01 maio 2013

ABSURDIDADES “JAVELIANAS”




Erich Fromm, em seu livro ― “Psicanálise e Religião” ―, discorre de maneira bem inteligível sobre o desejo do ativista religioso em querer santificar ou purificar as instituições. O idealista divino não mede esforços no sentido de por em prática o velho ritual de limpeza vétero-testamentária.


Segundo Freud, esse ritual neurótico, no fundo no fundo, não passa de impulsos vindos do inconsciente, cujo objetivo é o de sempre: tentar esconder, negar ou varrer a “sujeira” (recalques) que reside dentro de sujeito para longe da percepção do outro, naquilo que ele denominou de Mecanismos de Defesa. Segundo o pai da psicanálise, o que interessa mais ao exército Javeliano, é o gozo alcançado pela imposição das doutrinas, não importando que sejam revestidas de absurdidades.

O religioso, inconscientemente, não raramente, deseja transformar o seu ideal devocional em uma lei que sirva de orientação para todos.  A essa homogeneização idealista ele dá o nome de “Reino de Deus”. Em função desse totalitarismo “divino”, os que estão no topo de uma agremiação com influência no poder político passam a formular projetos para superar a maldição ou pecados da sociedade da qual faz parte.

Recentemente, lendo o artigo, Bancadas de Deus ― tema de capa da “Revista Carta Capital” (edição 745) ―, pude refletir sobre essa ansiedade premente de se coadunar a política aos moldes javelianos do Velho Testamento que, sem dúvida, pode ser considerada uma sutil ressonância do estilo religioso ainda em voga no Oriente Médio.

 A reportagem da revista, sob o título, “De Grão em Grão”, mostra uma bancada de evangélicos em plena ascensão: a instituição do Exército Guerreiro de Javé já conta com 73 deputados na Câmara, reunidos aos moldes da sigla APEB (Associação de Parlamentares Evangélicos do Brasil)

No Monte Sinai, a Moisés e ao seu povo hebreu, Javé deu as tábuas da Lei com os Dez Mandamentos. Nos últimos tempos, Ele tem inspirado “maravilhosamente” os seus profetas a fazerem projetos de lei à moda antiga, como mostra a tabela abaixo, onde DEZ propostas foram ventiladas não no alto de um Monte, como na primeira vez, mas em municípios importantes do Brasil e no vasto planalto central de Brasília:



Por Levi B. Santos
Guarabira, 1° de maio de 2013

FONTE: Revista Carta Capital  N° 745

4 comentários:

Gabriel Correia disse...

Levi, seu preambulo ao tema é muito valido, mas esse fenômeno pode ser também descrito como EXCRESCÊNCIA RELIGIOSA. Resta esperar que o verdeiro povo de Deus esteja atento a esta degradação, esta verdadeira orgia as avessas.
Fé em Deus!

Levi Bronzeado disse...

Pois é, Gabriel, parece que os “lugares celestiais” de que fala o ex-fariseu Saulo de Tarso, foram transportados para um Circo em Brasília, denominado Congresso. É lá, que os anjos de Javé e as legiões de Satã, travam a mais maquiavélica guerra pelo poder da mídia.

Não é preciso dizer que o dinheiro de Mamon financia os dois lados. (rsrs)

Janice Adja disse...

Deveria ser proibido religioso se envolver com política.
beijos!!

Janice Adja disse...

Não entendi o por que estou sendo barrada para acompanhar o blogger.
Beijos!!