05 agosto 2007

MEU AVÔ E SUA REVELAÇÃO BOMBÁSTICA







Eu tinha dezesseis anos de idade quando transcorria o ano de 1962. Meu pai tinha falecido há mais ou menos uns três meses, e meu avô materno decidiu se instalar em minha casa. Acho que a sua decisão foi mais para dar apoio moral e espiritual a uma filha recém viúva e os seus filhos órfãos.

O velho Zé Raulino, meu avô, mudou o clima de relacionamento entre nós, pois ele era muito receptivo em casa, coisa que o meu falecido pai não era. Não me lembro de meu pai ter alguma vez conversado francamente comigo sobre qualquer assunto. Era assim o seu modo de ser: sempre caladão e com um ar sisudo de quem está prestes a brigar. Quando demorava mais tempo em casa, era para ouvir os seus velhos discos de setenta e oito rotações, nas vozes de Núbia Lafaiete, Ângela Maria, Maysa, Anísio Silva, Nelson Gonçalves e aquele de quem ele mais gostava: Luiz Gonzaga. Era quando a voz destes cantores enchia a casa toda com um som poluído pelos ruídos provocados pela agulha (que mais parecia um prego), extraídos de uma velha vitrola em forma de maleta.

Particularmente eu tinha um temor muito grande ao me dirigir a meu pai, pois poderia falar algo que o desagradasse. Talvez, a minha extrema timidez tenha se alimentado dos muitos carões e algumas surras que levei dele, por ter praticado as peraltices tão comuns na infância.

Não me esqueço nunca, tinha mais ou menos uns oito anos de idade, era um dia de Sábado, e estávamos todos em casa reunidos ao redor da mesa, para jantar. Nessa ocasião estava presente o Tio Neemias (cunhado de meu pai), nos visitando. Lembro-me bem do cardápio dessa noite: feijão verde com farinha para ser comido amassado nas mãos, em “bolos”, que antes de ser deglutidos eram molhados na graxa do toucinho de porco guisado, tendo ao lado, um molho feito com o caldo do feijão cheio de maxixes cozidos e pimenta malagueta. Só se ouvia o mastigar da comida gostosa com a graxa a escorrer pelos cantos das bocas dos convivas. Foi quando de repente, quebrando o silêncio daquele momento se ouviu algo como um suave apito vindo de baixo da mesa. Eu fiquei calado e com o rosto espantado de medo e terror, pois sem querer, o ar que tanto eu estava prendendo nos intestinos, tinha saído apitando baixinho no início, e com o meu nervosismo aumentou o tom, porém foi coisa rápida. Talvez por eu ter me prendido tanto, o “peido” saiu daquela forma: assoviando. Meu pai imediatamente diagnosticou: “Foi você seu safado, e interrompeu o jantar para me dar uma sonora surra”. Então no meu quarto, com as roupas molhadas de urina devido às lapadas que tinha recebido, fiquei atrás da porta, revoltado e encolhido, sob soluços, a pensar: ora, apesar de ter sido coisa feia, ele não poderia ter feito isso comigo, porque apesar dos meus esforços, contraindo os músculos glúteos e os forçando contra a cadeira, o “pum” saíra, rompendo a minha resistência. Eu não tinha culpa.

O pior, é que eu estava revoltado comigo mesmo, pois, se eu não tivesse me contraído tanto, na certa, o maldito tivesse saído de forma abafada e espontânea. E sem fazer barulho, seria mais difícil de reconhecer o autor da façanha, pois um diria: “ não fui eu”; outro responderia: “nem eu”; e assim todos se desculpariam. Há quem afirme: quer saber quem foi o autor? Veja quem primeiro gritou. Mas isso é presunção.
Já tinha presenciado em outras ocasiões diante de muitas pessoas, todo mundo negando a autoria da emanação de gases intestinais no ambiente, isto, quando não se ouvia o seu sinal sonoro, e apenas se pressentia o cheiro característico.
Naquela noite fatídica reconheci que tinha sido burro mesmo: era para ter deixado o danado sair sem pressão. Apanhei de graça.

O meu avô tinha tido mais intimidade com o genro, do que todo o restante da família. Ficou triste, porque no seu dizer, meu pai tinha morrido “desviado”. Esse termo ainda hoje é usado para denominar as pessoas que freqüentam a igreja e depois a abandonam. Meu avô tinha conhecimento de que meu pai antes do acidente de moto que o vitimou em via pública, vinha cantando uma música de carnaval. Na concepção sua e de muitas pessoas íntimas, meu pai morrera sem salvação, e que o destino dessas pessoas quando assim morrem, é o inferno.
Passado alguns meses do falecimento de meu pai, ali no mesmo terraço de minha casa, meu avô me chamou para me contar algo que pela sua fisionomia radiante de felicidade, eu pressenti logo que era algo de bom. Ele debruçado na mureta do alpendre dirigiu-se a mim desta forma:

─ Meu filho! Eu tenho uma coisa muito importante para lhe dizer ─ falou em tom solene, após ter dado as suas comuns cusparadas em direção a rua.
Eu sentando no batente do terraço ao lado dele, disse: Me conte vovô, o que foi?
─ Olhe, ontem a noite Deus me deu uma revelação maravilhosa. Ele me mostrou seu pai ( Moisés) no céu. Fique certo que ele não foi para o inferno, como todos estavam pensando. Deu tempo para ele se arrepender ─ disse o meu avô com ar de satisfação.
Eu me juntei à sua alegria naquele momento. Por três meses, meu avô conviveu com a idéia horrenda de imaginar que seu grande amigo e genro, estava se queimando nas labaredas do inferno. No entanto, dali em diante, me uniria a ele, a fim de desfazer a triste imagem que meu pai deixou no coração dos que ficaram.

Meu pai, dois meses antes de morrer, tinha me dado uma bicicleta de presente, por ter passado em primeiro lugar nas provas finais do colégio local. Ora, o que eu mais almejava, era uma bicicleta na cor azul, e ele me dera uma do jeito que eu sonhara. Eu já vinha pensando desde a sua morte: como meu pai depois de me dar um tão precioso presente, tenha tido o inferno como destino. Imaginava que aquilo era uma injustiça, pois ele já tinha sido penalizado com a morte na flor da idade.
Apesar de hoje ser meio cético com esta história de revelação, não nego que a visão bombástica do meu avô, deu-me naquela época um certo alento.
Meu avô era um homem extremamente religioso, e não se aborrecia com as insinuações que eu fazia sobre temas do mundo bíblico. Um dia, no mesmo terraço da casa de minha mãe eu perguntei para ele:

─ Vovô! O Sr. acredita nesta história da baleia ter engolido Jonas e depois de três dias ter vomitado ele vivo?

Meu avô respondeu rápido, sem titubear:

─ Meu filho! Se a Bíblia dissesse que Jonas tinha engolido a baleia, eu acreditaria.

O velho Zé Raulino, naquele seu jeitão de imaginar o céu e o inferno, era tão feliz, sem os questionamentos que faço hoje. Ele cria porque cria, e ponto final.


Crônica: por Levi B. Santos. Guarabira, 05 de Agosto de 2007


20 julho 2007

“FARDOS PESADOS” ─ UMA REFLEXÃO



Esta palavra“fardo” transporta-me aos meus nove ou dez anos de idade, quando ao entardecer dos Sábados eu assistia a chegada dos burros do velho Augusto à minha casa em Alagoa Grande. Augusto era um velho magro de tez negra retinta, barbas e cabelos brancos sempre em desalinho, de expressão sisuda que lembrava mais as figuras rudes dos escravos dos meus livros de História. Nas madrugadas dos sábados, seus animais transportavam pesados fardos de roupas, que as costureiras de minha mãe confeccionavam para serem vendidas em dois bancos de feiras no meio da rua. À tardinha os burros voltavam com as volumosas cargas para minha casa, em um percurso de mais ou menos um quilômetro e meio intercalado por duas íngremes ladeiras.


A imagem dos burros do velho Augusto com pesados fardos sobre os lombos não me sai da memória. Eu no final do dia ficava sentado na parte mais alta da calçada da minha casa, como um habitual expectador das cenas violentas protagonizadas pelo velho ranzinza, que com seu longo chicote açoitava duramente os indefesos animais, a fim de que pudessem andar mais depressa e no rumo certo.

Os pobres e cansados animais, às vezes, não resistiam e caíam com os membros dianteiros ajoelhados sobre o chão de barro batido. Eles movidos pelo medo do chicote, logo retiravam de si as últimas forças a fim de chegar ao seu destino. Eu tenho a impressão de que em algumas dessas ocasiões cheguei a ver lágrimas brotarem dos olhos aboticados das infelizes criaturas, e chegava a perguntar para mim mesmo: como era que aquele violento velho não via que aqueles fardos eram pesados demais para os lombos dos trôpegos animais?

Hoje, já na terceira idade, eu entendo perfeitamente o “porquê” daquela minha solidariedade infantil em me juntar ao sofrimento dos burros de Augusto: é que, depois de praticar perigosas travessuras de menino, quase sempre levava sonoras “surras” de minha mãe, com “chibata” de bater em cavalos; talvez, tenha sido por esta a razão que eu me associava à dor dos resignados animais nas sombrias tardes de sábados. De certo modo, também tinha uma tênue experiência daquele tipo de castigo em minha própria carne.

Aquelas cenas repetidas todo o entardecer dos sábados incutiram em minha consciência infantil, a noção do que era carregar “fardos pesados”. E, tudo isto, hoje me suscita a entender e refletir melhor sobre as palavras de Cristo: “O meu fardo é leve [...]”. Remeto-me aqui e agora a um outro “fardo pesado” que é o da “CULPA e do medo da punição”.
Os fardos pesados da culpa e do medo de ser punido levaram os nossos primeiros pais a se sacrificar todos os dias, com rituais e dolorosas penitências que mais pareciam uma flagelação. E eles sentiam cada vez mais a necessidade premente de pagar, de expiar algo, impondo a si mesmo práticas ascéticas e duras jornadas. Como quase toda criança do meu tempo fui forjado neste caldo fervente do medo do “chicote”.

Esta história de “fardo pesado” traz agora a minha lembrança uma emblemática e oportuna afirmação do eminente psiquiatra e teólogo Suíço Paul Tournier, em seu livro “Culpa e Graça”. Diz ele: “Por trás dos nobres propósitos de saudáveis pessoas, o doente Jó percebe um terrível julgamento, uma insinuação constante de que os males que o assolam são punições divinas! Mesmo nas exortações à fé, Jó sente uma acusação; quando Bildade lhe diz: ‘Mas se tu buscares a Deus, e ao Todo-Poderoso pedires misericórdia, se fores puro e reto, Ele, sem demora, despertará em teu favor, e restaurará a justiça da tua morada’ (Jó 8: 5-6). Bildade, evidentemente deixa entender que, se Jó não sara, é porque não implora ao Todo Poderoso, ou que ele não é obediente o bastante. Assim Jó replica (21: 27): ‘Vede que conheço os vossos pensamentos e os injustos desígnios com que me tratais.’

Há quinhentos anos, o "velho Augusto" apareceu em nossa terra, representado pela elite religiosa portuguesa. Sobre o lombo dos nossos ancestrais indígenas foi posto o "fardo pesado", na forma de um arremedo de cristianismo, que sob o chicote da catequese a ferro e fogo, conseguiu escravizar aquilo que o ser humano tem de mais precioso: " a alma".

Ainda hoje repercute em nossa cultura, o "fardo pesado" dessa dominação sutil e engenhosa, que à maneira de uma epidemia vai disseminando nas consciências um fugaz refúgio contra a punição divina: "a subserviência". Esta subserviência nada mais é, que a aceitação sem questionamentos de uma " insensata mensagem" brandida em "nome de Deus", cujo o escopo se constitui na negação do próprio Cristo.

“Deus vai requerer!” “É sua obrigação!” “Cuidado para não pagar o preço!”. Hoje, toda vez que ouço bordões como estes acima, vejo na minha imaginação o velho Augusto com o seu pungente chicote em punho ante seus indefesos e apavorados animais, espargindo a grande arma que subjuga o “espírito”: O MEDO.

E assim, pela vida afora, vamos levando sobre os nossos lombos o “pesado fardo” do "sacrifício" sob a égide do medo, que Cristo com tanto esforço quis aliviar. Tal qual os pobres e indefesos burros, entregamos nossas vidas aos desígnios de um outro "poderoso" que nos faz passar por autômatos. Coagidos à jurisdição alheia, que cerceia o direito do "livre pensar", entregamo-nos a pior espécie de ultraje e usurpação, que é: " a privação da faculdade de raciocinar livremente".


O mesmo Cristo que falou em Mateus 11.30: “...o meu fardo é leve”, foi o mesmo que mais na frente (Mateus 23, 4) citou indignado: “Atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem nos ombros dos homens; eles porém nem, com o dedo querem movê-los”.


Bem que os fardos dos animais do velho Augusto poderiam ser mais leves. Mas, nem eles (os jumentos), nem eu, na minha meninice, tínhamos coragem de ao menos encará-lo, esboçando um ar de reprovação. Calado e amedrontados ficávamos diante do temível e terrível senhor e seu indefectível “chicote”.

Era assim que todo o entardecer dos sábados, o pedaço de rua em frente à minha casa se transformava em um palco ao ar livre de uma peça teatral, que tão apropriadamente poderia ter este título: " Burros com 'fardos pesados' ante o seu violento domador".



Ensaio por: Levi B. Santos - Guarabira, 20 de Julho de 2007

07 julho 2007

D. PEDRO I AINDA É QUEM MANDA





Vivemos tempos sombrios. Os desatinos e os contra-sensos que se realizam em nome da lei, fazem corar de vergonha e indignação qualquer cristão. Em um mundo de incessantes transformações e mutações, a lei continua vigorando como um código fixo, não contemplando as novas situações, que, a cada momento surgem neste movimento contínuo e dinâmico, que é a nossa vida de relação. As Leis, ao serem promulgadas, já deixam de ser presente para ser passado. Elas sempre foram elaboradas para os súditos e não para os que a fazem. Em defesa destes últimos há a excrescência do “foro privilegiado”, que tem sido usado de forma abusiva para toda sorte de vis subterfúgios.

A “letra da lei” é impiedosa. Quase não se atenta mais para o “espírito da lei”. Cristo, há dois mil anos não foi entendido em suas “jurisprudências” ─, que eram fruto de suas profundas reflexões ─ por isso mesmo foi crucificado e morto. Os homens da Lei no tempo de Cristo, não o olhavam com bons olhos quando ele transformava a “pena” em liberdade, e dava razão à vítima, perdoando-a.

Esse mundo mecanicista no qual vivemos é um arremedo de vida sem sentido, onde os códigos de socialização criados, não dão lugar para debates que reclamam a atenção de todos para mudanças. Ninguém tem mais clareza, que devia ter toda a pessoa, sobre os rumos e decisões tomadas por quem as comanda. Segundo uma das maiores filósofas e educadoras da modernidade, de nacionalidade Judia, Hannah Arendt: “a irreflexão ─ a imprudência temerária ou a irremediável confusão e repetição complacente de ‘verdades’, se tornam triviais e vazias ─, e parece ser a principal característica do nosso tempo”.

Todo este preâmbulo foi no sentido de preparar o espírito do leitor, para historiar um caso ao mesmo tempo “sério” e hilariante, de que fui vítima juntamente com boa parte dos moradores de Camboinha – Cabedelo. Caso este, que beira às raias da insensatez, pelo que tem de aberração na aplicação das leis.

Fui intimado pela Secretaria do Patrimônio Público da União, para apresentar dentro do prazo de trinta dias, vários documentos: de identidade e de um imóvel (apartamento) adquirido há vinte e cinco anos pela C. E. F.

Compareci à referida secretaria juntamente com o meu filho mais velho, o qual concluiu o seu curso de Direito há três anos.

Passou-se então o inusitado diálogo:

─É o Sr. Levi Bronzeado, proprietário do apto. 30l – Rua Aurélio Cavalcanti, 214 – Camboinha II em Cabedelo?

─ É ele mesmo, senhorita ─ respondi meio sem jeito.

Tinha sido advertido antes por minha cunhada que trabalha em um cartório em Cabedelo, para me precaver, porque o caso poderia tratar-se de uma pegadinha, tão comum por estas bandas. Orientou-me para não assinar nada de aspecto duvidoso.

A jovem secretária pediu para que sentasse, enquanto iria buscar um mapa da região, para me explicar tudo direitinho. Chegou rápido e pôs um extenso e amassado mapa sobre a mesa, enquanto falava:

─ Olhe, quero lhe comunicar que o seu imóvel está em área da marinha, e que pela LEI número tal, barra tal, o Sr. será notificado para regularizar sua situação perante a União.

─ Ora moça, meu apartamento fica distante da praia. Como pode ser área da marinha? ─ perguntei já demonstrando um certo ar de indignação.

─ Veja bem aqui neste mapa, que é de 1831, mas é o único, e está ainda em vigor, seu apartamento encontra-se numa extensa área alagada ─ detalhou a moça.

No mapa estava desenhada em cor amarela, uma área grande, pegando quase todo o meio do bairro de Camboinha, com uma saída para o mar, mais na frente, a cerca de dois quilômetros. Interessante, um alto edifício mais próximo do mar, do outro lado da rua, tinha escapado das garras da marinha. Não estava entendendo nada e perguntei ironicamente:

─ Mas este mapa é do tempo de D. Pedro II. E ainda vale hoje?

─ O Sr. Equivocou-se ─ respondeu a secretária. Não é do tempo de D. Pedro II e sim de D. Pedro I.

Olhei um pouco envergonhado para o meu filho ao lado, esperando a reprimenda, por ter confundido personagens tão relevantes de nossa história. Não me dei por vencido e retruquei:

─ Se o mapa está dizendo que a área do meu apartamento é uma lagoa, então ele não existe?

Agora foi a vez da moça ficar mal humorada e responder rispidamente:

─ Se o Sr. quer mais detalhes sobre o caso, compareça à Secretaria da Receita Federal. Nós somos terceirizados apenas para receber os documentos. Não interessa para mim se o local onde o Sr. mora sofreu aterro por parte do homem ou da natureza. No documento de D. Pedro I está rezando que o terreno é da marinha, e ponto final.

George, ao meu lado pediu calma, e foi assim se expressando:

─ Meu pai, isto é um contra-senso que na justiça pode ser facilmente contestado.

As palavras do meu filho mais velho me trouxeram a lembrança, os quatro processos que tenho contra a FSESP (União), que estão hibernando há seis anos na Justiça.

Saí de lá revoltado, perguntando para George:

─ Não entendo! Na minha pouca sabedoria o tal do “usucapião” dá o direito de posse ao morador que reside na terra por mais de quinze anos. Eu sou dono do apartamento há vinte e cinco anos, e ainda tenho de pagar impostos à marinha? Isto é um assalto! ─ acrescentei irado.

Realmente eu não entendia como após tantas reformas constitucionais, e passados 176 anos, a
palavra de D. Pedro I e o seu mapa estivessem ainda em voga.

Naquele momento tudo se tornou mais claro para mim: D Pedro I, aquele senhor de vasta cabeleira, olhos esbugalhados e peito recheado de medalhas, dos livros de história do meu tempo de Ginásio, conseguira me enganar até hoje com a “farsa” do Ipiranga. Foi ele quem inaugurou o nosso país com o grito previamente ensaiado: “Independência ou morte”.

Agora vejo quão felicíssimo foi Thomas Hobbes, um dos maiores filósofos Ingleses do século XVII, ao colocar como epíteto de sua maior obra o termo LEVIATÃ. Apropriando-se da terrífica figura fenícia, compôs uma brilhante metáfora para descrever o que era o Estado. Leviatã, no hebraico liwjathan, que significa "animal que se enrosca", na mitologia fenícia, era um horrendo monstro marinho que assustava o povo Hebreu, em quem se inspirou o personagem bíblico "Jó", para citar as seguintes palavras: "ninguém é bastante ousado para provocá-lo; quem o resistiria face a face?".

Assim como Jó, assustado fiquei ao bater de frente com este monstro aquático, representado por uma figura cartográfica velha e empoeirada do século XIX, rasbiscada ao certo sob as barbas do nescio Imperador, por algum indiferente cartógrafo da coroa, que traçou as suas linhas insanas que tanto transtorno me traz por hora.

De Gaulle, ex-presidente francês, teve razão de sobra ao cunhar esta frase que se tornou um "slogan" nundialmente conhecido: " O BRASIL NÃO É UM PAÍS SÉRIO."





04 junho 2007

E AS LÁGRIMAS SE TRANSFORMARAM EM RISO








Dormi durante boa parte da noite, acordei, e passei até ao meio dia de hoje enganado. Vivenciando algo irreal, algo que não acontecera.
Em meio ao almoço, antes de viajar para Araruna, eu fazia as contas junto com minha esposa, dizendo: “daqui a mais ou menos três horas João e Lena estarão chegando na Bolívia. A partida (frustrada) deles para missões nesse longínquo país, estava marcada para às duas horas da madrugada de hoje, saindo do aeroporto Castro Pinto, em Bayeux.
De repente, mas de repente mesmo, toca o telefone. Corro para atender: “Que coincidência”─ eu disse para Luza ─, “é a voz de Lena lá da Bolívia”. Sua voz estava tão estereofônica que eu falei: “Luza! Parece uma ligação local”. Achei a voz da minha irmã muito alegre, como quem sorria ao telefone. No mesmo segundo pensei: Lena teve um “piripaque”, e João desistiu da viagem. Lembrei-me nesta ocasião, de Glauber, que desistira de ir para a Argentina, poucas horas antes de o avião decolar.
A missionária, com muito humor e graça, contou-me em resumo o que acontecera no aeroporto. Parecia estar contando uma “pegadinha do Faustão”. Nunca tinha visto Leni tão contente ao telefone, como se tivesse pulado uma grande fogueira. Ela e seu esposo estavam com o seu conjunto de dez malas no apartamento de Davi em Manaíra, após terem sido levados em um fenomenal desfile pela madrugada adentro, de João Pessoa até Bayeux (cidade que J. Camilo tinha sido secretário de Saúde até às vésperas da viagem).

Para surpresa de todos, após orações, apagões (falta de energia) e abraços de despedidas, não é que os nomes de João e Lena, na hora “H”, não foram encontrados no “livro” de passageiros daquele vôo? ─ disse eu para Luza.
Ao ouvir o meu relato, minha esposa, de pronto respondeu: “ainda bem que esse livro, não é o “Livro da Vida” referido lá no Apocalipse de João, o qual vai ser aberto no julgamento final”. Fiquei pensando com os meus botões: só Deus sabe a razão daquela carreata aparentemente sem sentido. Ora, Deus é onisciente, e desde o culto de despedida, já estava sabendo que a viagem não aconteceria. Por que então Ele fez questão de não revelar a ninguém, nem mesmo ao sumo sacerdote do templo, o que ia acontecer?. É mistériooooooo.

É justamente aí que entram as conjecturas do ser humano, que tanto gosta de especular em ocasiões como esta. Não nego, eu imaginei: se Deus é descrito no Velho Testamento como uma pessoa que se ira, se alegra, se entristece, se arrepende, então, é lógico, que Ele lá de cima, deve ter dado as suas gargalhadas. Será, que Ele talvez não tenha gostado de tanto chororô, tantos abraços e beijos lambuzados de lágrimas, e resolveu de uma hora para outra, transformar o pranto em RISO? Realmente, pelo que houve de cômico, não é possível que tenha ficado alguém sem RIR. “O pranto pode durar uma noite, mas alegria vem pela manhã”. Não há versículo da Bíblia que melhor se encaixe na historia dessa madrugada, do que este.

Dou a mão à palmatória a meu irmão Davi, reconhecendo o que ele disse certa vez para mim, em uma de nossas longas e cansativas discussões teológicas:
─ Levi! Agora, com Cristo, ficou mais difícil. No velho Testamento era mais fácil ─, disse isto, com relação a um certo tipo de pecado.
Agora vejo um raio de sentido no que Davi me disse. E eu pude entender, que em relação a certas situações, no Velho Testamento, as coisas de Deus eram realizadas com mais segurança ou precisão. Era “prego batido e ponta virada”. Por exemplo, num caso como esse de João Camilo e Leni: se estivéssemos naquela época, é claro, não se teria passado por tantos atropelos, porque havia “o profeta” para dizer a hora certa de se partir para a guerra.

Houve no meio disso tudo, um fato que despertou a minha atenção: o significado simbólico da numerologia bíblica. Os números perfeitos eram sete e doze. O número “dez” apareceu com a divisão das tribos de Israel, que no inicio eram doze. Pelo que me consta, o missionário João, levava dez malas. Será que isso, pode ter atrapalhado a sua viagem naquela madrugada fria? Dou-lhe agora um conselho: encha mais duas malas e complete o número doze.

Contudo, se Deus hoje fala pela palavra, antes do desfile para o aeroporto, era para se ter aberto, no mínimo, uma caixa de promessas, para se tirar um versículo sobre a viagem, e outro para confirmação, como se fazia antigamente, antes de se tomar qualquer decisão. Mas, mesmo assim, acho que Deus não iria revelar nada. O que Ele queria era: que João e Lena com as suas pesadas malas fossem descansar no “flat de luxo” de Davi, em Manaíra, lá no alto do décimo terceiro andar.

Diz a história antiga, que a guarda pessoal do Rei Davi era a maior e a mais desenvolvida daquela época. Portanto, durmam bem por este resto de madrugada e um pedaço da manhã, pois aí, vocês estão em um lugar seguro. Quando acordarem, fiquem por alguns momentos desfrutando da bela paisagem aí de cima, olhando o maior centro de consumo da Capital (o Manaíra shopping) do tamanho de nada, enquanto Deus providencia um outro avião.

O importante, é que o "embarque" que não houve, proporcionou o milagre de transformar as lágrimas em riso.

Depois dessa, não sei quais são os desígnios de Deus. Só posso dizer: “seja feita a Sua vontade”.

E que finalmente vocês possam voar em Paz.





Crônica por Levi B. Santos. Guarabira, 23 de maio de 2007.

22 maio 2007

ELAS DERAM UM “SHOW” NO DESFILE




Sempre aos domingos pela manhã, me dirijo ao centro da cidade, para pegar a minha “VEJA” na principal banca de Revista. Para surpresa minha, no exato momento em que ali chegava, dei de cara com o desfile da Igreja "Assembléia de Deus" local. Por sinal, um desfile bem organizado.

Logo ali a minha frente estava o pelotão de homens (obreiros) impecavelmente uniformizados de ternos pretos. Em seguida vinham os pelotões das mulheres ─, todas esfuziantes e alegres, colorindo majestosamente o ambiente com suas garbosas vestimentas, dando vida e alma a festividade.

Senti que o pelotão de homens marchava de uma maneira fria e sem emoção, o que me fez logo tirar a seguinte conclusão: “acho que desfile de homens devia ser sempre feito em quartéis”. Digo isso, porque ali, as mulheres, donas que são da mais fina sensibilidade, deram um banho de emoção contagiante, com seus lenços brancos acenando para o alto. Todas sorridentes, sem demonstrar frieza ou cansaço. Ali estavam meninas, moças, esposas, viúvas, gordas e magras, algumas claudicando pelo reumatismo e pelo peso da idade, outras mancando, devido os calos formados pelos sapatos apertados nos pés. Porém, o importante, é que elas marchavam de uma maneira alegre e fagueira com a ginga tradicional que faz da mulher brasileira, a mais festiva do mundo. Todas numa espontaneidade nunca vista, bradando para o alto com suas vozes agudas e estridentes o estribilho: “Jesus ─ Rei dos Reis e Senhor dos Senhores”.

Eu acho que o tema deste congresso das mulheres, devia ter sido: “A Noiva de Cristo”, de tão intensa que era a empolgação delas. Não tenho dúvida, que ali, os homens deram as mãos à palmatória, reconhecendo o brilhantismo das servas do Senhor.

Pensando bem, qual o homem que teria a coragem de quebrar um vidro de perfume caríssimo, e derramar sobre os pés de Cristo, como fez Maria Madalena, e depois enxugá-los meigamente com os seus longos cabelos? Os marmanjos daquela época, não gostaram da espontaneidade da atitude feminina, mas Cristo aprovou o ato daquela mulher. É! Realmente há coisas, que só a mulher sabe fazer muito bem...

Ali mesmo eu cheguei a pensar: bem que poderia estar lá em cima, no carro do trio elétrico, uma, como Miriam, irmã de Arão, que com um tamborim nas mãos, dançou, exultando a passagem pelo mar vermelho, à pés secos. Isto, numa analogia ao que está escrito no livro de Êxodo 15, 20: "Então Miriã, a profetisa, irmã de Arão, tomou um tamborim e todas as mulheres saíram atrás dela com tamborins e com danças".

Naquela manhã ensolarada de domingo, sob um céu azul de brigadeiro, o centro, as praças e principais avenidas, foram delas.

Parabéns para estas valorosas mulheres, no seu congresso. Evento este em que eu tomei a liberdade e audácia de mudar o tema da festa para: “A NOIVA DE CRISTO”.

Por acaso, não foi para Ele (O esposo-espiritual), que elas tão bem se apresentaram ali em praça pública?

19 maio 2007

ANALISANDO O PASSADO PARA ENTENDER O PRESENTE





Ultimamente, tenho conversado bastante com minha mãe, sobre o tema: “separação” entre entes queridos do mesmo núcleo familiar. O momento se tornou propício, pois nossa irmã Leni está iniciando a arrumação das malas para residir na Bolívia.

O meu sogro tinha partido dessa para uma melhor, há mais ou menos um mês, quando eu dizia para Bazinha, que a minha sogra vinha se recuperando bem da morte de seu querido esposo, pois começara a enfrentar a vida sem lastimações e depressão, que tanto caracterizam a insegurança humana em dissabores, como é o sentimento de perda ao contemplar de perto a finitude humana aqui na terra. Sabemos que esse é um acontecimento que nos está reservado, mas tememos em abordar essa verdade dolorosa que mais cedo ou mais tarde nos acolherá.

Mamãe ao ouvir o relato que fiz sobre minha sogra Percides, respondeu sem hesitação:

─ É! Mas você sabe muito bem que meu caso é muito diferente do de Percides. Sua sogra tem quem cuide dela. Tem Albanize, tem Alda, tem Joelma. E eu não tenho ninguém para me socorrer aqui em casa.

Interpretei a sua resposta como uma racionalização de desamparo, que ao meu ver, colocava sobre os ombros dos filhos que aqui ficariam, a responsabilidade ou incumbência de satisfazê-la em seus ANSEIOS E DESEJOS.

Porém, uma frase sua dita com tanta ênfase me tirou do sério. Às vezes sentimos em nosso relacionamento quando as coisas são ditas da boca para fora, e quando elas partem lá do mais recôndito da alma. O que ela me disse em seguida, merece registro, pois se reveste de profunda significação:

─ É meu filho ─ disse ela demonstrando tristeza. Você sabe que meu caso é diferente. Eu perdi seu pai muito cedo. Cuidar de vocês passou a ser o meu consolo.

Agora, ali, eu estava entendendo toda a sua linguagem. Com a morte de meu pai e seu esposo a projeção dos seus desejos e satisfações, passaram a ser dirigidas aos filhos. Era nos filhos que ela agora investia o melhor dela. A razão maior do seu viver estava doravante representada neles.

No fundo de tudo isso, existe uma explicação de natureza religiosa, pois, muita coisa da tradição judaica foi incorporada inconscientemente por todos nós, herdeiros do Cristianismo (filho do Judaísmo). No bem ilustrado livro: “Uso e Costumes dos Tempos Bíblicos de Ralph Gower, publicado pela CPAD, na página 61 está escrito o seguinte: “Visto que os pais acreditavam que continuavam vivendo nos filhos, estes eram considerados uma grande bênção”. Segundo este escritor do Velho Testamento, a família era, portanto, um “pequeno reino” governado pelo pai. Ele tinha autoridade sobre esposa, filhos, netos e servos. Uma quebra dessa segurança ameaçaria a unidade familiar.

Antes da morte de seu marido e “senhor”, mamãe passou por um grande estágio de aprendizado: Ele desaparecera instantaneamente de A. Grande em direção ao sul do País, sem que ninguém soubesse, deixando muitas dívidas. Mamãe era realmente muito jovem nessa época, quando sofreu o golpe do abandono. Acho que foi por volta de 1955. Porém, o que se viu após esse desfecho não foi desespero, nem lamentações, e sim uma jovem mulher de pulso firme, tomando a frente do comércio de vendas de tecidos e confecções, com tamanha determinação, que conseguiu em pouco tempo, o respeito e admiração de grande parte dos habitantes da cidade. Foi por esse tempo, que ela de ponta a ponta da cidade, ficou conhecida como a mulher chamada: Dona Bazinha (a vendedora de roupas). Nessa mesma época eu tive um sonho emblemático: “Um Senhor todo de branco aparecia na porta de entrada de nossa casa, dizendo: ‘Não te atemorizes, que ele voltará’ Este sonho foi uma espécie de reforço para mamãe suportar a longa espera do seu marido, que mais tarde apareceria com uma grande mala recheada de presentes para todos de casa”.

A chegada de meu pai à sua terra natal foi motivo de muitas comemorações, envolvendo até o prefeito da cidade, O Sr, Telésforo Onofre e o seu filho, o ex- Deputado Estadual Raimundo Onofre. Este último como superintendente da C.E.F nos idos de l969 me ofereceu todo o apoio econômico para montar uma clínica, em deferência ao meu pai, que tinha sido no dizer dele, o seu melhor amigo.

Naturalmente, após o reaparecimento de Moisés, e o seu novo encontro com a linda e ansiosa Aldamira ( apelidada carinhosamente por ele de “ôme”), deve ter havido naquela ocasião, uma nova lua de mel, com novas promessas e juras de amor eterno. O certo é que após algum tempo nasceu Neli, que na pressa, meu pai registrou-a como Leni, cujo nome, muito bem poderia significar: “a filha do pai pródigo que voltara ao lar”.

A partir dessa época, Davi e eu passamos a ficar em um segundo plano de atenção. Ficamos no “canto”, como se dizia comumente, por ocasião do nascimento de uma nova criança no seio da família. Bazinha tinha recebido como prêmio, o seu espelho para se ver refletida. A nova rainha do Lar seria criada, educada segundo os seus preceitos e “a sua imagem e semelhança” como diz o Livro de Gênesis. Ali ela deve ter imaginado: “vou formá-la com os atributos que eu tenho de melhor, porém, sem os meus defeitos”. Procuraria protegê-la das incompreensões masculinas que ela vivenciara no próprio esposo.

Veio a fase de namoro de Leni, sob uma forte fiscalização feita nos mínimos detalhes, por parte da protetora mãe. Bazinha, à maneira judaico-cristã, aprovara a escolha de João Camilo para ser seu genro. Assim como a tradição dos Judeus, a filha não casaria com um “gentio” e sim com um casto rapaz, filho de um “pai sacerdote” (Pastor da igreja local).

Passado muitos anos, Leni, a filha única, já mãe pela terceira vez, tendo a sua primogênita já casada, decide-se viajar para um lugar distante, para servir aos gentios, estrangeiros, de outras raças, justamente àquele tipo de pessoas de que tanto nossa mãe relutara em entregar a sua filha. Aí, é que entra o fator que fez brotar em Bazinha, todos os sintomas que nos faz apegar uns com os outros, e que tem por base a tradição religiosa judaizante que se enraíza em nossas mentes de uma maneira tal, que fica difícil para nós, aceitarmos um dos pressupostos básicos do cristianismo: “Quem não deixar pai e mãe por amor de mim, não é digno de mim”. O que não podemos deixar de lembrar, é que Jesus ao atingir a sua maioridade, que naquela época era aos treze anos, subiu a Jerusalém, deixando os seus pais “a ver navios”. Só depois de três dias é que o encontraram, e nesta oportunidade Maria, sua mãe o repreendeu dizendo: “Filho, por que fizeste isso conosco? ─ deixasse eu e teu pai deveras ansiosos”. Para o povo mais cheio de tradição e de ritos cerimonialistas da face da terra, como era o povo Judeu, a resposta de Jesus foi bastante dura: “Porque estavam me procurando? Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?”.

Às vésperas da partida de Lena e João para a Bolívia, gostaria que ficasse sempre na memória da minha velha mãe, o inusitado encontro que tivemos há algumas semanas na casa de Tia Olívia. Ela me disse depois, que saiu revigorada após aquela visita.

Luza, Bazinha e eu, ao chegarmos à casa da minha velha e lúcida tia, encontramos as portas e janelas fechadas. Coloquei o ouvido colado na janela por vários minutos e não ouvi nenhum barulho. “Vamos bater mais na porta, ela pode está dormindo ou adoentada” ─ insisti. As duas que me acompanhavam alegaram que uma pessoa não poderia estar só, num calor daquele com as portas todas fechadas.

Saímos à procura da sua nora, vagueando pelas ruelas da famosa “engenhoca”, como era denominada àquela parte da cidade.

No caminho, pelas ruas estreitas de casas humildes, finalmente encontramos a nora de tia Olívia, a qual, fez esta revelação para nós: “ela é assim mesmo fica sozinha por dias e noites, nem se incomoda. A gente deixa a comida dela na sala e volta para casa”.

De volta a sua residência, bateu-se na porta com mais força, e após dois ou três minutos, tia Olívia apareceu com cara de doente, abrindo a porta de sua casa. Mesmo dizendo que estava acamada com uma virose, a sua face não deixou de irradiar aquela alegria contagiante que lhe é sempre peculiar. Após conversa vai, conversa vem, se perguntou:

─ “Como é que a Sra. consegue ficar numa solidão dessas por tantas horas, sem ninguém a lhe fazer companhia em casa?

Ela respondeu cheia de fé: ─ “ Meus filhos! Eu tenho um General aqui comigo toda a hora. Eu converso com ele, canto com ele o dia inteiro. Não sinto falta de ninguém. Quando estou já sem forças para andar, sem ter, às vezes, nem o que comer, eu peço, e o meu general me manda na hora. Graças a Deus não tem me faltado nada.

A esta altura, Bazinha e Luza estavam completamente abismadas e ao mesmo tempo felizes, vendo aquela demonstração de firmeza, que parecia não ser desse mundo nosso de valores fúteis.

Eu saí dali calado, forçando a minha mente, a fim de me lembrar de um versículo do Novo Testamento que dizia mais ou menos assim: “(...) e Ele vos dará um consolador para que esteja convosco para sempre”.

No caminho, de volta para Guarabira, perguntava para mim mesmo: “Como fazer com que a minha velha mãe entenda e sinta que, mesmo na nossa ausência, ela não se encontra só?”

Crônica: por Levi B. Santos. Guarabira, l8 de Maio de 2007

09 maio 2007

O ASSESSOR PEREGRINO




O meu caro amigo e cunhado João Camilo, creio eu, está em contagem regressiva para o inicio de sua maior aventura. É numa hora dessas, que me vem à mente a grande epopéia dos Hebreus, comandada pela inabalável coragem deste grande legislador que foi Moisés. Só que, ao contrário do que vai fazer o meu amigo, o homem das tábuas da Lei empreendeu uma viagem de volta às origens, trazendo o seu povo escravo lá do Egito para a terra dos seus primeiros pais. Desta forma, o feito que João irá realizar está mais para o primeiro patriarca bíblico do que para Moisés. Foi Abraão, quem resolveu contra tudo e contra todos, deixar a sua parentela, para peregrinar por lugares inóspitos e desconhecidos.

Não há mais volta. O ex-secretário de saúde da populosa cidade de Bayeux vai deixar de caminhar conosco, para como Abraão, conhecer novas paragens, novos rostos, novas faces e novos horizontes.

Deixará vazia a sua cadeira, na sala de jantar de sua sogra Bazinha. Era em torno de uma mesa, que mensalmente, a partir da hora do almoço, ele, Davi e eu, juntos com nossas respectivas esposas debatíamos ardorosamente temas sobre política, economia e principalmente religião. Cada um sustentava a sua opinião com argumentos sutis e estratégicos, que, às vezes, descambava para um tom emocionalmente forte. No final das contas aprendíamos todos, uns com os outros, e o saldo era sempre positivo, menos para os desgastados corações a pulsarem rápidos pela descarga de adrenalina.

O idealista e sonhador João trazia sempre um sonho emblemático, para ser decifrado após o almoço. No dizer dele, eu sempre dava uma interpretação que lhe agradava o espírito. Então, ao contar os sonhos, fazendo sempre uma pausa para o seu peculiar fungado alérgico, ele se dirigia a mim desta forma:

─ Levi!, eu quero que você pense demoradamente, e me dê a interpretação desse sonho. Você sempre tem acertado na mosca.

Eu sabia pelas minhas muitas leituras de psicanálise, que geralmente nos sonhos estavam embutidos nossos desejos inconscientes mais prementes. Ora, havia sempre nos seus relatos oníricos, um chefe a lhe ajudar ou a lhe atrapalhar o serviço. E eu me detendo nos conteúdos básicos do sonho, falava para ele:

─ Fique calmo João. Você nunca deixará de estar junto do poder, ─ que nesse sonho era representado pelo presidente (não me lembro se era Fernando Henrique ou Lula).

─ Esse homem tem o dom de interpretar! ─ dizia ele eufórico. Vou sair daqui satisfeito. Ô glória ─ completava ele prazerosamente.

Lembro-me de que só saíamos da mesa, para lá das onze horas da noite, quando a velha Bazinha, minha mãe, nos botava para fora de casa, com veemência, falando assim:

─ Isso já é demais! Acham pouco o que falaram até essa hora! Já é quase meia noite. Meu Deus, e João e Lena, que ainda têm que viajar para longe. Vão, vão embora em nome de Jesus.

E a gente corria para terminar os diálogos na calçada da casa. Era quando mamãe fechava todas portas e janelas, falando de cara feia: “Vou dormir, que hoje vocês me cansaram muito”.

Ontem, numa de minhas noites de insônia, eu refletia: O amigo João esteve sempre em sua vida, assessorando um chefe. Porém, sempre que acabava de desatar mil e hum “nós”, colocando tudo na devida ordem, o “dono do poder” lhe dispensava injustamente. Até hoje, foi sempre assim em sua trajetória religiosa. Interessante, que até na vida pública foi chamado para desvendar inúmeros e quase insolúveis problemas, e sempre que saneava as instituições de suas maracutaias, vinha logo a seguir a sua dispensa por parte de quem estava no poder.

Um dia, em um passado não recente, ele recebendo conselhos, se arvorou de empresário, montando uma sorveteria. Na visão de alguns, ele conseguira enfim o “poder” de ser o dono do seu próprio negócio. Não deu certo. Parecia que Deus estava a lhe dizer: “teu lugar é de assessor”. “Não te quero aqui com este tipo de “poder”.

Refletindo bem, agora, vejo tudo com outros olhos, parafraseando aquele que foi um dos maiores paradigmas do sofrimento humano, chamado “Jó”. João Camilo, você com sensibilidade, dignidade, práticas justas e a transparência que tanto lhe caracteriza, será sempre um assessor a serviço de um poder que não é dos homens e sim de Deus. Não importa se na sua peregrinação pelo mundo afora, colha incompreensões dos que detém o poder institucional, político e religioso. Nessa área você está bastante acostumado a lidar com àqueles, que na maioria das vezes, se deixam levar pela acomodação, e sem forças, param de lutar pela renovação do entendimento.

Caro Camilo. Admiro sua coragem e sua fé, nos firmes propósitos que resolveu assumir com tamanha garra e abnegação. A partir de agora você será um “errante”, como foram os patriarcas da Bíblia. Sou sincero: eu, particularmente, não tenho fé para tanto desprendimento. Foi um desapego mais ou menos idêntico ao seu, que fez o apóstolo Pedro deixar a sua empresa de pesca, em prol de uma causa nobre como a que você irá enfrentar.

Ante uma decisão, como foi esta que você tomou, a única coisa que posso fazer neste instante: é me recolher envergonhado, à pequenez deste mundo, subjugado pela mesquinha irracionalidade única do trabalhar para possuir, a qual, anestesia o individuo deixando-o sem aquele precioso tempo que tinha antes, para se dedicar às coisas do espírito.

Siga em frente, caro “assessor peregrino”. Você é quem está certo.



Crônica por: Levi B. Santos - Guarabira, 10 de maio de 2007

07 maio 2007

CORRAM - QUE AQUI TEM DENGUE!





Chovera torrencialmente durante todo o dia daquele Sábado. Ao iniciar a noite, a chuva deu uma trégua, o bastante para minha esposa, meu filho caçula e sua namorada animarem-se para comparecer a um estudo e um ensaio musical na igreja, como acontece de praxe todos os finais de semana.

Fui levá-los de carro até o templo, de forma apressada, pois já estava passando das vinte horas. Lá chegando, para a nossa surpresa, a igreja estava praticamente vazia. Estirei meu pescoço duro de artrose por entre a janela do automóvel e avistei apenas o porteiro ao lado da porta de entrada. Minha esposa, porém, saiu resoluta para o interior do templo, sem aceder a minha argumentação de que não haveria trabalho naquela noite, pois pelo meu relógio já passava das oito e trinta da noite e não tinha um “pé de cristão” ali dentro.

O meu filho e sua namorada não titubearam um só minuto, resolveram voltar comigo para casa. No caminho, ele pediu para ficar no centro da cidade, perto de uma pracinha. Pelo olhar dos dois, pude concluir que, na falta do trabalho espiritual resolveram dar uma namoradinha. O lado espiritual, desta feita, ficaria para o domingo. Dessa maneira, estaria feito o equilíbrio entre a “carne” e o “espírito” de que tanto falou o apóstolo Paulo em suas cartas.

Estava eu muito bem sentado em uma poltrona da sala de minha casa, no exato momento em que caía um “toró” daqueles. Nem vinte minutos fazia que tinha chegado a casa, e estava lendo restos de noticias de alguns jornais do dia, quando de repente irrompe minha mulher no meio da sala, parecendo um pinto ensopado de água. Toda molhada, mas com um ar de satisfação, como quem tinha saído vitoriosa de uma grande enrascada. Foi logo dizendo com a voz ofegante, com o ar de quem tinha acabado de levar um enorme susto:

─ Meu filho, escapamos de pegar uma “dengue” daquelas.

Joguei os meus jornais para o lado e perguntei, já querendo rir:

─ Como? Eu lhe deixei na igreja, imaginando que mesmo na falta dos alunos para o estudo bíblico, você iria orar por um bom pedaço de tempo!

Não, olha o que aconteceu ─ diz ela com os olhos esbugalhados. ─ Eu estava com uma amiga minha, no subsolo da igreja( recinto destinado aos estudos bíblicos), olhando uma para a cara da outra sem ter o que fazer. Sentado lá mais na frente estavam dois encabulados irmãos de fé, também “paradões” como duas estátuas, em um constrangido silêncio. Foi quando a minha amiga cochichou ao meu ouvido: “não fica bem para a gente ficar aqui, sem assunto, olhando para esses dois homens. Vamos embora?”. Neste mesmo momento em que conversávamos, um dos homens deu um pulo de lado, gritando:

─ Corram! Que aqui está empestado de mosquito da “dengue”.

Segundo minha esposa, aquilo tinha sido a providencial “senha” que Deus mandara para todos saírem dali em desabalada carreira, justificando dessa forma a interessante fuga. Eu, a essas alturas estava embolando de rir, pelo acontecimento trágico e ao mesmo tempo cômico. Ora, pensava eu com os meus botões: “quem já viu um negócio desses?. “Fugirem de um local sagrado, para poderem se refugiar em um lugar mais seguro do que a própria igreja”?.

É mais um dos paradoxos existenciais humanos ─ concluí já refeito do riso. Porém cheguei a conjeturar comigo mesmo: “eles estavam no subsolo, um lugar úmido, de pouca luz e de aspecto sombrio, que na verdade tinha tudo, menos aquela áurea sublime do interior da igreja, por isso, foram tolhidos pelo medo”. Penso que se estivessem na nave da igreja, eles não iriam de maneira nenhuma temer a “dengue”. Caso isso viesse acontecer, seria o cúmulo dos paradoxos. Foi nesse momento que me lembrei do que tinha lido algumas vezes no Velho Testamento: “o lugar chamado de ‘profano’, era exatamente em um determinado local fora do templo”, ratificando o que se diz sempre nas pregações: “que de fora, ficarão os cães”. Refletindo dessa forma, a minha mente fazia uma justificação para a inusitada debandada dos medrosos personagens daquele local obscuro, que servia mais para ensaios, aulas e almoços festivos, que para estudos bíblicos.

Continuava a chover naquela noite e a minha mente insone, por alguns minutos, vagueava, criando suposições que tinham a ‘dúvida’ como fonte de toda especulação. E eu pensava: “Será que os que não tinham ido à igreja tinham ficado em casa assistindo novelas na TV?” “Ou será que a torrencial chuva de inicio de inverno, afugentara a todos para as suas alcovas de cobertores macios e bem quentinhos?”.

Veio-me então outro pensamento: “Como foi inocente o irmão, ao dar o brado para todos correrem dos mosquitos da ‘dengue’, em plena noite, quando, de há muito, se sabe que o fatídico mosquito só pica as pessoas durante à tardinha”. “Por que o irmão confundira o inseto transmissor da dengue com a popular ‘muriçoca’?”.

Do mesmo modo que de uma terra úmida e fértil brotam os mais variados tipos de vegetação, assim estava a minha imaginação a brotar todo tipo de pensamento: “Será que o citado irmão não dera uma cochilada, e tivera uma visão dos perigosos mosquitos transmissores dessa temível doença? Nesse caso, fazendo uma interpretação literal do sonho, ele não mentira, uma vez, que o mosquito da dengue tem as pernas listradas na cor branca e preta, e a muriçoca tem as pernas de uma só cor”. "Ou será que esse irmão para sair do embaraçoso e angustiante silêncio, inventara essa história de dengue como um álibi para a inusitada fuga”?

O certo é que não houve nem estudo, nem ensaio musical naquela noite fria de inverno. As portas da igreja se abriram e se fecharam sem que nada acontecesse, a não ser a enigmática historia não decifrada dos “mosquitos-fantasma” da “dengue”, a espantar os quatro membros que ali estavam inseguros na penumbra fria e silenciosa do porão do templo.

Pelo resto da noite chuvosa tive sonhos assombrosos, de um zoológico enorme contendo inúmeras jaulas, com insetos gigantes a me atordoarem o sono. Eu podia ver, lá estavam os mesmos mosquitos que o irmão vira em sua visão no subsolo da igreja. Só que no meu sonho, os “mosquitos-fantasma” portavam enormes e cabeludas patas listradas de branco e preto, dirigindo-se ameaçadoramente em minha direção.

Acordei na madrugada de domingo com o corpo cansado e todo dolorido. E pensei por último: “Estou com dengue”. Verifiquei a minha temperatura: estava em trinta e seis graus. Fiquei aliviado. Minha esposa ao meu lado roncava a sono solto. Tranquilizei-me com a certeza de que o mosquito da dengue não me picara.

05 maio 2007

CULTO DE DESPEDIDA





A nossa despedida vai ser na Igreja Central de Jaguaribe em João Pessoa. Olhem, espero vocês lá como sem falta” ─ dizia-me o casal Leni (minha irmã) e seu esposo João Camilo, há poucos dias.

Irão assumir um trabalho de missões na Bolívia ─ lugar muito distante, de uma cultura e língua diferentes da nossa. Não posso negar que esta decisão nos surpreendeu, deixando Bazinha (a nossa mãe), Davi (meu irmão) Luza (minha esposa) e Célia (minha cunhada) que formam a parentela mais próxima, meio ressabiada, acostumados que fomos a viver sempre juntos, desde os tempos de meninos. Vivíamos no “bom sentido” à semelhança do seriado da TV Globo: “A grande família”.

Há umas duas semanas, eu fazia uma analogia com o que o evangelista S. João escreveu sobre Cristo lá na Palestina ( João 1, 11), dizendo para João Camilo em tom de brincadeira: “É, você veio para os seus (Paraibanos), mas os seus, ( principalmente os ‘pessoenses’) não o receberam”. Contudo, lá naquele mundão longínquo, os “hermanos” bolivianos estarão a sua espera de braços abertos.

Quanta coragem! Especialmente da parte de Leni. Em um sonho que Camilo me contou há alguns meses, ela aparecia só com água pela cintura, não mergulhada por inteiro como ele, no mar aventuroso do ideal evangélico. João via sempre a sua esposa com a água pela cintura em seus sonhos espirituais. Acho que a despedida se torna mais dolorosa e dura, para quem não está mergulhado até a cabeça. Mas, cá comigo, penso que a parte mais difícil ficou com a mulher, que pela sua própria natureza, tem a sua razão primordial de existir, representada pelo apego a casa, aos seus móveis escolhidos com tanto esmero, seus quadros, seu quarto, e por fim ao filho e as filhas que foram geradas dentro de si. Imagino como foi doloroso para ela, ter que se desfazer de tudo que possuía de bens materiais, digo isso, não pelo valor monetário, e sim pelo valor simbólico da cada objeto. A cada móvel que saia de sua casa, ia embora uma parte de sua história vivida com amor e intensidade. Lembro-me muito bem da bela e lustrosa mesa da sala de jantar, tendo ao redor lindas e confortáveis cadeiras. Em ocasiões como essas, parece que até os móveis de casa são dotados de sentimentos, de tão acostumados ficamos com eles, vendo-os todos os dias por um longo período de tempo. Era em torno daquela mesa que ela sentava sempre com o esposo e os filhos. Aconchegada no belo e macio sofá de cetim ela contava sempre o que havia de melhor para o esposo.

A despedida do casal João-Lena, após todos esses longos anos de convivência juntos no mesmo ninho familiar, certamente, vai fazer o comboio de cordas do coração de todos nós gemer uma música saudosa. O camarada João é um antigo guerreiro calejado na arte de governar, administrar e solucionar grandes “abacaxis”. Vendo por este lado, concluo ser mais fácil para ele superar a dor da separação dos amigos. Contudo, quando ele, por qualquer motivo, se mostrar cansado, creio que a Leni não fraquejará em substituí-lo no comando, como fez a Débora da Biblia (sem querer tirar a coragem peculiar do sexo forte).

Quanto à velha Bazinha (nossa mãe), vamos ter que respeitar com paciência, certos posicionamentos seus. Seu coração de mãe tem razões que a nossa própria razão desconhece. Há alguns dias, na hora do tradicional almoço (a dois) das quintas feiras em que faço atendimento médico em A. Grande, ela, como mãe extremosa, disse racionalmente para mim uma grande verdade: “é muito bom mandar o filho do outro para pregar lá no fim do mundo”. “Todos ficam contentes, mas ninguém quer mandar o seu filho. Não é tão bom! Por que o chefe não manda o... ... ...( final censurado).

Quanto a mim, não gosto de despedidas, apesar de saber que a “despedida” é também uma “chegada”. A despedida é como um barco que vai se afastando da gente. Quem está nele, em pouco tempo, só nos verá como simples pontinhos no horizonte. Para os que estão aguardando do outro lado do mundo é uma “chegada”. Para nós, que aqui ficamos é uma “partida”.

Quando desaparecermos do horizonte de vocês, outros pontinhos aparecerão do outro lado do mundo, e crescerão à medida que o barco for chegando a Santa Cruz de La Sierra.

Ao se afastarem do nosso convívio, encontrarão o fascinante lugar que tanto sonharam. Então, a vida, essa imensa “roda” que não pára de girar, trará para vocês um novo ciclo de amizades e experiências, que substituirão os dramas e comédias da “Grande Família” que aqui fica.

Lá nas noites frias dos “Andes”, quando a saudade apertar, na certa, Leni cantará acompanhada do seu violão, a canção: “o exilado” (hino 36 da Harpa Cristã). Então, de olhos úmidos e fechados, por um instante, viajará na imaginação até João Pessoa e Alagoa Grande ─ seus dois torrões de memoráveis e gratificantes momentos.

Ainda bem, que para o nosso consolo: “DEUS CRIOU A INTERNET”.

Crônica por Levi B. Santos. Guarabira, 06 de maio de 2007