Foi no dia 06 de agosto de 2006, que resolvi adentrar no mundo da internet. Substituí o papel por uma tela de computador, e a minha caneta troquei por um teclado. De lá para cá, já se vão quatro anos que vivo engolfando a minha alma nesse recanto cibernético. É de frente a uma telinha luminosa que eu me exercito na arte de escrever como também na arte de ouvir, e, enquanto passam as páginas cinzentas dos dias e as páginas negras da noite, vou interagindo com uma grande rede de amigos virtuais, com os quais me identifiquei, talvez por terem histórias muito parecidas com a minha.
Talvez, quem sabe, esse desejo impulsivo de Ler — Escrever — Ler — Escrever... que me anima, seja um reflexo dos meus treze e quinze anos de idade, quando encolhido sob as tábuas de um banco de minha velha mãe, comercializava roupas e tecidos na Grande feira de Sábado em Alagoa Grande (PB). Era nos intervalos entre as vendas que eu me escondia a fim de matar a fome de leitura.
Lembro-me daquela época como se fosse hoje. E não é que pareço sentir o júbilo incomum que tomava conta de mim, quando esparramado no chão de cimento e pedra lia com avidez incomum, velhos jornais e revistas semanais, como O Cruzeiro e Manchete, que eram usadas como papeis de embrulhos para as roupas comercializadas. Recordo que recortava secretamente, com todo esmero, os artigos de Rachel de Queiroz, de Mário de Moraes e de David Nasser, para guardá-los em casa a sete chaves, no fundo de uma mala, sem saber que naquele solitário e nobre ato, estava inaugurando a minha primeira e rústica biblioteca. Passam na minha mente, agora, as grandes coleções de ensaios e crônicas do cotidiano daquela época, que se perderam, decerto, nas arrumações de casa efetuadas de tempos em tempos. Por achar que todo aquele monte de papeis velhos e encardidos de nada valia, alguém, provavelmente, deve ter jogado fora todo o meu acervo literário dos tempos de minhas primeiras incursões no mundo fantástico das letras.
Hoje, embora sentindo o peso da idade, posso assegurar que não desvaneceu a chama que me queimava o peito nos tempos de outrora. Nesse intercâmbio virtual intermediado pela PALAVRA, tenho feito muitas amizades. São inúmeros os amigos com quem troquei idéias e confidências, a maior parte deles está no quadro de seguidores no topo do blog. Entre os seguidores amigos, destaco Leonardo Gonçalves, Danilo Fernandes e Luis Paulo que foram os primeiros da blogosfera a me incentivarem, republicando com coragem e ousadia diversos ensaios “heréticos” de minha autoria em seus blogs de Apologética.
A todos que nesses quatro anos, interagiram aqui no “Ensaios & Prosas”, especialmente os amigos do peito da "Confraria dos Pensadores Fora da Gaiola"[C.P.F.G.], da qual faço parte, dedico-lhes a minha primeira postagem publicada em 6 de agosto de 2006.
............. CONTOS ESCONDIDOS
..........
.........Ah! Se realmente soubesses...
.......A minha alma empolgada
.......Embebida nos teus contos.
..........Seria aquilo inveja?
.......Versos enfim escondidos
........Por não saírem de mim?
........Se foi inveja escondida,
......Hoje o que agora escrevo
........É fruto de tua escrita
.....Pois ela encontrou guarida
.......Fez ninho, gerou, nasceu
........No coração deste velho
........
........Me deste total apoio
....Ao leres meus pensamentos,
......Que p’ra contê-los teria
.....Que negar a própria fonte,
.Que por ser tua e também minha
.......Quis jorrar esta poesia.
Guarabira, 06 de agosto de 2010
Agora, ouça o editor do blog no seu velho piano alemão, tocando "Feira de mangaio" do saudoso sanfoneiro paraibano Sivuca.






