilo que está em mim arraigado é uma variação interpretativa do que fui ontem.

Termino, como você (rsrsr), perguntando a mim mesmo:

Ao identificar-me demais com o papel e o roteiro que uma vez foi me dado, será que não deixei fora de mim algumas das partes mais significativas de mim mesmo em minha formação bio-psíquica?

Assim como o imaginário “palhaço do circo”, ainda trabalho duro para compensar as partes que julgo inaceitáveis em mim. Por outro lado, sei que o homem ao abraçar o seu lado sombrio, e tendo a chance ou oportunidade de entendê-lo, pode, finalmente transcendê-lo.

Olhando bem, somos ao mesmo tempo HEROIS e VILÕES de nossa própria história; história essa, onde o pecador e o santo estão sempre trocando de papeis (rsrs)

P.S.: Por mais que me explique, o sentimento que me tomou na escrita do poema, não é o mesmo de minhas parcas e momentâneas racionalizações que faço por ora. Portanto, me desculpe se ao invés de esclarecer os seus questionamentos os obscureci mais ainda (rsrsrs)


Abçs, para o futuro pai (que está na agulha)

Paulinha disse...

Mestre LEVI,

Lindoo poema..amei!

Será que ás vezes não somos fantasmas para nós mesmos?!

Se agimos pelos simples impulsos, ás vezes fazemos algo tão absurdo, que ao analisarmos percebemos que agimos de forma vergonhosa...e nos tornamos estranhos para nós mesmos, que nunca imaginamos que seríamos capazes de fazer algo.

Outra coisa, é que muitos vivem de uma maneira, ocultando suas vontades e desejos...o que impede de mostrar a sua verdadeira identidade...

Tem pessoas que nem conseguem reconhecer seus próprios sentimentos e atitudes...isto é falta de uma auto-análise? auto-crítica? ou será que somos assim mesmo, misteriosos e "fantasmas" em alguns momentos?!

Beijos...acho que nem viajei, vagueii mesmo..rsss

Levi Bronzeado disse...

“...muitos vivem de uma maneira, ocultando suas vontades e desejos...o que impede de mostrar a sua verdadeira identidade...” (Paulinha)

A tua frase acima revela uma realidade insofismável.

Trabalhamos de modo incansável a fim de criar uma fachada, para que ninguém descubra o nosso lado sombrio.

A luta pelo “Ideal de Ego” pode nos levar a exaustão, e nunca ao verdadeiro conhecimento, que não é um vôo, e sim um mergulho no mar obscuro do nosso ser, onde residem discursos não ditos e desejos inconfessáveis.

Acho que também viajei (rsrs)

Eduardo Medeiros disse...

levi, é verdade. não é mister racionalizar o que vem da alma.

mas a figura do palhaço ilustra muito bem o que você quis dizer e pode ser resposta para minhas indagações.

"Por outro lado, sei que o homem ao abraçar o seu lado sombrio, e tendo a chance ou oportunidade de entendê-lo, pode, finalmente transcendê-lo.'

ou seja, resta ainda uma esperança...

minha esposa já está com 36 semanas, mas por enquanto só sente ele mexendo muito e fracas contrações que vem e vão.

já está muito perto ou ainda demora? pelo que li os bebês podem nascer até com 42 semanas.

Levi Bronzeado disse...

EDUARDO


O feto ouve e sente tudo que está ocorrendo ao redor. Com certeza a ansiedade dos pais está enviando eflúvios para o futuro bebê.

Tudo isso é muito sutil, mas a medicina já tem provas de que capacidade de percepção fetal é extraordinária. Portanto, o segredo é tentar relaxar o máximo que puder. Não esquecendo, é claro, de dar uma ascultadinha no feto diariamente.
As três últimas semanas de gravidez são importantíssimas para que o amadurecimento pulmonar se complete.

Tive um “insight” agora:

A sua vez de postar, inconscientemente, foi protelada, para que daqui a duas semanas você venha escrever sobre – “O Nobre Sentimento de Ser Pai”. (rsrsrs)

Abçs

Paulinha disse...

Duzinho,

Você também não está sentindo os mesmos sintomas que a Dê?! hahahaa..

O Pai parece mais ansioso que tudo! Jesuss ...caRma aí amigoo..rss


Que belezaaa...um ser poder gerar outro ser, isto a ciência pode explicar...mas quem teve esta magnífica idéia, talvez Freud explica...kkkk

Beijão...

Paulinha disse...

Mestre Levi,

Vou colar esta frase Tua, desta sua réplica para mim, lá no cabeçalho do meu blog tá?!

Ameii a sua viagem..rsss