06 setembro 2017

O Que Não Me Contaram na Escola Sobre o “Grito do Ipiranga”



Em plena tarde do dia 07 de setembro de 1822, D. Pedro I que saíra de Santos para resolver uma pendenga entre dois grandes partidos políticos de São Paulo, foi surpreendido por cólicas atrozes seguidas de numerosas evacuações intestinais. Várias vezes o príncipe apeou-se de sua mula baia, para entre uma ida e vinda no matagal da beira da estrada bem perto do Riacho do Ipiranga, expelir o abundante material fecal infectado de seus inflamados intestinos, fruto, talvez, de alimentos contaminados ingeridos com sofreguidão no dia anterior. Foi em meio a essa agonia tremenda que, tonto e debilitado pelo quadro de desidratação, dirigiu-se ao Padre Belquior —, peça importante de sua pequena e simples comitiva.
E agora, Padre Belchior? ― disse com voz fraquinha, D. Pedro I (pálido e suando frio, incomodado por ardências provocadas pelas fezes ácidas).
Não há outro caminho, que não seja o de cortar as relações da colônia com Portugal ― retrucou de modo incisivo, o padre amigo, pouco antes de receber uma missiva de D. Leopoldina que fazia referência a um pomo maduro a ser colhido rapidamente.
D. Pedro caminha alguns passos (trôpegos). De repente estaca diante dos animais (que, provavelmente estavam comendo capim à beira da estrada), e diz (com fala trêmula, já bem enfraquecido pela intensa disenteria):
Nada mais quero com o governo Português…


P.S.:
Segundo a pesquisadora Cecília Helena Salles de Oliveira, “a data 7 de setembro não foi considerada, de início, particularmente relevante como marco simbólico da formação da nação, nem pela imprensa, nem pelo próprio D. Pedro”. [História Viva/Dueto Editorial]
66 anos após o grito (que não houve – grifo meu), Pedro Américo se ofereceu para fazer a obra e ganhou uma boa quantia pela encomenda: 30 contos de réis – como comparação, em 1888, o governo de São Paulo aplicou 22 contos de réis na área da saúde. Na época, muitos políticos achavam que não seria preciso pedir a alguém de fora para fazer o quadro (Américo já vivia na Itália), mas, como tinha amigos influentes, ele conseguiu a indicação” [Vide: História Pensante]
O grito farsesco da narrativa oficial inaugurada pelas elites em sete de setembro de 1822, em pouco mais de sete anos, novamente sem a participação popular, foi encenado no Rio de Janeiro, naquilo que denominaramProclamação da República” (15 de novembro de 1889). Do Grito (que não houve) de D. Pedro I à badalada “Reforma Política” dos dias atuais, lá se vão 195 anos de histórias mal contadas.


Site da Imagem do Topo: novarussanostrilhos.blogspot.com.br

Levi B. Santos
Guarabira, 06 de setembro de 2017

Um comentário:

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Boa tarde, Levi.

Replicando aqui o que já havia antes comentado em sua postagem no grupo Confraria dos Pensadores Fora da Gaiola do sítio de relacionamentos Facebook, realmente esse é um capítulo pouco conhecido da nossa História.

Entretanto, apesar do grito do Ipiranga ter ocorrido de um modo nada heroico e sem a participação popular naquele momento, não podemos esquecer que já havia na antiga colônia anseios pela emancipação política de Portugal e que várias partes do Brasil passaram pelas guerras pela Independência. Foi o que lembrei hoje na postagem que fiz em meu blogue pessoal.

Já a República eu considero que foi mesmo um golpe civil-militar sem uma participação maior da sociedade. De qualquer modo, a atitude de D. Pedro tem a ver com a frase “façamos a revolução antes que o povo a faça” atribuída mais de um século depois ao governador de Minas Gerais, Antônio Carlos de Andrada.

Ótimo feriado ao amigo!