“Eu te amo meu amor”. Quantas vezes recitamos e ouvimos essa frase “clichê” pela vida afora. Quantas vezes a palavra “amor” está sendo repetida por esse mundão de Deus, agora mesmo, quando me debruço para escrever sobre o que sutilmente se encontra por trás desse tão falado e decantado afeto.
Quero falar do sentimento de amor que se confunde com o senso de “poder”. O poder intuitivo de dominar o outro, de tomar posse do outro. Afeto esse, que na maior parte das vezes não se torna consciente, por se encontrar escondido nas instâncias mais obscuras e profundas do nosso ser.
Será que ele mentiu quando disse que a amava tanto, que não podia viver sem ela?.
Será que traduzindo em miúdos, o “amor”, para o galanteador, não se resume a um mero sentimento de posse ─, o desejo possessivo de ter uma pessoa transformada em instrumento ou objeto em suas mãos?.
Às vezes, dizemos que amamos a esposa, o filho, o empregado de casa, ou mesmo um mendigo de rua, sem se ater a uma reflexão mais criteriosa. Reflexão essa, que pode simplesmente desembocar na constatação de que esse “amor” não passa de um sentimento de gratidão, por essas pessoas terem se tornado objetos de nossa dominação. Então, imaginamos que dominamos àquelas vidas, pelo simples fato de “amá-las” muito; na verdade, “as amamos” porque as dominamos.
Por vezes, aprisionamos nossos filhos em gaiolas douradas, e dizemos para nós mesmos: “é para sua proteção”. Racionalizamos que essa preocupação natural é “amor”. No entanto, essa percepção não passa de uma dominação ou propriedade.
O resultado é que quando o filho cresce, o que fica plantado nele é o receio de amar, pois o amor para ele, subtende-se, que é ficar preso e obstado. O amor que trava a liberdade não é amor, é possessão.
Infelizmente, em nossa cultura tratamos os outros como mercadoria. Achamos que para adquiri-los basta que eles fiquem dependentes de nós. Erich Fromm ─ o grande humanista da filosofia clássica alemã, escreveu: “Só há um sentido para a vida: o próprio ato de viver”.
Poderemos até pensar que a educação ensina a amar. Educar como se doma um animal, nunca vai fazer nascer na criança o sentimento do amor. Não podemos negar que, na grande maioria das vezes, o que as crianças aprendem na escola, são modos de representação para indicar para sociedade que elas gostam e aprovam aquilo que foi infundido em suas mentes. Tanto os pais, como os professores ensinam a criança a ser indiscriminadamente amistosa, como os trejeitos ensaiados de como sorrir e tagarelar.
Então, em suma, o que se esconde por trás desse amor artificialmente imprimido?
Escondem-se a jovialidade e a cordialidade adquiridas e expressas no que denominamos: “bons modos sociais”, ditas em outras palavras: “reações condicionadas”. E nós, os pais, ficamos na incumbência de ligar e desligar o interruptor dos nossos autômatos filhos.
Por outro lado, a religião corrobora com todo esse mecanismo de dominação, ao ensinar a esconder os próprios sentimentos. Os atos psíquicos originais da criança, através de subornos, são substituídos por meros clichês de convivência social. Sem poder expressar os seus sentimentos, o ser em formação vai se adaptando a um regime de escravidão psicológica dentro de um mundo ilegítimo e estéril.
Ela, a criança, aprenderá no mínimo, que AMAR, é ter que dominar o outro, e submetê-lo aos seus próprios poderes.
Como haverá lugar para o amor, se o mais alto valor humano é o sucesso? Como haverá lugar para o amor se em nossa vida diária o objetivo principal é nos transformarmos em um mero instrumento de competição dentro de uma máquina que nós mesmos construímos? É no meio dessa engrenagem chamada “sociedade” que tudo se confunde: desejo se confunde com fé; dependência se confunde com benevolência; ações egoístas se confundem com amor e altruísmo.
Vivemos dentro dos meandros de um amor utilitarista que depende da aprovação alheia ─ que faz o homem perder a sua identidade, alienando de si mesmo. É essa alienação constituída pela indiferença a si próprio e aos outros, que faz deitar raízes maléficas em toda a nossa cultura secular.
Não há dúvida de que há muita inverdade e artificialidade por trás daquilo que tão “humanamente” denominamos de “amor”.
O escolástico Hugo de São Victor (século XI), à respeito do amor desinteressado, assim se pronunciou: “[..]Pois o que é amar, senão querer possuir a quem se ama? Na realidade não procuras outra coisa em troca de teu amor, e no entanto procuras e desejas algo naquilo mesmo que amas”.
O Apóstolo Paulo no final de seu memorável sermão sobre o amor, disse: “Agora vemosem espelho, de maneira obscura [...];” (I Coríntios 13 :12)
Está escrito: “o amor é paciente, é benigno. O amor não inveja, não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal. O amor não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade.Tudo sofre, tudo crê, tudo suporta, nunca falha [...]” (Coríntios 13). Nesse mesmo capítulo fala-se de fé e esperança. Esperemos então esse verdadeiro sentimento pleno de amor. “Um dia overemos face a face” ─ disse o apóstolo Paulo, resignadamente.
Peçamos a Deus que nos dê de sua graça e estenda a sua misericórdia sobre nós, pois, somos reles humanos, vendidos como escravos ao pecado. Quanto mais lutamos para conhecer esse amor em toda a sua plenitude ─ do qual Cristo foi portador ─ mas afundamos dentro de nossa desprezível pequenez. “A minha graça te basta, pois o meu poder se aperfeiçoa nafraqueza” ─ foi a resposta Divina dada a Paulo num momento em que ele se deixou levar pelo “poder” da exaltação.
Mas, finalmente, o que há por trás desse sentimento de amor que permeia nossa vida de relação? Será que existe em nós uma verdade latente que resistimos em aceitá-la? Será que não estamos a confundir o sentimento de amor com os nossos discursos amorosos, provisórios e às vezes antagônicos, em relação ao outro? Será que por trás desse discurso afável, de belos gestos e belas palavras, não se escondem odiosos pensamentos e os mais repulsivos intentos? Será que o poder racional de convencimento, que manejamos tão bem, não é uma “meia verdade” que se oculta por trás do nobre sentimento de amor, que tanto se fala, se canta, e se declama em versos, ensaios e prosas?
“...porque o AMOR é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme.” (Cantares de Salomão 8: 6)
Ensaio por Levi B. Santos Gurabira, 23 de maio de 2009
Bem, não sei se foi sonho, visão, ou se foi fruto de minha imaginação. Mas que eu vi, vi. Vi um membro da igreja “O Céu Aqui e Agora” com uma Bíblia em suas mãos. Notei que o Livro Sagrado que ele carregava, tinha volume muito reduzido. Chegando mais para perto dele, pude observar que a sua Bíblia não continha o Novo Testamento.
Fiquei muito curioso, e resolvi abordar o portador do referido livro:
─ Moço! Sua bíblia está faltando a parte principal. A parte que fala da história de Cristo.
Fiquei pasmo e estático com o sermão que ele me pregou como resposta, o qual, passo a relatar aqui na íntegra:
● Se em minha igreja, através de sacrifícios, eu me relaciono diretamente com Deus ─, para que Cristo afinal?
● Se eu tenho o “Manto Sagrado da Prosperidade” para tocar, e tal qual uma vara de condão, adquirir tudo de “bom” que existe na terra, além de transformar o meu saldo bancário de devedor em credor ─, para que Cristo afinal?
● Se eu tenho comigo o exército dos “Trezentos e dezoito”, que pelejam por mim ─, para que Cristo afinal?
● Se eu tenho a “Escada do Sucesso” para escalar e alcançar os píncaros da prosperidade financeira ─, para que Cristo afinal?
● Se eu tenho o “cajado de Moisés” para me fazer atravessar os “mares vermelhos” da vida ─, para que Cristo afinal?
● Se eu tenho a “água do Rio Jordão” para curar sarnas, lepras, psoríases e outras dermatoses de origem demoníaca ─, para que Cristo afinal?
● Se eu tenho o “Óleo do Jardim das Oliveiras” para curar as minhas cefaléias e depressões ─, para que Cristo afinal?
● Se eu tenho a “Rosa Ungida” para me trazer a paz de espírito ─, para que Cristo afinal?
●.Se eu tenho a água do “Mar da Galiléia” para usar como colírio, a fim de tirar a concupiscência dos olhos ─, para que Cristo afinal?
● Se eu tenho semanalmente a “Sessão do Descarrego”, que me limpa de todo o pecado ─, para que Cristo afinal?
● Se eu tenho, com uma simples contribuição monetária - o direito de participar da “Fogueira Santa de Israel” e receber instantaneamente tudo que almejar ─, para que Cristo afinal?
●.Se eu tenho a qualquer hora, quem tire os meus “encostos” que atrapalham a minha vida familiar ─, para que Cristo afinal?
Depois de expor o seu rosário de práticas, evidenciando a desnecessidade de recorrer a Cristo, o moço desapareceu subitamente de minha visão. Fiquei então a matutar com os meus botões.
Foi a partir desse encontro emblemático, que eu pude entender a razão pela qual, na visão daquele jovem, tudo tinha que ser pago: “é que ele realmente não conhecia ainda as ‘Boas Novas’ do Evangelho, onde tudo é de graça, por graça e pela graça”.
NOTA DO AUTOR: Qualquer semelhança com a realidade, não é mera coincidência, pois eu juro que tudo que ouvi do personagem inventado, é a mais pura verdade.
Foto do editor do Ensaios & Prosas entre os seis e sete anos de idade. As "asas" simbolizam a "santidade" projetadasobre ele.
Nunca ninguém havia encontrado algo que desabonasse a sua conduta de “menino crente”. Desde os primeiros anos de “banco” em sua igreja, era um exemplo de criança dedicada e obediente. Do jeito que a sua mãe o colocava no assento, ele permanecia sem se mexer durante todo o culto. Ficava tão impassível em seu lugar, que a um primeiro olhar, mais parecia uma estátua. A mãe se orgulhava quando todos sem exceção diziam: “esse menino é um santo, faz gosto mesmo de ver”.
Chegara à adolescência, sem ter recebido uma só repreensão de seus mestres da escola dominical. Era tido como um verdadeiro gênio das hostes divinas. Todos ficavam abismados com a sua capacidade de decorar textos. As pessoas ao seu redor extasiavam-se ao vê-lo recitar os comentários das lições bíblicas da escola dominical, decoradas em seus mínimos detalhes.
O Pastor eufórico dizia para a mãe do menino-prodígio: “Como é bom ter um filho nascido noevangelho, que nunca provou das coisas do mundo”. “Esse, minha irmã ─ vai longe” ─ dizia com muito orgulho. “Fique certa: Se a irmã o criar assim, separado do mundo, sem deixar elese misturar com essa molecada imunda das ruas, a senhora vai ver Deus fazer maravilhasextraordinárias através dele. Disto eu tenho absoluta certeza” ─, concluía o entusiasmado ministro eclesiástico, mergulhado em seu paraíso utópico.
A casa do “menino que nascera crente” era todo o dia, visitada por parentes e outros que não faziam parte de sua grande família. A sua parentela era imensa, correspondendo, mais ou menos, a sessenta por cento de toda a igreja.
Certa vez, o Pastor em visita a sua casa, disse para sua mãe: “Olhe minha irmã, toda vez que eu prego sobre a parábola do filho pródigo, eu me lembro do seu filho. Vejo Deus mesmo, apontando para o seu filho, como se estivesse a dizer: Esse nunca procederá como o filho pródigo, pois foi criado dentro da doutrina santa e imaculada”.
Às vezes, o menino ouvia alguns admiradores dizerem: “Este foi escolhido desde o ventre da mãe para a obra do Senhor”.
Nunca passara por sua cabeça contestar algo, ou ir de encontro ao que se pregava como recado divino. Era enfim um robô passivo à serviço do Rei.
Foi por volta dos seus 9 anos de idade que um acontecimento surpreendente fizera desmoronar o seu mundo ilusório de santificação. Os “filhos pródigos da vida” ou moleques de rua como eram considerados por sua grande família “cristã”, desmascararam a esquisita história da cegonha contada desajeitadamente em seu meio. Foi um choque, ficar sabendo através do linguajar rude dos meninos de rua (os perdidos), a verdade escondida pelos seus, sobre como tinha sido gerado e vindo ao mundo.
Não era mais um anjo, pois perdera as suas asas. Agora, se sentia “um igual” entre os meninos mal educados de rua. As falsas certezas apreendidas desmancharam-se instantaneamente, dando lugar à desconfiança. Ao perceber que fora enganado, deixou de voar junto aos seus queridos pais, e, o único remédio que encontrou para aliviar as feridas feitas de maneira dolosa, foi sair da inocência do “Jardim do Éden”, caminhando com os seus próprios pés.
Agora, livre das amarras das asas angelicais, ele refletia sobre o avesso da parábola do filho pródigo. Ao ler e reler essa emblemática história bíblica chegou à conclusão de que, por caminhos tortuosos, o seu Pastor tinha alguma razão no que falava. É que, a continuar com o seu virtuosismo, ele estava fadado pela meritocracia eclesiástica, a ser o eterno irmão mais velho da “parábola do filho pródigo” ─, aquele rapaz exemplar, obediente e cheio de virtudes exteriores, mas que lá no fundo ardeu-se de ressentimento e inveja, ao ver o seu desordenado irmão ser perdoado graciosamente pelo Pai.
Ele, enfim, abriu os olhos para enxergar o óbvio: não queria mais ser a cópia de um anjo, a exalar santidade através da mudez de seu comportamento exemplar. Não mais seria uma criatura arrogante e intolerante com os de fora, nem mais espargiria o veneno do ressentimento contra os desprestigiados, sem méritos e sem virtudes ─, os quais, pelas suas próprias condições, tinham tudo para serem alcançados pela graça e misericórdia Divinas. Aliás, graça e misericórdia, ele só conhecera de ouvir falar, pois, ao ser forjado e projetado para ser um anjo, jamais poderia entender a história de um Deus deixando o seu trono para provar em sua própria carne, da ambivalente fragilidade humana, e só assim, poder salvar os que tinham se extraviados pelos descaminhos do mundo.
A fotografia no topo desse ensaio revela claramente o olhar atemorizado do menino que, no dizer dos seus, “nascera no evangelho”. Sobre os seus ombros pesava o fardo da “santidade” regada pelos seus tutores, que ao invés de projetarem sobre ele a graça redentora de Cristo, transformaram-no na figura de um anjo submetido aos caprichos humanos.
A expressão vaga do menino, na foto, é a de quem realmente não pode corresponder ao que o Pastor e seus jovens pais tanto esperavam.
Olhando, agora, para o seu passado longínquo, ele não podia de maneira nenhuma negar que ali estampada na foto, estava a fiel imagem de quem se sentia realmente desamparado, triste, e ameaçado por temores vindos não sei de onde.
Analisando a sua imagem de menino de ontem, o velho de hoje não pode deixar de reconhecer que a fotografia, apesar de estar encardida pelo tempo, revela com cores fortes a contrariedade de quem foi forçado na infância a representar um “eu” irreal.
Ao continuar observando demoradamente o seu retrato de 55 anos atrás, por um instante, sentiu-se como o personagem principal de uma estéril peça teatral eclesiástica.
Estava tão absorto na concentração de sua antinatural imagem infantil, que em sua imaginação, via pender sobre os seus ombros, duas enormes asas angelicais. No entanto, a sua fisionomia triste emoldurada na foto, mais que tudo, revelava um coração bem distante de toda aquela antiga artificialidade religiosa, em que foi criado e exposto, para gáudio de uma platéia ávida de um “sacrossanto” perfeccionismo doentio e inumano.
Ensaio biográfico por Levi B. Santos
Guarabira, 12 de maio de 2009
Logo na noite que antecede o dia das mães, meu carro dá o prego. Lá estão na mala, objetos bem acondicionados em embalagens coloridas com laços de fita, que não chegarão às mãos de minha mãe na data escolhida para ela.
Na manhã de domingo, dia das mães, com certeza, a casa, amanhecerá toda em desalinho, tudo fora do lugar, provocado pela balbúrdia da véspera. Mas, por incrível que pareça, estou a experimentar um fio de silêncio, no alvorecer desse dia, só quebrado pelo tilintar de pratos sendo lavados na pia da cozinha, e pelo cantar dos pardais em bando pelo quintal. È neste clima que me arvoro a escrever sobre MÃE. Como diz o adágio popular: “todo mal na vida traz um bem” ─ o incidente do carro me inspirou este ensaio.
Dia das mães, em conseqüência, também é o dia dos filhos. Dia em que eles perguntam para si mesmos: “Este ano, o que eu vou dar para ela?”.
Ainda bem, que este dia não é comemorado na véspera. Dia este, em que o corre-corre louco das pessoas a se baterem umas nas outras, suadas e angustiadas, nos traz mais transtornos que paz de espírito. Na dúvida sobre o que a mãe vai TER no seu dia, enfrentamos engarrafamentos fenomenais, até batidas de automóveis, tudo isto acompanhado por um barulho ensurdecedor dos alto falantes a misturar aquelas emotivas e velhas canções aos apelos comerciais insistentes e repetitivos, onde o que mais se ouve é: “demonstre o seu amor para com sua mãe, e leve este lindo objeto com preço especial para este dia”. A mãe já tão cansada pelo peso da idade, não merecia uma véspera tão barulhenta e artificial como esta, em que os filhos já sabem o que as mães vão TER, após um sufocante entra e sai das lojas.
A referência feita aqui ao “frenesi” das compras, tem o intuito de levar a uma reflexão mais profunda, pois é no mundo do TER, no mundo dos objetos, que os filhos estão envolvidos, quando, na verdade, ela, a mãe, não diz, mas lá no seu íntimo, ela gostaria mais de estar no mundo do SER. É que tudo, que é de objeto presenteado, será possivelmente guardado em um guarda roupa, um armário, ou em uma gaveta, não aliviando a carência de gratidão que a acompanhará até o próximo “dia das mães”.
Dia das mães é todo dia, porque não há um dia sequer que ela não se lembre, e não peça a Deus por seu filho.
Ofereçam a ela essas duas opções, para ver qual ela escolherá:
1. Um caro presente enviado via malote pelos correios
2. Um ALÔ ao telefone, perguntando como ela está.
Para uma mãe, não há dinheiro que pague a fala daquele que saiu de suas entranhas. E é o telefone, neste dia, o mais valoroso instrumento, a que ela recorrerá para ligar para ele, a fim de poder ouvi-lo dizer à distância: “Diga mãe, o que a Senhora quer?”. Ao que ela responderá na mais sublime frase de Mãe ao telefone:
“Queria só ouvir a tua voz, estava com tanta saudade”.
Ensaio por Levi. B. Santos. Guarabira, 09 de maio de 2009
Dessa vez ele não resistiu. Disse para si mesmo: “hoje eu saio dessa prisão”.
O cárcere do sentir-se culpado e amedrontado por tudo o que tinha praticado desde a sua mocidade constituía-se em sua maior e tormentosa treva. Na sua imaginação, o que o mantinha ainda vivo, eram as penitências que realizava para expiar uma culpa, que a cada dia aumentava mais, tal qual uma bola de neve.
Tinha ouvido por diversas vezes, através do rádio, em praças públicas, nas feiras, nos templos, os pastores falarem: “Deus é amor, Ele já fez tudo por você”. “Ele carregou todas as tuas culpas na cruz do calvário” “Se aceitá-Lo você estará liberto do fardo da culpa”.
Continuava sem entender como expiar tantas culpas que carregava consigo, sem dar em troca algo de si a Deus.
Procurou uma igreja para se congregar.
─ Enfim ─ disse ele ─, irei provar dessa libertação que não está associada a nenhuma sorte de sacrifício.
Por cinco anos conseguira muitas amizades e um bom relacionamento no meio religioso em que sem muitos problemas foi inserido. Galgara alguns postos na hierarquia da igreja. Vivia um trabalho tão intenso que raramente tinha tempo para fazer uma reflexão, ou uma retrospectiva sobre toda a transformação que vinha vivenciando.
Apreciava sempre em seus sermões, historiar como tinha sido a sua conversão:
─ Logo na primeira semana de crente ─ dizia enfronhadamente ─, tinha feito as suas maiores renúncias: jogado fora o cigarro, o baralho, deixado de beber e farrear até altas horas da noite. Decorridos dez anos de atividade eclesiástica, ele tinha se acostumado a uma frenética rotina, que denominava de “divina”. Não perdia um culto. Sentia-se como se estivesse sendo cobrado por Deus quando por algum motivo perdia as reuniões na sua igreja. Foi por esse tempo que começou a se dedicar ao exercício da meditação em suas madrugadas insones.
Certa vez, em uma de suas profundas reflexões, chegara até pensar que não era um convertido, isto é, que não tinha nascido de novo. Mas, nessas ocasiões em que a dúvida sorrateiramente assomava a sua alma, algo em si dizia: “Se deixaste de fumar, de beber é porque és umcrente”. Ele então se acalmava.
Na verdade, em suas horas de desvelamento, ele já vinha vislumbrando que algo não estava batendo com o verdadeiro evangelho de Cristo.
Primeiro ele notou que a igreja estava com dois tipos de pregações: para “os de fora”, ela tinha um espécie de sermão evangelístico tipo “Deus te ama”, “Deus te aceita do jeito que estás”. Para “os de dentro”, os sermões eram quase sempre ameaças doutrinárias, tipo: “Cuidado irmão!Deus é fogo consumidor”; eram ordens e mais ordens: “não faça assim, Deus pode requerer”.
Foi então por esse tempo, que ele descobrira a razão de sua tão alta ansiedade. Vivia se mortificando, se sacrificando cada vez mais, à medida que se achava culpado por não ter alcançado aquela virtude que ainda lhe faltava. Chegava a orar por horas seguidas, intercaladas por dois ou três dias de jejum durante a semana.
Na sua visão atrofiada pela neurose eclesiástica, agora, ele não via só dez mandamentos, via mais de trinta, requerendo dele mais esforço, mais empenho, mais desprendimento. Ele ainda não acordara para entender que aquilo que pensava que era amor, na verdade, era apenas uma artificialidade com seu rol de aspectos exteriores. Aquela preocupação doentia em produzir para Deus, não passava de outro tipo de escravidão.
Para completar o quadro, ele começou a sentir medo, medo de errar, medo de tomar decisões erradas. Algumas vezes, o que surgia em sua imaginação o deixava ainda mais culpado e tenso. Perguntava constantemente para si mesmo: “Crente pode isso?” “É pecado tal coisa?”. Começou a se cobrar mais. Era tão intensa a sua vida espiritual, que já não tinha nem mais tempo para o lazer com sua esposa e filhos. Achava-se tão culpado que sentia como se a ira de Deus estivesse pesando sobre sua cabeça. Quanto mais ouvia sermões de admoestações, mais longe ficava da imagem perfeita de Deus. Por não poupar os seus erros, o sentimento de culpa ia lhe sufocando mais, a cada dia que passava. O ritual, mesmo que meticulosamente por ele executado, não era suficiente para trazer paz a sua consciência embotada pela necessidade premente de práticas expiatórias.
Ele agora se via naquela figura temerosa de criança, recebendo ordens severas do pai. Sua vida de crente parecia mais a de uma criança adotada e insegura.
Talvez, um dia, quem sabe, ele viesse a ter consciência de que as suas práticas religiosas, não passavam de uma penitência inútil pelos erros cometidos em sua vida pregressa. Um dia, talvez, ele pudesse despertar da letargia religiosa que o prendera em uma outra prisão que, tal qual a de antes o tinha condenado a viver de sacrifício em sacrifício, tentando apagar uma culpa, que só Cristo como verdadeiro amigo e irmão poderia redimir.
“Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8 : 36)
Ensaio por Levi B. Santos Guarabira, 05 de maio de 2009
......Com a chegada da INTERNET, ......O mundo agora encurtou. ......É que um país bem distante, ......Da gente se aproximou. ......Para provar sua douçura, ......É pra lá mesmo que eu vou.
......Deixei todos meus pertences, ......Para poder lá entrar. ......Troquei minhas vestimentas ......Por um horroroso “abadá”. ......Puseram então no meu rosto, ......Uma máscara de tafetá.
......É um país desmiolado, ......Que todo dia tem festa. ......Para assistir aos seus shows ......Se leva um sinal na testa, ......Com os dizeres escritos: ......Aqui “Deus” se manifesta.
......Uma barulheira infernal ......Me deixou atordoado. ......De frevo, axé e samba, ......Eu já estava enjoado. ......O brado que mais se ouvia ......Era: “está tudo amarrado”.
......No meio da Gospelândia, ......Um grande palco existia, ......Onde os fariseus de Deus, ......Seu “espírito” recebia. ......Eu achei muito esquisito, ......Pois macumba parecia.
......Senti falta da Palavra, ......E ao pregador perguntei: ......Onde aqui se lê a Bíblia? ......Respondeu-me: eu nada sei, ......E ainda disse por cima: ......Dela eu nunca precisei.
......Você não estuda a Bíblia? ......Perguntei interessado. ......Ele respondeu na bucha: ......Ela me deixa estressado, ......É melhor viver aqui, ......Onde o mal tá dominado.
......Disse ainda para mim: ......Aqui eu tenho sossego, ......Não preciso de Jesus, ......Para viver o meu chamego. ......E pra tirar todo aperreio ......Tem sessão de descarrego.
......Eu fiquei estarrecido ......Quando sério me falou: ......Tenho tudo e nada falta, ......Temos coisa de valor, ......Abriu então uma caixa, ......De amuletos. Que horror!
......No país da Gospelândia ......Pobreza é maldição, ......As doenças são demônios, ......Pecado é ter aflição. ......Prosperidade é dinheiro, ......O estudo abominação.
......Um profeta gospel falou: ......Se vivemos em realeza, ......Com ouro, prata e saúde, ......Tendo tudo com moleza, ......Burrice é pregar o céu,...... ......Sendo dono de riquezas.
......Retirei a minha máscara, ......Despi-me da fantasia, ......Voltei para minha terra, ......Do mal de todos os dias. ......Desisti da Gospelândia, ......Pra ter Cristo como guia.
......Prosa em versos por Levi B. Santos ......Guarabira, 01 de maio de 2009
Nas inquietações e amarguras da vida, intercaladas por instantes de alegrias, tento me manter sóbrio e lúcido, tateando com a débil e ilusória luz do intelecto, o comando do meu próprio destino.
Às vezes tento uma saída desesperada para além dos meus limites. Tudo não passa de um esforço em vão. No meu sufocante delírio, busco desvendar o mistério da vida e da morte. E o que recolho? Recolho apenas as migalhas dos anseios da minha carne transitória.
Tento ir mais além, querendo suplantar o espaço e o tempo. E o que vejo: só miragens. Cada vez que forcejo para sondar o invisível, afundo ainda mais os pés na lama de minha própria ignorância.
Só posso dizer para minhas entranhas estremecidas: “Alma débil! Coração ingênuo, acalma-te, sujeita-te a pequenez do teu pobre e insensato universo. És criatura frágil vinda do barro em que pisas. De que vale golpeares o caos na marcha para o futuro, se arrancas somente sonhos e quimeras, que não passam de efêmeras centelhas de um cérebro incapaz”.
Posso ser livre? Em minha marcha, como posso seguir os ditames do meu pensamento, se ouço dentro do peito um grito? ─ “Por que te empenhas em seguir o Invisível através do desvario de teus próprios sentimentos?” “Chegarás sim, ao lugar de onde partiste, se reconheceres que nada és”.
Não tenho outro caminho. Meu primeiro dever é Te aceitar sem revolta. É reconhecer os limites de minha mente. É trabalhar sol a sol sem protestos e sem desfalecimentos. É viver constantemente desconstruindo-me e reconstruindo-me , em meio ao caos agitado da vida.
Então, para não vacilar e cair, ergo estacas, crio fortalezas, planto ervas para que elas possam mais tarde saciar as minhas graves necessidades. Contenho-me, pois na minha mente, só posso apreender o que a minha visão capta: a fumaça das aparências que escondem a Tua essência.
Mas dessa lama humana, algo me diz que pode jorrar canções divinas, superior a todos os meus propósitos de desvendar com a razão, os mistérios insondáveis que permeiam a minha alma. Reconheço que sou pusilânime, mesquinho e insignificante, mas algo me impele a prosseguir nessa marcha, combatendo dentro da pequena arena acanhada do meu coração. O que me anima, é ter a certeza de que um Deus em um corpo carnal como o meu, fez uma marcha em sentido inverso, descendo de seu trono para me trazer esperança e Paz, em meio ao caos de um mundo injusto e cruel. Esse Deus que encarnou em seu Filho, para me dizer: “[...] o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Marcos 14 : 38)
Ensaio por Levi B. Santos Guarabira, 25 de abril de 2009
É sempre na época em que se celebra a páscoa, que vem à tona, inusitados fatos dos tempos de minha meninice, que ainda guardo indelevelmente na memória.
Ainda hoje, aos sessenta e dois anos de idade, toda vez que visito a minha mãe, no tradicional feriado da Sexta Feira da Paixão, assisto ao mesmo ritual dos tempos dos meus verdes anos. A procissão do “Senhor morto” ainda faz o mesmo trajeto de décadas atrás. Como o velho bangalô dos meus pais fica encravado no topo da ladeira da longa e retilínea avenida central da cidade, fico como um expectador privilegiado de um dos mais antigos rituais da igreja católica.
Foi ali, na murada da sacada de minha casa, que eu senti os meus primeiros terrores, os meus primeiros medos, ao ver se aproximar lentamente, em meio a uma grande multidão, a imagem do Senhor morto carregado em um andor, por quatro homens impecavelmente trajados de branco. Era tão perfeita a estátua, que cheguei, por diversas vezes, a duvidar se aquilo não era um cadáver de verdade: A pele do corpo seminu com a palidez semelhante a dos mortos, os olhos esbugalhados como se estivessem querendo sair das órbitas. E não é que o temor e tremor que tomavam conta de mim naqueles momentos, na minha imaginação, me faziam ver os dedões dos pés do Cristo morto, se mexer!
De início, eu vedava os meus olhos com as mãos, visivelmente atemorizado com àquele fúnebre espetáculo, cujo fundo musical era uma espécie de ladainha lúgubre e chorosa. Mas com o tempo fui perdendo o medo.
Já rapazote, por ocasião das procissões, eu resolvi deixar o Senhor morto de lado, passando a me concentrar mais na figura de um alto e vigoroso homem garbosamente vestido com sua finíssima indumentária branca. Ele fazia parte da dupla da frente que carregava o andor do Senhor morto. A sua posição por ser sempre a do lado direito, fazia-me ver em mais detalhes as peculiaridades de sua fisionomia.
Passaram-se alguns anos. Eu estava na praça central de minha cidade participando com os crentes de todas as denominações, da comemoração do dia da Bíblia, quando ouvi o preletor oficial bradar em alta voz:
- Peço nesse momento, para todos que estão aqui reunidos, erguerem bem alto, o que de melhor vocês adquiriram em suas vidas!
De repente, sobre nossas cabeças surgiu um mar imenso de bíblias de todas as cores, formatos e volumes, tremulando como se fossem estrelas brilhando em plena luz do dia. Mas, algo atiçou a minha curiosidade para saber de quem era aquele braço levantado tão alto, que fazia sua bíblia sobressair sobre as demais. Grande foi a minha surpresa ao constatar, que o volumoso livro de capa preta com o nome Bíblia na cor prateada, era do velho do andor, que passava perto de mim, todo ano, carregando o senhor morto nos ombros e na sua mão direita. Era ele mesmo em carne e osso. Pensei comigo: “o velho finalmente tinha deixado a sua religião, para ser um crente”.
Decorreram alguns anos. Eu, agora estudante da quarta série ginasial, fora indicado junto com outro colega, para fazer uma entrevista com os alunos do Mobral ─ um programa instituído pelo Governo para alfabetização de idosos, que alguns mais afoitos diziam ser destinado unicamente para fins eleitoreiros, pois ensinavam só assinar o nome, para que a pessoa pudesse tirar o seu título de eleitor.
Ao adentrar a escola ─ um casarão velho cheirando a mofo, com extensas áreas das paredes com reboco caído ─, fui surpreendido de tal forma, que fiquei com as pernas trêmulas. Lá no canto direito da sala estava o velho do andor sentado em uma carteira colegial, vestido de branco, como sempre. A segunda surpresa que tive: ele estava sem o seu volumoso livro de capa preta. Sentindo uma vaga tontura, permaneci parado por alguns minutos, antes de esboçar qualquer reação. Apesar de minha enorme timidez, algo lá dentro me dizia: “Coragem! Entreviste o velho do andor!.”
Recebi a autorização da diretora, e me dirigi cambaleante em direção ao velho do andor, para a minha primeira e emblemática entrevista como estudante.
A sala estava abafada, pois só havia uma janela lateral para entrada da brisa do fim de tarde. Após saudá-lo com um “boa tarde”, perguntei o seu nome. Ele me respondeu com a voz arrastada e cansada, devido o peso da idade:
─ Me chamo de Tomaz da Cruz Pordeus ─ falou com a voz desgastada pelo peso da idade. Pronto disse comigo mesmo: era só o que faltava ─ , o homem tem religião até no nome. Parti então para minha segunda pergunta ─ um tanto mal educada:
─ Seu Tomaz! O que levou o senhor nessa idade a procurar aprender a ler e a escrever?
─ Meu filho, estou aqui para aprender a ler, a fim de poder examinar as Escrituras Sagradas, pois, acredito que elas testificam de Deus e seu Filho Jesus. Quero ter a minha própria experiência, para não andar só pela cabeça dos outros – concluiu o velho dando uma tossida rouca no final da locução.
A resposta do velho do andor me desnorteou por completo, levando-me irrefletidamente a perguntar:
─ Mas o senhor já é crente! Eu o avistei, com sua mão direita fortemente empunhando uma bíblia, numa concentração cristã, lá na praça!
─ Meu filho, entre pensar e ser, vai uma grande distância. Eu pensava que era crente. Para felicidade minha, descobri que eu tinha apenas trocado de andor, isto é, trocado de ídolos. Descobri que a sensação que eu sentia ao carregar o andor do Senhor morto, segurando-o arrojadamente na minha mão direita, era a mesma que sentia quando empunhava a minha Bíblia. O meu maior prazer era carregá-la como um amuleto. Por muitas vezes, cheguei a colocar debaixo do meu travesseiro, para ver se acordava mais crente.
O velho do andor despertara-me para enxergar o óbvio: eu estava vivendo, até então, pelo viés das aparências, seguindo um batalhão de mosqueteiros, caminhando para lugar nenhum.
Apesar de ter nascido num lar cristão, e ser um igrejeiro contumaz, tinha ali, naquela breve e significativa entrevista, recebido a maior lição de minha vida. Lição esta que fez desmoronar o falso e frágil alicerce do meu aparente mundo religioso.
Sai dali sozinho, tímido e fraco, mas aliviado do peso forte das certezas acabadas, livre da amarga água do poço, com que saciaram a minha débil e imatura sede de Deus.
Ensaio por Levi B. Santos Guarabira, 21 de abril de 2009
Este selo "melhores blogs da cristandade" foi um presente de primeiro aniversário do AMENIDADES DA CRISTANDADE, dedicado ao seu rol de blogueiros cristãos amigos. Oparceiro de link Teóphilo Noturno do blog Este Mundo Jaz no Maligno ,foi quem me indicou para essa premiação, a quem agradeço de coração, nesse momento.
De acordo com as regras de premiação de selos, passo a indicar sete blogs para esse honroso distintivo. Aí vão eles:
Para receber o selo, se faz necessário seguir as seguintes regras:
1) Colocar o link do blog que ofereceu o prêmio ao seu blog;
2) Escolher outros sete blogs de conteúdo cristão (não importando a corrente ou denominação) para receber a premiação e colocar seus links no post que consta a premiação;
3) Comunicar os blogs premiados;
4) Colocar as regras e a imagem do selo no post de premiação.
..........Tudo não passara de um sonho que tive acordado. Deixei-me, por um instante, ficar cego para o mundo exterior, para que os olhos da minha alma pudessem ver e sondar as profundezas, até então, indevassáveis do meu ser.
No sonho, eu via duas células se juntando. Logo depois elas davam origem a um embrião, que por sua vez se transformava em feto.De repente, uma mulher me apareceu em dores de parto. Percebi após um momento de silêncio, um choro forte de um bebê. Ouvi vozes ao longe: “Nasceu o filho da virgem Maria”. Num segundo, lá eu estava vendo cenas da curta infância do Filho do carpinteiro José. De repente, ele me apareceu aos doze anos, corpo franzino, desengonçado, tinha a cabeleira vasta e desalinhada. Ainda tão criança já estava cuidando das coisas de seu Pai: discutindo religião com os mestres no Templo. Vi-me mergulhado no pequeno mundo dessa tenra criança. Emocionei-me ao vê-Lo aos trinta anos, começando um breve e marcante ministério. Pude ver cenas de verdadeiros milagres. Vi muitas pessoas humildes reunidas ao seu redor, ouvindo em silêncio as suas interessantes lições sobre um Reino muito diferente daqueles que os fariseus preconizavam. Vi também homens que o perseguiam, e, eram esses homens, justamente, os sucessores de Moisés, que tinham a função de zelar pela Lei. Pela maneira que esses homens se comportavam, dava para perceber que estavam fazendo ali um “conchavo” de natureza política. Deu para notar sobre quem falavam. “É melhor que Ele morra,para que não percamos os nossos cargos” , deu para ouvir claramente.
Via-O agora aos trinta e três anos de idade, diante de uma corte de juízes. Ouvi ecoar o brado do veredicto: “será condenado à morte de cruz” , pena máxima para o horrendo pecado de blasfêmia.
Vi depois, um túmulo vazio. Vozes diziam: “ele não está mais aqui”.
Fui transportado para um outro plano. Tinha chegado ao topo de uma colina, com o coração batendo forte, lutando bravamente para impedir a fuga do tempo, que teimava em avançar na sua corrida implacável, deixando dias, semanas, meses e anos para trás.
A uma distância de poucos metros, estava agora diante de dois homens. A certeza veio num estalo: estava presenciando um encontro inusitado entre um Pai e seu Filho. Cheguei mais para perto deles, pisando em lã, para não fazer barulho e não atrapalhar o significativo diálogo entre eles. Pena, que tenha perdido o começo da história que o Filho contava para o Pai, de maneira entusiástica.
Agucei bem os meus ouvidos para escutar a maravilhosa prestação de contas entre o Filho e seu querido Pai. Sentei-me de costas para uma escarpa, cuidadosamente, para não romper com o encanto daquele esplêndido quadro.
No oculto de minha doce solidão, transformei-me num expectador privilegiado de um diálogo, que mais tarde, me abriria os olhos para uma evidência maravilhosa. O diálogo emblemático, assim transcorreu:
─ Corri o risco de nunca mais voltar ─ disse o Filho para o Pai de olhar circunspeto.
─ Não havia outra alternativa para resgatar os filhos da minha maior obra da criação ─ respondeu o Pai ao seu Filho, em tom resignado. ─ Já estava cansado de tantas guerras contra os inimigos do povo que escolhi com tanto amor. Abrão, Moisés, Jacó, Davi foram grandes líderes, mas falharam na hora “H”. Todos foram tentados em seus próprios desejos, e, em maior ou menor grau, sucumbiram às artimanhas da geração daquele que, apesar de ser o mais belo e formoso dos anjos da minha corte, rebelou-se e quis usurpar o meu trono, motivo pelo qual foi lançado nas profundezas caóticas da terra.
Compreendemos que, o maior inimigo do homem não era o seu semelhante afirmou o Pai para o seu Filho. A maior guerra, na verdade, estava sendo travada dentro do próprio indivíduo, entre as forças do mal e a sua consciência regida pela moral e ética que os ditames da minha Lei requeriam. Tornar esse fato, consciente, foi a razão maior do pacto que fiz contigo concluiu o Pai, pousando suavemente a sua mão direita sobre a cabeça do Filho.
─ Não foi fácil meu Pai disse o Filho franzindo o cenho. ─ Instintos medonhos habitam o oceano tenebroso da alma humana. Mergulhei profundamente no abismo profundo desse mar, onde dormem monstros terríveis que não podem ser despertados. Que pude comprovar, senão que a carne é fraca? Todas as vicissitudes e desejos humanos moeram-me por dentro. Doei–me de corpo e alma para viver a tragicidade da condição humana. Por isso mesmo me dispus perante Ti, a ser advogado de todos que me aceitaram como teu Filho, para perdoá-los em suas fraquezas. Está escrito que o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Não poderia entendê-los se o meu relacionamento fosse dentro de uma relação “Senhor escravo”. Eram escravos e eu os transformei em amigos, para que vissem em mim um irmão, e não um senhor. Fiz-me igual a eles para ganhar a sua confiança, afim de que pudessem crer em Ti, através de mim. Desejos atrozes quiseram me dominar. Angustiei-me muitas vezes. Indignei-me com os que fizeram da Tua casa um covil de ladrões. Fui surpreendido com a fé de alguns que não eram judeus. Comovi-me com os que sofreram a perda de parentes próximos. Chorei sobre Jerusalém. Amei e intercedi pelos saudosos discípulos que me deste, os quais, foram uma parte de mim na nobre missão que me confiaste.
Eu ouvia tudo isso com o coração contrito, mas algo na minha imaginação, não encontrava eco em minha própria consciência. Sabia de antemão que Deus por ninguém é tentado. Como compreender que Ele entregara o seu único filho para ser tentado pelo veneno dos desejos pervertidos da milícia de anjos caídos que tinham como poderoso chefão, o ex-anjo de Luz, e agora Rei das trevas?
Ao ouvir atentamente toda a conversa entre eles, a minha mente, que até então estava obscurecida, abrira-se para a compreensão de que Cristo tinha inaugurado uma nova aliança, com o ser humano sob a égide da fraternidade. Fizera nascer o amor entre os irmãos. A barra transversal da cruz onde ficaram estendidos os seus braços na horizontalidade, passou a ser o símbolo maior dessa comunhão entre irmãos.
O inusitado diálogo do meu sonho acordado, trouxe-me à tona o “porquê” de Deus ter abandonado o seu Filho na cruz, a sua própria sorte. Por ter vivenciado todas as vicissitudes do drama humano, sem pecar, coube a Ele, assumir as conseqüências do pecado do homem, sacrificando-se até a morte, para religá-lo com o seu Criador.
Um clarão assomou a minha mente, fazendo-me lembrar do que estava escrito em Hebreus 4: 15: “Pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se de nossas fraquezas, porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado”.
Antes de despertar do meu sonho acordado, vi o Pai levantar-se do seu trono e dar um forte abraço no seu Filho único.
Antes de se retirar, tive a impressão de ver o Filho dirigir o seu olhar até onde eu estava. Não tive dúvida de que foi para mim que ele falou, encerrando o maravilhoso diálogo.
Agora meu Pai, entendendo que a guerra interior entre a carne e o espírito é cruel e ininterrupta, toda vez que o homem fraquejar, Eu intercederei por ele, para que a Tua misericórdia o alcance finalizou o Filho.
Foi essa frase conclusiva que me despertou do sonho acordado, abrindo os meus olhos interiores para enxergar que não estava só na minha caminhada , havia um amigo e irmão sempre ao meu lado, em qualquer situação.
Pai nosso, que estais nos céus, Comercializado seja o vosso Nome. Venha a nós muito dinheiro. Seja feita a nossa vontade: Mansões na terra e um lar no céu.
O milhão nosso de cada dia, nos dai hoje. Perdoai as nossas dívidas, Assim como nós as cobramos dos nossos devedores. Não nos deixeis cair em nossas armações, Mas livrai-nos do fiscal.
Porque este reino, e este poder, São a nossa glória para sempre. AMÉM.
● Não tenho dúvida da existência de Deus. Mas duvido dos discursos atuais acerca de Sua existência.
● Não tenho dúvida de que Deus fala através do homem. Mas duvido do que profetizam em nome desse Deus.
● Não tenho dúvida de que Deus tem poder. Mas duvido dos poderes que são atribuídos a Ele.
● Não tenho dúvida de que Deus deu o seu Filho de graça em sacrifício por nós pecadores. Mas duvido do Deus que faz exigências extravagantes e ameaças de castigo para que se possa segui-Lo.
● Não tenho dúvida de que Deus se manifesta no coração humano. Mas duvido das manifestações absurdas que dizem partir Dele.
● Não tenho dúvida de que Deus se fez carne para ser o maior amigo do homem. Mas duvido de um Deus que se fez carne para nos fazer de súditos.
● Não tenho dúvida de que quem O aceita, já tem vida eterna. Mas duvido dos que O aceitaram, e ainda não tem vida eterna.
● Não tenho dúvida de que Jesus foi tentado em seus próprios desejos. Mas duvido da pregação de um Jesus insensível, sem desejos carnais.
● Não tenho dúvida de que Deus ama o pecador e aborrece o pecado. Mas duvido do evangelho daquele que aborrece o seu irmão e secretamente morre de amores pelo que o mundo oferece.
● Não tenho dúvida de que Deus não nos deu espírito de medo. Mas duvido desse Deus que semeia o terror para aprisionar almas.
● Não tenho dúvida de que Deus pediu para se dar de graça àquilo que de graça se recebeu. Mas duvido de um Deus que pede para vender aquilo que de graça se conseguiu.
● Não tenho dúvida de que Deus trouxe Cristo para bem pertinho de nós. Mas duvido desse Deus que desviou Cristo para bem distante de nós.
● Não tenho dúvida de que o Filho de Deus veio romper a tradição dos nossos pais. Mas duvido desse Deus, quando Ele conclama seguir a tradição paterna.
● Não tenho dúvida de que o “Ide” do Filho de Deus foi para pregar e ensinar. Mas duvido de um Deus que manda pregar e realizar “shows da fé”.
● Não tenho dúvida de que os discípulos do Filho de Deus ao invés de terem ouro e prata, tinham fé e eram cheios do Espírito. Mas duvido dos modernos discípulos que além de ter o ouro e a prata, ainda dizem ter a “unção”.
● Não tenho dúvida de que a oração da fé cura o doente. Mas duvido das curas da “oração da fé” com horário previamente marcado na televisão.
● Não tenho dúvida de que os discípulos deixaram tudo que tinham para seguir a Cristo. Mas duvido de certos discípulos que ganham fortunas por servir a Cristo.
● Não tenho dúvida de que Deus não quer que ninguém se perca. Mas duvido daqueles que em Seu Nome ganham almas, para depois, as fazerem duas vezes filhos do inferno.
● Não tenho dúvida de que o Filho de Deus afirmou: “basta a cada dia o seu mal”. Mas duvido do Deus que alardeia: “tenha a cada dia mais prosperidade econômica”.
● Não tenho dúvida de que os evangelhos falam verdadeiramente de Cristo. Mas duvido das “supostas verdades cristãs” que são expostas, aos montes, nas prateleiras das livrarias gospel.
Por: Levi B. Santos Guarabira, 07 de abril de 2009
Chega afinal, a esplendorosa e tão sonhada noite da Convenção Geral. São precisamente 19.30 horas. Os guardas de trânsito, apressados, abrem caminho dentro da multidão alvoroçada, para dar passagem às importantes autoridades convidadas. Alguns afoitos teimam em não sair da frente do portão principal do estádio. Os policiais, a muito custo, e só com um cordão de isolamento, é que conseguem afastar os mais humildes que queriam a todo custo, tomar assento no interior do ginásio já praticamente superlotado. O alto-falante repete insistentemente: “atenção, atenção, não entra mais ninguém para o início da abertura do evento. Por favor, dirijam-se aos telões de fora do Ginásio”.
A multidão furiosa e curiosa força os portões, querendo ver, pelo menos, a ornamentação belíssima do interior do Ginásio. A polícia é obrigada a intervir por mais de quatro vezes, arrastando alguns teimosos que tentavam pular os muros do estádio, havendo até ameaças de prisões.
Os dois candidatos ao posto supremo da Instituição, com seus fraques deslumbrantes de tons acetinados e furta-cores, da “Armani”, preparam-se para entrar no engalanado prédio, em uma imponente carruagem puxada por quatro treinadas ovelhas. O séquito desliza suavemente sobre um tapete cor de púrpura, desviando-se para o portão principal do Ginásio. Seguindo o cortejo, uma Banda Marcial de 600 componentes toca o “Aleluia de Haendel”. A ovação que se iniciara na rua, se intensifica. Todos os ministros participantes da Convenção Geral da Instituição estão estupefatos com tamanha pompa. Dois canais de TV filmam algumas partes do desfile para o Jornal local do dia seguinte.
A carruagem finalmente pára no interior do Centro de Convenções completamente lotado de fiéis, sob um intenso barulho de palmas e estridentes sons de apitos e buzinas. Repentinamente, todas as luzes se apagam sob um grande estrondo, provocado por gritos de espanto. Alguns chegam a desmaiar, outros entram em crise histérica. A emoção chega aos píncaros, quando labaredas de fogos coloridas caem sobre o belíssimo altar. Em questão de segundos, aparecem luzes multicoloridas piscando incessantemente, ao ritmo de uma orquestra suspensa no ar. A carruagem então se movimenta lentamente na direção do púlpito, que estava localizado à cerca de dez metros. Nesse ínterim se ouve um “Oooooh”, de surpresa ─ ocasião em que é acionado um controle remoto, fazendo os dois candidatos serem ejetados do assento do carro, para num mergulho preciso, caírem suavemente em suas respectivas cadeiras especiais, previamente colocadas no altar ricamente ornamentado. Foi um momento eletrizante e de extraordinária precisão eletrônica.
De repente, sem que desse tempo para se respirar, um vasto pano azul celeste estende-se acima de todos, bem rente ao teto, desenrolando-se de ponta a ponta, até o portão de entrada do estádio. Por entre as frestas quase imperceptíveis do tecido, podiam-se ver estrelas cintilantes descendo, subindo e circulando no imenso espaço. Parecia mais um céu límpido e estrelado em noite de lua cheia.
Os fiéis já não agüentavam mais de tanta emoção. Olhando para cima, tinha-se a impressão de que o Ginásio estava com o teto aberto, e com o céu a despejar estrelas no seu interior.
Por último, um barulho ensurdecedor toma conta da multidão, ao mesmo tempo em que aparecem, não sei de onde, anjos artificiais reluzentes, numa imitação perfeita dos anjos relatados na Bíblia, descendo através do tecido azul celeste. Os anjos apresentam movimentos de asas, de lábios, e de pálpebras, e dão vôos rasantes de um lado para outro, em várias direções, soltando uma fina poeira de cor prata-incandescente sobre os fiéis emocionados. Muitos com medo de serem atingidos pelos seres angelicais, se abaixam, outros chegam a se deitar. Vindo de uma abóbada incrustada de pedrarias amarelo-ouro ─ por sobre o púlpito ─ uma voz estereofônica se fazia ouvir: “este é o meu filho em que me comprazo”. Tudo isso ao som sublime de uma bela sinfonia de “Schubert”. Por trás do púlpito pipocam girândolas de raios multicores, deixando uma fumaça vermelho-azulada com cheiro de jasmim, recendendo no ar.
Para esse milionário “show”, fora contratada uma equipe especializada de técnicos da Disney em Orlando – EUA, responsável pela montagem de toda a parafernália eletrônica, que constava de vinte sofisticados sistemas de roldanas, rodeadas por um montão de fios ligados a uma central de computação instalada em cima do teto do Ginásio. Todo o trabalho fora efetuado sigilosamente, sem que ninguém suspeitasse. Comentava-se “à boca pequena” que fora esta mesma equipe que montara o show de abertura das Olimpíadas de Atlanta em 1996.
Antes de ser iniciada a votação de cartas marcadas, os ministros agradecem em fervorosa oração, por tudo ter saído maravilhosamente bem. O grandioso espetáculo de abertura da convenção ocorrera sem uma falha sequer.
A maioria dos convencionais estava imensamente satisfeita. Se alguma dissidência havia, com relação à chapa da “situação”, ela foi desfeita pela ousadia dos que conseguiram com maestria incomum, trazer as delícias deslumbrantes do céu para dentro do Centro de Convenções.
Ensaio-ficção (ou realidade futura) por Levi B. Santos
Os congressos e CONVENÇÕES, ..Com a melhor das INTENÇÕES ....Deixam os nervos em TENSÕES; ........Deixam a mil, .os ..CORAÇÕES, ..........Ao mostrar mais .INVENÇÕES, ..........,....Tal qual insossas REFEIÇÕES ....................Fornecidas ..nas ..PENSÕES.
....Tudo é coisa muito CHATA, .......Que irrita a gente PACATA, ..........E que por educação ACATA .............A discussão - INSENSATA. ................Recebe então uma - LATA, ...................Que tem por dentro a NATA, ......................Se comer, ela o MALTRATA.
..........Acabada a BRINCADEIRA, .............Após muita FALADEIRA, ..................Ele enrola a BANDEIRA. ...................Levantando da CADEIRA, .....................Se espreguiça de CANSEIRA, ........................Sai sentindo uma ZONZEIRA ............................De escutar tanta BESTEIRA.
Todo mundo conhece de cor e salteado a história de Judas Iscariotes ─ personagem marcante, que fazia parte do grupo seleto dos doze que Cristo escolhera para o seu ministério aqui na terra. Judas estava no meio dos discípulos, mas o seu projeto visava mais o reino daqui de baixo, cujo deus se chama “Mamon”. Foi ele o articulador do mais audacioso plano religioso-comercial daquela época ─ o da venda de Cristo por trinta valiosas moedas de prata”.
Jesus escolheu Judas, para ser o contraponto da mensagem de um Reino que não era desse mundo, justamente por saber que o seu futuro traidor, era por demais, ligado a área monetária, e porque não dizer: a área do enriquecimento ilícito. Judas, o discípulo da prosperidade terrena, deve ter considerado Simão Pedro um otário ou imbecil, pois, realizara a tolice de deixar a sua empresa de pesca para seguir o Mestre dos mestres.
Judas, ao vender o seu Mestre, naturalmente deve ter imaginado: “Puxa, fiz um grande negócio ao trocar Jesus por estas trinta moedas. Ele não é bobo, quando estiver às vésperas da condenação, como Filho de Deus, fará o maior milagre de todos os tempos: fulminará todos os seus algozes instantaneamente ─ e assim, eu terei unido o útil ao agradável ─ além de rico, participarei como mentor maior de um futuro reino, em Jerusalém”.
Raffaele Mertes, diretor do filme lançado em 1999, sobre a história do traidor, mostra um Judas frustrado e visivelmente abalado, ao constatar que Jesus, em seus últimos momentos de vida, não usara os seus poderes Divinos para libertar-se dos seus algozes. Judas ao ver seu sonho terreno cair por terra, desesperançado, toma a decisão trágica de se enforcar.
Hoje, num momento conturbado de nossa história, alguns discípulos interesseiros estão resgatando a mensagem e o projeto de Judas, ao expor nas prateleiras das livrarias gospel do nosso país, bíblias de preços exorbitantes, com títulos reluzentes, como algodão-doce-colorido que faz a festa da criançada, para enganar as incautas ovelhas que não examinam as Escrituras Sagradas. Estão usando o mesmo método de Judas: vendendo o produto “cristo”, para engordar os seus paraísos terrenos.
Comentários, que são verdadeiros atos de profanação, estão sendo acrescentados nos rodapés das páginas do Livro Sagrado, com o mesmo propósito espúrio de que foi movido Judas: fazer de Cristo um produto para uso e abuso dos marajás de um reino terreno e fugaz.
Essa bíblia de cunho financeiro, que muito bem poderia ser denominada “Bíblia de JudasIscariotes”, tem elementos e caracteres básicos para ser diferenciada das demais. Senão vejamos:
............─ Ela não estimula pregar a Palavra, e sim vendê-La.
─ Ela não estimula a ser mais crente, e sim a ter mais crentes.
─Ela não estimula a ser mais prudente, e sim mais astuto.
─Ela não estimula o crescimento interior, e sim o exterior.
─Ela não estimula a pacificação, e sim a competição.
─Ela não preconiza o sofrer por amor da justiça, e sim a gozar com o fruto da injustiça.
─Ela não preconiza a transparência, e sim a aparência.
─Ela não oferece jugo suave, e sim juros pesados.
─Ela não promete aflição, e sim comissão.
.......
É preciso que fiquemos de prontidão, pois, o anticristo sutil que deturpa a Palavra para fins mundanos, já está entre nós, como foi predito lá em I João 4 , 3: “[...] Este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e agora já está no mundo”.
Ensaio por Levi B. Santos
Guarabira, 24 de março de 2009
TEXTOS PUBLICADOS PELO AUTOR DO BLOG - EM REVISTAS E JORNAIS DE CIRCULAÇÃO NACIONAL:
Comentário de Levi Bronzeado - Sobre "Duelo de Abusos - STF" - VEJA - Edição 2632 (Pág 14)
Em tempos sombrios, como os que ora vivemos, nunca é demais lembrar Montesquieu, especialmente em Do Espírito das Leis: “Tudo estaria perdido se o mesmo homem ou o mesmo corpo dos principais, ou dos nobres, ou do povo, exercesse estes três poderes: o de fazer leis, o de executar as resoluções públicas e o de julgar os crimes ou as divergências dos indivíduos”. Levi Bronzeado dos Santos - Guarabira, PB
Comentário de Levi Bronzeado Sobre a Tragédia de Brumadinho - VEJA - Edição 2621 (pág. 16)
De nada adianta a Vale apresentar desculpas esfarrapadas. Os especialistas são quase unânimes: esse tipo de barragem, bem antes de romper, dá sinais evidentes de que algo grave está para acontecer. Levi Bronzeado dos Santos - Guarabira, PB
Comentário de Levi Bronzeado sobre "A Fadiga da Democracia" - VEJA - edição 2595 (Pág. 34)
Nunca foi tão grande a distância entre os partidos e a sociedade. Quando isso acontece, a autocracia aparece. Levi Bronzeado dos Santos - Guarabira, PB
Comentário de Levi Bronzeado - Sobre "Burocracia" - VEJA - Edição 2452(pág. 26)
A que ponto chegamos. Enquanto autoridades da alta esfera de nossa vilipendiada república andam articulando acordãos para salvar sua própria pele, os pequenos e médios empreendedores do país, para ficar em dia com suas obrigações, se submetem de forma humilhante aos mais desastrados ditames de uma emperrada máquina administrativa. Como empregador doméstico fui recentemente atingido pela incompetência do site eSocial que custou aos nossos suados bolsos mais de seis milhões de reais. O fato de a mandatária maior da tão propalada “Pátria Educadora” não ter ido aos meios de comunicação se desculpar de vergonhosa trapalhada, por si só, evidencia extrema falta de respeito aos trabalhadores brasileiros que levam seus compromissos a sério. Faço coro à expressão de indignação estampada na capa de VEJA: “É de lascar!”. Levi Bronzeado dos Santos - Guarabira, PB
Comentário de Levi Bronzeado - Sobre "Segredos Devastadores" - VEJA - nº 2437 (Pág. 30)
O olhar distante e vago do ex-presidente Lula na genial Capa de Veja (29 de julho) me deteu por longos minutos. Vi as dores da alma refletidas nos olhos do outrora homem mais poderoso de nossa vilipendiada república, um olhar de quem não tem a mais remota dúvida de que não há nada mais a fazer. Na foto residem a melancolia e a resignação de quem espera o desfecho fatal de um enredo que não deu certo. Levi Bronzeado dos Santos. Guarabira, PB
Comentário de Levi Bronzeado sobre o "Planalto e o TCU" - VEJA (Edição 2390 - pág. 36)
Antes de votar, todo cidadão deveria tomar conhecimento da reportagem “Eu Sei Bem a Que Devo” (03 de setembro). A farta documentação exposta pelos jornalistas, Robson Bonin e Hugo Marques, não deixa dúvida de que a presidente Dilma Rousseff, desde 2008, vem adotando tráfico de influência junto ao Tribunal de Contas da União (TCU). A pouco menos de um mês das eleições, VEJA presta mais um grande serviço ao Brasil, revelando em detalhes como funciona o “toma lá dá cá” entre a Casa Civil da Presidência da República e o órgão cuja função precípua seria investigar o próprio Governo. Levi Bronzeado dos Santos Guarabira, PB
Comentário de Levi Bronzeado sobre "A Fraude da CPI da Petrobrás" - Edição 2386 de VEJA (pag. 30)
Mais uma vez estamos perplexos com os escabrosos e vis procedimentos de um governo perdido, em conluio com figuras de “alto calibre”, cooptadas para exibir uma ópera-bufa no grande “teatro” de Brasília. Levi Bronzeado dos Santos Guarabira, PB
Comentário de Levi Bronzeado sobre “Roberto Civita” (in memoriam) – VEJA (edição 2325 – pag.36)
Fiquei imensamente emocionado ao ler a reportagem especial sobre as antológicas memórias do fenomenal editor, Roberto Civita, que com denodo incomum conseguiu manter a distribuição do semanário “Veja” por todos os rincões do Brasil, numa época em que a liberdade de imprensa encontrava-se cerceada pela ditadura militar. Em 11 de setembro de 1968, dia em que comemorava meus 22 anos de idade, a primeira edição dessa magnífica revista foi o meu maior presente, adquirida na modesta e única banca de revistas de minha pequena cidade natal ― Alagoa Grande – (PB). De lá para cá, a VEJA ― estrela maior da constelação de revistas da Editora Abril ―, consolidou-se como parte inerente a mim e a todos os que compõem o meu lar. Levi Bronzeado dos Santos. Guarabira, PB
Comentário de Levi Bronzeado sobre “Mapeamento da Mente” – VEJA – Edição 2312 (pág. 32)
Os achados recentes da neurociência são surpreendentes. VEJA apresentou, de forma clara e objetiva, os avanços no mapeamento do cérebro. Os conceitos freudianos, no entanto, não devem ser desprezados. Levi Bronzeado dos Santos – Guarabira, PB
Comentário de Levi Bronzeado ao Artigo "O Preço do Poder" - VEJA (Edição 2297 - pag. 44)
O dinheiro compra “tudo”?. Talvez, na solidão de suas reclusões, os utilitaristas venham, enfim, a compreender que o “vil metal” não tem o poder de comprar a paz de espírito. Levi Bronzeado dos Santos Guarabira, Pb
Comentário de Levi Bronzeado ao tema - "Eu Decido Meu Fim" - Veja - edição 2287 (página 40):
Há poucos dias, eu, aos 66 anos de idade, como médico aposentado, vivi um drama quando assistia, em domicílio, minha mãe de 87 anos, portadora de um quadro clínico irreversível. Ela expôs a vontade de abandonar, como abandonou, os sete medicamentos que vinha tomando, alegando que seu viver não tinha mais sentido diante de tanto sofrimento. Disse-me que, a partir daquele momento, estava tudo entre ela e Deus, e que deveriam respeitar sua decisão. Fiel ao juramento que fiz ao término do curso de medicina ― o de utilizar todos os recursos para aliviar o sofrimento dos doentes ―, decidi, contrariamente a sua vontade, levando-a ao CTI de um Hospital. Lá, ela ficou monitorizada por dois dias. Tranquilizou-me perceber que, durante o período de assistência intensiva, a atroz agonia que lhe consumia tinha, enfim, sido aliviada, apesar da ausência dos entes queridos junto ao seu leito. Levi Bronzeado dos Santos Guarabira, PB
Comentário do Editor do Blog Sobre "Corrupção" - VEJA n° 2229 (pag. 34)
As apurações a cargo dos seus renomados jornalistas, todas comprovadas por testemunhas e fartas provas documentais, estão dando fôlego à presidente Dilma para agir com rigor contra as quadrilhas que se aninharam no governo. O saneamento do Dnit já foi realizado. Agora é a vez do Ministério da Agricultura. Levi Bronzeado dos Santos Guarabira, PB
Comentário do Editor do Blog na VEJA 2219 (pag. 38) - Sobre "Obras Para a Copa de 2014"
Que essa brilhante reportagem seja um sonoro alerta para o Ministério Público agir com rigor na apuração de malversação dos recursos da nação por aqueles que descaradamente, se locupletam deles através da prática vil do sobrepreço de materiais e serviços nos empreendimentos públicos. Meu temor é que o governo, no intuito de fazer caixa, use o expediente da dispensa de licitação, alegando urgência para concluir as reformas em tempo hábil. Levi Bronzeado dos Santos Guarabira, PB
Comentário do Editor do Blog na VEJA N° 2215 (pag 43) - Sobre o Artigo: "Veja Funciona"
Venho acompanhando a revista Veja desde a sua primeira edição (setembro de 1968), nos duros tempos da ditadura militar. Durante mais de quarenta anos tenho sido testemunha de sua luta em prol da democracia, ao reprovar de forma veemente os desmandos dos políticos que se elegem com o único propósito de dilapidar o patrimônio da nação. Só na edição desta semana (N° 2.214), num olhar rápido, já dei de cara com cerca de nove páginas trazendo valiosas informações sobre andamentos investigativos de procedimentos criminosos por parte dos que deviam dar exemplo de honradez e honestidade ao lidar com a coisa pública. Indubitavelmente, o Brasil deve muito de sua normalidade institucional às reportagens minuciosamente dissecadas pela corajosa equipe de editores, que fazem desse semanário, um dos mais respeitados órgãos de imprensa do mundo. (“VEJA Funciona”, 27 de Abril) Levi Bronzeado dos Santos - Guarabira - PB
Comentário do Editor na Veja n° 2159 ( pag 37) - Sobre o Kit-campanha de Dilma Roussef
Com a reportagem "O kit da candidata é um luxo" (31 de março), VEJA prestou um inestimável serviço à nação, ao mostrar aos eleitores o "homem dos 12% de propina" que vai comandar a campanha da Dilma. Creio que num possível governo, diante de uma encrenca tipo "mensalão", a presidenta não terá como alegar que "nada sabia", a não ser que a amnésia crônica do seu compadre Lula já tenha contaminado os seus neurônios. Levi Bronzeado dos Santos Guarabira, PB
Comentário do Editor do Blog na VEJA - sobre Lula e a ditadura cubana (pag. 40 - edição 2155)
Como cidadão brasileiro, senti-me imensamente envergonhado quando vi o maior mandatário de nossa nação afagando Fidel Castro, o maior ditador de todos os tempos, ao mesmo tempo em que fazia vista grossa a um preso político que, nos estertores de sua agonia, pedia a sua atenção nos porões infectos da ditadura cubana. Nunca na história recente de nosso país vi tamanha falta de sensibilidade por parte de um presidente ("De olhos bem fechados", 3 de março). Levi Bronzeado dos Santos Guarabira, PB
Comentário do Editor na VEJA ( página 20) - sobre o LIVRO SAGRADO (Edição Especial do Natal 2009)
A reportagem especial foi um belo e valioso presente de Natal que VEJA ofereceu aos seus assinantes. Com clareza e elegância, Isabela Boscov conseguiu demonstrar como a Bíblia, código fundador de nossa cultura, permaneceu com sua densidade espiritual incólume através dos séculos. Muito embora esse livro sagrado tenha centenas de sentidos diferentes em sua narrativa, nunca deixará de ser uma fonte de riqueza inesgotável, da qual jorram lições de ética, bondade, justiça e liberdade ("A história sem fim", 23 de dezembro). Levi Bronzeado dos Santos Guarabira, PB
Comentário de Levi Bronzeado sobre a "crise global dos mercados" (pag 30 da edição 2082 de VEJA)
Um grito ecoa nos céus de Wall Street: "Socorram os tubarões do mercado imobiliário! Não deixem faltar o seu principal alimento, que são os peixinhos incautos e indefesos do tenebroso oceano do capital selvagem". Levi Bronzeado dos Santos Guarabira, PB
Comentário de Levi Bronzeado sobre o "Custo da Saúde" (página 39 da edição 2061)
Gostaria de acrescentar outro fator que tem contribuído para aumentar os gastos com a saúde do nosso tão sofrido povo. Não podemos negar que nós, médicos, ao recorrer de forma metódica a exames caros e sofisticados, somos em parte responsáveis pelos reajustes dos planos de saúde. É evidente que, se não tivéssemos tanta pressa em nossas consultas e dedicássemos mais tempo à análise minuciosa da "história" do doente, valorizando seus sintomas, faríamos o diagnóstico da maioria dos casos sem o obsessivo hábito de recorrer a procedimentos complementares de alto custo. Levi Bronzeado dos Santos Ginecologista Guarabira, PB
Comentário de Levi Bronzeado - sobre "cels tronco" ( pags 39 e 42 da edição 2057 de VEJA)
O lúcido ensaio de Roberto Pompeu de Toledo chegou em boa hora, no exato momento em que o STF se prepara para uma histórica decisão. O texto desse grande ensaísta, defensor das pesquisas com células-tronco, além de irretocável, foi providencial, devolvendo a esperança de cura aos portadores de doenças degenerativas do cérebro. Ao não defender uma vida digna para os doentes que podem se beneficiar dos avanços da ciência, a Igreja Católica simplesmente deixa de lado a misericórdia – pedra fundamental do Evangelho de Cristo. Levi Bronzeado dos Santos Guarabira, PB
Comentário de Levi Bronzeado - sobre "Hipertensão" ( pag 34 da edição 2053 de VEJA)
É salutar a evolução dos anti-hipertensivos, porém, como sinal de alerta, gostaria de deixar registrado o meu caso. Como médico aposentado, aos 61 anos de idade, fui surpreendido ao constatar que os meus níveis de tensão arterial estavam em 14 por 9. Sem fazer uso de medicamentos, comecei a caminhar durante 45 minutos três vezes por semana, restringi o sal e passei a usar adoçante dietético no lugar do açúcar. Ao cabo de dois meses, tinha perdido 3 quilos do peso corporal, e a pressão arterial havia baixado para 11 por 7. Infelizmente, a ausência de simples medidas preventivas, como as que tomei quando a hipertensão ainda era leve, tem levado muitos à incapacidade física ou à morte por acidentes vasculares cerebrais ("12 por 8, a missão", 19 de março). Levi Bronzeado dos Santos Guarabira, PB
Comentário de Levi Bronzeado sobre "psicossomática" ( pag 33 da edição 2038 de VEJA)
A reportagem de capa "Emoções e saúde" me deixou imensamente gratificado. Como ginecologista, trabalhando há 33 anos na área de prevenção do câncer cérvico-uterino, quero afirmar que o transparente e lúcido trabalho a cargo de Anna Paula Buchalla prestou uma das maiores e inestimáveis contribuições à saúde pública do país. Em preciosas oito páginas, VEJA confirmou o que venho observando em minha prática diária de consultório: as mulheres portadoras do HPV, possuidoras de um efetivo equilíbrio emocional, têm seu sistema imunológico reforçado. Como conseqüência, em pouco tempo, elas se vêem livres das lesões provocadas pelos diversos tipos de vírus sem necessidade de recorrer a medicamentos ou procedimentos cirúrgicos. Levi Bronzeado dos Santos Ginecologista Guarabira, PB
Comentário de Levi Bronzeado, sobre "partidos políticos" ( pag 48 da edição N° 2037 de VEJA
Como leitor de VEJA, venho tendo semanalmente verdadeiras aulas sobre como funciona a astúcia institucionalizada, sob o rótulo falso de "política". Aprendi que no país do mensalão a "oposição" inexiste. O que existe são grupos "em posição" de dar o bote. Levi Bronzeado dos Santos Guarabira, PB
Comentário de Levi Bronzeado - sobre a coluna do Diogo ( pag 51 da edição 2035 de VEJA)
A denúncia que Mainardi fez aos quatro ventos está sendo apurada na Itália ("Tem algum procurador aí?", 14 de novembro). Nestas terras de dom João VI, as autoridades ainda estão "deitadas em berço esplêndido". Agüente firme, caro Diogo. Não se mude para a Europa. Sua coluna está passando o Brasil a limpo. Levi Bronzeado dos Santos Guarabira, PB
Texto de Levi B. Santos sobre a "Crise e os Carros" no caderno A do Correio da Paraiba (21/01/2009)
Uma das recentes preocupações do mundo globalizado, e que a imprensa vem dando uma cobertura toda especial, é a relativa à crise das montadoras de automóveis. O governo dos EUA já desembolsou quantias bilionárias para salvar a GM, a FORD, e a Chrysler. No Brasil as nossas autoridades econômicas vêm fazendo de tudo, tentando manter o ritmo de crescimento dessa indústria. Para isso criou várias facilidades, entre as quais, a diminuição de impostos do setor.O mercado saturado de automóveis não dá bolas para as cidades entupidas de carros, em detrimento da população que vem perdendo a cada ano o seu direito de livremente circular pelas ruas. Na grande metrópole, São Paulo, as ruas não são mais das pessoas, são tomadas por filas intermináveis de carros praticamente parados, andando a uma velocidade menor que a do pedestre. Até agora, todas as tentativas de melhorar o trânsito na nossa maior cidade foram infrutíferas.Quem, porventura, tiver a ousadia de tentar disputar o espaço com esses bólidos automotivos nas grandes cidades, pagará caro. O pobre do pedestre é obrigado a aceitar como "coisa" normal, os barulhos acima de sua capacidade auditiva, a poluição no ar que se respira, sem falar da invasão desrespeitosa de seu já exíguo espaço, entre outros infernais incômodos.Não é de se pensar que essa crise caiu do céu? Não seria esse o momento para uma reflexão mais profunda por parte de nossas autoridades? Não seria essa a ocasião propícia, para entender que as cidades já não suportam a grande quantidade de automóveis existentes, além do que é despejado anualmente pelas montadoras? As nossas estradas e vias urbanas não têm as mínimas condições para oferecer um tráfego razoável.
A MÍDIA E O SUDÃO - Texto de Levi B. Santos no caderno A6 do Correio da Paraiba (10/01/2009)
Já duram catorze dias os bombardeios de imagens que adentram os nossos lares, transmitidas pelas nossas telinhas de TV. As cenas de crianças e adultos despedaçados em meio a prédios destruídos nos deixam comovidos e estupefatos. Em um recente artigo, Reinaldo de Azevedo fala que os cadáveres de crianças palestinas mostrados pela mídia televisiva têm um efeito pior do quem as bombas jogadas por Israel, porque estimulam mais ainda o anti-semitismo em todo o mundo.A cada dia que se passa, as manchetes dos maiores jornais do país estampam a gradativa soma de mortos no conflito Palestino- Israelense.A grande tragédia que está acontecendo no Sudão não nos causa nenhum transtorno, justamente pela escassez de imagens transmitidas da carnificina naquele recanto do mundo. “Uma imagem vale mais do que mil palavras”. Sendo assim, ficamos de olhos fechados para uma mortandade trezentas vezes maior do que a do Oriente médio, por falta de cobertura. Os senhores governantes mulçumanos da guerra do Sudão já contam 300 mil mortos entre cristãos e animistas, afora os três milhões de refugiados que se deslocaram para Darfour. Diante dessa gigantesca guerra civil no Sudão o conflito da palestina parece ser coisa secundária. Lógico, que não interessa a mídia apresentar as imagens do nosso paupérrimo povo-irmão africano sendo dizimado de forma selvagem. Com certeza, as guerras tribais desse povo não elevam o Ibope. Lá não há jogo político de grandes proporções. Enfim, a África não é a vitrine do mundo, até porque as vidas dos africanos são a nossa nódoa maior. E como tal, está sendo colocada lá no porão do esquecimento, como uma criança faz com um brinquedo velho e imprestável.
Texto de Levi B. Santos publicado no caderno A do Correio da Paraiba de 07/01/2009
Venho assistindo diàriamente há mais de uma semana a carnificina do Oriente Médio transmitida ao vivo via televisão e internet. Em pleno século XXI, olhando pedaços de cadáveres e sangue fluindo como rios, em contraste com a alegria do pipocar das rolhas de champanhe saudando o novo ano, eu me pergunto: Em que a civilização está nos abrandando?Se o que se entende por civilização for o jogo de palavras e manchetes inúteis da ONU, dos EUA e dos principais governos da Europa diante de uma guerra, ela desenvolveu no homem por todos esses séculos apenas uma diversidade de sensações... e nada mais. Não seria mais honesto se estes homens se desnudassem de suas máscaras e admitissem que, lá no fundo, encontram certo prazer no derramamento de sangue?
Bombardeios no Natal - Texto publicado na página A6 do Correio da Paraiba de 30/12/2008
Hoje (27 de Dezembro de 2009), após o café da manhã, entro na internet, e deparo com o real natal da suposta terra santa Israel. A foto (acima estampada) mostra o violento e insano bombardeio, cometido ao ocaso da data em que se comemora o nascimento de Cristo. A triste notícia está em destaque no topo do site da UOL, encabeçada pelos seguintes dizeres: “Israel ataca faixa de Gaza em represália. Ao todo são cerca de 155 mortos, e mais de 300 feridos em estado grave". Nessa época em que se deseja a “paz” entre as nações, por ironia, é justamente na terra em que Cristo viveu e pregou as “Boas Novas de Paz”, que o ódio e a vingança exalam os seus vapores mais bestiais. Para corroborar o que digo, leiam o que diz um trecho da recente reportagem: “A organização Hamas pediu aos seus seguidores que 'vinguem pela força' os bombardeios israelenses na Faixa de Gaza". "Pedimos que nossas tropas se vinguem pela força às operações do inimigo israelense" - conclamou o porta-voz do Hamas em uma mensagem difundida na emissora de rádio da organização. Tudo isso que está ocorrendo lá na Palestina confirma a rejeição por parte desses povos em constantes atritos, de um dos pilares básicos do evangelho de Cristo, que preconiza o AMOR AO INIMIGO. Lá continua vigorando a máxima do Velho Testamento: “Olho por Olho, e Dente por Dente.”
Texto sobre a eleição de Obama, publicado no caderno A do Jornal Correio da Paraiba (08/11/2008)
Assistindo no momento a euforia generalizada em torno de um jovem negro assumindo o trono da maior e mais poderosa nação do mundo, me vem a grande pergunta: “O que fará por uma nação que se diz cristã, um homem de uma raça que, apesar dos ventos do progresso, vem sendo duramente castigada e injustiçada há séculos?". A engrenagem de uma máquina que privilegia o capital em detrimento dos que nada têm, por acaso aceitará em seu mecanismo insano, um Obama decidido a reparar injustiças, a ressuscitar a ética e a honestidade na coisa pública? Ao ver jovens alegres, cheios de ufania, batendo no peito e gritando ─ “Obama, a esperança”, fico torcendo para que os “Herodes” do mundo globalizado não destruam mais um grande sonho da juventude americana sedenta de justiça. Levi Bronzeado dos Santos . Guarabira, PB
Selos de Premiação
Presente de Leonardo Gonçalves do blog Púlpito Cristão
Presente de Teóphilo Noturno do blog "O Mundo Jaz no Maligno"
Presente de Rodrigo Melo do blog "Considerações Acerca da Vida!"
Um presente de Marcelo Batista Dias do blog "Ecclesia Reformata Sed Semper Reformanda".
Segundo presente de Marcelo Batista Dias do blog "Ecclesia Reformata Sed Semper Reformanda".
Presente triplo de Teóphilo Noturno, Rodrigo Melo e Leonardo Gonçalves