12 março 2012

NO TEMPO DAS SERESTAS






 Casas fechadas, ruas desertas
La vem  o seresteiro dolente
Sempre nas noites de sábado
Sob um céu de lua reluzente
A dedilhar o seu saudoso pinho
Remexendo o coração da gente


Da modinha melancólica
Guardo doce recordação
Dentre as muitas cantigas
Uma chamava a atenção
A ‘Casinha Pequenina’
Que a ouvia com emoção.


Nas serestas imaginárias
Hoje eu escuto essa canção
Na voz inconfundível e doce
Da saudosa Nara Leão
Que há setenta nos deixou
Órfãos do seu vozeirão.


A Casinha Pequenina ― modinha de 1906, de autor desconhecido, era uma das mais cantadas por trovadores nas noites nostálgicas de minha adolescência. Foi gravada, originariamente, pelo grande intérprete e seresteiro carioca, Sílvio Caldas.

Nara Leão (1942 ― 1989) estaria completando setenta anos de idade nesse começo de ano. A Musa da Bossa Nova, como era chamada por amigos e fãs fieis possuía também uma alma seresteira. No vídeo abaixo, a sua voz meiga e serena, acompanhada de um plangente violão, nos traz de volta a magia encantadora dos saudosos Tempos das Serestas.



Por Levi B.Santos
Guarabira, 12 de março de 2012


8 comentários:

Guiomar Barba disse...

Estás nostálgico em Levi? rsrs
Lembro-me quando morei com minha vó uns dois anos, minha tia cantando esta música, com sua voz fina de menina, embora já tivesse seus 30 anos. E eu gostava de ouvir.

Eu gostava muito de um trio masculino, seresteiro, que tinha em Caruaru. Vozes preciosas, eu ia as vezes ao sábado a tarde ao restaurante Guanabara, para ouvi-los. Um dia fui a uma seresta em um clube, ouvi-los e dançar claro kkkkkkkk o que me rendeu uma grandiosa surra de cinturão ou corda, não lembro mais.

Lembro-me que eles sempre vinham a minha mesa e me cantavam "Índia
teus cabelos aos ombros caídos... Uma certa vez, fui sozinha em um passeio de barco pelo Rio Capibaribe, eu era um tanto nostálgica. Lá estava o trio e como sempre me brindaram com "Índia", fazia jus aos meus cabelos que eram negros e lisos. Viajei rsrs

Beijo.

Eduardo Medeiros disse...

Eita, seresteiro dos bons...heeeeee

muito bem lembrado, Levi; a Nara merece sempre ser lembrada.

FRANCISCO SOLANGE FONSECA disse...

querido Levi confesso que chorei ao ouvir a casinha pequenina. trouxe a minha memoria a figura de minha mãe, com o violão dedilhado com a mão esquerda, ela era canhota, cantando com sua doce voz esta canção. muito bom. as coisas boas que agente passa na vida, muitas vezes são esquecidas,ou apagadas pela coisas ruins que nos acontece.

Eduardo Medeiros disse...

Levi, falando em serestas, quando é que teremos o prazer de ver um novo vídeo com você dando um concerto???

Levi Bronzeado disse...

Só tem seresteiros dos bons aqui>

A Guiomar lembrou a emblemática India teus cabelos nos ombros caídos que eu, nos meus 10 ou doze anos de idade, ouvia com prazer nos parques de diversões na festinha da Igreja de São José, bem pertinho de minha casa. Eita tempo bom, que não volta mais?

O Eduardo pede um novo vídeo com canções da velha guarda. Mas deixa eu me recuperar de uma lesão de tendão na mão esquerda, que me incomoda há três meses. Se a agilidade do dedo prejudicado voltar, talvez saia alguma coisa (rsrs)

Levi Bronzeado disse...

Caro colega Solange

Que bom saber que o vídeo da "Casinha Pequenina" evocou em você os tempos em que sua mãe cantarolava docemente essa linda modinha. Ainda mais, acompanhada pelo gemido dolente das cordas de um saudoso violão - Instrumento que naquela época era feito, artesanalmente, por um velho marceneiro Alagoagrandese de saudosa memória - "José de Sindo".

Mariani Lima disse...

Não sei saborear serestas, mas tenho uma tia que toda sexta feira frequentava uma . Eu achava o máximo ela trabalhar a semana toda e na sexta, se arrumar mais, colocar uma roupinha melhor, se perfumar e ir para um clube perto de casa. Ela arrumava até uns namorados. Bem lembrado!!
Abração!!

Eduardo Medeiros disse...

Então, Levi, vou orar ao "Pai da luzes" para que fiques bom logo... rs