21 agosto 2014

“Saio da Vida Para Entrar na História” (Getúlio Vargas)



Uma frase bem curta atribuída ao matemático e filósofo grego Pitágoras (570 a C) resume bem o desejo de imortalidade reinante na alma humana: “O Homem é mortal por seus temores e imortal por seus desejos”.

Getúlio Vargas, entre os presidentes que passaram por nossa República, talvez tenha sido o que mais encarnou esse “desejo de imortalidade” (ou desejo de não ser esquecido). Com certeza a sua “carta-testamento”, escrita antes de tirar a vida no dia 24 de agosto de 1954, tinha uma finalidade: mudar o cenário político que lhe era completamente adverso.

De sua célebre carta, a frase “...saio da vida para entrar na história” ficou gravada indelevelmente no imaginário coletivo dos brasileiros. Qualquer criança estudante do primeiro grau não titubeia, quando perguntada sobre o autor dessa paradigmática frase.

No próximo dia 24, o suicídio de Getúlio Dornelles Vargas, responsável pela mudança do panorama político em 1954, completa sessenta anos.

 Agosto ― mês das grandes tragédias de nossa república ― surpreendeu mais uma vez a todos com a morte inesperada (dia 13) do idealista parlamentar, Eduardo Campos que, até então estava segurando a lanterna da corrida presidencial com 8% nas pesquisas eleitorais.  Ressonâncias da comoção dos idos de 1954, parecem se repetir em menor grau, hoje, com a reviravolta no cenário político a menos de dois meses da eleição.

Pouco depois do comovente enterro do candidato do PSB à Presidência da República, ao qual compareceram políticos de todas as estirpes, a Marina Silva apareceu com 20% nas pesquisas de primeiro turno, superando a Dilma numa simulação para o segundo turno. Os donos do poder que trabalhavam com a hipótese de não haver primeiro turno, agora, com afinco incomum arregaçam as mangas para não deixar a peteca cair.

Dizem por aí que a coincidência maior não reside apenas no fato de Getúlio e Eduardo morrerem de forma trágica no mês do desgosto (agosto). O símbolismo maior está relacionado às poderosas e célebres frases que ambos deixaram antes de partir.

O lema  ― “não vamos desistir do Brasil!”  ― bradado de punhos cerrados, foi repetido exaustivamente pela esposa, filhos e conterrâneos do ex-governador no acompanhamento até a sua última morada, no cemitério de Santo Amaro em Recife.

O que não podemos aquilatar é se o clima de comoção, puxado pelo refrão ― “não vamos desistir do Brasil!” ― vai durar até o segundo turno das eleições. Será que essa frase vai repetir o efeito da que Getúlio enunciou em sua carta-testamento? Será que ela terá o poder de se eternizar nos ouvidos e no inconsciente dos oposicionistas até o final do segundo turno? 

Não foi à-toa que em sua recente estréia no programa eleitoral pela televisão, Marina Silva, terminou seu discurso com a patriótica frase que Eduardo usou para encerrar a sua fala na última entrevista concedida na televisão: “Não vamos desistir do Brasil!”


P.S.:


Pelo andar da carruagem, tenho a impressão de que os imortais do planalto de Brasília desistiram de nós. Eles são astutos, apesar de parecerem tolos e risíveis no horário eleitoral. No fundo, sabem perfeitamente que é em época de eleição que os pobres mortais mais sonham com o “paraíso perdido”.

Um dia, quem sabe, talvez possa me curar do ceticismo que hoje me invade e não me deixa embarcar na nau dos que estão firmes nas promessas de um salvador.


Por Levi B. Santos
Guarabira,  21 de agosto de 2014


Site da Imagem: veja.abril.com.br

11 agosto 2014

Divagações Sobre “Onipotência do Desejo”




A onipotência do desejo pode ser comparada a uma vara de condão das histórias infantis. Sua força é tamanha que pode fazer com que o indivíduo passe a ignorar a realidade que o cerca. Mas convenhamos: o que não podemos é magicamente nos servir o tempo todo do objeto dessa idílica potência.

É difícil falar em onipotência do desejo sem ter que se reportar aos afetos que a religião tomou para si. André Eduardo Guimarães, filósofo e teólogo da PUC, de Belo Horizonte (MG), sobre esse pantanoso desejo no campo da sacralidade, assim discorreu:

 “as verdades religiosas são sublimações compensatórias. O homem passa à dimensão vertical, aquela do céu, porque os seus desejos não se realizam sobre o plano que constitui a sua sede e a sua meta, isto é, o plano horizontal das relações humanas. Neste ‘voar ao céu’ consiste a segunda função econômica da religião: a consolação”.

A psicanalista, Betty Milan, que deixou a sua Vila Esperança (São Paulo) para estudar com Lacan em Paris ― onde tudo lhe era frio, distante e estranho ―, em "Carta ao Filho"(Editora Record), conta  que “ao sair de casa à noite pelas ruas semi-iluminadas de Paris, passando pelo cais do Sena, olhando pela primeira vez as torres da Conciergerie, ouvia o seu pai dizer”: Em Paris, é preciso estar sempre de olhos voltados para o alto”.

Seu pai tinha falado isso há décadas, no entanto ela parecia ouvir a sua recomendação a cada passeio que fazia. Escolhera a psicanálise, talvez porque seu pai desejasse que ela fizesse Medicina. “Acho que essa escolha se explica, por um lado, pelo espelhamento, e por outro lado pelo desejo que o pai tem de prolongar a própria vida através da vida do filho e pela impossibilidade que este tem de dizer não àquele. Nessa situação o pai é vítima da ilusão da imortalidade, e o filho, do medo de matar o pai com a palavra não” ― narrou Betty.

 Em “A Vingança da Esfinge”, o psicanalista, Renato Mezan, interpondo-se entre a onipotência do desejo e as rígidas exigências da realidade, recorre a Conrad Stein: “a onipotência consistiria, caso se realizasse, num estado de ser simultaneamente o alfa e o ômega, abarcando o universo inteiro, de modo que não fosse necessário mais desejar ― porque todo o desejo implica uma falta, ainda que a varinha mágica pudesse removê-lo instantaneamente”.

Por outro lado, no plano imaginário, a escritora, Betty Milan, em seu arrebatador livro, “Carta ao Filho”, fala de uma característica singular do sujeito que é a de poder situar-se aquém ou além do presente:
À nossa maneira, nós humanos conseguimos ignorar a realidade e fazer o passado existir de novo graças à onipotência do desejo”. [...] A gente pode até esquecer os ancestrais. O desejo deles nunca esquece a gente, é o chamado ‘desejo do outro’, que só não é destino porque tanto podemos dizer SIM a ele quanto NÃO.”

Em um tempo que o cientificismo teima em dissecar alma humana em seus mais profundos recônditos, as velhas idéias teológicas, dogmas e sentimentos, como o que Leonardo Boff costuma denominar de “oceânico”, permanecem sem ser expurgados totalmente do homem, corroborando o que disse, certa vez, Mircea Eliade, no prefácio de seu primoroso livro Origens (Edições - Perspectivas do Homem):

“O homem moderno continua a sonhar, a apaixonar-se, a ouvir música, a ir ao teatro, a ver filmes e ler livros ― em resumo, a viver não só num mundo histórico e natural, mas também num mundo existencial privado e num Universo imaginário”.

Parece-me que nas artes, nos rituais religiosos, nas leituras e filmes de ficção, a onipotência do desejo continua a reinar absoluto em nossa psique ― talvez, quem sabe, uma reprise da onipotência mágica dos desejos experimentados ou vivenciados em nossa curta infância.



Por Levi B. Santos
Guarabira, 11 de agosto de 2014



03 agosto 2014

A Farsa Escandalosa da CPI da Petrobrás



Reportagem de Hugo Marques publicada na revista VEJA desta semana dá conta de uma operação criminosa montada pelo Governo e suas lideranças para fraudar a CPI da Petrobrás.

Mais uma vez estamos perplexos com tamanhos, escabrosos e vis procedimentos de um governo perdido em conluio com figuras de “alto calibre” do Congresso, cooptados para exibir uma ópera-bufa no Grande Teatro de Brasília, denominado Congresso Nacional. Tudo isso à custa dos nossos suados impostos.

O vídeo colhido por esse órgão de informação mostra o desprezo de picaretas (como disse o Lula em sua primeira encarnação) a armar uma fraude para evitar que o eleitor tenha conhecimento das centenas de milhões de dólares desviadas através da malfadada “compra” da refinaria de Passadena, nos EUA.

Segundo a reportagem “a trama foi gravada pelos próprios funcionários da Petrobrás, através de uma caneta filmadora. O material revela que os depoentes na CPI receberam antecipadamente as perguntas que seriam feitas dentro da 'Casa da Mãe Joana', com os devidos gabaritos de respostas a serem decorados para ocasião da inquirição pela comissão da CPI. Comissão, cujos principais membros são da base do governo federal. [...]. Isso equivale a entregar por debaixo do pano a candidatos de um concurso o gabarito das respostas das provas”.

O leitor(a), através do vídeo abaixo, pode conferir a cínica conferência desses senhores, que não têm nenhum pingo de vergonha em perderem suas reputações diante da Célula- Mater da sociedade ― representada, no caso, pelos seus próprios filhos, netos e parentes próximos.




PARA CRISTOVAM BUARQUE, DENÚNCIAS SOBRE A ATUAÇÃO DA CPI DA PETROBRÁS DESMORALIZA O CONGRESSO:

28 julho 2014

Diálogo  Duelo − Banquete Antropofágico



“Eu sou eu e minhas circunstâncias” disse, apropriadamente, José Ortega y Gasset (1883 – 1995). O eu só existe em função de um Tu” enunciado básico nas obras de Martin Buber.
“O Eu não pode ser pensado de forma unitária, nem tampouco pode ser identificado ao sujeito, ele é um termo verbal cujo uso é aprendido numa certa referência ao outro.” (Lacan)

Apesar de saber que necessitamos do OUTRO para definir o que somos, estamos sempre o desafiando para um duelo. A autora de “Escritas do Desejo” sobre os extremos desse tête-à-tête , diz algo irrefutável: “O outro é aquele que eu quero matar com a arma da linguagem.”

Frank-Lestringant (1982), por sua vez, faz uma magnífica análise do diálogo-duelo entre selvagens, recorrendo ao que Montaigne exprimiu como “momento dialógico do rito Tupinambá”:

“A carne do prisioneiro que se vai devorar não é, de modo algum, um alimento: ela é um signo... [...] o ato do canibal representa uma vingança extremada... [...] Esse esforço para apreender nas práticas do canibal a permanência de um discurso... [...] Sem se demorar sobre as seqüelas do massacre, Montaigne retorna sempre ao desafio da honra, à troca de injúrias, àquela ‘canção guerreira’ composta pelo prisioneiro antes de sua morte. Acabamos, assim, por esquecer que a boca do canibal é provida de dentes. Em vez de devorar ele se limita a proferir. Eram os próprios Tupinambás que separavam a boca que devora daquela que profere: o matador era o único a não comer a carne do inimigo. O ‘cozinheiro dialógico’ não provava dela”.

No duelo dialógico o outro se torna objeto do meu gozo. Mas refletindo bem, eu gozo de mim mesmo, na medida em que procuro ver aquilo que recalquei exposto em um lugar bem visível no outro, a me incomodar.

Lacan diz: No outro (espelho) vejo a minha imagem invertida”. Não suporto ver-me invertido no espelho do outro. Ver aquilo que vive no outro, que imagino ter morrido em mim, querendo se fazer de meu, é insuportável.

Os versos de Marco Lacerda em −“Um Estranho em Mim” , denuncia com fortes tons a angústia que o outro provoca incitando-me a assumir o que tanto combato:

“Em minha alma só nostalgia. A solidão inimiga silenciosa e indestrutível. A angústia se intensifica e percebo que meu rosto revela, em pele sem viço, a história de minha infância. O rancor de minha avó, os sorrisos maldosos na boca de minha tia estão diante de mim, dentro de mim”.

O risco que corro ao duelar com o outro no vai-e-vem de um emaranhado de conceitos e palavras é quedar-me preso em minhas próprias teias.

Na linguagem ou na fala estão implícitos signos que servem para confrontar-me com o outro. Em suma, dialogo para me ancorar no outro, para repelir nele o que não suporto mais, ou para me impedir de entendê-lo.

Foi para isso que nasci: Nascer é ser jogado no campo do OUTRO. Não me autonomeei. Pelo contrário, fui objeto de desejo de outros (pai e mãe). Foram eles que me deram um nome para me chamarem de seu. Daí para frente permaneceu só o desejo ou a ilusão de fazer um nome por mim mesmo.
Ora, se foi por um ato de palavra que advimos ao mundo e adquirimos o estatuto de sujeito, a conclusão lógica que se há de chegar, é que não podemos nos autonomear porque fomos atravessado por uma PALAVRA que já estava inscrita no princípio, lá na nossa gênese.

Segundo Lacan, no nosso inconsciente reside a linguagem de outros que foram formadores do nosso eu. Cada um de nós é um EU em face da linguagem e conceito do outro”.

“Sem o OUTRO seríamos então incapazes de conceituar o conceito de si. O sentido de si é talhado por nossa consciência do OUTRO, do mundo exterior a nós”.

Por Levi B. Santos

Guarabira, 28 de julho de 2014


20 julho 2014

Dilma, Putin e Um Míssil Depois da Copa

Dilma e Putin Assinam Acordo. Três dias antes do abate do Avião Malaio (Foto; BAND/UOL)



Ainda no calor da Copa, pouco depois da reunião com Dilma em Fortaleza (sobre os BRICS), Putin quando voltava para Rússia “soube” que um dos misseis dos separatistas que recebem seu apoio tinham atingido uma aeronave da Malasya Airlines, com 298 passageiros a bordo, na maioria holandeses, sobre o espaço aéreo da Ucrânia.

A presidenta está vivendo realmente seu inferno astral.  Não bem acabou a Copa da Vergonha, as enquetes dão conta de que ela perdeu dois preciosos pontos percentuais nas intenções de votos e a taxa de descontentes com seu governo é a pior desde o inícío de seu mandato. Como que a refletir o placar da Alemanha contra o Brasil na Copa ― a inflação está em 7% e o crescimento em 1%. Para embaralhar mais o que já está complicado, a participação da azarada presidente na reunião dos BRICS em Fortaleza, sob o comando do todo poderoso Putin culminou com uma tragédia de repercussão política mundial: o Abate de um avião de passageiros na região em que seu grande amigo Putin está estimulando uma guerra civil. Segundo a imprensa, Vladimir Putin quer exportar a idéia de que a soberania nacional está acima da universalidade dos direitos humanos. Então vidas humanas metralhadas são coisas secundárias. Em primeiro lugar está a expansão dos domínios territoriais. “Sem nenhum obstáculo à sua frente, Putin deverá continuar subjugando as atividades civis como bem deu a entender em conversas aqui no Brasil”. E Dilma, com uma marionete, fica inerte, assistindo a sua popularidade baixar, com  seus olhos cheios de inveja  vendo a popularidade do seu grande amigo russo passar dos 80%. Não sei, mas ela deve andar sonhando muito, e não ver à hora da republiqueta de D. João VI se transformar em uma Cuba, Venezuela ou Bolívia para que seus índices atinjam picos nunca dantes alcançados.

Surgiu até uma recente piada para boi dormir, em que os adeptos da presidenta aventaram a hipótese absurda de que os mísseis dos separatistas pró-rússsia, desejavam no fundo derrubar o avião de Putin que estava na rota do que foi destruído. É que o horário dos dois aviões parecia estar muito próximos um do outro. Inventar historieta como essa, sem pé nem cabeça, para defender amigos do peito é no mínimo uma afronta as vítimas fatais do desastre (VIDE LINK: Dilma Diz Que Míssil Que  Abateu  Avião  da Malaysia Airlines Poderia Atingir Putin)

Momentos depois da tragédia como o Boeing 777 da Malasya Airlines por rebeldes separatistas pro- Rússia, Dilma abusou da bizarrice discursiva ao tentar defender o companheiro Vladimir Putin. Disse a presidenta que o governo brasileiro não se posicionará sobre a queda do avião malaio até que haja informações mais claras. (Vide LINK: Dilma Faz Discurso Insano Para Defender Putin no Caso da Derrubada de Avião Comercial na Ucrânia)


Em tempo:


 Na aeronave destruída não havia nenhum parente de políticos da base aliada do governo da república das bananas (Tá Explicado: Ahhhhhhh!!)

11 julho 2014

Temos a Petrobrás. Por Que Não a Futebrás?



OPS! Já tem gente da imprensa aconselhando a presidenta Dilma a fundar a FUTEBRÁS. O ministro dos esportes, Aldo Rebelo,  em recente entrevista assinalou  que “o Estado vai sugerir projetos de lei para colocar a seleção brasileira no status que ela deve ter”. Isso tem cheiro de bolivarianismo.  É aquela velha mania dos reformadores políticos (no poder) de criar leis para abafar malfeitorias e tragédias, como a que aconteceu nos sonoros 7X1 impostos ao Brasil pela Alemanha, em ritmo de treino.  O ministro Rebelo andou citando até um projeto maluco do deputado, Otávio Leite, que defende agora a criação de uma Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte. (Vide link)

Há quem diga que que no humilhante mineiraço se chegou ao cúmulo de sondar os alemães para maneirarem  a goleada no segundo tempo. 

E o Felipão, que com a seleção voou tanto de um lugar para outro, tomou de um termo usado na aviação para incluí-lo nos anais da Psicologia: “Foi uma PANE de seis minutos” ― repete sempre com olhar atordoado.  Se foi "pane", esqueceu-se  de dizer que o motor da aeronave já vinha apresentando sérios defeitos há meses. (rsrs)

Senhores e senhoras: preparem-se para a formação de um novo ministério no governo petista:  “Ministério contra a exportação de jogadores para o exterior”. O Rebelo já disse: “O Estado não pode ser excluído da competência de zelar pelo interesse público dentro do esporte” (Vide link)

“Não vou criar a Futebrás, mas o governo pode conduzir essa reforma e modernização das gestões” ― disse Dilma, em referência ao projeto de se criar uma estatal para salvar os times de futebol. (Vide Link).

Portanto fiquem de orelha em pé, porque o “Não” desse governo significa “SIM” no futuro. A presidenta simplesmente reverberou a “pane de seis minutos” do Felipão. Não custa nada recorrer à psicanálise para entender que a tal da “negação” é um mecanismo de defesa psíquico (nega-se em público aquilo que no fundo se deseja). A presidenta disse que não vai criar a Futebrás, mas tem o poder de conduzí-la ― o que dá no mesmo (ato falho, ou proposital?).

Freud explica (rsrs)


Por Levi B. Santos
Guarabira, 11 de julho de 2014

Site da Imagem:  jornalgalodebriga.blogspot.com.br

21 junho 2014

Como Seria Uma Copa Gospel?





Já se tornou uma regra em nosso meio, dizer que Deus é brasileiro, afirmação essa corroborada pela ajuda que Ele tem dado a nossa Seleção 'Canarinho' que por cinco vezes foi campeã do mundo.

Ora, se Deus é um torcedor fanático do Brasil, por que não usar os recursos futebolísticos como estratégia para propaganda evangelística gospel?

Sabendo que o brasileiro adora ouvir uma transmissão de partida de futebol, por que não mudar a rotina enfadonha e insossa dos cultos de domingo à noite, e passar a executá-la com o sensacionalismo e a emoção dos locutores esportivos? A TV Record (é claro), caberia a exclusividade na transmissão dos jogos. Já pensou no golpe mortal que a TV Globo levaria?
Se a Record já conseguiu levar grande parte dos atores para sua emissora, com certeza a contratação do maior locutor esportivo da televisão seria ‘favas contadas’.
Transmitir um culto como quem transmite um jogo de futebol, é muito mais eletrizante, tendo a grande vantagem de não permitir que ninguém venha cochilar durante o duelo entre os meliantes de Belial e os meliantes dos exércitos da salvação.
O campeonato seria de pontos corridos, e creio que não faltariam times para se inscreverem na Confederação Brasileira Gospel de Esportes. Acho até que devido ao grande número de denominações evangélicas, o campeonato deveria ter uma série A (a principal), e uma chave B (de acesso).

Você caro(a) leitor(a),poderá experimentar agora mesmo, um novo e emocionante estilo de culto neo-pentecostal domingueiro.


Segure-se bem em sua poltrona, pegue seu saco de pipocas bem quentinhas e com reverência, clique no vídeo abaixo, para assistir a uma amostra desse deslumbrante e emblemático culto "futebolístico" narrado por um locutor esportivo "divinamente" inspirado:



Prosa por Levi B. Santos 

Guarabira, 07 de setembro de 2009

Título do Original: "Culto Gospel Narrado Por Locutor Esportivo"

Site da Imagem: http://copagospelfutebol.blogspot.com.br/2013_09_01_archive.htm

14 junho 2014

Não Me Deixaram Falar



Faltava ainda cerca de meia hora para a abertura da Copa. Esse espaço de tempo durou uma eternidade. Em sua cabeça fervilhavam as vozes da dúvida: “Faço ou não faço?. Falo ou não falo?”. Se permitissem, só queria  dizer apenas quatro palavras, e ponto. Lembrou-se de Nelson Rodrigues,  seu autor predileto que tanto gostava de citar em suas falas. A célebre frase do Nelson que dizia que “no Maracanã vaia-se até minuto de silêncio, aumentava mais a sua ansiedade.

Nesse ínterim, parecia ouvir uma voz a lhe dizer: “Tu não estás no Maracanã!  Estás no Itaquerão!  O Itaquerão é do povão corintiano. O Itaquerão é do povão grato pelo ‘bolsa família’! Portanto rompe o script, e fala! Eu porei em tua boca o que hás de dizer!”.

Mesmo sem ser católica praticante, lembrou-se instantaneamente do episódio bíblico da “tentação de Cristo pelo Diabo”. E, em pensamento,  retrucou imediatamente: “Pra trás de mim Satanás!”

Por alguns minutos passou a ver imagens. Viu o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, abrindo a Copa de quatro anos atrás em um discurso tão pequeno que não levou mais que três minutos. Tinha exatamente em mente, as simples palavras do maior representante daquele país Africano, que tem em Mandela, seu maior ícone: “Senhoras e senhores, nós, como país, aceitamos a honra de receber esse grande evento do mundo. A África está feliz. Essa Copa é da África. Declaro aberta a Copa!”

“Não, não! Não seria ela a primeira representante de um país a ser impedida de fazer a abertura da Copa. Vou falar. Não vou cair no conto de soltar pombinhas, no lugar do meu discurso”  ― dizia de si para si.

O Blatter, nesta hora, bate no ombro da presidenta e pergunta o que ela está balbuciando, quando faltavam apenas 15 minutos para o início do grandioso evento.  “Não é de sua conta. Não atrapalhe minhas meditações nesse difícil momento de abertura da Copa!”  ― respondeu a presidenta, com um ar de quem comeu e não gostou.

“Tem nada não. Já que me cassaram o discurso,  no primeiro gol que o Neymar fizer  eu vou pedir que as câmaras  me focalizem, para que a minha alegria de torcedora fanática seja transmitida em três D para o mundo todo. Não é possível que me vaiem, só por que estou comemorando um gol do meu querido Brasil” ― pensou a presidenta com  seus botões.

O endiabrado Neymar  faz o gol da virada, quando o Brasil perdia por 1X0. A torcida comemora em exaustão. A presidenta explode de alegria com os braços para o alto, e recebe desrespeitosas vaias.

Não se passou meio minuto, depois do gol, lá estava  Blatter, morto de vergonha, a consolar a sua amiga:

― Minha cara amiga, feche os ouvidos para essa elite que tem dinheiro de sobra para pagar ingressos caríssimos. Esse povo que está aqui lotando o estádio não é aquele que vai fazer você ser  re-eleita.  Os xingamentos não vêm do povão que você está a ajudar em sua gestão. Essa falta de compostura da elite que diz ser contra a corrupção em seu governo, está em evidente contradição, pois, ela mesma, não reclamou do gol roubado, quando da marcação de um pênalty inexistente pelo juiz (mui amigo) do Japão.

Foi nesse momento que o Todo-Poderoso da Fifa sussurrou de maneira carinhosa aos ouvidos da presidenta:

  “Esse penalty  foi um presente  a  maior colônia japonesa do mundo,  que reside aqui em São Paulo, minha estimada amiga. Anime-se!”

E não é que os dois, dessa vez, riram em secreto sem nenhuma vaia a incomodá-los.


 Por Levi B. Santos

 Guarabira, 14 de junho de 2014


05 junho 2014

Podemos Fazer o Diabo Quando é Hora de COPA

Estação da Luz Superlotada  (hoje)  – São Paulo


Por Lei, a revisão, aumento ou reajuste de salário do funcionalismo público, não podem ocorrer dentro dos 180 dias que antecedem as eleições.

Ante a notícia de que a Polícia Federal entraria em greve nos próximos dias, a presidenta Dilma correu às pressas para uma conversa com seu ministro da justiça, Eduardo Cardozo. A polícia Federal em greve seria o caos do caos, pois paralisaria o forte esquema de segurança nos aeroportos nacionais, e principalmente inibiria a possível nomeação de Cardozo para a vaga do ministro Joaquim Barbosa, que vai deixar o Supremo agora em junho. [Vide Link]

A única solução encontrada para o governo petista sair dessa saia justa foi a de burlar a legislação dando aumento de 16% aos Policiais Federais, à revelia do que o TSE decidiu.  De tudo isso, o que ficou demonstrado foi o poder de fogo da categoria profissional ― Polícia Federal. [Vide link]

Seguindo a regra infalível de que quem tem poder de pressão sobre o governo consegue o seu intento, os metroviários de São Paulo deram início a sua greve, em consonância com o ditado que diz: “Por onde passa um boi passa uma boiada”. “Se passou o aumento salarial dos policiais federais, por que não o nosso?” ― inquirirão os líderes das outras categorias.

O governo de São Paulo, nos últimos dias, evitando tocar no tema ― “aumento dos policiais federais” ―, fez seu “sapiente” julgamento: “a greve dos metroviários é abusiva e de natureza política”.  Deu a entender que estão aproveitando o momento da Copa, pela visibilidade que o evento proporciona. Em suma, o que o matreiro governador fez, foi sair pela tangente. [Vide Link].

O governo, que vaticinou que essa será a “Copa das Copas”, parece que não vai dar bolas para às leis vigentes. Se houver alguma contestação na justiça sobre aumentos salariais concedidos não haverá tempo hábil para uma discussão sobre o que é ou não burlar as leis em ano eleitoral, principalmente diante de um mega-evento como a Copa 2014, que será vista por três bilhões de pessoas no mundo.

 Parodiando a frase - “Eu não posso é perder esse emprego!” ― de Nico Bondade (personagem de Chico Anysio no programa humorístico “Chico City”) a presidenta a essas horas, está a dizer para si e para seus auxiliares mais diretos: “Olhem, Eu não posso é perder essa Copa!”

O sucesso da recente greve dos garis no Rio de Janeiro e a concessão de aumento de salários à P.F vai arder ainda mais a chama do “me dá o que é meu, senão a Copa vira um caos”.  Já pipocam pelo país a oito dias da Copa, movimentos grevistas em 12 categorias profissionais. [Vide link]

Não me surpreenderia, de forma alguma, se Dilma, para se ver livre das paralisações em massa em meio a Copa, decidisse antecipar para todo mundo, os aumentos de salários que seriam dados em 2015 ― ano em que já re-eleita, cobraria a farra com juros e dividendos, através de aumentos na energia, na gasolina, na taxa selic e impostos como, IR, IPI, IOF, COFINS entre outros.

Em março de 2013 ― num discurso que fez em João Pessoa (Pb) ―, a presidenta deixou escapar do seu inconsciente uma célebre e incômoda verdade. Disse: “Podemos fazer o diabo quando é hora de eleição”. Transportando o mesmo raciocínio político para a esfera do evento “Copa das Copas”, bem que a presidenta poderia dizer: “Podemos fazer o diabo quando é hora de COPA”.


Por Levi B. Santos
Guarabira, 05 de junho de 2014

 Site da Imagem: oglobo.globo.com