05 março 2011

Carnaval de "Menino Crente"




Na volta da escola dominical (1958):

Meu rosto brilhava de satisfação — Era CARNAVAL

Época em que passeava pelas ruas de minha cidade

Para viver o maior espetáculo da terra.

Nada daquilo era condenável para mim

A minha máscara de “crente”, eu a retirava por três dias.


Essa arte eu aprendi logo cedo

Aprendi desde os tempos das primeiras letras:

Negar para não sofrer”.

Confirmava o que meus pais diziam, mas só da boca para fora:

“Carnaval é coisa do cão...”


Hoje é Sábado de Carnaval,

Belo dia, em que sem culpa e sem medo, posso satisfazer meu DESEJO.

No meu tempo de “menino crente

Enquanto uns colocavam máscaras

Eu tirava as minhas, para escondidamente, frevar

Com o coração nas ruas alegres e engalanadas do meu torrão natal.


Sem me esconder por trás da máscara de “menino crente”

Dos tempos de outrora

Trago, hoje, uma amostra das marchinhas dos meus velhos carnavais.


15 comentários:

Mariani Lima disse...

Triste dos que nunca conseguiram tirar suas máscaras. Descobrir a própria sinceridade e motivação é difícil. Mais fácil embarcar em razões alheias. Menino corajoso.
Um abraço!

Mariani Lima disse...

Triste dos que nunca conseguiram tirar suas máscaras. Descobrir a própria sinceridade e motivação é difícil. Mais fácil embarcar em razões alheias. Menino corajoso.
Um abraço!

Eder Barbosa de Melo disse...

Olá Levi, quanto tempo não apareço por aqui, já estava com saudades, suas postagens sempre são tão gostosas de se ler, e ainda tão instrutivas, tenho aprendido muito contigo.

Então, tirar a máscara de "menino crente" não é fácil, é só pensar que muitas vezes demoramos tanto a nos converter a Deus, você mesmo ansiava por isso desde "58", mas o ídolo igreja não te permitia. Creia: Deus te perdoo pelo tempo de heresia, agora você pode ser livre rsrsrs Diferente de muitos, és sincero a ponto de não esconder seus desejos, ao contrário de muitos crentes que conheço, que condenam o carnaval, mas seu coração está pulando de alegria, remexendo com o sambista, sorrindo com a mais linda mulata, exibindo sua fantasia.

Abraço, meu caro.

Eduardo Medeiros disse...

pois é, levi; eu ao contrário de você, incorporei desde cedo e de forma muito forte que o "carne-vai", como dizia minha santa mãe, era coisa do capeta. eu sempre fui muito de ouvir o que meus pais falavam; então, se minha mãe dizia que crente não pulava carnaval, então isso era a verdade para mim. nunca quis quando garoto, vestir fantasias e sair pela rua fazendo bagunça (eu era quietinho rsss).

o que me fascinava mesmo eram as festas de são joão. estas eu adorava. fogueiras, milho, bolos, fogos, quadrilhas...lá em salvador, com os primos, curtíamos muito o são joão. minha mãe fazia cara feia pra tudo aquilo mas até que aliviava, a única coisa que ela vedava mesmo era dançar quadrilha. rssss

Levi Bronzeado disse...

Pois é Mariani,

Eu era um menino exemplar nos bancos da igreja, mas na época de carnaval, me soltava.

Como todos os blocos passavam a frente de minha casa, eu fazia da murada do terraço a minha arquibancada gratuita.
Não caia de corpo na folia, mas bem perto dos passistas, meu coração vibrava, até chegar a triste quarta feira de cinzas. (rsrs)

Levi Bronzeado disse...

EDU

Você sabia que todas igrejas evangélicas do meu tempo de menino consideravam o carnaval a imagem do inferno? Até a Igreja Presbiteriana da Elite cristã não olhava o carnaval com bons olhos. (rsrs)

E eu chegava a pensar (verdade mesmo): "puxa se não fosse o fogo queimando sem parar o nosso corpo, até que eu adoraria(kkkkkk)

Você falou no São João. Ah, a festa junina era minha segunda maior alegria do ano, depois do carnaval.

Só ficava triste quando a véspera de São João caía em dia de culto. É que quando eu saía da igreja, as fogueiras já estavam todas se apagando, e a gurizada toda já se retirando para dormir em suas casas.

Lembro-me que chegava a pedir a Deus que o pastor terminasse o culto cedo, nas noites enluaradas de fogueiras e balões. Mas parece que ele advinhava o meu pensamento, e só terminava o culto depois das 9.30 da noite. Que pena!!!

Levi Bronzeado disse...

Eder

Bom Carnaval pra você, meu amigo.

Se o seu pastor for camarada e terminar os cultos do domingo e da segunda mais cedo, vai dar tempo você assistir a maioria das escolas de samba do Rio desfilar no sambódromo. (kkkkk)

Abraços momescos

Edson Moura disse...

Leví meu mestre Bronzeado, tenho uma mãe pernambucana e um pai paraibano então você já imagina o que penso sobre o carnaval né?

Se repondeu que eu adoro, lamento informar mestre, mas eu não suporto.

Toda vez que chega março, eu fico me perguntando: mas porque cargas d'agua eu não gosto de carnaval? Não sei a resposta Levi.

mas deve ter alguma coisa a ver com o fato de eu também não gostar de futebol. (caramba! nem carnaval nem futebol? Esse cara tá vivo? rss)

Mas eu admiro e até invejo as pessoas que, mesmo passando por turbilhões de problemas o tempo todo, acabam dando uma relaxada nesta época do ano e caem na folia.

O Edu é que tá bem na foto, o Rio é o lugar mais sugestivo para o folião (os baianos que me perdoem)

Vai lá Mestre! pega um guadachuvinha, põe uma bermuda bem apretadinha e bora pular o carnaval.

Abraços!

Ps. Momento pedagógico: Use camisinha e se beber, não dirija, e mesmo que não beber, dirija devagar.

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Olá, Levi!

Muito interessantes as marchinhas. E bons eram aqueles em que se podia brincar no Carnaval com menos violência do que nos tempos de hoje.

Num dos blogues do Edu, o "Caminhos da Teologia", achei fantástico o que escreveu um debatedor:

"Nós temos uma habilidade imensa de dicotomizar as coisas.É aquela coisa de evangélico bem básica e sem noção: "vida cristã e vida secular".Paulo via a coisa em outra perspectiva:"E tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai", ou seja, pra ele não existe separação."

Entendo que podemos fazer do momento do Carnaval um atp de adoração ao Eterno, através de maneiras sadias de diversão.

Acho que o Carnaval pode e deve ser uma festa para famílias e as igrejas não podem se omitir nessas ocasiões, mas sim buscar influenciar as programações culturais dentro das cidades do páis.

Abraços.

Levi Bronzeado disse...

“Mas eu admiro e até invejo as pessoas que, mesmo passando por turbilhões de problemas o tempo todo, acabam dando uma relaxada nesta época do ano e caem na folia”.

Essa sua, caro Noreda, merece um estudo aprofundado: “Admira, inveja, mas não suporta” (rsrs)

A minha idade não me permite mais cair na folia, mas meu coração de “Menino Crente Carnavalesco”, permanece o mesmo.

Continuo emocionando-me como nos tempos de outrora, ao ouvir as melodiosas e saudosas marchinhas que me marcaram.

Abraços

Levi Bronzeado disse...

“E tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai", ou seja, pra ele não existe separação."

Rodrigo esse seu trecho acima está irretocável. Para Deus não existe separação. Quem dicotomiza e separa é o homem.

Mas, já há alguns cristãos falando pelos meios de comunicação, na construção de um sambódromo separado da pecaminosidade do carnaval do Rio.

Abraços

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Pois é, Levi! Esta coisa de sambódromo só de crentes parece-me outro equívoco, mas creio que faz parte do processo de desconstrução pelo qual passam os evangélicos e cristãos de um modo geral. Afinal, não podemos ignorar que os demais crentes estejam avançando no rítimo deles.

Eu, quando menino, como gostava de brincar com as crianças na escola e no clube fantasiando-me de super herói! Só não gostava que me vestissem de índio como compartilhei no meu blogue... E me lembrei neste domingo que, naqueles tempos, tinha um medo danado do bate-bola. Chegava até a chorar (rsrs).

Abraços.

Guiomar Barba disse...

Áí que está Levi, quiseram impor a você desde a mais tenra infância uma religiosidade criada por homens, o fato é que nunca conseguiram converter seu coração, graças a Deus, como igual fizeram comigo, estou falando independente de carnaval, mas em mim, ficou apenas o que realmente era sadio e frutificou muitos anos depois.

Ontem estávamos na praia, e no bar que ficamos tocou esta marcha que você postou aqui e outras como: "Olha a cabeleira do Zezé, e realmente eu senti saudades das marchinhas inteligentes do passado, e te conto meu amigo que lembrei de você, imaginando o quanto você gostaria de escutar e mecher com os pés e com tudo kkkkkkkkkkk

Pena que os santarrões hipócritas, tiaram das festas cristãs aquilo que Deus ama tanto, a dança.

Beijão.

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

"...realmente eu senti saudades das marchinhas inteligentes do passado..."


Olá, Guiomar!

Tudo bem?

Também acho que as marchinhas do passado foram composições bem inteligentes e penso que o Carnaval já foi vivenciado de uma maneira muito melhor, com menos excessos cometidos nos tempos atuais.

Penso que é este Carnaval mais cultural e que valorize a música e a poesia, sem cair na depravação, que devemos lutar para que as cidades no Brasil passe a ter.

Abraços em Cristo.

Gresder Sil disse...

Ontem dei uma passada no desfile de carnaval aqui da minha cidade de campinas, não vi nada imoral, não vi pegação, não vi nada daquilo que colocam na nossa cabeça na igreja, vi apenas famílias andando pra lá e pra ca, meninas adolescentes andando em bando feito bestas sorridentes, via homens pobres bêbados dançando com um ar de quererem espantar a tristeza de sua existência miserável, enfim: vi seres humanos como a gente tentando se alegrar um pouco.